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Muito boa noite. Atualizamos toda a informação na Rádio Observador. É meia-noite e eu sou o José Rafael Lopes. Luís Marques Mendes acusa o Chega e o Bloco de Esquerda de oportunismo pela forma como lidaram com a morte de Odair Moniz. O comentador fala em falta de ponderação, quer de André Ventura, quer de Mariana Mortágua, no habitual espaço de comentário na SIC. O social-democrata admite, ainda assim, que foi o Chega quem esteve pior neste caso.

O que eu acho péssimo é colocar o carro à frente dos bois. Do Bloco de Esquerda, devo já dizer, acho que o comportamento do Chega é o pior de todos. Mas o Bloco de Esquerda também não me parece que tenha andado muito bem a considerar logo no início que isto é uma atitude de racismo. Não sei se é ou não é, as autoridades dirão.

Já sobre a ação da polícia em resposta aos desacatos dos últimos dias, Luís Marques Mendes acredita que a atuação foi pouco visível. O comentador considera que o Estado falhou numa altura em que precisava demonstrar autoridade e controle. Luís Marques Mendes sublinha que o governo não foi capaz de transmitir uma sensação de segurança aos portugueses.

Nós estamos habituados a ter visto isso e até muito pior lá fora.

Em França, por exemplo.

Em França, nos Estados Unidos, no Reino Unido. Agora, a perceção pública nos dois, três primeiros dias é que o Estado falhou. Vamos ser francos.

Nomeadamente onde é que estava a polícia, nomeadamente alguns acontecimentos mais graves.

Sim, nos primeiros dois dias, entre segunda e quarta-feira, a ideia é que o Estado falhou e que as forças de segurança não foram eficientes nem na ação, nem na comunicação, nem numa coisa, nem noutra. E isso não é bom para o Estado de direito. As pessoas precisam de ver nas forças de segurança um referencial de prestígio, de eficiência, de credibilidade e, portanto, é lamentar toda esta parte.

A leitura de Luís Marques Mendes no habitual espaço de comentário na SIC sobre a morte de Odair Moniz e a forma como a polícia agiu perante os desacatos em Lisboa. Mariana Mortágua critica o governo pela falta de ação nos bairros sociais em Portugal. A coordenadora do Bloco de Esquerda pede uma lei igual para todas as pessoas. Em entrevista à CNN Portugal, a bloquista aborda toda a polêmica em volta da morte de Odair Moniz e reforça os pedidos de justiça, à semelhança dos que se ouviram na manifestação de ontem.

Justiça quer dizer: há uma lei que é igual para todos e que nenhum crime pode ficar impune, e que não pode haver crimes encobertos que são praticados por agentes da autoridade, que nos têm que defender a todos. Nenhum cidadão deve ter medo da polícia, independentemente de viver na Damaia, em Alvalade, num bairro do Porto. Nenhum cidadão tem que ter medo da polícia. Pelo contrário, temos que sentir a segurança. Nós temos que reconhecer que é um problema estrutural na nossa sociedade, que é um problema de segregação de bairros, de pessoas negras e pobres, onde o bairro do Estado não chega, a não ser armado com uma shotgun e com um capuz na cabeça.

As críticas de Mariana Mortágua, que abordou ainda as eleições autárquicas, sublinha que derrotar Carlos Moedas na Câmara de Lisboa é uma prioridade e deixa mesmo em aberto uma coligação com o PS para a Câmara lisboeta.

Há um objetivo muito importante em Lisboa, que é derrotar Carlos Moedas. Por muitas razões, porque é um símbolo da direita, porque é o símbolo da direita com o discurso mais à extrema-direita, porque é um símbolo da gentrificação da cidade, do ataque à habitação. A questão dos sem-abrigo, das pessoas em situação de sem-abrigo, está um desastre. Todo o trabalho que foi feito foi destruído no mandato de Carlos Moedas. Porque Carlos Moedas é o símbolo dessa nova direita que anda de braço dado com a extrema-direita, é muito importante derrotá-lo.

Mariana Mortágua em entrevista à CNN Portugal, a deixar críticas ao trabalho de Carlos Moedas na Câmara Municipal de Lisboa. Ainda sobre a morte de Odair Moniz, este domingo ficou marcado pelo funeral do homem morto pela polícia. Centenas de pessoas marcaram presença nas cerimônias fúnebres. A última homenagem a Odair Moniz decorreu com tranquilidade. Não foi notada a presença policial. O momento acompanhado pelo jornalista Carlos Pedro.

Ambiente pesado, muita dor, lágrimas, gritos e apelos à justiça. Ficou assim marcado o dia do último adeus a Odair Moniz, o homem de 43 anos que morreu no bairro da Cova da Moura depois de ter sido baleado por um agente da PSP. As cerimônias fúnebres começaram pelas 14h, na Igreja da Buraca, no Conselho da Amadora. Dezenas de pessoas homenagearam o cidadão luso-caboverdiano durante cerca de 30 minutos. O momento contou também com a presença de figuras políticas como Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, e António Filipe, deputado do PCP. Depois da missa, seguiu-se um percurso até o Cemitério da Amadora, um cortejo fúnebre que fez uma última visita ao bairro do São João e outras duas passagens em frente à esquadra da PSP de Alfragide. O percurso também marcado pelo silêncio e pelos muitos veículos chegados ao cemitério. As dezenas de pessoas passaram às centenas, a rua encheu-se de viaturas, foram lançados balões brancos em direção ao céu e gritou-se por justiça. Sem constrangimentos para os jornalistas, longe de qualquer policiamento, pacífica, mas com muita dor e carregada de emoção, decorreu desta forma a última homenagem a Odair Moniz.

Um trabalho do jornalista Carlos Pedro, que esteve a acompanhar o funeral de Odair Moniz. As cerimônias fúnebres terminaram este domingo. Neste jornal da meia-noite, olhamos ainda para a atualidade internacional. Uma sondagem da ABC dá uma ligeira vantagem a Kamala Harris na corrida à Casa Branca. Apenas dois pontos percentuais separam a democrata de Donald Trump. Nesta sondagem mais recente, Kamala Harris reúne 51% das intenções de voto, contra 47% de Donald Trump, existindo uma margem de erro de 2%, segundo a ABC. Nesta sondagem, Kamala Harris ganhou distância para Donald Trump no eleitorado latino, bem como no eleitorado feminino que vive nos subúrbios. Em sentido inverso, Donald Trump continua com uma posição fortalecida nas áreas mais rurais. As eleições estão marcadas para dia 5 de novembro. Ambos os candidatos mantêm esforços redobrados para tentar tomar a dianteira. Nos Estados Unidos, a acompanhar a reta final da campanha, está a editora de Internacional do Observador, Cátia Bruno, que nos traz o relato do que republicanos e democratas estão a preparar.

A campanha continua a todo gás. Neste momento, os dois candidatos estão a preparar eventos de grande magnitude para os próximos dias. Donald Trump irá fazer um comício no Madison Square Garden, um dos maiores espaços da cidade de Nova York, e que a candidatura do republicano espera que traga muita gente Projete uma imagem de força nestes últimos dias de campanha. Enquanto do outro lado, Kamala Harris está a preparar-se para um discurso que irá fazer na terça-feira no National Mall, uma zona de Washington DC que fica mesmo em frente ao Capitólio. E isto não foi um pormenor escolhido ao acaso pela sua equipa, é precisamente para fazer relembrar os eleitores do ataque ao Capitólio de 6 de janeiro e tentar colar esse evento à campanha de Trump. No fundo, as duas campanhas estão muito investidas em fazer atos muito visíveis e em grande escala para estes últimos dias.

Os enviados especiais do Observador estão na Pensilvânia, no condado de Lancaster, onde Donald Trump está em vantagem. Um exemplo dos contrastes diferentes dentro da Pensilvânia, um Estado que pode ser decisivo nesta eleição. Cátia Bruno.

Escolhemos visitar esta região porque é uma das zonas da Pensilvânia onde o voto em Donald Trump é mais forte, porque há muitos agricultores que estão tendencialmente mais alinhados com o Partido Republicano e que muito provavelmente vão manter esse voto. Nós optámos por fazer o contrário e tentar encontrar uma família que queira votar em Kamala Harris no meio de um condado onde são muito poucos aqueles que votam democrata ou que pelo menos o assumem publicamente. Este contraste é decisivo para perceber como a Pensilvânia tem realidades muito diferentes e que são essas realidades e o confronto entre essas realidades que vão decidir o vencedor da próxima eleição, já que a Pensilvânia é um dos maiores swing states e que terá uma influência decisiva.

Cátia Bruno, editora de Internacional do Observador nos Estados Unidos a acompanhar a reta final das eleições norte-americanas. Em Gaza, quase mil pessoas morreram desde o início da ofensiva terrestre de Israel. Os números são avançados pelo Ministério da Saúde do enclave. Este domingo, pelo menos 18 pessoas foram mortas, dezenas ficaram feridas em novo bombardeamento israelita. Ontem, perto de 40 pessoas morreram, 80 ficaram feridas num ataque israelita contra um complexo residencial. A ofensiva terrestre de Israel começou no início deste mês no enclave. No desporto, o Benfica goleou o Rio Ave por 5 x 0, está de regresso às vitórias. Os encarnados responderam da melhor forma à derrota com o Feyenoord na Liga dos Campeões. No Estádio da Luz, Akturkoglu esteve em destaque, assinou um hat trick. Scheldrup fez o quarto gol do Benfica. Amdoufe fechou a contagem no Estádio da Luz. No final do encontro, Bruno Lage mostrou-se satisfeito com a resposta da equipa após o desaire europeu a meio da semana.

Estamos satisfeitos. Eu estava convicto que esta seria a resposta da equipa, por isso estamos muito satisfeitos. Acho que entrámos muito bem no jogo, uma vez mais com a ambição de ter uma dinâmica ofensiva, de criar oportunidades de gol, com uma forte pressão e claro, satisfeito por isso e satisfeito pelos gols e pelo resultado.

A leitura de Bruno Lage à vitória do Benfica sobre o Rio Ave por 5 x 0. Os encarnados estão de regresso às vitórias. Esta segunda-feira é a vez do Futebol Clube do Porto entrar em campo, joga com o AVS e Vítor Bruno admite que os Dragões ainda procuram a melhor forma. O encontro arranca quando forem 20h15. O técnico portista fala num processo contínuo dentro da equipa para tentar melhorar o rendimento do Futebol Clube do Porto. Assegura Vítor Bruno que frente ao AVS vai notar-se a evolução da equipa portista.

Queremos sempre melhorar, ser muito identitários naquilo que é nosso, sermos muito agressivos no primeiro momento. Se calhar, se tivéssemos ido mais pro lado emocional com o Hoffenheim, se calhar tínhamos tido outro resultado que não aquele que tivemos agora. Queremos um futebol espetáculo, champagne, artístico, eu também quero, também gosto, sou muito adepto disso. Agora é perceber o momento, ver o que temos, o que estamos a construir, garantir bases sólidas e a partir daí tornar o jogo cada vez mais rico, andando passo a passo. Vamos lá chegar.

A leitura de Vítor Bruno, treinador do Futebol Clube do Porto, na antevisão ao jogo com o AVS para o campeonato. O encontro que arranca quando forem 20h15 da noite, vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. Esta é a notícia de fecho neste jornal. A informação está de regresso à 00h30, já com a jornalista Maria João Brás.