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Muito bom dia, começa agora o Jornal das 10 com Carla Jorge Carvalho. As autoridades belgas confirmam a morte do suspeito do atentado de ontem em Bruxelas. Foi baleado antes de ter sido detido pela polícia. Bruxelas activou o nível mais elevado de alerta terrorista e as medidas de segurança vão ser reavaliadas durante o dia. Alguns estabelecimentos, como escolas, vão permanecer fechados na capital belga. A presença policial está também a ser reforçada. Esta manhã, o Ministério Público confirmou que o suspeito morreu depois de um tiroteio com a polícia. Terá sofrido dois ataques cardíacos enquanto estava a ser transportado para o hospital, acabou por não sobreviver aos ferimentos. Ontem, um atirador matou duas pessoas de nacionalidade sueca que estavam em Bruxelas para assistir a um jogo de futebol. O suspeito foi identificado como um imigrante ilegal de origem tunisina com um historial de radicalização religiosa. E por causa disto, Carla, o programa da visita de Estado do Presidente da República à Bélgica está a ser adaptado. Uma visita oficial que começa hoje, mas, como dizias, a agenda está a ser adaptada por razões de segurança. De acordo com as autoridades belgas, foi já cancelada a cerimónia de boas-vindas a Marcelo Rebelo de Sousa, no exterior do Palácio Real, em Bruxelas, que era o primeiro ponto do programa, assim como a deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido. Já ontem, Marcelo Rebelo de Sousa cancelou uma saída a seguir ao jantar, teve de permanecer no hotel por indicação das autoridades. Como dizia, o nível de alerta em Bruxelas foi elevado para o grau máximo. O eurodeputado do CDS, Nuno Melo, acredita que a culpa do atentado de ontem é da política de migração descontrolada na Europa. Foi no Explicador desta manhã, ouvimos dois eurodeputados que estão em Estrasburgo, outra cidade sob alerta de ataque terrorista. O presidente do CDS e único eurodeputado do partido, Nuno Melo, acredita que na origem do atentado de ontem estão acontecimentos externos, como a guerra em Israel e na Faixa de Gaza.
Este atentado é, na verdade, um reflexo de uma realidade maior, que é mais sentida em países como a França, a Bélgica, a Alemanha, agora a Suécia. Não é à toa, parece-me, que são dois suecos que são assassinados e que tem que ver com uma lógica de migrações descontroladas, através das quais nós, sem critério, aceitamos quaisquer pessoas, mesmo aquelas que não toleram e desprezam o nosso modo de vida e que aqui ou ali, motivadas também por acontecimentos que podem ser conjunturais, caso agora dos ataques em Israel, motivados pelo Hamas, fazem com que assim seja detonada uma violência extrema, que é uma violência contra o nosso modo de vida.
Ideia defendida por Nuno Melo. Já Isabel Santos, eurodeputada do Partido Socialista, descreve um clima tranquilo em Estrasburgo, apesar da apreensão, e rejeita as conclusões de Nuno Melo. Isabel Santos pede cautela com discursos que apenas servem para alimentar sentimentos xenófobos.
Sempre que as pessoas estão a chegar, são verificadas, são registadas, são controladas. Este gesto, falta ainda sabermos em absoluto quem cometeu, quem não cometeu este gesto, qual é a real motivação, o que é que está por trás. E isso deve ser algo que devemos aguardar com serenidade, esse tipo de informação. Até lá, devemos aguardar sem extrapolar e sem vir para a praça pública com este tipo de discurso absolutamente alarmista e criador de um ambiente que é favorecedor da multiplicação deste tipo de atos.
Foi o debate desta manhã, no Explicador, entre Isabel Santos e Nuno Melo. O exército israelita acredita que a visita de Joe Biden não vai complicar ou atrasar qualquer operação terrestre na Faixa de Gaza. Posição transmitida pelo porta-voz das Forças de Defesa de Israel, em declarações à CNN Internacional, garantiu que o presidente dos Estados Unidos e Israel partilham o mesmo objetivo militar, que é a destruição do Hamas. Por isso, não esperam que a visita de Joe Biden complique ou atrase uma potencial incursão terrestre à Faixa de Gaza. O líder da Casa Branca chega amanhã a Israel, vai encontrar-se com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O historiador Bruno Cardoso Reis admite que, apesar do que diz Israel, esta visita de Biden vai ter impacto na operação militar israelita.
Eu acho que tem aqui um impacto provável na campanha, apesar daquilo que diz Israel, ou seja, acho que é pouco provável que Israel inicie a operação de invasão em grande escala antes de Biden chegar. Mas veremos. Pode ser que aproveite isso até para criar um efeito surpresa, mas eu diria que é mais provável que aguarde para depois disso. Acho também que isso torna menos provável ou, no fundo, é uma forma de aumentar a pressão dos Estados Unidos sobre o Irão para evitar aqui uma escalada.
Análise de Bruno Cardoso Reis no Gabinete de Guerra desta manhã. Depois de Israel, o presidente dos Estados Unidos viaja para a Jordânia, onde vai encontrar-se com o rei Abdullah II, o presidente egípcio e também o líder da autoridade palestiniana. Já Olaf Scholz deve chegar a Israel ainda esta terça-feira, de acordo com a agência Reuters, que cita fontes próximas do chanceler alemão. E no terreno, mais de 70 pessoas foram mortas esta noite em ataques aéreos na Faixa de Gaza. Os números são avançados pelo Ministério da Saúde de Gaza. O jornal Al Jazeera conta que há pessoas presas debaixo dos escombros dos edifícios, depois de mais uma noite de bombardeamentos na região. Numa confirmação à parte, as Forças de Defesa de Israel asseguram ter atingido mais de 200 alvos do Hamas esta manhã e, ainda de acordo com o exército israelita, Israel voltou a ser alvo de um míssil disparado a partir do Líbano. O grupo Hezbollah e o exército israelita têm trocado ataques desde o início do conflito. As Forças de Defesa Israelitas estão a responder com bombardeamentos no sul do Líbano. E em Gaza, desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, pelo menos 2800 pessoas morreram. São números da Organização Mundial da Saúde, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas, metade são mulheres e crianças. Ainda de acordo com a OMS, 115 infraestruturas de saúde, como hospitais, foram atacadas. Neste Jornal das 10, está agora João Antunes, diretor-geral da Médicos Sem Fronteiras Portugal. João Antunes, muito bom dia, obrigada por estar conosco em direto. Sabemos que as comunicações com Gaza estão muito difíceis, mas que informações é que têm acesso e que vão chegando do terreno?
Exatamente. Isso é algo que nós temos sempre trazer e mostrar que realmente falar hoje com os nossos colegas que estão dentro da Faixa de Gaza é cada vez mais desafiante. A situação também é dinâmica, faz com que esteja sempre a mudar de hora para hora e ter sempre uma última atualização da situação é também complicado. Não há eletricidade em muitos dos locais que nos estamos a referir e as pessoas podem ter dificuldade em carregar os seus próprios telemóveis, o que faz com que obviamente esta comunicação seja difícil. Aquilo que temos recebido dos últimos testemunhos são situações obviamente distintas entre o norte e o sul de Gaza. O norte, para nos recordarmos, foi a zona onde foram lançados os alertas israelitas para uma evacuação, quase em tempo recorde, de milhares se não até milhões de pessoas, e onde obviamente a situação neste momento é verdadeiramente dramática. Nós tínhamos presença antes deste escalar de conflito dentro desta área, apoiávamos quatro hospitais e geríamos a nossa própria clínica. É verdade que estas atividades tiveram que ser reduzidas, muitas vezes não tivemos mais condições de segurança para operar, ainda que alguns dos nossos colegas palestinianos consigam ainda prestar consultas e estar a fornecer esta ajuda médica. Dentro daquilo que nos contam, dentro dos hospitais, na área norte é uma situação onde já praticamente falta tudo, onde há pouco ou nada para garantir o cuidado de saúde a pacientes graves, pacientes crónicos, pacientes que não têm capacidade de se deslocar e onde o mais básico, falamos de eletricidade, falamos de água, mas também de analgésicos. Algo que pode ajudar as pessoas na dor que estão a passar, dos ferimentos, já não há e vemos pessoas a gritar sem qualquer tipo de poder nos assistir. Obviamente a situação é extremamente difícil. Não é só para os pacientes que estão em estado grave nos hospitais, pessoas também novas, feridas, pessoas que queiram aceder a hospitais, porque obviamente os bombardeamentos continuam, a violência continua ainda de uma forma até indiscriminada, faz com que obviamente tenham muito receio em procurar essa ajuda nos hospitais. Praticamente já não há nada a nível de medicamentos também nas farmácias e realmente as pessoas se não têm ajuda nos hospitais e se não conseguem ter esse apoio, ficam em casa, correm risco de vida ficando em casa e têm um receio, um terror em movimentar-se das suas casas até aos hospitais por obviamente ter esta dificuldade, por esse receio de ser também bombardeado. Não só isso, mesmo as pessoas que estão dentro dos hospitais e que têm que sair por algum tempo para buscar abastecimento, para buscar algo que lhes permita, estamos a falar água, comida, os medicamentos mais básicos, ir às farmácias buscar as suas receitas médicas, obviamente também têm esse grande receio. Então aquilo que se está a assistir é uma situação verdadeiramente dramática no norte, onde as pessoas estão praticamente encurraladas e têm como quase um único destino morrer sob as bombas em Gaza. Isso obviamente para nós não é uma situação aceitável e que apelamos, neste caso, às autoridades israelitas para que mostrem humanidade nesta situação. Estava a referir uma situação mais a norte, mais a sul. Lembramos que foi a zona que foi preparada pelas autoridades israelitas para as pessoas evacuarem. Também é uma situação extremamente difícil. Podemos pensar que é onde existe talvez uma maior segurança, mas a situação não é assim. Ainda que em menor escala, continuam a existir bombardeamentos nesta zona. Também continua ainda a haver essa sensação de insegurança, onde praticamente dentro da Faixa de Gaza não há qualquer sítio que seja considerado seguro. As pessoas vão chegando, as pessoas vão se mantendo em campos improvisados, escolas, procuram abrigo em qualquer canto, vêm com muito pouco, ainda há uma distância de algumas dezenas de quilómetros, as vias de comunicação vão ficando cada vez mais afetadas, as pessoas muitas vezes chegam a pé com pouco ou nada em cima e obviamente quando chegam a estes campos, não há propriamente uma assistência humanitária a ser preparada e questões básicas como a água, comida, cuidado de saúde, abrigo, não está a ser garantida e isto obviamente faz com que a situação também seja per si uma emergência humanitária também a sul.
João Antunes está a descrever-nos o norte da Faixa de Gaza como de facto uma zona muito cercada e muito inacessível nesta altura, mas nessa zona sul que está a descrever, aí há capacidade para chegar ajuda humanitária e sobretudo também material médico?
Pronto, neste momento, como aquilo que tem sido noticiado, para chegar material médico, tem que haver a abrida de um corredor, a abrida de vias seguras.
Que não existem.
Exatamente. O que acontece é tudo aquilo que tínhamos e a Médicos sem Fronteiras tinha material posicionado já dentro da Faixa de Gaza, porque pelas nossas operações temos essas regras, ter pelo menos três meses de estoque de itens médicos, mas obviamente quando acontece uma violência a este nível, estes estoques médicos são rapidamente consumidos e não conseguimos reabastecer, isto é, não conseguimos trazer mais ajuda humanitária para dentro da Faixa de Gaza, porque nada entra, ninguém entra, ninguém sai. Obviamente, com esse bloqueio e encurralando as pessoas na Faixa de Gaza, é totalmente impossível para a Médicos sem Fronteiras e para qualquer outra organização humanitária fazer chegar estes bens essenciais a estas pessoas.
Tem ideia, tem números de quantos médicos da vossa organização ainda continuam na Faixa de Gaza?
Neste momento, temos uma equipe de mais de 300 pessoas, 367 para ser preciso, entre staff nacional e staff internacional. A não ser garantida a evacuação de nenhuma equipe, de nenhuma nacionalidade e de pessoal humanitário, obviamente que todas as pessoas, neste momento, encontram-se dentro da Faixa de Gaza. Ou estão no norte ou estão no sul. Neste momento, todas as nossas equipes que se tinham de credenciar em Gaza pré-conflito, digamos assim, que começou no dia 8 de outubro, ainda estão dentro da Faixa de Gaza. A sul, com as dificuldades que enumerei anteriormente e, no norte, com um cenário verdadeiramente horripilante. Custando já encontrar adjetivos para descrever aquilo que está a acontecer. Não precisamos apreciar quantas pessoas dessas é que estão no norte, porque obviamente que essas comunicações são difíceis de manter dia a dia.
João Antunes, muito obrigada por ter estado em direto conosco neste jornal, a ajudar-nos a traçar o retrato do que são, nesta altura, os apoios e a ajuda na saúde das pessoas que estão na Faixa de Gaza. João Antunes é o diretor-geral da Médicos Sem Fronteiras Portugal. São 10h14. Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias marcam esta manhã? Um dia após ter sido anunciado o boicote de Israel à Web Summit, Paddy Cosgrave, o responsável pelo evento tecnológico, garante que ontem foram vendidos mais bilhetes do que em qualquer outra segunda-feira deste ano. Na rede social X, o antigo Twitter, Paddy Cosgrave garante ainda que nas últimas 24 horas, enquanto nove investidores cancelaram presença, 35 novos investidores registaram-se pela primeira vez. O fundador da Web Summit disse que os crimes de guerra são crimes de guerra, mesmo quando cometidos por aliados. Israel, recorde-se, anunciou um boicote à Web Summit pouco depois. Por causa da chuva e do vento forte, a Proteção Civil registou quase 400 ocorrências desde a meia-noite, sobretudo quedas de árvores e inundações. Lisboa, que registou cerca de 250 ocorrências, e Setúbal são os distritos mais afetados. Neste momento, os distritos do litoral norte e centro estão hoje sob aviso laranja, por causa da previsão de chuva forte e persistente. A Rolls-Royce vai reduzir 2500 postos de trabalho para baixar os custos da empresa. O grupo britânico anunciou hoje um corte, em comunicado. A empresa alega que para se prepararem para o futuro, tem de ter uma organização mais simples e mais eficiente. No ano passado, a empresa registou resultados negativos no valor de 1,8 mil milhões de euros. A banda Oasis vai estar em digressão para festejar os 30 anos desde o álbum de estreia. O sucesso que foi quando o álbum foi lançado, lembra? Tornou-se o disco de estreia mais vendido da Grã-Bretanha. Vamos ouvir um bocadinho que tal este "Live Forever". Fica aqui a memória deste tema e já com a garantia para esta digressão, só vão fazer parte as músicas do primeiro disco, garantia do vocalista Liam Gallagher na página de Instagram. Mas pode ser que ainda faça uma surpresa e quem sabe ainda toquem outros clássicos. Às vezes assim já é muito bom recordar. Só a banda estar reunida ao fim de 14 anos, depois de uma pausa, já é uma surpresa grande. Vão estar todos os elementos da banda, menos o guitarrista Noel Gallagher. O resto do grupo vai fazer-se à estrada, vai festejar os 30 anos desde o lançamento do primeiro álbum. Agora só falta saber por onde é que vão passar e quando passam por cá. Carla Jorge Carvalho com as principais notícias desta manhã de terça-feira, notícias que voltamos a atualizar quando forem 11h00.