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Jornal das cinco com Miguel Vítor Dias. Em destaque: Luís Neves prestou esclarecimentos ao início desta tarde e diz que nada o vai afastar do cargo de Ministro da Administração Interna.

O antigo diretor da Polícia Judiciária diz que não se deixa intimidar e que agora está até mais motivado para desempenhar o cargo de ministro com o objetivo de combater o populismo. Durante a cerimônia de comemoração do aniversário do Comando Regional da PSP da Madeira, Luís Neves desafiou diretamente André Ventura para lhe colocar as questões que entender.

No próximo dia oito, dentro de oito dias, na parte da tarde, terei a audição regimental no Parlamento. Quer dizer ao deputado André Ventura que estou totalmente disponível para lhe responder a qualquer questão que ali seja colocada.

Luís Neves, no momento de resposta aos jornalistas, em que se disponibilizou para responder a três perguntas, o ministro da Administração Interna, que durante o discurso oficial respondeu aos casos dos últimos dias e assegura que nada vai afastar do cargo que desempenha atualmente.

Percebeu que não me pode atacar por inação. Percebeu que não me pode atacar por desconhecimento. Escolheram, por isso, a única estratégia que conhecem: lançar suspeitas, atacar a honra e tentar intimidar com base na mentira. A mim não me intimidam. Jamais me intimidarão. Escolheram, por isso, repito, esta única forma. Daqui digo, com absoluta serenidade e total firmeza: nada nisto me intimida ou condiciona.

Luís Neves, que garante ter cumprido sempre a lei, que os bens apreendidos em operações policiais devem ser postos ao serviço de quem combate o crime. O ministro da Administração Interna, que critica as investigações jornalísticas que têm por base invejas de pessoas que afastou no passado e rejeita ter a autoridade diminuída.

Cometi um ou outro erro, que já o reconheci com toda a humildade, mas que não põe em causa a minha ação. Todos sabem que nunca procurei esconder, fosse o que fosse, mas há uma distância que não permitirei que seja apagada entre os erros que assumi e aquilo que se falam de crimes que não cometi. Quero também repetir com toda a frontalidade que aquilo que me cabe assumir. Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o Estado. Nunca, jamais, em tempo algum. E disponibilizei-me sempre, e continuo disponível, para todo escrutínio judicial, financeiro, político e jornalístico.

Luís Neves durante a cerimônia de aniversário do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública da Madeira a responder aos casos conhecidos nas últimas semanas.

E André Ventura anunciou para hoje uma decisão sobre a moção de censura ao governo, na sequência dos problemas com Luís Neves, mas, para já, apenas reagiu aos esclarecimentos do ministro a partir das redes sociais.

Impressionante, inarrável e inqualificável. Foram estas as três expressões que André Ventura encontrou para criticar a intervenção de Luís Neves. Numa curta mensagem nas redes sociais, o líder do Chega deixa a pergunta: "O que saberá Luís Neves sobre o primeiro-ministro?" André Ventura, que prometeu anunciar uma decisão sobre a moção de censura ainda hoje e remeteu esse anúncio para depois de uma reunião dos órgãos do partido. Para já, ainda não se sabe se a reunião já decorreu e se já existe uma decisão. Também a presidente da Iniciativa Liberal publicou uma missiva nas redes sociais em que reafirma que Luís Neves não tem condições para continuar. Mariana Leitão fala em crise grave nas instituições e acrescenta que a continuidade do ministro destrói a imagem da PJ e arrasta o governo, colocando-o em crise permanente.

Nas finanças, o orçamento do Estado para o próximo ano já tem mais de quatro mil e quinhentos milhões de euros comprometidos.

O governo indicou à Assembleia da República que as medidas já adotadas para o orçamento do Estado do próximo ano representam um encargo de quatro mil e setecentos milhões de euros. Este documento, o quadro de políticas invariantes, é entregue anualmente pelo governo à Assembleia da República antes da entrega da versão final e do início da discussão do orçamento. Este quadro antecipa assim o valor já comprometido antes de contar com as novas medidas.

Falamos agora de saúde porque a ministra falou esta tarde e disse que faltam oitocentos e cinquenta enfermeiros ao Serviço Nacional de Saúde.

Ana Paula Martins relativiza o desperdício de mais de três mil enfermeiros devido à demora da aprovação dos planos de desenvolvimento organizacional das unidades de saúde. A ministra diz que os novos profissionais têm oportunidades de emprego além do SNS, nomeadamente no setor privado e no setor social. À margem da inauguração de um centro de saúde requalificado em Porto de Mos, Ana Paula Martins revela que as unidades de saúde precisam de entre oitocentos e cinquenta a oitocentos e setenta enfermeiros, mas que contratar não é a única solução.

O número de enfermeiros que nos foram transmitidos como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos oitocentos e cinquenta, oitocentos e setenta enfermeiros. Estão concentradas as necessidades, cerca de dois terços são os baú Tejo. O que eu queria dizer também é que, mais uma vez, não é só através da contratação. A contratação é uma parte importante, mas é também através da ampliação de horários.

A ministra da Saúde, que admite ainda que a situação nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo vai continuar sob pressão nos próximos tempos.

Acho que nas próximas semanas nós podemos ter esta situação várias vezes. Várias são as razões. A primeira é que nós temos, de facto, ali uma pressão assistencial enorme. Temos uma situação também de falta de recursos humanos naquela ULS especificamente, falta de enfermeiros, muita falta de enfermeiros, muita falta de médicos também, concretamente na urgência.

Ana Paula Martins à margem da requalificação de uma unidade de saúde em Porto de Mos.

Na educação, o ministro está de consciência tranquila, é isso que diz De consciência tranquila quanto ao inquérito aberto pelo Ministério Público às falhas na correção dos exames nacionais.

O pedido para a abertura do inquérito foi feito pela FENPROF, que alega terem sido dadas ordens para se classificar itens em que as respostas teriam sido perdidas. Esta manhã, à margem da tomada de posse do reitor da Universidade Técnica do Porto, Fernando Alexandre descartou responsabilidades.

Aquilo que a FENPROF disse, em relação ao que será transmitido aos professores, se aconteceu, nunca veio nem do ministério, nem do Educa, nem do Júri Nacional de Exames.

O Ministro da Educação diz que cabe ao sindicato provar o que disse e defendeu processos disciplinares para os professores que terão dado essas ordens. A poucos dias do arranque do ano letivo, Fernando Alexandre prometeu ainda colocar professores nas escolas todos os dias para combater a falta de profissionais do ensino.

Pela primeira vez, nós vamos passar a colocar, este ano já, no início do ano letivo, professores todos os dias. Quando nós chegamos, eram colocados de 15 em 15 dias, passaram a ser colocados duas vezes por semana e neste início de ano letivo, nós vamos colocar professores nas escolas todos os dias.

Fernando Alexandre, à margem da tomada de posse dos órgãos sociais da recém-criada Universidade Técnica do Porto. O ministro vai estar ainda esta tarde em Carnaxide com Gonçalo Matias, responsável pela reforma do Estado, a anunciar processos de desburocratização nas escolas.

O antigo ministro da Economia, António Costa e Silva, avisa que depois do PRR, o país vai ter de ser criativo nas políticas públicas.

O antigo governante, considerado o pai do Plano de Recuperação e Resiliência, aponta o dedo à compra das três fragatas italianas por parte do governo, como um exemplo. Diz António Costa e Silva que é tempo de potenciar as empresas portuguesas, depois do prazo para a aplicação do PRR ter chegado ao fim. Sobre as fragatas, diz o antigo ministro que a construção de duas delas deve ser feita nos estaleiros navais de Viana do Castelo.

Por que nós vamos comprar três fragatas à Itália? Por que não associamos uma das nossas grandes empresas, que é a West Sea, que é do grupo Martifer e que opera os estaleiros de Viana do Castelo? Isto é uma questão crucial. Se for olhar para os estaleiros de Viana do Castelo, em 2014, como se recordarão, estavam na falência. O Estado conseguiu chegar a acordo com a Martifer, pegou nos estaleiros, criou a West Sea. Nestes últimos 12 anos, estes estaleiros construíram 23 navios e por ano estão a reparar 50 navios.

Na sua opinião, em vez de comprar ao exterior, temos capacidade para construir.

Não, a primeira fragata, muito bem, é construída em Itália, mas temos que associar a West Sea. Repara, a tecnologia da West Sea é referenciada hoje no mundo.

António Costa e Silva, no Explicador da Rádio Observador. O antigo governante do PS falou ainda sobre a entrada do Estado no capital da REN, duvidando da pertinência deste negócio.

Nesta altura passam nove minutos das 17h. Miguel Vitor Dias, vamos a outras notícias que estão a marcar a atualidade.

Um dos três portugueses desaparecidos no Nepal foi encontrado com vida. A informação foi adiantada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Continuam desaparecidas duas cidadãs portuguesas, na sequência desta enxurrada da última quarta-feira, uma catástrofe que já matou mais de mil pessoas dos dois lados da fronteira entre o Nepal e o Tibete. De acordo com as autoridades nepalesas, neste momento, já quase 12 mil pessoas foram resgatadas. No futebol, voo direto Alvalade-Itália. Pedro Gonçalves, pote rumo à Fiorentina, num negócio de €25 milhões. O internacional português tinha sido apontado à Arábia Saudita nas últimas semanas, mas vai até Florença com o clube italiano a pagar de imediato uma taxa de empréstimo de €2,5 milhões, havendo depois uma cláusula obrigatória de compra no final da época de €22,5 milhões. Já Daniel Bragança vai para o Torino. O negócio é idêntico, mas com valores bem mais baixos. O médio rende de imediato €1 milhão, acrescenta depois uma cláusula obrigatória de compra de €2,5 milhões. Na Volta à Espanha em Bicicleta, o francês Bastien Tronchon, da Groupama, foi o vencedor da décima etapa numa chegada ao sprint. Na classificação geral, o espanhol Enrique Mas, da Movistar, continua a vestir a camisola vermelha, com 1min18s de vantagem sobre Primož Roglič. Félix Gal fecha o pódio desta Vuelta, em que João Almeida e Ivo Oliveira continuam em prova pela Emirates, mas a longa distância dos lugares cimeiros. Em Espanha, o governo aprovou um pacote de €300 milhões com medidas para apoiar a economia de Ceuta. O Conselho de Ministros anunciou medidas urgentes. O objetivo é dar confiança e tranquilidade à cidade, depois da entrada maciça de imigrantes nos dias 30 e 31 de julho. A maior parte destes €300 milhões está destinada ao apoio a menores e à ajuda humanitária. Em conferência de imprensa, o ministro espanhol da Política Territorial garante que é preciso ir passo a passo na resolução desta crise. Ángel Víctor Torres diz que é impossível uma deportação imediata de todos os imigrantes que estão na cidade.

Preocupa-me que a notícia seja a violência e não a procura e o objetivo de regressar à normalidade. Quem afirma que os marroquinos podem ser todos deportados amanhã, o que diz é falso, isso é impossível. Quem diz isso está a espalhar uma mensagem populista que sabe que não é algo que possa acontecer. Temos de fazer as deportações, sim, dando passos firmes, tentando encurtá-los e utilizando os recursos pertinentes. Eu deixo aqui uma mensagem absolutamente clara: a violência é desnecessária.

Ángel Víctor Torres, ministro espanhol da Política Territorial, em declarações captadas pela agência de notícias EFE, no momento em que em Ceuta permanecem pelo menos 5 mil imigrantes desta vaga de julho, incluindo cerca de 1200 menores de idade já referenciados.

Miguel Vitor Dias vai regressar às 17h30 com mais notícias. Já a seguir vamos ter o Explicador. Entrevista com Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega.