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Meia-noite. As notícias na Rádio Observador com António José Soares e começamos com António Costa e Ursula von der Leyen, que deixam um recado a Elon Musk e a Donald Trump: os líderes da União Europeia prometem proteger a integridade das nossas democracias.

15 minutos depois de Musk ter começado uma conversa com a candidata a chanceler pela alternativa para a Alemanha, o presidente do Conselho Europeu e a presidente da Comissão Europeia publicaram na rede social X mensagens que podem ser interpretadas como um recado ao presidente eleito Donald Trump e ao dono da Tesla e do SpaceX.

E António, as duas publicações, exatamente iguais e publicadas à mesma hora, começam por lembrar que os Estados Unidos são um dos parceiros mais próximos da União Europeia e que os 27 estão comprometidos em fortalecer o laço transatlântico.

Os dois líderes dizem ainda que para a União Europeia é essencial proteger e fortalecer os valores democráticos fundamentais, tornar a economia mais competitiva e sustentável, expandir a rede global de parcerias e investir mais na segurança. Estas publicações acontecem numa altura em que Donald Trump já anunciou a intenção de comprar a Gronelândia, um território que pertence à Dinamarca.

Marcelo Rebelo de Sousa assegura que não há registro de mortes ou de danos patrimoniais significativos entre a comunidade portuguesa a viver na Califórnia.

O presidente da República deixou a garantia a partir dos Estados Unidos. O chefe de Estado português deslocou-se a Washington para as cerimônias fúnebres do antigo presidente norte-americano Jimmy Carter.

Isto numa altura, António, que subiu para seis o número de mortos nos incêndios em Los Angeles, na Califórnia.

É a primeira morte confirmada em Palisades. Ontem, as autoridades locais tinham já confirmado a morte de cinco pessoas e hoje admitem que pelo menos dois dos cinco grandes incêndios que continuam ativos estão totalmente descontrolados. Milhares de casas foram já destruídas e mais de 130 mil pessoas tiveram de ser retiradas.

E António, a propósito deste incêndio, a Rádio Observador foi ouvir o especialista em incêndios florestais, José Miguel Cardoso Pereira, sobre os fogos que estão a assolar a região de Los Angeles.

O investigador explica que o sistema de gestão de incêndios na Califórnia baseia-se mais no combate do que na prevenção.

O sistema californiano de gestão do fogo assenta muito no combate. Eles fazem muito pouco fogo controlado, por exemplo, muito pouca gestão de redução da carga de vegetação em torno do casario, coisas que têm sido propostas e começadas a pôr em prática em Portugal e que dão resultado e que não têm impedido que ardam vastas áreas de floresta e de mato, mas têm garantido maior proteção às povoações cá em Portugal. Eles fazem pouco esse tipo de trabalho preventivo. Apostam mais na supressão, na quantidade de meios que têm para o combate e na rapidez com que põem esses meios no terreno.

A forma de construir casas nos Estados Unidos também ajuda as chamas a alastrarem nas zonas urbanas, como explica José Miguel Cardoso Pereira.

A maior parte da construção, mesmo construção urbana em zonas como Los Angeles, os americanos usam imensa madeira e, portanto, todo aquele casario é altamente combustível e, em algumas circunstâncias, até será madeira e material lenhoso que está ele próprio mais seco do que a própria vegetação. Para depois já não falar que tem tintas, plásticos, etc. Também nos edifícios, materiais muito inflamáveis, e aquilo torna-se uma situação incontrolável.

José Miguel Cardoso Pereira, à Rádio Observador, especialista em incêndios do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.

E António, mudamos de tema. A construção em solos rústicos, aprovada pelo governo, abre uma caixa de Pandora com custos no futuro.

Uma posição defendida pelo investigador José Luís Zezere, que aponta 240 mortos por deslizamentos de terras em século e meio. O professor do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa contesta a alteração ao regime jurídico aprovado pelo governo, que vai permitir a reclassificação de solos rústicos em urbanos para a construção de habitação.

Portanto, uma de duas: ou estávamos todos parvos antes e andámos a delimitar estas áreas e a finalizá-las e a pô-las como áreas não edificando dentro dos planos diretores municipais, ou então estamos agora a abrir uma caixa de Pandora que vai ter custos a seguir, porque um dia vai haver problemas nesta área. Por princípio, não deve haver construção aí, ainda menos construção de habitação. Nos últimos 150 anos, morreram, por deslizamentos de terras em Portugal, 240 pessoas.

As explicações do diretor do Centro de Estudos Geográficos, José Luís Zezere, acrescenta ainda que nos últimos 150 anos ficaram desalojadas mais de 1600 pessoas e foram retiradas outras mil deste tipo de locais.

No caso das gêmeas luso-brasileiras, a Justiça ordenou ao Parlamento que mude o nome da comissão.

O Supremo Tribunal Administrativo impôs hoje à Assembleia da República que deixe de utilizar a designação Comissão Parlamentar de Inquérito Gémeas tratadas com o medicamento Georgesma, depois de uma intimação da mãe das crianças. O tribunal afirma que o atual nome da comissão de inquérito é uma violação arbitrária dos direitos ao bom nome e à reserva da vida privada das crianças.

E a propósito deste tema, António, o antigo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, volta a ser ouvido nesta comissão a 24 de janeiro. Também a atual ministra da Saúde vai prestar declarações no dia 17 deste mês.

Ana Paula Martins vai ser ouvida na qualidade de presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, na altura em que o caso foi noticiado. A informação foi confirmada esta quinta-feira à Agência Lusa pelo presidente da comissão, o deputado do Chega, Rui Paulo Sousa.

Numa altura em que passam sete minutos da meia-noite, o governo vai contestar a impugnação de obras no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e que foi proposta pelo Ministério Público.

É o que adianta a Agência Lusa, que cita fonte oficial do Ministério das Infraestruturas. Em causa está essa ação de impugnação entregue pelo Ministério Público no Supremo Tribunal Administrativo, que pode levar à suspensão das obras que tinham arrancado em dezembro, conforme noticiou o Jornal de Negócios. Esta ação, apesar de não suspender as obras no imediato, pode conduzir a atrasos. A ação do Ministério Público pretende que seja declarada nula a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente, que dispensou da obrigatoriedade de avaliação de impacto ambiental estas obras do aeroporto.

E a ANA já veio lamentar a tentativa de impedir as obras no Aeroporto Humberto Delgado.

A Aeroportos de Portugal confirma ter sido notificada no âmbito de um processo que pretende inviabilizar a execução das melhorias na infraestrutura. Fonte oficial da ANA defende que estas obras vão melhorar a vida dos passageiros.

António José Soares, passam oito minutos da meia-noite. Tempo de olharmos para outras notícias que estão a marcar também a atualidade.

O início das alegações finais sobre a derrocada da estrada em Borba está marcado para a próxima segunda-feira, no Tribunal Judicial da Comarca de Évora. Em causa estão as ocorrências de 19 de novembro de 2018, quando um troço de cerca de 100 metros da Estrada Municipal 255, entre Borba e Vila Viçosa, ruiu devido ao deslizamento de um grande volume de rochas. O acidente causou cinco mortes. Este processo judicial tem seis arguidos, entre eles o presidente da Câmara de Borba, António Anselmo, acusado de cinco crimes de homicídio por omissão, e o vice-presidente da autarquia, Joaquim Espanhol, pronunciado por três crimes de homicídio por omissão. Morreu Arlindo Fagundes, o ilustrador dos livros "Uma Aventura". Além de ilustrador, era ceramista e dirigente comunista. Morreu hoje, aos 79 anos. A notícia foi avançada pela Editorial Caminho. O jornal " Vila Verdense" escreve que Arlindo Fagundes estava doente há muito tempo. Nascido em 1945, frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Formou-se depois como realizador de cinema no Conservatoire Libre de Cinéma Français, durante o exílio político em França, na época do Estado Novo. Foi também nessa altura que aderiu ao Partido Comunista Português.

E fica por aqui o Jornal da Meia-Noite, edição do António José Soares. Obrigado, António.

Obrigado, João. Boa noite.

E boa noite. Já se faz tarde, vamos descansar.

Vamos sim, senhor.