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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Está a ser reforçado o combate a um incêndio em Ponte da Barca. Cinco meios aéreos juntaram-se esta manhã aos quase 700 operacionais e mais de 200 viaturas que estão no terreno a combater as chamas há quase uma semana.
É o incêndio que mais preocupa as autoridades e por isso que mais meios mobiliza a esta hora. O fogo tem duas frentes ativas. Na última noite obrigou à retirada de cerca de 60 moradores de duas aldeias. Neste momento estão no terreno 690 operacionais, 230 viaturas, há também cinco meios aéreos e os bombeiros contam agora com uma unidade móvel no terreno instalada pela Cruz Vermelha. O objetivo é apoiar os operacionais. Em comunicado, a Cruz Vermelha destaca que esta estrutura é uma resposta inédita em Portugal, tem como objetivo dar condições dignas de descanso, higiene, apoio psicossocial e também recuperação física aos operacionais. Está conosco em direto agora neste jornal, Gonçalo Órão, o coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha e que está precisamente em Ponte da Barca. Bom dia, Gonçalo Órão. Obrigada por estar conosco. Explique-nos um pouco melhor o que é esta estrutura, qual é o objetivo e como vai funcionar.
Bom dia. Essa estrutura, que nós designamos de Ref Space, é efetivamente uma unidade móvel que nós projetamos para dar o maior conforto aos operacionais no terreno. Cruz Vermelha nós não fazemos combate direto aos incêndios, por isso temos a noção que temos que estar na retaguarda, complementar a todos os agentes que estão a fazer esse combate, para lhes dar as condições para que esse combate seja eficaz e que eles tenham as melhores condições. E segundo, além de camas de campanha, todas as condições a nível de higiene, para recuperação física, mesmo primeiros socorros e apoio psicossocial, em caso de necessidade, para estes militares terem as condições necessárias. Para isso, contamos com um imprescindível apoio da Missão Continente, que também nos facultou todos os consumíveis e produtos necessários para o bem-estar destes operacionais, porque se eles conseguirem recuperar bem, temos a certeza que depois vão voltar melhor à frente de fogo.
E a quantos operacionais podem dar resposta em simultâneo?
Esta estrutura está projetada para 100 operacionais em simultâneo, mas com a capacidade, obviamente, de haver rotação. Podemos chegar até aos 500 operacionais apoiados nesta unidade móvel num sistema de rotação, sendo que simultaneamente, sabemos que também os bombeiros trabalham por turnos, conseguimos 100 simultâneos.
O que percebemos até pelas reportagens em direto que vamos acompanhando é que o apoio normalmente aos operacionais é dado de uma forma muito informal, até pelos residentes, pelos locais que os tentam ajudar. Quais são as principais necessidades de quem está já há tantos dias a combater as chamas?
Fazer a gestão de um teatro de operações desta dimensão, com esta duração e desta complexidade, obviamente, não é fácil. E quando falamos que temos mais do que 500 operacionais no terreno, é sempre complicada a vertente logística. A sustentação logística é algo que nas operações é extremamente importante e que deve acompanhar toda a parte operacional. Notando que efetivamente esta é uma vertente difícil e que é uma vertente onde a Cruz Vermelha tem experiência e que podemos lá estar, como não estamos na vertente operacional, dedicar-nos a esta vertente é o que nós tentamos apoiar. Naturalmente, que é sempre difícil associar a vertente logística com a parte operacional, porque há um requisito enorme de estarem o maior tempo possível a fazer o combate a incêndio. E por isso, o que nós tentamos com isto é nestas rotações, nas deslocações, estamos a falar também de áreas geográficas muito extensas e por isso, obviamente, não vamos conseguir chegar a todos os bombeiros, mas dentro do possível, tentamos ajudar para essa sustentação logística das forças ser o mais eficaz possível.
É o contributo da Cruz Vermelha, que dizia no comunicado que é, ainda assim, uma resposta inédita em Portugal. É a primeira vez que a Cruz Vermelha está a dar este tipo de apoio?
Nessa estrutura, com maior complexidade de resposta, sim, porque nós apoiamos muitas vezes com camas de campanha, criando um espaço, mas desta vez estamos mesmo com socorristas nossos ao lado dos bombeiros para alguma necessidade. Estamos a articular com fisioterapeutas, enfermeiros de reabilitação, também para dar um apoio. Temos psicólogos e mesmo a nível de material de consumíveis e com este apoio da Missão Continente, conseguimos também dar materiais consumíveis e de conforto pessoal para sentirem um outro apoio quando é neste período de descanso.
Gonçalo Órão, muito obrigada por nos ter explicado em que consiste esta estrutura. Gonçalo Órão é o coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha, que está no terreno a apoiar os operacionais que estão a combater as chamas em Ponte da Barca. Preocupado as autoridades, está também o incêndio de Penafiel. De acordo com a Proteção Civil, também tem duas frentes ativas e está a ser combatido por 240 operacionais, 70 viaturas e quatro meios aéreos. Já o incêndio de Arouca foi dominado esta manhã. O comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, destaca o trabalho dos meios no terreno para o controle das chamas.
É o incêndio em que os trabalhos de combate estavam a evoluir favoravelmente, isto permitiu-nos, como disse, às 07:00, dar este incêndio como dominado.
O comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, num ponto de situação feito esta manhã à Agência Lusa. Apesar do incêndio estar dominado, continuam no terreno 430 operacionais, apoiados por 160 viaturas e dois meios aéreos. O incêndio de Paredes também continua em fase de resolução.
O PS acusa o governo de querer implementar despedimentos e cortar salários na função pública com a reforma do Estado. Já a Iniciativa Liberal afirma que o Executivo deve passar das palavras aos atos.
O governo anunciou ontem as primeiras linhas orientadoras da anunciada reforma do Estado. Vai haver uma reorganização e transformação dos ministérios e também um processo de simplificação legislativa e administrativa Foi o tema que esteve em discussão esta manhã no "Explicadores". A deputada do PS, Marina Gonçalves, refere que o plano de reforma do Estado devia focar-se na proximidade do Estado com o trabalhador e afastar a eliminação de cargos dirigentes na administração pública.
Se eu mostrar que tenho mais eficiência a reorganizar os serviços para ter uma única porta de entrada, uma partilha de informação, ninguém está em desacordo com isso. Isso é simplificar, é desburocratizar, é aproximar, como dizia, o Estado do cidadão e o cidadão do Estado. O problema é que nós ouvimos um briefing do Conselho de Ministros onde a grande prioridade e a grande medida que apresentam é a redução dos cargos dirigentes e dos trabalhadores.
Crítica deixada pela socialista Marina Gonçalves. Já Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, acredita que as medidas da reforma do Estado devem ser profundas. Considera que o excesso de burocracia pode levar a casos de corrupção.
Nós temos situações de atraso de licenciamento de obras em vários municípios, em que depois as pessoas naturalmente querem avançar com a sua vida e aquilo que lhes é dito é: "Olhe, se apresentar aqui um envelope com 3 ou 4 ou 5 mil euros, o processo é acelerado". Isto é inaceitável, mas isto é uma consequência da burocracia e daquilo em que se tornou o Estado português. Não vai lá com um corta-unhas para podar uma floresta. Isto, de facto, tem de ir com uma reforma a fundo, tem de ser de buldózer.
É preciso mais, é o que pede a Iniciativa Liberal. Já do lado do PSD, o deputado Pedro Alves reforça que as medidas apresentadas pelo ministro Gonçalo Matias não pretendem despedir pessoas. O social-democrata dá o exemplo das melhorias que um diretor de uma escola pode ter com estas alterações.
O governo apresentou uma proposta que vem, por um lado, concentrar melhor o processo de decisão. Perceber que um diretor de uma escola, para poder fazer a gestão da escola, para adquirir o que quer que seja, tem que funcionar com cinco entidades diferentes a nível central. A partir do momento em que se consiga implementar esta reforma, bastará lidar com apenas uma entidade central. E naturalmente que isto vai levar a que haja uma diminuição, seja dos organismos, seja dos dirigentes, mas não há despedimentos, há simplesmente uma reorganização.
Aliás, Pedro Alves afirma que o governo quer também atrair novos talentos para a administração pública. Já o PS critica o governo por, diz, desrespeitar os trabalhadores da função pública.
E vamos voltar a este tema já a seguir no Contracorrente. Falamos agora do adiamento da entrada em vigor das tarifas de Donald Trump. A economista Susana Peralta fala no sinal de chantagem para com os países afetados pelas novas taxas.
A Casa Branca divulgou ontem a lista de países abrangidos pelo novo plano tarifário, com uma novidade: as tarifas que tinham lançamento agendado para hoje, afinal passam para a próxima quinta-feira. Susana Peralta lembra o acordo comercial entre norte-americanos e União Europeia para dizer que o presidente dos Estados Unidos está à procura de impor mais e melhores acordos com base na chantagem.
Esta estratégia de Donald Trump, dos anúncios e dos sucessivos adiamentos e dos altos e baixos das taxas que vai aplicar, tem um único objetivo, que é fazer chantagem nos restantes países para depois assinarem acordos que pelo menos Donald Trump e sua equipa consideram que são benéficos para os Estados Unidos, como aconteceu com a União Europeia, que capitulou em toda a linha, assinando um acordo nos termos em que Donald Trump queria que assinasse.
Susana Peralta, economista, faz parte do painel do programa Fora do Baralho. Lembra que os contribuintes norte-americanos vão sair afetados com este novo plano, em causa estão taxas que vão dos 10 aos 41% para quase uma centena de países.
São agora 10h10, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
A Polícia Judiciária confirma que deteve um homem de 29 anos por suspeita de homicídio qualificado, profanação de cadáver e posse de arma proibida. Em causa está um crime que terá ocorrido em Lisboa na noite de terça para quarta-feira. Em comunicado, a PJ descreve que a vítima, um homem de 34 anos, foi objeto de mutilação por decapitação. Foi apreendida a faca que terá sido utilizada no crime. Por causa das altas temperaturas, Portugal voltou a registar excesso de óbitos. Na terça e quarta-feira desta semana, houve mais 88 mortes do que o previsto. Foi, sobretudo, na região Norte e entre maiores de 85 anos. Os dados foram consultados pelo Jornal de Notícias no sistema de vigilância da mortalidade em tempo real. Hoje e amanhã as temperaturas descem ligeiramente, mas de acordo com o IPMA, vão voltar a subir a partir de domingo. O Benfica venceu o Sporting por 1 x 0, conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira. O golo da vitória foi marcado aos 50 minutos por Pavlídis. Os encarnados conquistam assim o primeiro troféu da época.