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Está a começar o jornal do meio-dia com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, já começou o julgamento do caso BES. Ricardo Salgado entrou e saiu. O antigo banqueiro deixou o tribunal depois de ter sido identificado.

É a principal cara do processo BES, respondeu com dificuldade às perguntas da juíza. Ricardo Salgado não conseguiu responder com clareza a perguntas sobre onde vivia. Enganou-se, por exemplo, no nome da mãe. Tinha chegado, Salgado, ao tribunal acompanhado da mulher e do advogado, Francisco Porciuncula de Carvalho. O antigo homem forte do Grupo Espírito Santo responde por 62 crimes. Os arguidos e cerca de 60 advogados estão na sala de audiências. O jornalista Vasco Maldonado Correia está no Campus da Justiça a acompanhar o julgamento. Vasco, tens mais detalhes sobre o que se passou na sala de audiências?

Exatamente, Miguel. Ricardo Salgado foi o primeiro a ser identificado e como dizias, não conseguiu responder coerentemente às questões. Mostrou-se muito confuso. Soube, por exemplo, dizer a profissão, banqueiro, mas enganou-se também no nome da mãe e a dizer a atual morada. A juíza perguntou depois se Salgado queria estar no julgamento ou se preferia que os trabalhos continuassem sem estar presente e o ex-banqueiro não conseguiu responder. Sendo auxiliado pela mulher, Maria João Bastos, seguiu-se uma troca de argumentos entre o advogado Francisco Porciuncula de Carvalho e a juíza Helena Susana, com o advogado a pedir a saída de Ricardo Salgado da sala por não apresentar condições para aqui estar e foi isso mesmo que aconteceu. Ao todo, foram identificados 12 arguidos, 13 empresas. Para já, ninguém pretende prestar declarações. Vários pediram dispensa para não estarem presentes em todas as sessões. Entretanto, foram apresentados alguns requerimentos. Nuno Vieira, advogado dos lesados do BES, tem-se queixado que há várias pessoas que querem assistir ao julgamento e isso não lhes está a ser permitido. Entretanto, também já começaram as posições introdutórias. Carla Dias, procuradora do Ministério Público, está neste momento a fazer essa exposição e resumiu brevemente a acusação com a conclusão de que Ricardo Salgado assumiu o governo do GES de maneira autocrática.

Jornalista Vasco Maldonado Correia a acompanhar o que está a acontecer neste julgamento do BES no Campus da Justiça, em Lisboa.

E o advogado de Ricardo Salgado considera uma vergonha para a justiça portuguesa o que está a acontecer neste julgamento.

Francisco Porciuncula Carvalho começou por explicar que o ex-banqueiro não tem noção de que está sequer num julgamento, devido à doença com que foi diagnosticado. Exatamente por isso, Francisco Porciuncula de Carvalho sublinha a importância da dispensa de Ricardo Salgado.

Nós pedimos a dispensa e eu acho que para a dignidade da própria justiça portuguesa, possamos evitar isto no futuro. Eu acho que uma justiça que humilha, que viola a dignidade de qualquer pessoa, é uma justiça que viola a sua própria dignidade. E, portanto, nós todos, como advogados, no século XXI, 2024, não entendermos isso só porque a pessoa se chama Ricardo Espírito Santo Salgado, para mim é incompreensível e é uma vergonha mundial, no mundo civilizado, aquilo que está a acontecer.

Francisco Porciuncula Carvalho fala mesmo no mundo incivilizado da justiça portuguesa.

Eu acho que abriu-se uma página negra na justiça portuguesa, pelo menos diante de todo mundo, porque isto não é só um caso que interessa a Portugal. Nós sabemos como é que este tipo de casos, este tipo de pessoas com estas doenças, são tratadas no mundo civilizado e ficamos a saber como é que são tratadas, pelos vistos, no mundo incivilizado, que eu achava que Portugal não estava.

Advogado de Ricardo Salgado a sair do Campus de Justiça. Ao contrário da chegada, o advogado de Ricardo Salgado saiu sozinho, o ex-banqueiro terá saído pela garagem.

E na análise a este caso, feita pelo redator principal do Observador, Luís Rosa, a defesa de Ricardo Salgado está a tentar criar uma imagem de fragilidade sobre o ex-banqueiro.

Luís Rosa explica que a doença de Ricardo Salgado não é colocada em questão. No programa Contracorrente desta manhã, o redator principal do Observador disse que o fato de o ex-banqueiro não ter entrado pela garagem é um exemplo da imagem de fragilidade que a defesa quer passar.

A defesa de Ricardo Salgado, Francisco Porciuncula de Carvalho, o advogado, e a mulher de Ricardo Salgado estão a fazer isto de propósito, ou seja, tentam criar uma imagem de fragilidade de Ricardo Salgado para criar uma espécie de empatia da opinião pública em relação à figura de Ricardo Salgado. É esse o principal objetivo. Esta não é uma estratégia legal, é uma estratégia de relações públicas. É essa a estratégia de Francisco Porciuncula de Carvalho, é uma estratégia de relações públicas, não é uma estratégia legal.

Luís Rosa explica também que é expectável que o julgamento de Ricardo Salgado dure cerca de dois a três anos.

E antes do julgamento começar, um grupo de lesados juntou-se no Campus de Justiça, em Lisboa. Esse grupo faz parte das mais de 20 vítimas que não quiseram receber reparações do fundo de recuperação.

Culpam a CMVM, Banco de Portugal e os governos em exercício durante estes 10 anos. Jorge Novo, um desses lesados, teve a oportunidade de falar à entrada com Ricardo Salgado para apoiar o ex-banqueiro.

Por que o Novo Banco fez a provisão dos lesados? O senhor Ricardo Salgado também tem culpa nisso, porque o senhor Ricardo Salgado tinha capacidade para resolver o problema e alguém tomou posse da situação dele. Banco de Portugal, onde é que está a responsabilidade do Banco de Portugal, do Novo Banco, da CMVM e de um grupo de trabalho liderado por Diogo Graciano de Machado, que fez uma solução para os amigos? Ele não foi consultado para nada e eu recebi zero. Eu quero o meu dinheiro!

Não se admite!

Além deste grupo de pessoas, foi organizada outra manifestação, esta simbólica, para assinalar os 10 anos deste processo. Às 9h, meia hora antes de começar o julgamento, simulou-se um cortejo fúnebre à entrada do campus da Justiça. Uma manifestação com um carro funerário e um caixão a simbolizar os fundos perdidos pelos lesados do BES. Atrás desta viatura, um grupo de figurantes vestido de preto e encapuzados em representação dos 18 arguidos deste caso. Francisco Carvalho, da Associação dos Clientes Bancários, explica qual foi a motivação desta manifestação simbólica.

Há 10 anos começou um funeral das poupanças. Estão a querer matá-las, mataram-nas. Nós queríamos ver se a Justiça ajudava a recuperar, até porque estão 1,8 mil milhões de euros à guarda da Justiça, à guarda do tribunal, e as poupanças das vítimas são 330 milhões de euros. Portanto, não há razão para que não se repare.

São quase 2 mil lesados do BES, mas no campus da Justiça estavam apenas duas dezenas destas vítimas.

Ainda na Justiça, mas noutro caso, a instrução da Operação Pretoriano arranca na próxima sexta-feira com um interrogatório a Fernando Madureira.

Antigo líder da claque dos Super Dragões, é um dos arguidos, em conjunto com Sandra Madureira, Vítor Catão e mais nove arguidos, todos acusados de crimes alegadamente cometidos na Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto em novembro do ano passado. Neste processo, está em causa uma eventual tentativa de os Super Dragões criarem um clima de intimidação e medo na assembleia geral, em que existiram vários incidentes e agressões. Para sexta-feira estão agendados os interrogatórios de Fernando Madureira e da mulher, Sandra Madureira, de acordo com o despacho a que a Agência Lusa teve acesso. O início da fase de instrução está agendado para às 9h30 no Tribunal de Instrução Criminal do Porto.

12h07, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?

A ONU garante que não vai retirar capacetes azuis do sul do Líbano, isto apesar dos pedidos israelitas para que sejam deslocados para o norte do país. Quem o diz é o chefe das operações de paz da ONU, no Líbano, que citado pela BBC, indica que a decisão teve o total apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Infarmed, em Portugal, autorizou a utilização de um rótulo inglês de um medicamento para Parkinson, que está em rutura de estoque. De acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, esta autorização é a título excepcional e apesar do rótulo em inglês, o medicamento Oprimea vai contar com folheto em português, o número de registo, preço e comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde vão ser os mesmos autorizados em Portugal. Para fechar, já estreou o terceiro episódio de "A Grande Provocadora", conta a vida de Vera Lagoa e é a nova série que faz parte dos Podcast Plus do Observador.

Centra-se na vida de Maria Armanda Falcão, ainda antes de assumir o pseudônimo Vera Lagoa e começar a ser incômoda para os mais ricos e poderosos do país.

Rebelde, irreverente, Maria Armanda chegou a ser a primeira locutora das emissões experimentais da RTP, acabaria por ser despedida por ir contra as orientações da altura.

Durante um mês, a nova locutora da RTP atravessa a Feira Popular todas as noites rodeada de admiradores. Sente-se uma celebridade. No fim de cada programa, Domingos Mascarenhas, chefe dos serviços de produção da RTP, põe-lhe o papel à frente com uma ordem: a locutora deve despedir-se dos telespectadores com uma frase: "Até amanhã, se Deus quiser". Ela lê, vira o papel e com um sorriso fecha a emissão com um simples: "Boa noite, até amanhã". Tinha desrespeitado a ordem. Quando terminam as emissões experimentais da RTP e começam as emissões regulares, Maria Armanda já não é uma estrela da televisão. Foi despedida por excesso de personalidade.

Ui!

"A Grande Provocadora", numa série narrada pelo ator José Mata, com banda sonora original de Moulinex.

Há um novo episódio todas as terças-feiras no site do Observador, também nas plataformas de podcast e no YouTube. Se for assinante, tem acesso antecipado a todos os episódios no site do Observador.