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17 graus. Jornal das 10 na Rádio Observador, edição do André Maia. André, começamos com o Congresso do PCP. A reunião magna dos comunistas termina hoje, com destaque para o discurso final de Paulo Raimundo.

Os trabalhos deste terceiro e último dia de Congresso foram retomados há pouco em Almada. Esta manhã vão ser divulgados os resultados da eleição para os órgãos executivos da direção, o secretariado e também a Comissão Política. Depois, está previsto o discurso do secretário-geral do PCP, marcado para a hora de almoço. Ainda ontem foi eleito o novo Comitê Central dos Comunistas. Em entrevista à Rádio Observador, Paulo Raimundo acusa o PS de adotar uma política de direita e de ter feito um favor também a Chega e Iniciativa Liberal a viabilizar o Orçamento do Estado. No que toca a autárquicas, recusa fazer um frete ao partido de André Ventura. Inês Batista.

O secretário-geral do PCP afirma que no discurso que fez no primeiro dia de Congresso, se limitou a constatar um facto ao dizer que o Partido Socialista é cúmplice da direita por ter viabilizado o Orçamento do Estado.

Constatando um facto. O que fez foi isso, viabilizar o orçamento PSD/CDS, um orçamento de desastre, e associar-se à política que está em curso e vai ser responsável. Não é só um problema de se ter associado agora, é que vai ser responsável pelas consequências que vão ter, inevitáveis, essas opções de fundo.

E acrescenta que o partido de Pedro Nuno Santos fez um favor à Chega e Iniciativa Liberal, porque libertou os partidos.

Já viu o favor que o PS lhes fez? Libertando-os de ter que votar a favor de um orçamento com o qual estão de acordo, estão comprometidos até, desculpem a expressão.

Quanto às autárquicas, Paulo Raimundo é questionado sobre uma possível preocupação quanto ao crescimento do Chega. Recusa, não quer fazer frete nem dar palanque ao partido de André Ventura.

Eu acho é que nós não podemos partir para as eleições autárquicas, voltando a fazer um frete, desculpem a expressão, ao Chega, colocando o Chega já como se fosse o alfa e o ômega das eleições autárquicas. Conosco, farei, para além desse sublinhado que fiz agora, farei um esforço muito grande para não dar mais esse palanque ao Chega.

Já sobre as presidenciais, o líder do PCP defende que há nomes a mais a serem propostos e aponta que o partido está a decidir como participar. No plano internacional, Paulo Raimundo aborda a polêmica causada pela posição do partido sobre a guerra na Ucrânia. Admite que havia outras formas de dizer o mesmo, mas sublinha que o tempo vai dar razão ao PCP.

Passado este tempo, havia sempre, eventualmente, outras formas de dizer o mesmo. Só que foi aquilo que nós dissemos. E aquilo que nós dissemos, na questão central, está atualíssima e, infelizmente, está-se a demonstrar que mais uma vez o PCP tinha razão. Eu até gostava que nós não tivéssemos tido razão.

Palavras de Paulo Raimundo, que diz sentir-se agora mais confortável no cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português.

A jornalista Inês Batista com os destaques da entrevista de Paulo Raimundo à Rádio Observador. Já a seguir vamos até Almada, vamos até ao encontro do repórter Miguel Vitório Dias, que está a acompanhar este encontro, sendo que os trabalhos já começaram, como dissemos, em Almada, no 22º Congresso do PCP. É um tema que voltaremos já a seguir e obviamente vamos dar destaque durante toda esta manhã informativa.

É isso mesmo, André. Marcelo Rebelo de Sousa, entretanto, noutro tema, critica a ideia de messianismos e lembra a luta de Mário Soares para ser o primeiro presidente civil.

O chefe de Estado esteve esta noite na sessão de lançamento de um livro a propósito do centenário do fundador do PS. Marcelo Rebelo de Sousa não faz nenhuma referência direta ao almirante Gouveia e Melo, mas lembra a luta de Mário Soares pela legitimidade eleitoral, que se estendeu até à eleição do primeiro presidente civil, e alerta para o perigo de messianismos.

A soberania popular não é apenas uma inscrição na Constituição. Mário Soares foi o exemplo de quem acreditou nisso e viveu isso toda a vida. É o povo quem mais ordena. Não é uma inspiração providencial. Não é um messianismo vindo do mesmo ou de outro planeta. Não! Tem de ter legitimidade popular. Daí a luta de Mário Soares, depois da ditadura, que durou até à primeira revisão da Constituição e prosseguiu depois até à eleição do primeiro presidente da República civil.

O presidente da República recordou ainda o fundador do PS para sublinhar o perigo do desgaste dos partidos e do Parlamento. Declarações de Marcelo Rebelo de Sousa no lançamento do livro Mário Soares 100 Anos, da autoria de Clara Ferreira Alves, Alfredo Cunha e também Rui Ochoa. O livro reúne fotografias inéditas da vida do fundador do Partido Socialista, como nos conta a jornalista Maria João Braz.

Depois da morte da Maria de Jesus, começou a morrer devagarinho. Nunca aceitou que ela o tivesse deixado primeiro. Sempre achou que seria ao contrário.

Na voz da filha, Isabel Soares, Clara Ferreira Alves escreve sobre os pais. Maria Barroso e Mário Soares estão eternizados, não só em fotografias, como também num texto que Clara Ferreira Alves diz ser uma forma de rever o passado.

É disso que eu tenho hoje saudades, de confessar, perguntar o que você acha disto, o que você acha daquilo, vamos falar disto, vamos falar daquilo. Portanto, este livro foi um prazer, foi um grande prazer. É uma maneira de voltar atrás no tempo.

Mário Soares 100 Anos é o nome do livro que reúne fotografias inéditas do fundador do Partido Socialista Português. Imagens tiradas por Alfredo Cunha, fotojornalista de Soares, enquanto este foi presidente da República.

Fui contratado para a Presidência da República, por motivos estranhos, por ter feito um cartaz de Freitas do Amaral. E quando ele viu o cartaz para a Frente Portugal, disse: "Epá, quero que aquele tipo me faça uma campanha".

E foi assim que tudo começou, tornámo-nos amigos e viajámos pelo mundo.

Também o fotógrafo Rui Ochoa deixa o seu contributo neste livro, que o fotojornalista garante não ser só mais uma obra sobre Soares.

Ocorremos a todos a ideia, mas incentivados pelo seu presidente, de ir fotografar a casa do doutor Mário Soares, que está incólume. E foi daí que este livro me parece ser um livro diferente.

Mário Soares: 100 Anos foi apresentado este sábado na Academia das Ciências de Lisboa e contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa.

A jornalista Maria João Brás, com o resumo do lançamento do livro Mário Soares: 100 Anos, uma cerimônia que contou também com a presença de Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, nome que tem sido apontado a Belém.

E André Maia, voltamos à notícia de abertura deste jornal das 10. Voltamos a falar do Congresso do PCP.

Exatamente. E vamos ao lançamento deste último dia de congresso em Almada. Para lá que vamos em direto desde já ao encontro do repórter Miguel Viterbo Dias, que está a acompanhar este encontro. Miguel, bom dia. Depois da eleição do Comitê Central, hoje vão ser então conhecidos os restantes órgãos do partido.

Sim, o núcleo duro do Comitê Central, a Comissão Política, o órgão mais restrito de decisão do Partido Comunista Português, depois da eleição do Comitê Central, com seis votos contra e oito abstenções no universo de delegados que votaram durante a tarde de ontem no Congresso e hoje aguarda-se pela eleição desse órgão mais restrito, mas também por algumas intervenções que ainda vão marcando o amanhã, antes do encerramento. O encerramento está marcado para a 13h, com uma nova intervenção de Paulo Raimundo, depois de na sexta-feira ter feito um longo discurso a olhar para dentro dos problemas do partido e também para a forma como a mensagem não tem conseguido passar da melhor maneira. Mas ainda esta manhã vamos ter também, por exemplo, o Jorge Cordeiro, é um dos mais influentes dirigentes do PCP. Vai falar sobre as características da ofensiva que o PCP tem sido alvo por parte dos adversários. E também haverá um momento de homenagem à Palestina, com um filme e uma leitura de um texto subscrito pelo Partido Comunista Português. A fechar a manhã, Francisco Lopes, antigo candidato presidencial do partido, vai falar sobre a forma de intervenção e reforço do PCP. Será um dos últimos discursos antes de Paulo Raimundo subir ao palco para o encerramento deste Congresso, que é também o primeiro do secretário-geral do PCP, neste fato de líder do partido. Ele que, tendo sido eleito há dois anos, foi numa conferência e não num congresso, e por isso está aqui nesta primeira reunião magna, neste fato de secretário-geral. Ainda ontem disse que já está mais habituado. Veremos agora, na intervenção de encerramento marcada para a 13h, que mensagens deixará para fora. Isto porque, tal como é habitual também depois de um primeiro discurso mais virado para os problemas internos do partido, a intervenção de hoje espera-se que seja mais focada na mensagem para os portugueses. E é daí que sairá também este PCP para um novo ciclo político, com autárquicas e eleições presidenciais.

A reportagem do jornalista Miguel Viterbo Dias é um dos elementos da grande equipa da Rádio Observador, que está a acompanhar este 22º Congresso do PCP em Almada. Volaremos a Almada já a seguir, por volta das 10:30, para uma edição especial de O Vencedor É, em direto a partir deste 22º Congresso do Partido Comunista Português.

E é um assunto que também pode acompanhar no site do Observador. E André, mais um dia de constrangimentos nas urgências em Portugal. Os principais problemas estão na área de ginecologia e obstetrícia.

Onde estão fechadas três urgências em todo o país. Na Grande Lisboa estão encerradas as urgências de ginecologia de Vila Franca de Xira e também de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro. Também em Leiria está encerrada a urgência de ginecologia do Hospital de Santo André. Nas urgências gerais, destaque para alguns constrangimentos na área de Lisboa, com tempos de espera elevados. No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, é onde se verifica o tempo de espera para o atendimento urgente maior, com 11 horas. Já no Hospital Fernando Fonseca, o Hospital Amadora-Sintra, o tempo de espera para o atendimento geral urgente é de nove horas.

Atenções viradas agora para o futebol. O Sporting voltou às vitórias. Os Leões venceram o Boavista em Alvalade por 3x2.

É a primeira vitória da equipa leonina no campeonato desde a saída de Rúben Amorim. Marcaram Yoquerés e Trincão, que bisou para os Leões. Para o Boavista marcaram Bozenik e Onyemachi, que anularam por duas vezes vantagem leonina. No final do encontro, João Pereira admitiu o alívio pelo final do registo negativo da equipa e deixou elogios aos jogadores.

Um trabalho fantástico destes jogadores que jogam de três em três dias, de quatro em quatro dias, muitos com muitos minutos nas pernas, com cansaço, que notou-se a partir dos 70, 75 minutos, algum cansaço, e eles sem nunca desistirem, tenho que lhes tirar o chapéu.

Do outro lado, o técnico italiano do Boavista, Cristiano Bacci, mostrou orgulho pela identidade mostrada pelos axadrezados, mas lamentou o resultado final.

Foi um jogo bem disputado. Normal que o Sporting tem grande qualidade e pode resolver o jogo em qualquer momento. Mas nós fomos bem no campo, estou orgulhoso do que os meus jogadores mostraram.

As leituras dos treinadores do Sporting 3, Boavista 2, no final do jogo. Os Leões mantêm assim o primeiro lugar com 36 pontos.

E hoje é a vez do Benfica entrar em campo nesta jornada 14, André. Os encarnados viajam até à Vila das Aves para defrontar o AVS. Bruno Lage diz que espera um duelo interessante.

O Benfica, que está a cinco pontos da liderança, mas tem menos dois jogos do que o Sporting e, portanto, pode matematicamente passar para o primeiro lugar quando ajustar calendário. Na antevisão do encontro, Bruno Lage elogiou o adversário que considera ser difícil.

Um jogo difícil, mas que nos obriga a estar muito bem preparados para vencer o jogo, que esse é que é o nosso grande objetivo.

Daniel Ramos, do lado do AVS, fala numa oportunidade para a equipa se mostrar ao melhor nível.

Procurarmos ao máximo fazer a nossa melhor prestação, a nossa melhor performance coletiva, performance individual, é um desafio para nós, é uma oportunidade de nos mostrarmos e de mostrarmos aquilo que temos vindo a trabalhar.

As antevisões de Bruno Lage e Daniel Ramos ao encontro da jornada 14 da Primeira Liga de futebol.

E o AVS-Benfica está marcado para as 18h de hoje. Vai contar com relato e análise em direto aqui na Rádio Observador. Dez horas, 12 minutos. André, já a seguir temos um novo episódio de "Encontros com a Beleza", mas antes vamos a outras notícias que estão em destaque esta manhã.

Os abusos sexuais na internet contra crianças estão a aumentar de forma particularmente perigosa. É um alerta da presidente do Instituto de Apoio à Criança. Em entrevista à Agência Lusa, Dulce Rocha pede uma reflexão sobre este tema, afirma que é o principal perigo atual para as crianças e jovens. Joe Biden falou ao telefone com o primeiro-ministro da Coreia do Sul, reforçou que a aliança entre Seul e Washington vai continuar a ser o pilar da paz e da prosperidade na região da Ásia-Pacífico. De acordo com o comunicado da Casa Branca, Joe Biden expressou apreço pela resiliência da democracia do Estado de direito na Coreia do Sul. Ontem, relembro, foi aprovada a destituição do presidente da Coreia do Sul depois de ter decretado a lei marcial, que foi entretanto revogada. João, não sei se sabes que dia é hoje.

Domingo, dia 15 de dezembro.

Sim, essa parte está aqui no cantinho do computador, é verdade. Não, hoje é um dia temático.

Diz lá, André.

Hoje é o dia-

O que é que inventaram desta vez?

Sim, é verdade. Já sabemos que ultimamente temos trazido aqui alguns dias e realmente há dias para tudo. Hoje é Dia Internacional de Usar Camisolas Feias e eu estou a ver, João, que vieste vestido a rigor para isso.

Tão engraçadinho.

Não, mas é um dia que foi decretado. Há gostos para tudo. Pode haver gente que também não quer usar camisolas feias.

Eu recuso-me.

Hoje há outro dia também, para além do Dia Internacional de Usar Camisolas Feias, é também Dia do Cupcake. Para quem não sabe, aqueles bolos pequeninos.

Sim, e são de chocolate.

Exato.

Se quiserem vir trazer aqui à rádio.

Por além disso, como se não bastasse haver estes dois dias, hoje também é Dia Internacional do Chá, talvez um dia um pouquinho mais consensual.

Não gosto de chá.

Portanto, eu diria que hoje o melhor é usar uma camisola feia enquanto se come um cupcake e se bebe uma caneca de chá.

Desfaz lá esse mito, porque eu não estou com uma camisola feia, André Maia.

Não estás, não senhor. Estás com uma camisola normal, castanha. Mas estás bonito hoje.

Obrigado.

Uma camisa branca por baixo.

Obrigado. Tu também, com uma gola alta.

Obrigado.

Com um vestido camel, bege.

Camel?

É camel, não é?

Nunca tinha ouvido isso.

É camel.

Se calhar ficamos por aqui.

O entendido da moda aqui sou eu. Jornal das 10, edição do André Maia.