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Bom dia, 10:03. As notícias das 10, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Sete meios aéreos juntaram-se esta manhã ao combate ao incêndio em Ponta Barca, Viana do Castelo. O número dos meios no terreno tem vindo a aumentar ao longo da manhã. São, neste momento, 235 operacionais, 77 viaturas e os tais sete meios aéreos. O presidente da Câmara de Ponta do Barca voltou a queixar-se esta manhã da falta de meios, sobretudo aéreos. A Proteção Civil prometeu um reforço. As chamas continuam a ameaçar casas, sendo que os acessos difíceis e também o regresso do vento forte estão a dificultar o trabalho dos bombeiros. A Maria Rego está a esta hora no posto de comando da Proteção Civil. Maria, creio que o ponto de situação já está a ser feito a esta hora, é isso?
Exatamente. Comigo tenho o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Viana do Castelo, Marco Rodrigues. Começo por lhe perguntar se consegue fazer um ponto de situação a esta hora.
Neste momento, temos duas frentes ativas com bastante intensidade em locais praticamente inacessíveis a meios de combate terrestres. Temos duas povoações na linha de fogo, as quais estão protegidas com empenhamento de meios na sua defesa perimétrica. Não há necessidade de evacuação no imediato, embora esse planeamento esteja claramente elaborado, em perfeita articulação com a Guarda Nacional Republicana.
A esta hora há alguma casa em risco de incêndio?
Como eu disse, temos duas povoações na linha de fogo e temos meios pré-posicionados nas defesas perimétricas destas mesmas habitações.
E que localizações são estas?
Estamos a falar na localidade da Ermida e na localidade de Frofre.
Há perspetivas para o término deste incêndio?
O nosso objetivo estratégico é que até o final do dia consigamos dominar, mas não deixa de ser um objetivo ambicioso.
Também por causa do vento que se faz sentir e as temperaturas.
O vento, a orografia e as condições meteorológicas que se vão fazer sentir durante o dia.
O autarca desta freguesia mostrou algum descontento com a demora dos meios aéreos a chegarem ao terreno. Como é que vê estas palavras? Acha que existe a necessidade desta preocupação?
Eu preferia não fazer comentários a essa manifestação de desagrado.
Imagina então que exista perspetivas para que o fogo esteja terminado ainda hoje. Há algum tipo de danos já registado?
Sim, temos alguns registros de danos em infraestruturas agropecuárias com afetação de alguns animais.
Muito obrigada. Ficamos então com as declarações do comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Viana do Castelo, Marco Rodrigues, que nos dá então conta desta situação a esta hora. Como dizia a Carla, são sete os meios aéreos que já sobrevoam por aqui, penso que sejam audíveis, para este incêndio, este foco que acontece já desde sábado à noite.
E assim foi registada a passagem de um meio aéreo. Maria Rego tem estado desde de manhã cedo na Parada, Ponta Barca, distrito de Viana do Castelo, com o mais recente ponto de situação. E este incêndio que começou no sábado, por causa do calor, todos os distritos do continente estão sob aviso amarelo até quinta-feira. O PS considera que a proposta do governo para a reforma laboral representa uma agenda radical. Já o Chega admite negociar com a AD para atualizar o Código de Trabalho para as regras do século XXI. O executivo liderado por Luís Montenegro vai apresentar no Parlamento um conjunto de alterações em mais de 100 artigos do Código do Trabalho. Para a proposta ser aprovada, o governo vai precisar do apoio do Chega ou do Partido Socialista. Esta manhã, no Explicador, a deputada Felicidade Vital, do Chega, mostra disponibilidade do partido para negociar, até porque considera fundamental haver mudanças no setor do trabalho.
Quem trabalha deve ser protegido, mas deve ser protegido nas regras do século XXI. E nós temos de tentar legislar de acordo com as ambições dos trabalhadores e do novo trabalho. As pessoas querem trabalhar por objetivos, querem ser remuneradas de acordo com os seus objetivos, querem ter liberdade de horários, querem ter liberdade de mudar facilmente de entidade patronal.
Já o deputado socialista Miguel Cabrita recusa alinhar no que chama de retrocessos no Código do Trabalho e traça linhas vermelhas para a negociação.
Menos direitos e maior desregulação. Enfim, há um conjunto de matérias que nos preocupam profundamente e que, como dizemos, a nossa linha vermelha é fundamentalmente esta: a ideia de que a nossa legislação tem que ser desequilibrada. Não, a nossa legislação pode e deve ser equilibrada, reequilibrada. Era esse o caminho que vinha a ser feito e que deve ser prosseguido. E a nós preocupa-nos profundamente que o governo tenha, logo no início da sua legislatura, ido atrás de uma agenda que é uma agenda com aspectos de radicalismo e até desenterrar questões que estavam perfeitamente integradas, interiorizadas.
Já pelo CDS, Paulo Núncio recusa parceiros preferenciais do governo na negociação para a reforma laboral. O líder parlamentar centrista diz que esta é uma reforma pedida por todas as partes.
Esta é uma proposta que responde, por um lado, e que cumpre, por um lado, o programa de governo. Por outro lado, cumpre também o acordo tripartido sobre a valorização salarial e o crescimento econômico, que foi assinado com os parceiros sociais no ano passado e, para além disso, responde a pretensões quer das confederações patronais, quer das centrais sindicais, e por isso é uma proposta bastante equilibrada.
Paulo Núncio, do CDS, foi também um dos convidados do Explicador desta manhã. As alterações ao Código do Trabalho, propostas pelo governo, devem ser apresentadas na Assembleia da República em setembro Falamos agora do acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O economista António Nogueira Leite considera que ainda é cedo para avaliar o impacto que as novas tarifas norte-americanas podem ter na economia portuguesa. Os dois blocos chegaram a um acordo comercial para tarifas de 15% sobre os produtos europeus. A decisão foi anunciada por Donald Trump e Ursula von der Leyen depois de uma reunião na Escócia. Estão ainda por conhecer vários detalhes deste acordo. A Comissão Europeia promete mais esclarecimentos a partir de hoje. Na análise esta manhã, António Nogueira Leite considera que a Europa jogou à defesa nas negociações e que, por isso, conseguiu um acordo que é apenas menos mau.
É um acordo que é bom face àquilo que era a alternativa anunciada por Trump. De qualquer das formas, não estou habituado a ver acordos no passado em que um país põe tarifas e o outro não põe nada. Não pôr nada é bom para os consumidores europeus, porque continuam a importar os produtos americanos. Agora, é mau para muita da produção europeia, porque muita vai ter tarifas muito mais elevadas para chegar aos Estados Unidos do que os americanos vão ter para chegar cá, porque o desequilíbrio tarifário também, a tarifa média era mais alta na Europa, mas a diferença não era desta magnitude.
Um acordo bom, para já, para os consumidores, mas mau para os produtores europeus, sendo que o impacto total ainda está por descobrir, é a análise do economista António Nogueira Leite, que esteve em direto esta manhã aqui na Rádio Observador. Ainda nas reações a este acordo, o PS já veio pedir ao governo que faça uma avaliação dos impactos destas tarifas na economia portuguesa. Um professor de dança suspeito de assediar alunas foi despedido da Academia Contemporânea do Espectáculo de Famalicão. É alvo de denúncias noutras três escolas. Dava aulas de dança em escolas na região do Porto e de Famalicão. Alguns casos têm mais de 10 anos. Muitas das alunas eram menores na altura. Elas descrevem olhares desconfortáveis, comentários sobre a aparência e mensagens constantes do professor. Hoje, já adultas, denunciaram os casos e a jornalista do Observador, Joana Moreira, recolheu vários testemunhos.
Há comentários sobre o corpo que estas alunas alegam ser altamente desconfortável receber, naturalmente. Declarações de afeto, eu posso citar aqui algumas mensagens: "Esse olhar e esse sorriso matam-me", "Tenho o coração a tremer", "Sinto algo muito especial por ti". "Já terminaste com o teu namorado ou ainda não?" Ou "a maior gata de Famalicão". São algumas das mensagens recebidas e que o Observador teve acesso.
E nas aulas havia algum comportamento suspeito?
Agora, algumas alunas recordam aquilo que dizem ser olhares insistentes, alguns comportamentos que achavam estranhos e que agora, em retrospectiva, percebem que eram de facto muito frequentes, olhares persistentes. Mas o principal foco da reportagem são de facto as mensagens.
A jornalista do Observador, Joana Moreira, na história do dia. Já o advogado Miguel Matias explica ao Observador que este envio de mensagens pode configurar o crime de stalking. O professor foi, entretanto, afastado da Academia Contemporânea do Espectáculo de Famalicão em abril, afastado por decisão da direção. O Observador sabe também que ele é alvo de denúncias noutras três escolas e que já não está ligado a nenhuma delas. Esta é a notícia manchete no site do Observador. Esta história é também o tema da História do Dia, já disponível em podcast. 10h12. Já a seguir o Contracorrente sobre as alterações à legislação laboral. Primeiro, Carla, tempo ainda para as outras notícias que marcam esta manhã de segunda-feira. Exatamente três meses depois do apagão que afetou Portugal e Espanha, o governo apresenta um conjunto de medidas para evitar um novo incidente. As medidas vão ser apresentadas pela ministra do Ambiente e devem incluir um plano nacional de armazenamento e alterações aos sistemas de controle da rede elétrica. A apresentação está marcada para às 11h30 da manhã. Pelo menos 41 pessoas morreram na Faixa de Gaza só esta manhã, em novos ataques de Israel. É o que indicam as autoridades palestinianas citadas pela Al Jazeera. Entre as vítimas mortais estão oito civis que aguardavam a entrega de ajuda humanitária. E isto no dia em que começa, na sede das Nações Unidas, em Nova York, uma conferência internacional dedicada ao reconhecimento do Estado da Palestina.