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O último sismo de grande impacto nos Açores aconteceu a 1 de janeiro de 1980
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▲O último sismo de grande impacto nos Açores aconteceu a 1 de janeiro de 1980

MARQUES VALENTIM

▲O último sismo de grande impacto nos Açores aconteceu a 1 de janeiro de 1980

MARQUES VALENTIM

Porque é que os Açores estão a tremer? Têm crises sismotectónicas e sismovulcânicas: mas não há motivo para alarme

A última crise, com cem sismos em nove dias no fim de outubro, foi tectónica: os Açores estão no centro de três falhas. O último abalo, já em novembro, faz parte da crise vulcânica que dura desde 2022

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Haver sismos nos Açores é normal. Mas haver mais de 100 na mesma ilha e no mesmo lugar em nove dias, entre 20 e 29 de outubro, já obriga a uma vigilância especial. Até porque um deles, logo no dia 20, já foi de intensidade média: 5,1 de magnitude. S. Miguel entrava nesse dia em crise sismotectónica numa área há muito identificada: a Fossa de Hirondelle.

Só que a terra voltou a tremer, na ilha ali ao lado, dia 1 de novembro, data do grande sismo de Lisboa. E este, embora mais pequeno (3,4), era um abalo de um outro tipo de crise, que já dura desde 2022: uma crise sismovulcânica, na região do vulcão de Santa Bárbara e do Sistema Vulcânico Fissural Oeste, na Terceira.

Estas duas crises anunciam um grande terramoto ou uma erupção vulcânica? Não há motivo para alarme. Por agora. Porque as duas coisas podem acontecer no arquipélago.

Porque é que há tantos sismos nos Açores? E a que se deve esta crise sísmica de outubro?

Explicar os sismos quase constantes em todas as ilhas dos Açores é fácil. O arquipélago não podia estar em pior sítio. Situa-se entre três placas tectónicas que interagem entre si: a Norte-Americana, a Euroasiática e a Africana (ou Núbia). Há vários movimentos entre estas placas (e destas placas), o que causa imensa, intensa e quase permanente tensão nas rochas. Os sismos acontecem sempre que há ruturas ao longo de uma das falhas que assim libertam energia.

A 20 de outubro, S. Miguel sentiu um sismo de média magnitude: 5,1. Local: Fossa de Hirondelle, a oeste da ilha. Nove dias depois, a 29 de outubro, houve dois outros sismos sentidos pela população, um de 4,5 e um de 3,8, separados por apenas cinco minutos. Mas um não foi a réplica de outro. Os epicentros tinham localizações diferentes, dentro da mesma área. Pior: foram os últimos de cerca de uma centena contabilizados pelo IPMA, durante esses nove dias, no mesmo local. Alguns de pequena ou micro dimensão. Outros já maiores. Mas todos apareceram nos sismógrafos.

A Fossa de Hirondelle, conhecida há muito, é uma zona onde a crosta terrestre está a ser ‘esticada’. Já deu origem a mais sismos. Portanto, a conclusão foi a de se estar perante uma sequência de origem tectónica, frequente nos Açores.

Mas o arquipélago tem também, ainda, numerosos sistemas vulcânicos ativos. São bons os banhos quentes, o cozido, as fumarolas. Mas trata-se, precisamente, de sinais da existência de correntes de magma lá por baixo. E alguns dos sismos nos Açores podem ter esta movimentação do magma como origem. Quando assim é, passamos a falar de crises sismovulcânicas: na Terceira há uma em curso desde 2022, no vulcão de Santa Bárbara. E foi de lá que veio o sismo de 1 de novembro de 3,4 de magnitude.

Os dois tipos de crises sísmicas nos Açores obrigam a vigilâncias diferentes. Uma crise sismovulcânica precisa de uma monitorização intensiva, envolvendo satélites, observações no terreno e controlo do sistema vulcânico que pode estar em causa. Quando se trata de uma sequência de sismos tectónicos importa detetar, por meio de instrumentos próprios (e também de satélites), onde ocorreram as ruturas nas falhas geológicas e quais podem ser as consequências.

▲ Os Açores entre três falhas: pior localização era difícil

O que é a Fossa de Hirondelle? Já houve crises sísmicas nesta região?

A Fossa de Hirondelle foi batizada em homenagem ao navio oceanográfico Hirondelle, com o qual o príncipe Alberto I do Mónaco fazia as suas expedições. É uma grande depressão submarina, com 100 a 120 quilómetros de comprimento e 25 a 40 quilómetros de largura. Profundidade: até 3.200 metros. Localização, caso alguém queira ir espreitar: entre São Miguel (a oeste) e a Terceira.

▲ Os mais de 100 sismos entre 20 e 29 de outubro

É uma zona de falhas conhecida há muito tempo. Faz parte do Rifte da Terceira, uma zona enorme de fraturas e deformações da crosta terrestre. Não há qualquer vestígio vulcânico na zona, mas já houve suspeitas de possíveis erupções marinhas. Quanto a crises sísmicas, têm sido muitas, e bem maiores que esta última. Olhando apenas para os tempos mais recentes, em 1988 houve várias crises sísmicas nesta área, entre S. Miguel e a Terceira, incluindo uma sequência de 62 sismos em poucas horas junto ao banco D. João de Castro, um monte no fundo do mar, que é na verdade um vulcão ainda ativo. Registaram-se nesse ano também dois terramotos de maior magnitude, um de 5,1 e outro de 5,6, que causaram danos em várias casas.

Depois, em 1997 o maior sismo chegou aos 5,5 de magnitude. Mas, ao todo, foram mais de 2.100. Quase todos com origem neste banco D. João de Castro. Foi nesta altura que se suspeitou de uma possível erupção submarina, que nunca se chegou a confirmar. Ou seja, nem todas estas crises aconteceram precisamente na Fossa de Hirondelle, mas sim junto ao seu sistema de falhas. Uma delas é este banco D. João de Castro, mas há outras na mesma região.

▲ A fossa de Hirondelle e o banco D. João de Castro, um vulcão ainda ativo, que já deu origem a uma ilha

Quando aconteceram os últimos grandes sismos nos Açores? Quais foram os mais destruidores?

Nem sempre os sismos de maior magnitude, os supostos mais fortes, são os mais destruidores. Não é a intensidade do sismo que mata ou danifica. É a zona onde acontece, o número de pessoas que lá vivem e a qualidade da construção. E há ainda que ter em atenção a profundidade e se acontecem em terra ou no meio do mar. O sismo mais mortífero da história dos Açores aconteceu há 504 anos, no ilhéu de Vila Franca do Campo, S. Miguel. Segundo os documentos e registos da época, houve pelo menos cinco mil mortos, a então capital da ilha ficou destruída, muitos deslizamentos de terras soterraram povoações inteiras. Não se conhece a magnitude.

Fotos. Há 40 anos, um sismo matava 51 pessoas nos Açores. Foi o maior dos últimos 200 anos em Portugal

Mais recentemente, no primeiro dia de janeiro de 1980, a Terceira, São Jorge e a Graciosa sentiram um abalo de magnitude 7,2. Causou 71 mortos e mais de 400 feridos. Os maiores danos foram sentidos em Angra do Heroísmo, com mais de 15.500 casas destruídas. O sismo acabou por levar à mudança nas exigências das regras de construção.

Desde o último grande sismo destruidor passaram 28 anos. Aconteceu no Faial, a 9 de julho de 1998. Balanço: 9 mortos, 150 feridos e cerca de 1.500 desalojados. Teve epicentro no mar, a cerca de 15 quilómetros da Horta e magnitude de 5,9 (já revista, porque inicialmente foi tida como de 6,2). Houve também danos graves em várias localidades, como Ribeirinha.

sismo nos açores, 1 de janeiro de 1980

▲ Imagens do sismo destruidor de 1 de janeiro de 1980

MARQUES VALENTIM

Os sismos de São Miguel e da Terceira estão relacionados? O que aconteceu na crise da Terceira?

O sismo de 3,4 de 1 de novembro na ilha Terceira teve epicentro a quatro quilómetros a nordeste de Doze Ribeiras, no concelho de Angra do Heroísmo. E foi imediatamente relacionado com a crise sismovulcânica que dura há já quatro anos, desde junho de 2022, na região do vulcão de Santa Bárbara e do Sistema Vulcânico Fissural Oeste. E não, não há nenhuma ligação — direta — com a crise sismotectónica na Fossa de Hirondelle em S. Miguel.

Para quem não se lembre, em 2022, começou a primeira sequência de sismos junto ao vulcão de Santa Bárbara. Depois, em 2024, a atividade intensificou-se. Ao mesmo tempo, foram identificadas várias deformações no terreno. Essas deformações foram consideradas compatíveis com a acumulação e movimentação de magma em profundidade. O alerta vulcânico chegou a V3, que significa “reativação confirmada do sistema vulcânico”. Houve preocupações com uma possível erupção, mas esta nunca esteve iminente.

O jogo de forças nas profundezas dos Açores que abala São Jorge há quatro dias e pode culminar numa erupção vulcânica

Há um ano, em novembro de 2025, a atividade voltou a aumentar e o alerta, que tinha descido, voltou a subir. Este ano baixou de novo para V1. A escala vai de V0 a V7. V0 significa vulcão em repouso. V1 e V2 já dão conta de níveis crescentes de instabilidade. V3 corresponde à tal reativação do sistema. Em V4 estamos numa fase pré-eruptiva. E de V5 a V7 medem-se as diferentes intensidades da erupção.

▲ O vulcão de Santa Bárbara visto do ar

Quando há muitos sismos seguidos, pode significar que o magma está a subir?

Se os sismos tectónicos se devem aos movimentos das placas e ruturas nas falhas, os sismos vulcânicos têm uma origem diferente. Mas a base é a mesma: há uma pressão sobre as rochas, que se deformam, partem ou racham e causam os abalos. Só que o que se mexe não são as placas, é o magma.

O magma vai-se acumulando ou movimentando no interior da Terra, a temperaturas superiores a mil graus. Tenta abrir caminho ou infiltrar-se pelas fissuras verticais, horizontais, inclinadas, todas as que encontrar por entre as rochas. Criam-se pequenos blocos de magma. À medida que o magma avança exerce muita pressão, pelo calor, nas rochas, que se movem ou partem, podendo causar dezenas ou centenas de pequenos sismos. A maioria dos sismos tem magnitudes inferiores a 3 e não são sentidos. Os maiores acontecem quando o magma faz movimentar grandes falhas.

A maioria destas crises sismovulcânicas não acaba com uma erupção nos Açores. Noutras zonas vulcânicas a regra não é essa. O magma tanto pode ficar preso em profundidade e arrefecer, como movimentar-se lateralmente. Seja qual for a região, obriga sempre a vigilância apertada.

E não basta estar atento apenas aos sismos. Os sismómetros têm de ter em atenção magnitudes, profundidade e localização dos sismos. Depois há os GPS para detetar as alterações das deformações no solo, nem que sejam de poucos milímetros: aqui a ajuda dos satélites e radares também é essencial, porque identificam elevações, afundamentos e deslocamentos por comparação com imagens anteriores. Há ainda que medir os gases e perceber se houve mudanças significativas na libertação de dióxido de carbono e dióxido de enxofre. E a temperatura das águas termais, bem como mudanças das fumarolas, também podem dar indicações do que pode estar para acontecer. É com a combinação de todos estes dados que se percebe se há magma a subir à superfície e alguma possibilidade de erupção.

▲ O corte vertical de um vulcão e uma imagem de temperatura que deteta os movimentos do magma

Já foi possível antecipar erupções a partir de crises sísmicas?

Há dois casos recentes de crises sismovulcânicas que antecederam erupções. A 11 de setembro de 2021, em La Palma, nas Canárias, começou uma intensa sequência de sismos. Dois dias depois, com milhares de sismos contabilizados, foi detetada uma grande deformação no terreno, já com cerca de 15 centímetros. Os cientistas confirmaram depois a intrusão de magma num dos lados da caldeira da Cumbre Vieja, o velho vulcão da ilha. Os alertas foram dados e a 19 de setembro o Tajogaite entrou em erupção: foram 85 dias que cobriram 12 quilómetros quadrados de lava, lava que chegou ao Atlântico e acrescentou terreno à ilha. Pelo meio, 2.900 edifícios foram destruídos, assim como estradas e plantações. Cerca de 8 mil pessoas tiveram de ser retiradas de casa.

E La Palma não ficou tranquila depois desta erupção. Já este ano houve crises sísmicas e notou-se um aumento nas emissões de gases vulcânicos, que obrigaram a vigilância. Mas não houve sinais mais alarmantes. Esses aconteceram em Tenerife, no sistema vulcânico de Teide, onde as crises sísmicas se têm sucedido. Para já ainda não há alertas de uma intrusão de magma a chegar à superfície, mas há uma atenção especial ao que se está a passar.

No domingo, dia 7 de abril, foi registado um aumento no fluxo de lava

▲ O Cumbre Vieja em La Palma e uma das erupções islandesas

Instituto Vulcanológico das Canárias

As crises sísmicas anteciparam também as 12 erupções em pouco mais de quatro anos na península de Reykjanes na Islândia. Depois de cerca de 800 anos adormecido, o sistema despertou através de erupções fissurais: o magma basáltico saía na horizontal por grandes fraturas. Houve uma erupção em 2021, outra em 2022, duas em 2023, seis em 2024 e duas em 2025. A vila mais atingida foi a de Grindavík, onde a lava rompeu ruas e escorreu por elas, destruindo casas e provocando danos noutras. Os especialistas conseguiram antecipar a intrusão de lava e até emitir alertas, mas sem acertar sempre na hora e no local das erupções. Até porque uma crise sísmica pode antecipar uma erupção, mas nem todas as subidas de magma chegam à superfície. E nem todas as crises sísmicas têm origem na movimentação do magma.

Há quanto tempo não ocorre uma erupção nos Açores? As submarinas são mais frequentes?

Há registos de borbulhas e manifestações à superfície em 2001, mas sem confirmação de se tratar de um vulcão submarino. Assim, a última erupção certificada aconteceu em 1998, na Serreta, ilha Terceira. Foi marinha e durou até 2000. Começou em dezembro, a cerca de dez quilómetros da costa ocidental da Terceira e há imagens em que se veem pescadores a olhar para blocos de pedras negras que flutuavam no mar, com nuvens de vapor à sua volta. Na verdade, eram balões de lava, fragmentos vulcânicos repletos de gases, que subiam à superfície — alguns com mais de dois metros —, e, depois de flutuarem por minutos, se afundavam.

Em terra, é preciso recuar até 1957 para encontrar uma erupção. Mas foi uma que ficou para a história. E também começou no mar. Falamos dos Capelinhos, que esteve em atividade durante um ano e acabou igualmente por acrescentar território à ilha. Muito antes, há dois registos importantes de erupções submarinas: em 1720, no banco D. João de Castro, entre São Miguel e a Terceira, que formou uma ilha temporária, depois destruída pela erosão; e, depois, em 1811, ao largo de São Miguel, que também criou um pequeno ilhote já desaparecido, a ilha Sabrina.

Não é possível dizer que há mais erupções submarinas nos Açores do que em terra. Os registos estão incompletos e incluem episódios não confirmados. Certas contagens falam em cerca de metade das erupções conhecidas como marinhas. Algumas podem mesmo ter passado despercebidas, sobretudo se tiverem acontecido a grande profundidade. Os Açores têm muitos vulcões submarinos que não são visíveis à superfície. Os vulcões submarinos são diferentes dos terrestres. E a profundidade da erupção é muito importante, por causa da pressão que a água exerce sobre o magma. Se acontecerem mais à superfície, o contacto entre água e magma produz explosões violentas, vapor e cinzas. A grande profundidade, a pressão da água dificulta essa grande explosão de gases e a lava fica em formações tipo ‘almofada’. Claro que o tipo de magma, a quantidade de gases e a duração da erupção também contam. Algumas erupções acrescentam terreno, outras formam ilhas, outras deixam apenas lava no fundo do mar. Os Açores têm de todas.

▲ A erupção da Serreta e atividade vulcânica submarina

Que tipos de vulcões existem nos Açores? Quais continuam ativos? E quais podem voltar a entrar em erupção?

Pode dizer-se que os Açores têm quase todos os tipos de vulcões que existem. De todas as categorias: pequenos e grandes cones, grandes sistemas vulcânicos, caldeiras que agora são lagoas e sistemas fissurais. O maior cone é também a maior montanha do país: o Pico, com 2.351 metros. A última erupção do Pico aconteceu em 1718, mas em 1720 houve atividade eruptiva noutra zona da ilha, numa outra estrutura vulcânica. E no Piquinho mantêm-se sinais de atividade geotérmica, com fumarolas persistentes. O Pico é considerado um vulcão ativo, mas em repouso eruptivo. Uma erupção pode acontecer pelos flancos, causando escoadas de lava.

Vista da cidade da Madalena com a montanha do Pico como fundo, ao largo da ilha do Pico, Açores, 01 de agosto de 2025. NUNO VEIGA/LUSA Lagoa do Fogo, situada na Ilha de S. Miguel. A Lagoa do Fogo é a segunda maior Lagoa da Ilha de São Miguel, e também a mais alta, classificada desde 1974 como Reserva Natural. Açores, 12 de Outubro de 1996

Manuel Moura / Lusa

▲ Pico, Sete Cidades, Furnas e Lagoa do Fogo: muito turísticos, mas todos vulcões ativos (só estão adormecidos)

NUNO VEIGA/LUSA

Em S. Miguel há três grandes sistemas vulcânicos, com caldeiras, que continuam ativos. E, sim, um deles é o das Sete Cidades. E o outro o das Furnas. Uma caldeira cheia de água não significa um vulcão extinto. A caldeira forma-se porque uma parte do vulcão colapsou, depois pode encher de água e continuar ativo. As Sete Cidades estão associadas a grandes erupções explosivas: uma delas, a de 1811, formou a ilha Sabrina. Nas Furnas, a última erupção aconteceu em 1630, foi também muito explosiva e causou várias mortes: como se sabe, mantêm-se fumarolas, há termas quentes e emissões de gases. E há ainda a Lagoa do Fogo, conhecida também como Água de Pau, que teve a última erupção entre 1563 e 1564, também muito explosiva e com emissão de lava basáltica.

E depois há os sistemas fissurais, e é nestes que os Açores têm neste momento três alertas V1. O vulcão de Santa Bárbara, na Terceira, o sistema Vulcânico Fissural Oeste da Terceira (com vigilância desde julho deste ano) e o Sistema Fissural Vulcânico das Manadas, em São Jorge. São destes sistemas que podem nascer também pequenos cones. O magma sai por fissuras, às vezes longas (como se tem visto recentemente na Islândia), que podem dar lugar a erupções em diferentes locais e abrir novas fissuras ou criar pequenos cones. Além destes, São Miguel tem o Complexo Vulcânico dos Picos, com numerosos cones. No Faial há a península do Capelo, onde surgiram os Capelinhos entre 1957 e 1958. Em São Jorge pode ver-se a cadeia de cones e sistemas fissurais, incluindo a região das Manadas. No Pico o planalto da Achada tem numerosos cones e fraturas. E na Terceira os sistemas fissurais estão ligados aos grandes vulcões da ilha.

Pode haver outra erupção nos Açores? Onde poderia acontecer e de que tipo seria?

Poder, pode. Mas ninguém sabe como, nem onde. Algumas erupções podem até ter lugar sem quaisquer sinais que sejam detetados pelas redes de monitorização. Os cientistas, contudo, estão atentos a estas crises sísmicas e sabem como identificar as tectónicas e as vulcânicas. Acompanham também as deformações do terreno, as possíveis intrusões de magma e as emissões de gases. Os Açores têm vários sistemas vulcânicos ativos, em várias ilhas e no fundo do oceano. E uma erupção até pode acontecer num novo local e não numa cratera já existente: o magma abre uma fissura e cria um novo cone num local que pode estar ocupado por povoações, estradas ou terrenos agrícolas. Neste caso, o maior perigo vem dos sistemas fissurais.

E há vários tipos de erupção possíveis nos Açores. De todos os géneros também. Efusiva: quando a lava é mais fluida e escorre. Estromboliana: com explosões intermitentes, fontes de lava e projeção de materiais a grandes distâncias. Explosiva: com cinzas, pedra-pomes e correntes piroclásticas. Hidromagmática: quando o magma interage com água, podendo também causar explosões violentas. E submarinas: que podem ficar no fundo do mar, chegar à superfície ou até construir ilhas.

Mas é impossível antecipar uma eventual erupção futura. Assim como um grande sismo.

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