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É uma hora. As notícias com Carlos Pedro.

Boa noite, Jornal da Uma, na Rádio Observador. A Procuradoria-Geral Europeia está a investigar alegadas fraudes de mais de 868 milhões de euros em Portugal. É o que assume a responsável pela instituição, em entrevista ao Observador. Laura Kövesi fez um balanço da atividade da Procuradoria-Geral Europeia em Portugal e aponta para números preocupantes. De 22 casos abertos em 2022, o número subiu para as atuais 69 investigações em curso e a estimativa do montante de fraude sob suspeita pode aumentar para 1000 milhões até ao final do ano.

O número de casos explodiu em Portugal. Estamos a investigar possíveis fraudes cujos danos são superiores a 868 milhões de euros até ao momento. Até ao final do ano, esse número pode mesmo chegar a 1000 milhões de euros. É significativo.

Este aumento de atividade da Procuradoria Europeia em Portugal levou mesmo Laura Kövesi a pedir às autoridades nacionais o reforço de mais dois procuradores para a equipe portuguesa. Revela ainda que esteve na última semana reunida com a ministra da Justiça, Rita Judas, e com o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Nós temos apenas seis procuradores europeus delegados em Portugal que têm que fazer as investigações aqui, mas têm que participar em outros tribunais e investigações que ocorrem em outros Estados-membros. É por isso que nós pedimos mais dois procuradores europeus delegados, pelo menos por agora. Os colegas aqui em Portugal ajudam nas investigações que são feitas nos outros Estados-membros. Por exemplo, temos investigações a decorrer na Alemanha, Itália e em outros Estados-membros, que são mais de 100 processos com conexões a Portugal.

Laura Kövesi recordou ainda as operações Admiral e Ambrósia, dois casos investigados pela equipe portuguesa da Procuradoria Europeia. A PGE explica ao Observador a utilidade desta instituição para o país.

Se me pergunta o nome do grupo de crime organizado mais famoso de Portugal, eu não consigo dizer, porque os grupos são internacionais, têm todas as nacionalidades. Entre a operação Admiral e a operação Ambrósia, outro caso investigado pela delegação portuguesa da Procuradoria Europeia, que levou a uma acusação em julho deste ano, nós congelamos ativos de mais de 75 milhões de euros. O que significa este valor? Que quando os processos transitarem em julgado com uma condenação, esse dinheiro irá direto para o orçamento de Estado da República Portuguesa.

A procuradora-geral europeia Laura Kövesi, entrevista ao Observador. Este é um artigo assinado pelo redator principal Luís Rosi, que faz a esta hora manchete em observador.pt. Na política, o PS critica os primeiros 100 dias do novo governo da AD. Diz que foram 100 dias de um fracasso completo. Posição defendida por José Luís Carneiro, que acusa o primeiro-ministro de desresponsabilização constante. O secretário-geral socialista aponta falhas graves nos setores da saúde e habitação e dá como exemplo o fecho das urgências de obstetrícia na península de Setúbal.

São 100 dias de um fracasso completo das políticas que tinha assumido com Portugal. Prometeu resolver os problemas da saúde. Hoje, infelizmente, tivemos as piores notícias em relação ao distrito de Setúbal, porque mais uma vez não há respostas de obstetrícia. Viemos agora a saber que a mortalidade infantil aumentou no distrito de Setúbal e muito terá a ver, certamente, com a falta de respostas de obstetrícia e de ginecologia.

José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas em Braga, à margem da apresentação do candidato socialista à autarquia minhota. O líder do PS citou ainda as mortes que ocorreram na altura da greve do INEM e os problemas nos incêndios como sinais de falhanço do governo de Luís Montenegro. Ainda de olhos postos na saúde, a presidente da Câmara de Almada também critica a atuação do governo neste setor. Uma posição assumida na sequência do encerramento da urgência de obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, por falta de médicos tarefeiros. Em entrevista à Rádio Observador, Inês de Medeiros acusa o governo de só querer fazer grandes anúncios, com as soluções a ficarem pelo caminho.

Mais vale encarar os problemas de frente e sem grandes anúncios e sem grandes soluções-milagre. É óbvio que é preciso abrir concursos para ver se se consegue contratar mais médicos e os grandes planos com base em tarefeiros e protocolos com privados, acabou de provar que não funciona. E não me parece que se atrai médicos para o Serviço Nacional de Saúde com um governo a dizer que eles não querem trabalhar.

A autarca de Almada lamenta também a falta de reuniões com o Ministério da Saúde para discutir as necessidades do Garcia de Horta. Inês de Medeiros refere ainda que o Hospital do Seixal é uma antiga promessa e que, por agora, a prioridade deveria ser expandir o hospital em Almada. André Ventura foi este domingo à Espanha elogiar a perseguição feita em julho aos imigrantes na região de Múrcia, uma posição defendida pelo líder do Chega, que participou na convenção de extrema-direita Europa Viva 25, organizada pelo partido Vox. Em julho, na localidade de Torre Pacheco, em Múrcia, teve origem um surto de violência depois de relatos de que um grupo de imigrantes marroquinos teria espancado um idoso. Depois disso, surgiram apelos na internet a uma caçada de imigrantes. André Ventura recordou o tema para falar em orgulho europeu.

Seguiremos juntos, lutando Por aquilo em que cremos. Uma Europa com menos imigração. E, por isso, quero dizer aqui na Espanha, sabendo que a imprensa europeia que está e a imprensa portuguesa também, o que fizeram em Múrcia me dá um orgulho tremendo como europeu. Um orgulho tremendo como europeu! Me dá um orgulho tremendo como europeu. Obrigado, obrigado, obrigado por que fizeram. Santiago, obrigado, obrigado, obrigado por que fizeram. São enormes.

Na mesma convenção, o presidente do Chega abordou também o trabalho do Executivo espanhol para pedir a demissão de Pedro Sánchez.

O que passa na Espanha é uma máfia dentro do governo que temos que meter na cadeia. Se eu fosse primeiro-ministro na Espanha, o que nunca vai acontecer, eu faria como minha primeira medida tudo o que queiram, mas Sánchez na cadeia, certo, certo e certo.

André Ventura este domingo em Espanha numa convenção de extrema-direita organizada pelo partido Vox. À margem da cerimónia, o presidente do Chega voltou a não esclarecer se vai ou não candidatar-se à Presidência da República. O secretário de Estado do Vaticano diz que a solução de dois Estados é a única forma de resolver o conflito entre Israel e Palestina. Em entrevista ao Observador, Pietro Parolin mostra esperança no fato de muitos países já terem demonstrado a intenção de reconhecer o Estado palestiniano. O cardeal defende a solução de dois Estados e acrescenta a necessidade de fronteiras seguras e uma relação de confiança entre palestinianos e israelitas.

Temos sempre dito que a solução dos dois Estados é a solução mais adequada para resolver o problema entre palestinianos e israelitas. Dois povos que tenham igual dignidade e que vivam em dois Estados, com fronteiras seguras e com uma relação de confiança e colaboração. Acreditamos nisso e atualmente não vemos outras fórmulas.

Pietro Parolin alerta para a nova vaga de rearmamento levada a cabo pelos países europeus. O secretário de Estado do Vaticano relembra que a Igreja Católica defende o desarmamento controlado no velho continente e, por isso, perspetiva um cenário apocalíptico com a corrida ao armamento nuclear.

Hoje, a questão do desarmamento coloca-se de uma forma muito mais aguda do que no passado, devido ao desenvolvimento de novas armas, que são armas de destruição em massa. Quando pensamos na bomba atômica e no uso da energia nuclear para fins militares, quando pensamos nas novas fronteiras da inteligência artificial, nestas armas que até destroem por si próprias, sem terem de ser guiadas pelo homem, controladas pelo homem. Então, os cenários arriscam, direi esta palavra, tornar-se cenários apocalípticos.

O secretário de Estado do Vaticano, numa entrevista que pode ser lida na íntegra em observador.pt, Pietro Parolin aponta ainda para uma diplomacia internacional que está a acusar uma certa debilidade. Na Europa, a Roménia convocou uma reunião com o embaixador russo em Bucareste, depois de um drone russo ter violado o espaço aéreo romeno. O anúncio foi feito este domingo pela ministra romena dos Negócios Estrangeiros e tem como objetivo comunicar claramente o desagrado do governo romeno com as ações irresponsáveis da Rússia. Acusa também Moscovo de provocar uma escalada imprudente das tensões. Ainda em resposta à invasão dos drones russos, a defesa romena enviou dois caças F-16 para monitorizar a situação. No desporto, o Gil Vicente venceu o Sporting de Braga fora de casa por 1 x 0 e somou a terceira vitória na Liga Portugal Betclic, jogo que encerrou a quinta jornada do campeonato. O único golo da partida foi apontado pelo avançado brasileiro Pablo Lip. Com este resultado, os gilistas sobem à quinta posição, têm 10 pontos, os mesmos de Benfica, que tem menos um jogo. Já o Sporting de Braga, de Carlos Vicent, desceu para a sétima posição com oito pontos, sofreu a primeira derrota na liga e acabou a partida debaixo de um coro de assobios e lenços brancos para o técnico espanhol. O presidente da República felicitou a seleção portuguesa feminina de futebol de praia pela conquista da Liga Europeia. Na cidade italiana de Viareggio, as portuguesas bateram na final a Espanha por 4 x 2, com hat-trick de Joana Flores e outro gol de Carolina Ferreira. Com a vitória, Portugal junta-se à Espanha, Polónia e Rússia no restrito lote de seleções campeãs da Europa em futebol de praia feminino. Marcelo Rebelo de Sousa fala num triunfo prestigiante para o desporto nacional. Fechamos o olhar para o ciclismo. Duas pessoas foram detidas este domingo após os incidentes que anularam a última etapa da Volta a Espanha em bicicleta. O percurso foi invadido por manifestantes pró-Palestina, que causaram ferimentos a 22 polícias. A etapa, que devia terminar na Praça Cibeles, em Madri, foi interrompida a 56 km da meta. O dinamarquês Jonas Vingegaard foi declarado vencedor, mas sem cerimônia de pódio. Já o ciclista português João Almeida ficou em segundo lugar e igualou a melhor prestação de sempre de um ciclista português na Vuelta. Em 1974, recordo, Joaquim Agostinho foi também vice-campeão de uma Volta a Espanha em bicicleta. Fica por aqui este jornal. A informação regressa já a seguir com a síntese da 13h30. Até já.