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É hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa.

A tecnologia já nos vai dando, felizmente, ajuda para muita coisa. No caso agora das zonas afetadas, sobretudo em Leiria. No concelho de Leiria, há uma empresa tecnológica portuguesa, a Tecever, que está a apoiar a resposta aos danos provocados pela Depressão Kristen, ajuda a Câmara Municipal de Leiria a fazer um levantamento de dados em tempo real. O objetivo aqui é apoiar a tomada de decisão das autoridades, permitindo estabelecer prioridades entre as intervenções mais urgentes e acelerar a fase de reconstrução do concelho. A Tecever, para aqueles que ainda não se cruzaram com o nome, é um daqueles chamados unicórnios, uma empresa que vale mais de R$ 1 mil milhões, está especializada em drones e tem sido fundamental. É uma das empresas com a melhor tecnologia de drones em todo o mundo. Tem sido fundamental na defesa da Ucrânia, fornecendo sistemas aéreos não tripulados, é assim que se chamam os drones. Para missões de inteligência, recolha de informação, vigilância e reconhecimento. E aqui há uns tempos comprou um aeródromo, um aeroporto desativado na Inglaterra para que seja o seu centro de testes, basicamente. Os drones precisam de voar, precisam de ser testados. É uma das empresas que está mais à frente nesta área em todo o mundo. Eles estão também presentes em Leiria, têm lá um centro de desenvolvimento e de investigação. Criaram agora uma task force no terreno, com mais de 100 funcionários em regime de voluntariado, e eles utilizam precisamente drones e um sistema inteligente para fazer o mapeamento aéreo dos estragos. Há uma plataforma de inteligência operacional que eles próprios desenvolveram, chama-se Atlas. No fundo, permite recolher a informação visual que todos os drones vão dando em tempo real, cruzar dados de múltiplas fontes e dando às autoridades uma visão mais detalhada da extensão dos estragos, com o apoio precisamente destas ferramentas. E as autoridades ficam com mais informação para saber onde é que hão de atuar mais depressa. A empresa diz também que dada à natureza técnica e operacional dos dados recolhidos, as imagens captadas são de uso exclusivo das entidades competentes. Não é possível a sua divulgação pública. Presume-se que o nível de detalhe e definição das imagens recolhidas revele tudo e mais alguma coisa. Por cima, nós percebemos, com habitações sem telhado, fábricas e por aí fora.

Até mesmo por questões de segurança.

Segurança, sem dúvida.

E preservação dos bens.

E até de intimidade, se quisermos, em muitos casos. E portanto, percebe-se perfeitamente este cuidado. Mas cá está, a tecnologia a ser usada para o bem, se quisermos, neste caso.

Muito interessante. E às vezes a tecnologia que evolui em situações de guerra, lá está, como na Ucrânia.

É que é um fator de inovação tecnológica muito grande, infelizmente. E cá está a ser utilizado o mesmo tipo de ferramentas, neste caso, para ajudar numa situação de catástrofe.

Em pequena escala, há quem ajude na sua dimensão e que faça a diferença. Fui procurar mesmo, porque provavelmente também vocês encontraram nas redes sociais a notícia de uma farmácia que continuava a funcionar em Ourém, à luz de uma lanterna. E de umas velas, independentemente de tudo aquilo que estava a acontecer à volta. Eu já vi isso e fui suscitada ontem quando o Bruno, e bem, dizia que estas situações mostram o pior da humanidade. E também mostram o melhor. Eu por isso quis procurar um bocadinho o que as notícias diziam sobre a história desta farmácia e desta farmacêutica. Vi um direto na RTP com a dona Maria, fiquei com a ideia que era proprietária, mas não tenho a certeza se é proprietária ou se é funcionária. Ela tem 82 anos e apesar de Ourém estar devastado pelo mau tempo, ela decidiu continuar a funcionar e a atender as pessoas que precisavam, e ela diz que precisam muito. Como não há sistema Multibanco, não há luz, está a confiar na boa-fé. E portanto, os medicamentos são aviados, são entregues sem pagamento, fica registado num papelinho a indicação do valor e as pessoas irão um dia devolver-lhe o dinheiro, e seguramente que irão, tenho a certeza. Ela diz que é a melhor forma de contribuir para a reconstrução, e diz que os últimos dias têm sido horríveis, têm sido muito maus e ela diz que só lá está porque é a forma que ela encontra de ajudar as pessoas. Diz que há muita procura, muito recurso à farmácia, as pessoas procuram sobretudo antidepressivos. E diz que chegam muito assustadas. Estamos a falar de uma zona pequena, em que provavelmente as pessoas se conhecem todas muito bem, e ela diz que os clientes estão a chegar irreconhecíveis, muito assustados, muito preocupados, desgastados. Sobre ajudas, diz que sim. Esta reportagem, atenção, foi no dia 31 de janeiro. A situação terá evoluído até lá, esperemos que sim. Sobre ajudas, ela conta nesta reportagem à RTP que sim, que a Câmara foi lá oferecer-se para ajudar. Ela pediu uma lona para tapar o telhado e evitar prejuízos maiores. Na altura daquele direto, ela diz que ainda aguardava. Trabalha nesta fábrica há 60 anos, recusa fechar as portas, diz que quer ajudar as pessoas, que todos os clientes são família e trabalhará até ser preciso. Lá está a dona Maria com uma lanterna à procura de cada medicamento. Com uma lanterna e com velas acesas, à procura dos medicamentos e tentar ajudar.