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É uma hora. As notícias com Carlos Pedro.
Boa noite. Começamos este jornal com as eleições norte-americanas. Milhões de eleitores escolhem esta terça-feira o próximo presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris ou Donald Trump. Um deles vai ser escolhido para suceder a Joe Biden na liderança dos Estados Unidos. As sondagens apontam para resultados renhidos entre dois candidatos que não podiam ser mais diferentes, como nos contam os jornalistas Maria João Brás e João Costa Campos.
Kamala Harris, 60 anos, candidata à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. Tirou direito na University of California Hastings. Dedicou a carreira à causa pública. Durante 30 anos, foi procuradora no estado da Califórnia. Em 2011, foi eleita procuradora-geral deste estado, tornando-se assim a primeira mulher a ocupar a posição. O percurso na política começa precisamente no ano em que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos. Em 2016, Kamala Harris candidata-se pelo Partido Democrata ao Senado. Venceu e fez mais uma vez história, tornando-se assim a primeira mulher negra a chegar à Câmara Alta do Congresso. Chega quatro anos depois à Casa Branca como vice-presidente de Joe Biden, um cargo que ocupa atualmente. Se for eleita presidente dos Estados Unidos, volta a ficar registrada nos livros de história por ser a primeira mulher eleita para a Casa Branca.
Donald John Trump, 78 anos, candidato do Partido Republicano. Estudou finanças e comércio na Universidade da Pensilvânia e tornou-se famoso pelo império imobiliário, que herdou do pai, e que estendeu a várias áreas de negócio, passando por cassinos, hotéis e até uma companhia aérea. Em 2004, atingiu o auge da popularidade ao entrar em casa dos americanos através do pequeno ecrã com o reality show "The Apprentice". Em 2016, venceu a corrida frente à democrata Hillary Clinton e mudou-se para a Casa Branca. Foi o primeiro presidente sem carreira na política ou nas Forças Armadas. Durante os quatro anos de mandato, protagonizou várias polémicas, nomeadamente pela gestão da pandemia Covid-19. É negacionista das alterações climáticas e foi até alvo de duas tentativas de impeachment, uma delas por incitamento à insurreição na sequência da derrota nas eleições de 2020. Recandidatou-se depois do primeiro mandato, mas perdeu frente a Joe Biden, que quer agora voltar à Casa Branca depois de um interregno de quatro anos.
Considerada pela esquerda como progressista, apontada pela direita como marxista, a verdade é que mais do que uma ideologia, Kamala Harris defende causas. Exemplo disso é a liberalização do aborto. Se for eleita, Harris quer repor a lei alcançada através do caso Roe versus Wade. Isto significa permitir o aborto em todos os estados norte-americanos, sem exceção. Do ponto de vista da economia, Kamala Harris garante que a primeira prioridade é reduzir a inflação, promete mais apoios à classe média, nomeadamente com ajudas na compra da primeira casa ou incentivos fiscais à natalidade. Em simultâneo, quer aumentar os impostos às grandes empresas e milionários. Falamos ainda de política externa, um tema sempre presente nos discursos dos dois candidatos. Sobre a Ucrânia, Harris promete apoiar Kiev com mais fundos e no Médio Oriente, tal como Joe Biden, a democrata apoia a solução dos dois Estados, não reconhece a Palestina e apela a um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No entanto, pelo que defendeu até agora, se vencer as eleições, os Estados Unidos vão continuar a ser o aliado número um de Israel.
A direita vê-o como a salvação dos valores tradicionais ameaçados, a esquerda como uma ameaça às minorias e à própria democracia. Se voltar à Casa Branca, terá mão firme com a imigração, promete avançar no primeiro dia de mandato com uma deportação em massa de imigrantes ilegais. A nível económico, vai repor o protecionismo ao aumentar as taxas de importação. Sobre política externa, vai continuar a apoiar totalmente Israel, palavras do próprio, e cortar o apoio à Ucrânia. Donald Trump é o homem que se propõe a tornar a América dos valores tradicionais grande outra vez.
Um trabalho dos jornalistas Maria João Brás e João Costa Campos. Kamala Harris ou Donald Trump, um deles vai ser eleito presidente dos Estados Unidos. A Rádio Observador tem uma emissão especial para acompanhar a pari passo todas as incidências das eleições norte-americanas. E no aproximar do momento da verdade, a Pensilvânia é o estado mais dividido entre os dois candidatos. As sondagens colocam os dois candidatos muito próximos. No "América Dividida", da Rádio Observador, João Diogo Barbosa, especialista em assuntos internacionais, sublinha que a Pensilvânia é um estado importante, sobretudo para Kamala Harris.
Kamala Harris não tem grande possibilidade de chegar, por exemplo, ao Iowa, apesar da recente sondagem, e a Pensilvânia, ao significar 19 votos, pode ser absolutamente fundamental num cenário em que, como temos eleições estaduais muito próximas, qualquer eleitor a mais pode ser decisivo e até pode evitar um empate.
À Rádio Observador, o especialista afirma ainda que as sondagens podem não estar a captar a verdadeira tendência do eleitorado, uma vez que as eleições estão empatadas em vários estados diferentes. Estas eleições são vistas também com elevada expectativa um pouco por todo o mundo e o secretário-geral da NATO assegurou esta segunda-feira que a Aliança Atlântica vai trabalhar com o candidato que vencer as eleições presidenciais norte-americanas. Mark Rutte assegura ainda que a aliança vai fazer de tudo para permanecer unida. Em conferência de imprensa, o secretário-geral defende que o interesse da NATO é o interesse dos Estados Unidos. Mark Rutte referiu ainda que os norte-americanos sabem que se Putin tiver sucesso na Ucrânia, a Rússia vai colocar-se em posição para ser uma ameaça direta aos territórios da NATO. Olhamos agora para Espanha. Subiu para 215 o número de mortes na sequência do mau tempo que tem afetado o país desde terça-feira, em especial a região de Valência. Esta segunda-feira, as operações de busca concentraram-se em parques de estacionamento subterrâneos na região de Valência, onde uma morgue está preparada para receber até 400 vítimas. Entretanto, o Executivo espanhol e o Governo de Valência já estão a trabalhar em conjunto. As duas entidades criaram um grupo de trabalho para dar respostas às consequências da tempestade no setor da habitação. Dizer ainda que o Governo de Valência solicitou ao Ministério da Administração Interna espanhol 4 mil agentes policiais para repor a ordem pública na região. Olhamos agora para a atualidade nacional. Carlos Moedas não desfaz o tabu sobre uma possível recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa, mas garante que o trabalho na capital ainda não terminou. Era um dos pontos que gerava mais expectativa no jantar que assinalou os três anos de mandato à frente da Câmara de Lisboa. Carlos Moedas não fez qualquer revelação sobre o futuro, mas deixou uma promessa.
Há uma coisa que vos digo: vamos entrar neste último ano. Este último ano é um ano para trabalhar, é um ano para trabalhar todos os dias, é um ano em que eu me sinto com mais energia, mais vontade, mais motivação para continuar a fazer, para continuar a resolver, mas sobretudo para continuar a entregar. E por isso, aquilo que nós estamos aqui a fazer hoje é isso, é olhar para os três anos e dizer que temos mais um ano neste mandato e que esse ano não pode ser nem o momento em que não olhamos todos os dias para aquilo que fazemos. Eu vou continuar, minhas queridas amigas e meus queridos amigos, com a vossa ajuda.
O autarca de Lisboa criticou ainda o PS, cola o partido ao bloco de esquerda e alerta para os perigos do extremismo.
Este PS, e eu repito, este PS, um PS que está a chegar cada vez mais à extrema-esquerda, um PS que se transformou no megafone do bloco de esquerda, e digo isto com o coração pesado, porque não era esse o PS de Mário Soares. Um PS em que quanto pior, melhor. Que como vimos na semana passada, aquilo que aconteceu nas televisões, em que os desacatos, em que aquilo que aconteceu foi que os polos vinham os extremos, uns vinham contra os outros, polarizavam, ninguém serenava. E aqueles que nós somos aqueles os moderados, somos aqueles que podemos serenar a sociedade contra os extremos.
São declarações de Carlos Moedas num jantar do PSD organizado na Estufa Fria, em Lisboa. Este jantar contou também com a presença de Hugo Soares. O líder parlamentar social-democrata respondeu ao PS, que criticou a ausência de Luís Montenegro nos bairros que foram afetados pelos desacatos na semana passada. Hugo Soares acusa Pedro Nuno Santos de estar baralhado e não focado em ser oposição.
E de facto, o doutor Pedro Nuno Santos parece-me muito baralhado. Ele está a falar de um primeiro-ministro que é conhecido precisamente por ter uma proximidade enorme com o povo português. Está a falar do primeiro-ministro que visitou os 308 concelhos do país, que esteve nas regiões autónomas, em todos os concelhos, que esteve junto das nossas comunidades e que está constantemente na rua junto dos eleitores, aqueles que vão depositando e alargando a confiança neste governo. E, portanto, eu creio que o doutor Pedro Nuno Santos está muito baralhado.
O social-democrata não revela, para já, se Luís Montenegro tem intenção de visitar os bairros afetados por vários tumultos na semana passada. Já sobre os recuos das declarações de Margarida Blasco sobre o direito à greve dos polícias, Hugo Soares recusa má comunicação no governo e lembra Pedro Nuno Santos que foi a ministra quem resolveu os problemas neste setor. A Federação Nacional dos Médicos alerta que o governo quer alterar o regime de contratação de profissionais. Segundo a FNAM, o Ministério da Saúde vai publicar um diploma que altera os concursos de contratação do Serviço Nacional de Saúde. A presidente da Federação, Joana Bordalo e Sá, acredita que esta alteração traz desigualdades de recrutamento entre médicos dos hospitais e dos centros de saúde.
Cria desigualdades, porque os médicos de família, os médicos de saúde pública, vão ser contratados de uma maneira com concursos nacionais e os médicos hospitalares vão ser através de concursos locais. Ou seja, os médicos hospitalares vão continuar à espera meses e meses para serem colocados. Isso cria, obviamente, desmotivação e faz com que os médicos hospitalares saiam do Serviço Nacional de Saúde, porque não vão estar mais de meio ano à espera de um contrato.
Com a possibilidade dos profissionais abandonarem o país, Joana Bordalo e Sá vai continuar a defender o SNS.
De forma, a Federação Nacional dos Médicos exige, no fundo, que sejamos ouvidos, não é? E que as nossas soluções possam entrar em fase também de negociação para nós termos mais médicos no SNS. Nós vamos continuar a defender o Serviço Nacional de Saúde e para isso nós precisamos de soluções para ter mais médicos, que passam não só por uma grelha salarial de base, mas também por tentarmos melhorar as nossas condições de trabalho.
A presidenta da Federação Nacional dos Médicos defende ainda que o correto era voltar ao modelo anterior da colocação nacional, só com a nota do internato para todos os médicos. E no desporto, o Sporting defronta esta terça-feira o Manchester City para a Liga dos Campeões. É o último jogo de Rúben Amorim no Estádio de Alvalade antes de rumar ao Manchester United. Espera-se, por isso, uma despedida para o técnico português perante os adeptos. Rúben Amorim foi questionado sobre o tema da saída. Assegura que vai ter saudades, mas não se arrepende da decisão que acabou por tomar.
Não, raramente me arrependo. Arrependo-me algumas vezes, mas raramente me arrependo das decisões. Eu ainda não tive tempo para sentir saudades, mas eu sei que vou ter muitas saudades de tudo, do país, dos meus jogadores, de todo o clube, mas teremos tempo para sentir isso. Talvez um pouquinho no fim do jogo, porque é o último jogo em Alvalade, mas neste momento não dá para sentir nada. Vamos esperar até o último jogo a seguir a Braga.
Sobre o jogo com o Manchester City, Amorim promete um Sporting fiel à identidade da equipa. O Sporting-Manchester City arranca quando forem 20h e vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. Fica por aqui este jornal. A informação volta a ser atualizada à 01h30 da manhã. Até lá, boa noite.