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Então, do que se anda a falar?

Anda-se a falar-

O nome não dou da rubrica, não se fala de outra coisa.

Não se fala de outra coisa. Agora, se calhar vai se falar menos, porque entretanto a situação está esclarecida, e isto quanto à intenção da Netflix de comprar a Warner Brothers. Soube-se em dezembro. Na altura, a gigante do streaming fechou um acordo de fusão com a Warner Brothers. Só que na passada quinta-feira, esse negócio deixou de ser financeiramente atrativo para a Netflix e já esta semana o CEO da empresa, Ted Sarandos, veio explicar por que isso aconteceu. Aconteceu porque a Paramount chegou-se à frente, fez uma proposta mais elevada e a Netflix não quis entrar num leilão. O CEO da Netflix explicou que já tinham trabalhado em cenários de licitação e que oferecer mais pela Warner Brothers não era uma opção. Este acordo entre a Paramount e a Warner Brothers ficou fechado com o valor de $31 por ação da Warner Brothers, num total de $111 mil milhões. Ou seja, €94,81 mil milhões.

É um pedaço do PIB português.

É pouco. Para vermos e termos uma ideia da dimensão do que estamos aqui a falar, e por envolver as maiores empresas de entretenimento do mundo e como isto pode também depois afetar não só a produção de conteúdos, que vai afetar, claro, vai transformar a distribuição desses conteúdos, e também, em última análise, pode refletir-se naquilo que nós pagamos pelas plataformas de streaming. E são cada vez mais e às vezes já não conseguimos chegar a todas. Temos que fazer opções, selecionar quais é que queremos. Mas aqui o que interessa é, de facto, a explicação de Ted Sarandos para esta, em primeiro lugar, tentativa de aquisição da Warner Brothers e depois para este recuo. Ele disse que tinham uma margem estreita sobre aquilo que estavam dispostos a pagar. Houve apenas uma pequena alteração para uma oferta integral em dinheiro, e foi essa a única mudança para que o negócio avançasse mais depressa, porque de início a Netflix ofereceu $27,75 por ação da Warner Brothers, combinando $23 em dinheiro e os restantes $4,50 em ações da empresa de streaming, e depois alterou então a oferta já em janeiro, para um pagamento integral em dinheiro de $82,7 mil milhões. Entretanto, a Paramount, e aqui também com muitas suspeitas de pressões políticas, entrou em jogo e aí a Netflix recuou. O financiamento desta oferta da Paramount será feito através de $47 mil milhões da família Ellison. David Ellison, que é CEO da Paramount, é filho de Larry Ellison, o dono da Oracle, e é também um dos homens mais ricos do mundo, aparece sempre nessas listas. E a partir desse momento, a Netflix achou que o melhor era recuar, deixando no final uma acusação explícita, implícita de um modo, mas também explícita, numa acusação à Paramount, dizendo que o comportamento da Paramount foi invulgar, irracional, diz mesmo, seja qual for a palavra queiram usar. O que diz é que aquilo já não fazia sentido, aquele valor não obedece a uma lógica estrita do mercado, não é o mercado a funcionar. Haverá aqui outras forças a deslocarem-se, a movimentarem-se para justificar esta entrada em ação da Paramount para adquirir a Warner Brothers e que perante essa irracionalidade, a Netflix optou pela saída racional que foi desistir deste negócio. Vamos ver agora como é que isto tudo se reflete, quer na produção do entretenimento, quer depois para nós, consumidores.

Claro que sim. Olha, e claro que também se fala muito, voltando aqui ao conflito no Medio Oriente, da destruição causada pelos bombardeamentos. E nestas coisas da guerra, já sabemos que há sempre monumentos históricos que não passam incólumes aos bombardeamentos. É o caso do Palácio Golestan, classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO. É um monumento histórico que fica em Teerão. Eu confesso que não conhecia, mas é um dos monumentos mais antigos da capital iraniana. E que monumento é este? Ora bem, este palácio foi construído no coração da cidade. Atualmente é composto por oito palácios principais, a maioria utilizada como museus ou como jardins. No sítio oficial do monumento, é possível ler que foi escolhido como sede do governo da dinastia Qajar, que chegou ao poder em 1779 e que fez de Teerão a capital do país. E foi numa sala deste palácio, por exemplo, que decorreu a cerimônia de coroação do Xá Reza Pahlavi em 1967. Na sala do trono deste palácio há uma fotografia desse momento, que também está disponível e que circula também por aí. Ele é construído em torno de um jardim composto por tanques, áreas ajardinadas. No total, são oito imponentes estruturas palacianas, utilizadas principalmente como museus e rodeadas por uma muralha exterior rasgada por várias portas. E, de fato, as fotografias de antes dos bombardeamentos mostram salas imponentes, salas grandiosas, com tetos em abóbada, grandes candeeiros pendurados também, muitas áreas espelhadas. Ora, o certo é que este monumento sofreu graves danos durante um ataque israelita e norte-americano. Foi atingido por estilhaços e também pela onda de choque, por um ataque aéreo contra uma praça vizinha. Janelas, portas, espelhos foram atingidos, foi tudo, pelas ondas de choque destes bombardeamentos. As imagens mostram muitos vidros partidos, alguns destroços no exterior do palácio, também muitos tetos danificados. A UNESCO, claro, mostrou já preocupação com a proteção do patrimônio no Medio Oriente, neste contexto de escalada da guerra. Emitiu mesmo um comunicado a dizer que informou todas as partes envolvidas no conflito das coordenadas geográficas dos sítios inscritos na lista do patrimônio mundial, bem como dos bens de importância nacional, para evitar qualquer dano. Recorda que os bens culturais são protegidos pelo direito internacional, nomeadamente pela Convenção de Haia e também pela Convenção de 1972, relativa à proteção do patrimônio mundial, cultural e natural. Infelizmente, enfim, nestes conflitos já sabemos que o patrimônio cultural também acaba por ser muito afetado em todos estes conflitos.