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Apito inicial para a edição desta terça-feira de You Campion. Na ementa desta emissão vamos ter a vitória difícil do Benfica ontem frente ao sensacional Santa Clara, uma das equipes em destaque na edição deste ano do Campeonato da Primeira Liga. E vamos perspetivar também o encontro de mais logo que vai opor o Sporting em Alvalade ao Marítimo, jogo a contar para a Taça da Liga. Mas primeiro, a partida de Ponta Delgada. O Santa Clara até começou bem, esteve a ganhar, foi para o intervalo a vencer por 1 x 0. Na segunda parte, o Benfica conseguiu dar a volta com destaque para a exibição de Gianluca Prestianni, grande jogo do extremo do Sport Lisboa e Benfica. Augusto Inácio, foi o jogador em destaque, o jogador mais em foco, o responsável pela cambalhota no marcador e pela vitória do Benfica, que permitiu aos encarnados manterem a distância para o Porto de cinco pontos.
Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que a primeira parte do Santa Clara é muito boa. O Benfica teve muitas dificuldades em entrar na área do Santa Clara. Pouco ou nada produziu. O Santa Clara sempre com aqueles contra-ataques velozes, conseguiu sempre incomodar a defesa do Benfica, até que marcou um gol de grande penalidade. Eu diria que o Benfica passou realmente um mau bocado, mas na segunda parte aconteceram duas coisas. A primeira, a entrada de Schjelderup e Lukebakio, que abriu a frente do ataque do Benfica com outra criatividade. E a segunda, porque também fisicamente, o Santa Clara já não acompanhou o ritmo do jogo como tinha feito na primeira parte e caiu um pouco. E o Benfica, através e bem daquilo que tu disseste agora, que é o meu destaque também do campeão, que é o Lucas Prestianni, que realmente desbaratou a defesa do Santa Clara e ofereceu o gol ao Pavlídis, de 1 x 1, e depois é ele próprio que faz o 2 x 1. O Benfica deve muito, claro, à equipa, naturalmente, a reação da segunda parte, mas deve muito já desde o início da época, que tem estado num excelente momento de forma, a este Prestianni, que realmente tem sido um jogador fantástico esta temporada.
Pedro Henriques, boa tarde também, bem-vindo. Prevaleceu esta individualidade, Gianluca Prestianni ao coletivo do Benfica para esta cambalhota no marcador?
Sabes que quando estás bem emocionalmente, o individual ajuda, há sempre alguém que aparece e pode fazer a diferença, mas também ajuda dentro do coletivo. E o Benfica é muito isto. É um coletivo que está a dar sinais de vida positivos, também muito catapultado pelos resultados internacionais, mesmo sendo na Liga Europa, quer queiramos, quer não, isso mantém a equipa muito viva, com muitos gols, a jogar bem, inclusivamente, com muita nota artística. E depois, dentro desse coletivo, dois ou três jogadores que se vão destacando. E um deles, claramente, que tem sido o Prestianni. Portanto, não é por acaso que acaba por ser uma vez mais o man of the match, o melhor em campo, a fazer toda a diferença. Um Benfica que acabou por ter dificuldades, obviamente, porque até começou a perder. Teve mais posse de bola, 101% de posse de bola, fez mais remates, embora aqui muito divididos, 16 x 13, e teve também uma situação que eu acho que é importante, que é a questão dos remates enquadrados, que acabou, embora curiosamente, por ter menos remates enquadrados do que o Santa Clara. Ou seja, e isto vem para um aspecto que eu tinha aqui também como nota, que é a questão da eficácia, porque a eficácia é extremamente importante. E o Benfica, com maior ou menor dificuldade, está naquela fase e todos os clubes atravessam essa fase pela positiva. O Sporting em tempos também já o foi, o Porto ano passado era muito isso, que é mesmo que eventualmente as coisas comecem a correr mal, os próprios jogadores sentem que porque estão habituados a vencer e a ganhar e porque sentem que são melhores, mais tarde ou mais cedo conseguem resolver. Em sentido contrário, vamos falar daqui a pouquinho do Sporting, que quando a coisa começa a ficar mal, percebe-se logo pelas bancadas que já começou mal, já não vai lá. E este aspecto, que é emocional, depois também reflete. Portanto, foi o Benfica que foi melhor que o Santa Clara, no meu ponto de vista. Enfim, só lamento depois todo um aparato final que é muito duro, que é muito difícil de ver. Nós tivemos um jogo que foi o Galatasaray agora que também acabou da mesma maneira, mas a isso estamos habituados. Às vezes do Brasil também vêm esses exemplos que não são felizes. Em Portugal, eu recordo-me disto mais há 20 ou 30 anos, que é acabar-se o jogo e todos aqueles tumultos, todos atrás uns dos outros. E depois é muito difícil de controlar. Depois há as expulsões e depois toda a gente é santa. Portanto, o meu jogador não fez mal nenhum. Eu percebo esse tipo de defesa que se faz, mas pode acontecer que aconteça como aconteceu com o Oliveira há muitos anos atrás, que depois teve que dar o dito por não dito num certo caso entre João Pinto e Paulinho Santos. Enfim, vale o que vale, mas não é bonito. E se o futebol português quer vender, etc., internacionalizar-se, não pode começar o jogo do Sporting cinco minutos depois da hora e o jogo do Benfica dois minutos depois da hora. Os relvados não podem ser aquilo que nós estamos a ver sistematicamente e os comportamentos finais são pura e simplesmente miseráveis. O que é que safa isto tudo? É que há árbitros e a malta depois mete a culpa nos árbitros e está tudo resolvido.
Foi a nota mais negativa deste Santa Clara-Benfica. Gabriel Alves, boa tarde também, bem-vindo. O Benfica foi melhor que os açorianos?
Boa tarde. Eu acho que tivemos foi um belíssimo jogo de futebol, aquilo a que eu chamo é o match. E para já a minha palavra primeira vai para o Santa Clara, que de facto entrou no jogo e encarou o super Benfica, o melhor ataque da liga portuguesa, de olhos nos olhos. Não estou ali à espera do erro, à espera de criar uma situação e dificultar e atrasar. Não, jogou o jogo, discutiu o jogo, discutiu o resultado E obviamente que isso é muito positivo.
Há ali jogadores talhados para outros voos?
Eu acho que esta equipa, para já, chegou a esta jornada na posição em que está e vinha sem derrotas, a melhor defesa. Ontem sofre 50% dos gols que já tinha sofrido entretanto nas jornadas anteriores. Portanto, esta equipa tem asas para voar e tem um treinador que eu prezo. Já o prezava como jogador e prezo até pela sua postura, pela forma como se apresenta e até por aquilo que é hoje, a comunicação. De resto, é nosso homem fica. Duas palavras, o resto já está dito, quer pelo Pedro, quer pelo Augusto, não vou entrar muito mais. Dizer que todas as grandes equipas, por aí fora, têm sempre necessidade de ter um jogador diferencial, ter um jogador que tem uma nota artística fora do comum, um criativo, porque se é tudo muito geométrico, tudo muito computadorizado, tudo muito digitalizado, obviamente que quem defronta depois sabe como é que há de anular o computador, a digitalização, etc. E é verdade que neste momento Prestián é um jogador que obviamente faz a diferença e naturalmente que acaba por ser a influência maior naquilo que é o futebol do Benfica para três quartos adiante. E a outra figura que eu dou é Marco Silva, porque soube ler o jogo bem, não ficou à espera da folha Excel para o 60 ou 65 ou 70, aquilo que programou. E obviamente também programa, também planifica. Há planificação, nada contra, mas o jogo obriga a que se tenha outro tipo de atitude. E o treinador é um jogador que também entra no desafio. E Marco Silva viu bem o jogo e obviamente que fez as substituições que tinha a fazer, tendo Sudakov completamente anulado e Palhinha metido no bolso. Portanto, teve que alargar e teve que ter um jogo bem diferente com o tal Prestián a vir ao de cima. Para Marco Silva também escusava ter aquele final com aquela conversa toda. Sabem, é que isto do futebol é tudo mato, é tudo bonito. E o Pedro Henriques tocou aí em toda uma série de situações. E eu digo: pois é, foi um belo jogo, no melhor palco que há em Lisboa.
Para a história fica a vitória do Benfica por 2 x 1. O Benfica continua na segunda posição do campeonato a cinco pontos do líder, o Futebol Clube do Porto. E hoje a Taça da Liga, jogo dos quartos de final em Alvalade, o Sporting recebe o Marítimo. Pedro Henriques, o futuro do técnico Rui Borges joga-se também nesta partida?
Como nós sabemos, hoje é o mata-mata. Portanto, ou ganhas ou perdes, porque no final dos 90 minutos, se houver empate, tem que se ir para pênaltis e hoje tem que sair daqui um vencedor. E há só dois resultados, de um ponto de vista, ou vitória ou derrota. E para o Sporting, eu sei que vou ser um bocadinho irônico, mas eu acho que o Sporting hoje joga com os dois resultados e ganha sempre. Porque se ganhar, ganha o direito a estar em janeiro no playoff. Se perder, estou convicto que ganha a saída do treinador, porque não há mais pachorra depois para poder se aguentar, independentemente de haver soluções ou não. E portanto, acho que o Sporting ganha sempre, porque este adiamento não tem a ver com o Rui Borges, não tem a ver com a pessoa em si, nem sequer com os seus conhecimentos, nada disso. Tem a ver com percebermos claramente que depois do final da Taça de Portugal, o ciclo do Rui Borges acabou, pela implicação que teve aquela derrota e a incapacidade que é de passares uma mensagem que os jogadores de alguma maneira não estão a entender. E quando assim é, vale mais as pessoas serem felizes em outros sítios. E se calhar o Rui Borges chega a outro sítio qualquer e vai ser feliz e vai ganhar títulos e vai conseguir coisas. Neste momento a mensagem não está a passar, independentemente das mudanças. E por isso, eu acho que é um bocadinho entre estes dois limbos que está. Já agora, com tantas mexidas, hoje foi dos dias que mais prazer me deu fazer um 11, porque se eu conseguir acertar em cinco já é um.
Vai ser difícil, não é? Tendo em conta que foram anunciadas várias mudanças no 11.
Só relembrar que de domingo, 20h15 para terça-feira, 20h15 passam 48 horas, não as tais 72 horas do regulamento. Há uma exceção da Taça da Liga, o regulamento das competições assim permite, desde que haja também um acordo entre os clubes, que foi o que aconteceu, escrito, que é para não haver dúvidas, e depois que as equipas no fundo aceitem, e foi isso que o Sporting, que era neste caso que estava em questão os 48 horas, aceitou. Para as pessoas perceberem por que o ano passado até se discutiu muito uma guerra entre Porto e Sporting das 72 horas, é porque a Taça da Liga tem essa exceção das 72 horas e é preciso que mesmo assim haja acordo entre os clubes e a liga exige mesmo o acordo escrito e foi isso que aconteceu e portanto tem a ver com o Sporting permitir e aceitar. Rui Silva, Vajaniides, Quaresma, Felicíssimo, Zé Cri, João Simões, Anderson, Pedro Lima, Mauro Couto, Ioannidis, Jessy Deurry. Se calhar se acertar cinco já é muito bom.
Fica aqui o 11 de Pedro Henriques para o encontro de mais logo entre Sporting e Marítimo. Vou pegar aqui numa ideia do Pedro Henriques. Gabriel Lopes, chegou ao fim o prazo de validade Rui Borges no banco dos Leões?
Está em exame cada jogo agora. É um exame. Portanto, é Rui Borges que está em questão, está no fio da navalha. Agora, deixa aqui a questão: e os jogadores, qual é a palavra deles? Ora bem, vamos lá ouvir a palavra deles sobre o tapete verde, no campo, sobre a relva. É aí que se ouve qual é a posição dos jogadores.
Augusto Inácio, há aqui também uma cota parte importante de responsabilidade por parte dos atletas do Sporting para estes resultados menos positivos alcançados nas últimas semanas?
Olha, eu diria que isto há o lado positivo e o lado negativo. Qual é o lado positivo? O lado positivo é quando ganham, ganham todos. Aí aparecem todos na fotografia. É presidente, é administração, é departamentos médicos, é equipa técnica, é jogadores, é tudo. E todos ganham e são todos bons. Quando se perde, aponta-se o dedo só a um, que é o treinador E não é assim, porque quem fez a rasia do plantel não foi o Rui Borges, foi o presidente Frederico Varandas. Automaticamente, o Rui Borges poderia ter feito melhor, poderia ter feito melhores substituições, melhor equipa, melhor jogo. Claro, também tem a sua quota parte, mas não vamos só apontar a um aquilo que é um somatório do todo em relação àquilo que tem sido a temporada do Sporting. Com tantas saídas, é complicado e difícil manteres um certo nível. Mas diria que sim. Não é pelo jogo de hoje que me parece que o Rui Borges, se ganhar, vai se manter.
Tem o destino traçado?
Tem o destino traçado. É um treinador que está ali à procura ou dá tempo para que o presidente possa ver as opções que tem. E depois quando tens um presidente que diz que é o treinador que é o mais barato da década e porque deu 80 milhões de lucro ao Sporting na Champions, eu também poderia dizer que, se calhar, o aumento salarial do presidente também é o maior da década e por isso não vamos estar a confundir as coisas. Acredita-se no treinador ou não se acredita? Isto, em banho-maria e não tomar uma decisão, é coisa complicada porque os adeptos do Sporting, mesmo que o Rui Borges ganhe hoje, mesmo que ganhe o outro jogo de campeonato, se as coisas não forem bem esclarecidas, é evidente que ele não tem ali ambiente.
O Augusto Inácio falava aqui nos salários e a Assembleia Geral do Sporting aprovou as novas remunerações para o conselho de administração desta época, com aumento de 18,7% na componente fixa. Estamos a aproximar-nos do final desta edição de "E o Campeão É". Está na altura de conhecermos os vossos campeões. Quem são os teus, Gabriel Alves?
Distinção para Harry Kane, Bola de Ouro. Distinção do 20 à Espanha, porque foi quem arrecadou o maior número de troféus. Zero para Mbappé, pela sua postura. Obviamente que ele não foi hipócrita. Portanto, decepcionado, mas é uma postura que, de facto, naquele todo cenário, inclusivamente nas redes sociais, naturalmente, nesta altura, onde já vai. E depois, por aquilo que obrigou, obviamente, o seu presidente onde trabalha, da Liga Esporte, a pedir desculpa a um país pelo seu comportamento face a uma publicidade que fazia e que naturalmente, se não gosta, não aceita a publicidade. Não é obrigado a aceitar a publicidade, ninguém, nem ele, nem ninguém. Não gosto, não dá, mas depois de aceitar e ganhar dinheiro e ganhar expressão no país, não pode, obviamente, fazer menos. Portanto, não posso deixar de referir isto aqui. Quero deixar 18 para Leonardo Jardim, primeiro lugar no Brasileirão, para Abel Ferreira, segundo lugar no Brasileirão, e para Artur Jorge, terceiro lugar no Cruzeiro, no Brasileirão. Olha que três treinadores portugueses em sucesso na América do Sul. Não é só o Jorge Jesus que teve sucesso.
A darem cartas do lado de lá do Atlântico. Augusto Inácio, o teu ou os teus campeões.
Claro, os Bola de Ouro, principalmente o Harry Kane inglês e a espanhola Alexia Putellas, que realmente ganharam a Bola de Ouro com todo o mérito. Queria dar a nota 16 para o Benfica pela vitória nos Açores, muito difícil, e naturalmente, 17 para o Prestián, que marcou a diferença neste jogo.
Gianluca Prestián, o extremo argentino, em grande forma. Pedro Henriques, os teus campeões.
Alexia e Harry Kane pela Bola de Ouro e, portanto, o 20, que é um dos galardões máximos que qualquer jogador pode ascender do ponto de vista individual e naturalmente para o jogo Santa Clara-Benfica, para a parte final, zero. Para o Santa Clara, que se ontem ganha, afastava-se de Sporting e de Benfica, isso diz muito da época que o Santa Clara está a fazer, mesmo perdendo 14. E 17 para o Benfica, que vai respirando saúde e até com alguma nota artística para aquilo que também conseguiu fazer.
Bola de Ouro para o Pedro Henriques, Gabriel Alves e para o Augusto Inácio, pelo cumprimento rigoroso e escrupuloso do tempo dedicado à edição desta terça-feira de "E o Campeão É".