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É meia-noite. Jornal com edição do jornalista Martim Madeira. Martim, boa noite. Mais uma vez, há uma nova polêmica sobre Luís Neves. Apesar de ter um motorista e um carro do governo, o ministro da Administração Interna conduz um carro emprestado pela PJ.

É uma informação dada pela TVI CNN, em jornal Nascer do Sol. De acordo com a reportagem, Luís Neves conduzia um Volkswagen Golf GTD, na altura que era dirigente da força policial, um veículo que foi apreendido pela Judiciária e quando tomou posse como Ministro da Administração Interna, pediu essa mesma viatura emprestada à PJ no regime de comodato temporário, ou seja, um empréstimo gratuito, sem nada em troca. A própria Judiciária confirma que, de fato, houve um empréstimo de um carro através de um contrato celebrado com o gabinete do ministro da Administração Interna no dia 23 de fevereiro, dia que foi a tomada de posse de Luís Neves. A TVI CNN diz que este mesmo carro se encontra estacionado na casa do ministro e a reportagem explica que o conduz sem motorista ou qualquer tipo de segurança, apesar de Luís Neves ser considerado como um grau três de ameaça pública nos níveis de segurança. À TVI CNN, o ministro explica que apenas tem este carro emprestado para circunstâncias excepcionais ou de urgência. Isto para não esperar pelos motoristas e porque é uma solução que poupa dinheiro ao Estado. É o que diz Luís Neves. Na análise, o advogado Miguel Matias diz que os argumentos invocados pelo ministro da Administração Interna não têm qualquer cabimento.

Esse tipo de argumentos que o senhor ministro já utilizou várias vezes, nomeadamente no que tange ao outro lado, que foi para poupar dinheiro ao Estado, que ele o colocou lá no armazém do amigo, não são permitidos e não têm qualquer justificação. Não é razão dizer que é para poupar dinheiro ao Estado que faz uma coisa dessas. Nós temos operacionais próprios para o exercício de funções, são pagos pelo erário público para isso, são preparados para isso.

Já sobre a questão do comodato, regime ao abrigo do qual Luís Neves utiliza esta viatura apreendida pela Polícia Judiciária, o advogado Miguel Matias diz que, em princípio, não há qualquer problema.

O veículo, se para ser comodatado aos dirigentes, é porque é propriedade da Polícia Judiciária, neste caso, do Estado. Estamos a falar de um veículo do mesmo ente, isto é, do Estado, que transita do diretor nacional da Polícia Judiciária para o ministro da Administração Interna, mas a propriedade permanece do mesmo. Portanto, o empréstimo, por acaso é a mesma pessoa, até poderia ser outra. Poderia o ministro não ser a mesma pessoa que era o diretor nacional da Polícia Judiciária e o veículo ser o mesmo. Portanto, aí não me parece que haja problema nenhum.

As explicações do advogado Miguel Matias, entrevistado pela Rádio Observador.

E seguimos, Martim Madeira, com o governo, que garante que está aberto ao diálogo para a discussão do Orçamento do Estado e saúda a disponibilidade demonstrada pelo Partido Socialista.

É o que indica o ministro da Presidência esta tarde, durante o briefing do Conselho de Ministros, sem nunca se referir diretamente ao Partido Socialista. Ainda assim, Leitão Amaro rejeita responder às condições colocadas por José Luís Carneiro.

E, portanto, eu saúdo aqueles e aquele em particular, que têm mostrado e têm repetido uma disponibilidade que nós acreditamos que é sincera e responsável para chegar a um caminho. Esse caminho, eu diria até, nem era elegante e respeitador dessa disponibilidade, se eu pudesse responder aqui, com todo o respeito que tenho por cada um de vós, que não seja em reuniões, no contexto de reunião e, portanto, disponibilidade para o diálogo, por vontade, por gosto e por necessidade.

O ministro da Presidência, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, deixa também um recado: viabilizar um orçamento não significa aderir ao programa do governo.

E ainda no Conselho de Ministros, António Leitão Amaro voltou a frisar, Martim, que o Executivo não vai abrir a porta à reforma da Segurança Social, no mínimo, até 2029.

Foi logo no arranque deste briefing. Leitão Amaro garante que essa é uma conversa para a próxima legislatura.

Para que não haja dúvidas e fique claro, o governo assume que não fará uma reforma estrutural da Segurança Social nesta legislatura. O dossiê está fechado. Eu repito: não há, nem vai haver, nesta legislatura, nenhuma tomada de decisões de reforma estrutural da Segurança Social. O assunto, quanto a decisões, está fechado.

Reação do ministro da Presidência às conclusões do grupo de trabalho que estudou a sustentabilidade da Segurança Social. Leitão Amaro garante que se o governo quiser mexer no setor, vai apresentar um plano, mas apenas em contexto eleitoral. Garante que este relatório serve como uma ajuda à reflexão, tanto para o Executivo como também para a sociedade.

E porque falamos de Segurança Social, seguimos com um novo dado. O número de beneficiários de prestações de desemprego recuou 5,3% no mês de julho.

Mas subiu a 0,5 face a junho, num total de 830 beneficiários. É o que mostram os dados hoje divulgados pela Direção-Geral de Coordenação e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Em julho, registou-se então um decréscimo de mais de 9 mil beneficiários, a representar uma queda de 5,3%. Um balanço que vem quebrar um ciclo de cinco meses consecutivos de recuos, já que o número de beneficiários de prestações de desemprego estava a descer desde fevereiro. Já no que toca ao subsídio de desemprego, registou-se em julho uma queda homóloga de 4,4% do número de beneficiários. Contudo, na comparação em cadeia, houve uma subida de 0,9%, ou seja, mais de 1235 beneficiários.

E seguimos com o Partido Socialista, que, Martim, não exige que o CHEGA fique de fora da revisão constitucional, mas quer firmar um pré-acordo com o Partido Social-Democrata.

O pedido é feito para garantir que uma eventual revisão constitucional não seja feita somente à direita. E no Explicador desta tarde, a jornalista do Observador, Rita Tavares, afirma que o pedido do PS é feito de um ponto de vista que pode ser considerado estratégico.

Acaba tudo por ser parte de uma estratégia política também

É uma tentativa de reorganizar as relações negociais, é tentar valer mais, influenciar mais do que o Chega a governação, e obrigar o PSD, que até aqui não tem querido escolher um parceiro preferencial, a fazê-lo de forma clara numa questão que é central e sobre a lei fundamental do país.

Também no Explicador esteve Eduardo Cabrita, ex-ministro da Administração Interna e membro da Comissão Nacional do PS. Lembra que historicamente PSD e PS sempre constituíram a maioria nas revisões constitucionais, mas hoje o cenário mudou.

O acordo político sobre o processo de revisão constitucional naturalmente só é possível, exige dois terços. Só é possível no quadro daquilo que é um arco democrático, que exige mais do que o PS e o PSD, porque pela primeira vez os dois partidos juntos não têm dois terços para, por si só, rever a Constituição e portanto, esse acordo tem de ser mais amplo, envolvendo outras forças democráticas.

Eduardo Cabrita, convidado desta tarde do Explicador.

Falamos ainda nesta edição da Meia-Noite dos incêndios. Três dos quatro bombeiros feridos no incêndio em Arouca estão agora em estado crítico.

Uma informação revelada à Lusa pela Unidade Local de Saúde de Santa Maria da Feira. A mesma unidade de saúde também acrescenta que um quarto operacional dos Bombeiros Voluntários de Arouca, ficou também ferido quando o veículo em que se deslocava para o teatro de operações caiu numa ravina de 150 metros, indicam que já foi submetido à cirurgia e permanece no serviço de urgência sob acompanhamento da equipa de ortopedia. Três dos quatro bombeiros feridos nesta madrugada de quarta-feira, quando se deslocavam para o incêndio, ficaram em estado crítico. Este incêndio que consumiu 1300 hectares de floresta em Arouca.

E no desporto, o Benfica venceu na noite de hoje o Aarhus por três bolas a uma, na primeira mão do playoff de acesso à Liga Europa.

Tudo aconteceu na primeira parte. Rafa abriu o marcador aos dois minutos, aos 31, Leandro Barreiro encostou no fundo das redes para fazer o segundo. O Aarhus ainda respondeu aos 36 com o gol de Jorgensen, mas no final da primeira parte, Pávlović de penalti fez o terceiro e último gol da partida. Na flash interview, o treinador das Águias, Marco Silva, fala numa atitude por parte da equipa da qual os adeptos podem ficar orgulhosos.

A atitude foi inegável, novamente, de todos os jogadores, de quem começou, de quem entrou e isso é o mais importante, sem dúvida, depois o resto vem atrás, porque nós depois vamos trabalhar bem, vamos ter noção daquilo que queremos e depois vamos aliar bons jogos, eu acredito, a bons resultados, como fizemos. Na minha opinião, uma muito boa primeira parte, uma primeira parte de muito bom nível. Parece-me a mim que mais uma vez os adeptos têm que ir orgulhosos daquilo que foi feito, uma vitória importante. Há mais um jogo para jogar na próxima quinta-feira, mas é sempre bom ir com esta vantagem.

Aqui as declarações de Marco Silva à LiveMode TV.

E Martim, o Benfica não foi o único a jogar hoje com ambições europeias. Também o Sporting Clube de Braga venceu o Austria Viena por 2 x 0 na Pedreira, em jogo a contar para a primeira mão do playoff desta feita de acesso à Liga Conferência.

Valeram os gols de Paul Vítor de penalti e de Diego Rodríguez. Na reação ao jogo, o treinador dos Guerreiros, Carlos Vicent, elogia o adversário e afirma que mais um gol teria tranquilizado a equipa para a segunda mão.

Acho que no geral, com mais um gol tínhamos ficado mais satisfeitos, mas temos que seguir em frente. Na próxima semana, temos uma batalha duríssima, porque já vimos do que são capazes. É uma equipa com muita energia, que sabe como joga e que dificulta muito. E na próxima semana ainda vai ser mais difícil, porque jogam em casa.

Treinador do Sporting Clube Braga, Carlos Vicent, em reação à vitória do Braga por 2 x 0 nesta primeira mão do playoff de acesso à Liga Conferência.

11 minutos para lá da meia-noite, Martim Madeira, vamos a outras notícias que importa destacar nesta edição da Meia-Noite.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português condena o avanço do projeto do governo israelita para a construção de cerca de 1200 habitações na Cisjordânia. O ministério tutelado por Paulo Rangel considera que a expansão dos colonatos afasta ainda mais israelitas e palestinianos de uma solução de dois estados e volta a condenar a violência dos colonos israelitas na Cisjordânia. Sublinha que Portugal vai continuar, em conjunto com a União Europeia e a comunidade internacional, a defender uma paz justa, abrangente e duradoura, em respeito pelo direito internacional. Mais de 750 militares norte-americanos ficaram feridos desde o início da guerra contra o Irão. Os dados são do Pentágono. Muitas das baixas foram inicialmente atribuídas à Operação Fúria Épica, nome oficial desta ofensiva. Contudo, no final de julho, o Pentágono criou uma nova categoria chamada Operações no Estrangeiro para os militares feridos nos ataques posteriores, uma vez que a ofensiva anterior já tinha sido dada como terminada. Ainda nos Estados Unidos, uma das assessoras mais próximas do presidente Donald Trump terá trabalhado durante cerca de um ano na Casa Branca, sem as autorizações de segurança necessárias. Uma informação que é avançada pelo jornal Guardian. A situação só terá sido resolvida depois do gabinete jurídico da Casa Branca ter levantado a questão. A assessora em causa acabou por receber a autorização, mas o caso está a gerir críticas devido ao possível acesso de informação sensível e confidencial por parte desta assessora.

É a notícia de fecho desta edição da Meia-Noite, na Rádio Observador, com o jornalista Martim Madeira, a quem desejo um bom descanso e que está de regresso amanhã, a partir das 20h30 da noite, para mais uma noite de notícias. Um abraço, Martim. Bom descanso.

Obrigado, até amanhã.

As notícias estão de regresso à 12h30, em formato síntese, já com edição da Teresa Freire, que depois fica também para a madrugada informativa.