Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Não se fala de outra coisa, e se falar pouco, devíamos falar mais do governo talibã, que continua a tentar calar as mulheres no Afeganistão. Já estavam proibidas de falar em público, ir à escola, até cantar, e agora baniram das universidades livros escritos por mulheres. São cerca de 140 livros, incluindo textos sobre direitos humanos, direitos das mulheres, pensamento político ocidental e também livros técnicos, livros que estão entre os 680 considerados preocupantes por serem anti-talibã e estarem contra o sistema jurídico do Islã. Além disso, as universidades também foram informadas de que vão deixar de poder ensinar 18 disciplinas por estarem, segundo um oficial dos talibã, em conflito com a política do sistema. Dessas 18, seis são especificamente sobre mulheres. Este decreto do final de agosto é o mais recente de uma série de restrições que os talibãs têm imposto desde que regressaram ao poder, há quatro anos. Ainda há dias, por exemplo, proibiram a internet fibra ótica em pelo menos 10 províncias, por ordem do líder supremo dos talibã. Uma medida, dizem, que é para evitar a imoralidade. As várias restrições têm afetado diversos setores da sociedade, mas o impacto sobre mulheres e meninas tem sido ainda mais severo. Elas estão proibidas de ir, além do ensino preparatório, e devido a esta proibição e outras limitações impostas, há a notar cerca de sete milhões de crianças fora das salas de aulas.
Claro.
Sete milhões. Mas segundo disse a ativista Fatima Amiri há uns dias, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Fatima, que foi uma das sobreviventes de um ataque suicida a uma escola em Cabul, no Afeganistão, que matou 50 alunos. Segundo ela, estas meninas não desistem de estudar. Muitas continuam a tentar aprender em casa com os seus livros, interagir com outras pessoas com conhecimento para aprender com elas. Mas, de facto, é uma realidade que nos ultrapassa a todos e que é difícil imaginar. Os talibãs dizem que sim, que respeitam os direitos das mulheres, de acordo com a sua interpretação da cultura afegã e da lei islâmica.
A cultura afegã.
É sempre um murro no estômago quando ouve estas coisas.
É sempre muito difícil ler do que chega do Afeganistão, e que não é muito, e que coloca agora isto que eu quitá como um problema de primeiro mundo, muito menor. E que tem a ver com a relação difícil que Veneza e os turistas estão a ter.
Veneza.
Veneza.
Já foram a Veneza?
Já.
Não.
Não, eu também não.
Já fui.
E é cada vez mais difícil de desfrutar, não só porque está atolada, a população duplica com o número de turistas e quem lá vive não gosta nada. Estão mesmo muito tensos.
Eu gostei muito de Veneza, mas não gostei, de facto, do tratamento que recebi.
Foi?
É verdade.
Já deve ter a ver um pouquinho com isto.
Mais uma.
Mais uma.
Mais uma. Pois é, claro. Veneza foi a primeira cidade do mundo a introduzir uma taxa turística que não implica pernoitar. Só de entrada. Desde o ano passado, desde 2024, €5. As reservas de última hora são de €10 só para entrar, como uma portagem para entrar na cidade. Este período foi alargado. Primeiro eram 29 dias, foi só no mês de abril, depois passou para 54 dias e vai ser assim no próximo ano. A ideia é aliviar a pressão dos meses em que Veneza é mais visitada. Se bem que o balanço que se está a fazer é de que isto não está a adiantar muito, é muito residual.
Pois, as pessoas em vez de pagarem para ir a um museu, é a mesma coisa, não é?
Exatamente. Pagam para entrar em Veneza, numa cidade-museu. Os relatos de quem lá vive sobre o comportamento dos turistas também não deixa os turistas muito bem vistos. Há comportamentos muito pouco recomendáveis. Por exemplo, um casal britânico foi expulso por ter andado a mergulhar nos canais. É ilegal. Daí levou uma multa de €450 para cada um. Eles resolveram festejar o último dia de férias em Veneza, ou dos últimos dias, dando um mergulhinho. Enfim, foram expulsos da cidade por 48 horas. Há mais, há um outro homem que foi detido por nadar nu no canal. Outro foi filmado a saltar de um dos edifícios lá em cima para o canal. Muitos saltam das pontes. Normalmente, os que saltam das pontes estão acompanhados por uma alta taxa de alcoolemia. Dois australianos foram apanhados a surfar nos canais, não sei como.
Não vi nada disso quando lá estive.
Não viste nada disso, claro, mas quem lá está regista. Muitos ficam um pouco chocados por ver mulheres de biquíni a apanhar banhos de sol ali naquelas praças ou mesmo junto às igrejas, acham uma falta de respeito. A alimentar pombos, a fazer corridas de bicicleta, scooters, enfim. Só para termos uma ideia, desde o início do ano, as autoridades já deram ordem de expulsão a mais de mil turistas, mas há quem defenda penas muito mais pesadas. E agora há uma campanha que está nas ruas, e também nas redes sociais, cujo título é "Veneza não é a Disneylândia". E, portanto, isto significa que há mesmo muito mal-estar.
Muitos excessos, não é?
Muitos excessos.
Além dos turistas. Excessos dos próprios turistas.
Dos turistas. Está difícil.