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É o Observador. Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador, edição do André Maia e André, Jerónimo de Sousa discursa daqui a pouco no Congresso do PCP, em Almada. Já lá vamos, mas primeiro uma notícia Observador: José Sócrates já teve de pagar custas judiciais de quase 17 mil € , mas recusa revelar como conseguiu pagar estes valores.

O Tribunal Constitucional confirma que estas custas judiciais relacionadas com a Operação Marquês já foram pagas. José Sócrates tem uma subvenção vitalícia de cerca de 2.300 €. Contactado pelo Observador, recusou responder como é que pagou este valor de quase 17 mil € ou se tem outras fontes de rendimento. Diz que não pretende partilhar a vida privada com estranhos. Ora, o redator principal do Observador, Luís Rosa, sublinha que é difícil explicar como é que o ex-primeiro-ministro consegue cobrir estes custos. São declarações de Luís Rosa há pouco.

Este trabalho levanta aqui uma questão, que é o pagamento das taxas de justiça, o pagamento destes serviços de advocacia, que isto é caro, isto é muito caro. Ter um advogado constantemente a litigar custa muito dinheiro. Eu não acredito que Pedro Delito trabalhe pro bono, não acredito, todo em todo. Os advogados recebem à hora. E, portanto, isto é muito caro. Como é que José Sócrates paga estas custas? Como é que financia a sua defesa? Eu acho que é uma questão que merece ser problematizada em termos de espaço público. E em segundo lugar, o acesso privilegiado que José Sócrates tem ao direito e que não pode continuar a acontecer. E a administração da Justiça, aparentemente, também decidiu no mesmo sentido.

Análise de Luís Rosa, redator principal do Observador. José Sócrates já teve de pagar custas judiciais de quase 17 mil € só no Constitucional, mas recusa revelar como está a pagar estes valores.

E esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador. Falamos agora de eleições autárquicas. O PSD quer todos os candidatos aprovados até março e admite apoiar independentes.

É o que se pode ler no documento de orientação estratégica para as eleições a que a Agência Lusa teve acesso. O PSD reforça o objetivo de se tornar a força política mais representativa do país nas autárquicas do próximo ano. O partido quer assim todos os candidatos aprovados até março, mas também abre a porta a candidaturas independentes. São os destaques desta orientação estratégica. Os social-democratas adiantam também que nos municípios maiores é fixada uma concertação obrigatória com a direção nacional. De acordo com os estatutos do PSD, cabe às distritais do partido aprovar as listas de candidaturas aos órgãos das autarquias locais, sob proposta da comissão política da secção.

E agora sim, André, destaque para o Congresso do PCP, que está a decorrer este fim de semana. Começou ontem e decorre até amanhã em Almada. Jerónimo de Sousa discursa daqui a pouco, no dia em que é eleita a nova composição do Comitê Central.

É isso mesmo, da qual o ex-secretário-geral comunista vai continuar a fazer parte. A votação está marcada para mais logo à tarde. Mas primeiro, Jerónimo de Sousa vai fazer um discurso. Na agenda estava marcado por volta desta hora. Ora vamos, desde já, em direto e ficamos por lá em permanência. Vamos em direto pra Almada, pro Congresso do PCP. Miguel Vítor Dias, agora em direto mais uma vez, é um dos destaques desta reunião magna do partido, este discurso de Jerónimo de Sousa, um congresso que até agora tem estado focado nas questões internas, nas autárquicas, mas também nas presidenciais.

Sim, há essa curiosidade com a intervenção do antigo secretário-geral, Jerónimo de Sousa, que continua a ser uma figura relevante no dia a dia do Partido Comunista Português. Ele que até tinha sugerido numa entrevista à Rádio Renascença que preferia ter tarefas mais ligeirinhas, foi a expressão que utilizou, e deixar o Comitê Central, mas o partido não abdica de ter Jerónimo de Sousa nesse órgão principal de decisão e vai mesmo manter-se no próximo mandato, também no Comitê Central. Vai falar ao Congresso daqui a alguns minutos, ele que depois de ter deixado de ser secretário-geral, continua a aparecer aqui e acolá em algumas iniciativas do partido e tem falado também com alguma regularidade e vai manter-se nessa estrutura de decisão, como já Paulo Raimundo tinha indiciado que seria necessário contar ainda com Jerónimo de Sousa. Antes de Jerónimo de Sousa, também aqui ao Congresso vai discursar João Oliveira, o eurodeputado do Partido Comunista Português, ele que foi eleito nas europeias de junho, conseguiu manter a representação do Partido Comunista também no Parlamento Europeu. Foi um dos últimos nomes a entrar, um resultado ainda assim considerado também importante neste mandato de Paulo Raimundo, ao não perder a representatividade no Parlamento Europeu. Da parte da tarde, e como ias dando conta, o partido vai reunir o Comitê Central, encontro que é, como sempre, também à porta fechada. É um momento em que os jornalistas são convidados a sair da sala e depois da reunião do Comitê Central, há uma fase já do Congresso em si, que continua a ser só reservada para delegados, sem a presença de comunicação social. Enfim, é algo que é prática comum nas reuniões magnas do Partido Comunista Português e que se mantém também neste 22º Congresso que está a decorrer em Almada. Ontem, Paulo Raimundo fez o discurso de abertura, um discurso de 50 minutos onde apontou algumas das falhas do partido e os motivos porque entende que os resultados e a dinâmica do PCP não tem estado a ocorrer tão bem, mas falou também sobre questões nacionais, com muitas críticas ao Partido Socialista e à colagem do PS à direita e também da questão internacional, onde o conflito na Ucrânia tem sido um assunto complicado de gerir por parte do PCP e com Paulo Raimundo aqui também a falar sobre essa questão e a apostar as fichas na ideia de que o tempo acabará por dar razão ao Partido Comunista Português no que toca a esse posicionamento

Sobre o conflito na Ucrânia. A qualquer momento vamos acompanhar a intervenção de João Oliveira, que julgo que será a seguinte, agora que terminou esta intervenção que escutávamos também em fundo. João Oliveira, que depois de ter sido Deputado do PCP durante vários anos, agora assume este desafio no Parlamento Europeu. E agora sim, vamos ouvir o Eurodeputado do Partido Comunista Português.

A degradação das condições de vida, a agudização das desigualdades e injustiças sociais, os preocupantes desenvolvimentos da situação internacional, em especial a pandemia e a escalada de confrontação e guerra, marcaram de forma particularmente negativa estes quatro anos. Acrescentou-se uma violenta ofensiva contra o partido, com o objetivo de condicionar ou mesmo impedir a nossa ação e a afirmação das nossas posições políticas. Enfrentámos todas estas batalhas com a coragem e a determinação que caracterizam o PCP e a luta de mais de 100 anos dos comunistas portugueses. Queriam-nos derrotados e em debandada, mas encontraram-nos firmes e unidos. Queriam-nos calados, encolhidos e isolados, mas encontraram-nos inconformados, determinados, a apontar o caminho ao encontro das massas e a confirmar com elas a força e a razão de ser das nossas convicções.

PCP! PCP! PCP!

Foi assim na ação geral do partido, foi assim também no Parlamento Europeu. Nos últimos quatro anos, continuámos a ser no Parlamento Europeu, a voz de quem trabalha, intervindo na base de uma ligação estreita e profunda à realidade nacional, aos problemas do povo e do país, à luta dos trabalhadores e das populações, em defesa dos interesses de Portugal, da soberania e da independência nacional. Defendemos a produção nacional, o apoio ao investimento dos serviços públicos, a proteção da natureza, a promoção da cultura e língua portuguesas. Recusámos e combatemos as imposições, constrangimentos e chantagens que a União Europeia e as suas políticas impõem a Portugal, comprometendo a sua soberania, o seu desenvolvimento e a necessária resposta aos problemas nacionais. Fomos a voz da solidariedade com a luta e as causas comuns dos trabalhadores e dos povos e da rutura com o consenso do militarismo e da guerra. Se hoje mais consciências vão despertando para a recusa da guerra, é porque também no Parlamento Europeu houve um coletivo de comunistas que soube resistir às campanhas negras, às calúnias, às falsificações e se manteve firme na defesa da paz, da cooperação, da solidariedade entre os povos. Que orgulho, camaradas, que orgulho pertencer a um partido que continua a dar tamanhos exemplos de coragem e determinação. A ação do nosso coletivo no Parlamento Europeu é também motivo desse orgulho e é preciso prosseguir essa intervenção. Continuamos a ser a voz de quem aspira à construção de uma Europa de Estados soberanos e iguais em direitos, de cooperação, de progresso social e de paz. Continuamos a intervir pela afirmação de uma voz alternativa à política da direita e da social-democracia e a dar combate à extrema-direita, que também é suporte dessa política. A ideia da União Europeia como garante de paz, prosperidade e bem-estar social é uma ilusão cada vez mais evidente. A solução não é alimentar a ilusão, mas sim apontar o caminho da alternativa que permita a concretização da esperança, dos anseios e das aspirações dos povos. Dizem-nos que o caminho é o da competição com a China e os Estados Unidos e que ele tem de ser feito acentuando a exploração de quem trabalha, favorecendo ainda mais os monopólios e os transnacionais e concentrando ainda mais poder nas principais potências capitalistas europeias. Recusamos esse caminho e apontamos uma alternativa de aprofundamento dos direitos laborais e sociais, de elevação das condições de vida dos povos, de uma política de desenvolvimento e soberania que promova o aproveitamento de capacidades e recursos produtivos e corrija as assimetrias do nível de desenvolvimento de cada país. Querem convencer-nos da opção pelo militarismo, a confrontação e a guerra e do desvio de recursos do orçamento da União Europeia para esses fins. Combateremos sem hesitações tais opções, contrapondo-lhes a alternativa de uma política de paz, cooperação e progresso social e defendendo que a prioridade do orçamento da União Europeia deve ser a coesão económica, social e territorial, compensando os impactos assimétricos das políticas da União Europeia e do euro. E lutaremos pelo reforço dos fundos destinados a Portugal. Nestas e em muitas outras questões, está o sentido da política alternativa, cuja concretização exige enfrentar e romper com as imposições da União Europeia. A alternativa que continuaremos a afirmar com coragem na intervenção do Parlamento Europeu. Mesmo quando formos apenas um entre muitos, não nos faltará confiança para erguer a voz. Sabemos que essa voz tem a força do povo por que lutamos e sabemos que a erguemos fazendo coro com este grande coletivo partidário. Este é o coletivo mais jovem Fraterno e solidário, onde a solidariedade não é ideia vazia de conteúdo, mas sim mão estendida pra levantar quem cai e braço dado para avançar sem deixar para trás quem não tiver força. Este é o coletivo empenhado na luta pela causa dos trabalhadores. Essa causa a que chamamos socialismo e cujo sentido concreto construímos com as lutas todos os dias. Há lá fora muita gente que, não lhe dando o mesmo nome, partilha conosco do seu ideal. O sonho milenar de uma sociedade sem exploradores nem explorados, uma sociedade de igualdade, liberdade e democracia. Juntar essas forças, libertar as suas energias, fazê-las avançar no caminho da construção do socialismo e do comunismo, são as tarefas que temos pra cumprir com a confiança de quem sabe que esse é o sentido em que avança a roda da história. Trocando as voltas ao hino, avançaremos de rosto erguido, recusando cair de alma ajoelhada. Viva a luta dos trabalhadores e dos povos!

Viva!

Viva o 22º Congresso!

Viva!

Viva a Juventude Comunista Portuguesa!

Viva!

Viva o Partido Comunista Português!

Viva!

João Oliveira, o eurodeputado do PCP, nesta intervenção ao Congresso, a recolher também vários aplausos e a entusiasmar a sala neste final de manhã. João Oliveira no papel de preparar a sala para a intervenção de Jerónimo de Sousa e a falar também da importância do PCP no contexto do Parlamento Europeu, onde ainda há pouco dávamos conta também de que não há muitos exemplos de partidos comunistas com representação na Europa. E por isso, João Oliveira a falar dessa importância e da necessidade do PCP no Parlamento Europeu e desta crítica ao militarismo que tem pontuado também o discurso internacional do Partido Comunista Português e a dizer que lutará pelo reforço dos fundos de coesão destinados a Portugal, que esse será um dos objetivos deste mandato de João Oliveira no Parlamento Europeu. Miguel Pinheiro, ouvimos aqui esta intervenção com esta promessa de que lutará pelo reforço dos fundos destinados a Portugal, mas também esta crítica ao militarismo europeu e à necessidade de pôr o dinheiro da Europa nas questões econômicas e sociais e não na política de guerra.

Eu estou com alguma dificuldade em comentar o discurso de João Oliveira. Eu não ouvi bem, porque os aplausos eram tantos, que se tornou difícil. Pela primeira vez, nós vemos aqui um entusiasmo genuíno, verdadeiro, dos militantes. Acho que era um bocadinho irrelevante o que quer que João Oliveira tivesse pra dizer, porque, por um lado, ele estava entusiasmado a falar, não parecia um autômato como ontem Paulo Raimundo, e as pessoas estavam entusiasmadas pra o ouvir. Portanto, isto mostra aqui que nós há bocado estávamos a falar um bocadinho sobre as lideranças e como o problema do PCP não eram as lideranças, e eu estava a concordar com isso.

Mas agora vais acrescentar um mas.

Mas digamos que a liderança não é o problema do PCP, mas ajudaria. E aparentemente, João Oliveira teria mais capacidade do que Paulo Raimundo para entusiasmar as pessoas. De resto, sim, a questão do antimilitarismo e da paz, muito presente no discurso, é o que vai ser crescentemente um dos eixos do discurso do PCP. Mais uma vez, não é uma novidade, é uma coisa que vem dos tempos do pós-Segunda Guerra Mundial, que vem da Guerra Fria, sempre foi um dos eixos do PCP pra tentar congregar forças que fossem pra lá do partido. Sempre foi, mas é sintomático que esteja a regressar. E mais uma vez, um discurso em que se faz do fracasso um sucesso, porque João Oliveira, numa das frases que levantou aqui o Congresso, ele diz: "Mesmo quando formos apenas um entre muitos", que é o que ele é no Parlamento Europeu, "não nos faltará coragem para erguer a voz". Portanto, esta é a ideia de que o PCP pode diminuir, pode ter menos deputados, pode ter menos eurodeputados, pode ter menos presidentes de Câmara.

Que é um discurso que também vai sendo preparado, que é a representação institucional ou formal não é tudo pra vida do PCP. Ou seja, até aquele discurso do: se sairmos do Parlamento, isto não vai acabar.

Claro. E atenção, isso não é de agora. O PCP sempre teve esse discurso, porque o PCP não é um partido parlamentarista, não é um partido, de facto, como os outros. Para o PCP, as eleições e a representação eleitoral, seja no Parlamento, seja noutros órgãos, é na realidade algo de secundário. O que interessa é a representação e a agitação das massas e a mobilização das massas, que é feito muito pelo lado sindical do partido. Apesar de tudo, claro, o PCP vive numa democracia parlamentar, diz isso, mas obviamente não é verdade. Basta ver o que aconteceu com o CDS quando esteve fora do Parlamento. Um partido que não está no Parlamento perde Praticamente toda a exposição na vida pública. Claro que o PCP tem os sindicatos que o CDS não tinha, mas é evidente que isso seria um rombo terrível. De qualquer forma, há esta interiorização de que perder eleitoralmente não é necessariamente mau. Pelo contrário, se calhar até mostra que nós temos mais razão ainda. O facto de não estarmos a conseguir ter expressão eleitoral mostra que temos mais razão ainda. E agora vamos a este momento um pouco mais emocional de Jerónimo de Sousa, vamos ver em que é que Jerónimo de Sousa se vai concentrar. Vai ser muito importante para percebermos por que ele sente a necessidade de falar. Já se ouve este poderoso aplauso de Jerónimo de Sousa a subir ao púlpito, também com o Congresso a recebê-lo de pé e de punho erguido para a intervenção do antigo secretário-geral, que vai ser acompanhada também de perto por Paulo Raimundo, que está ali a ocupar o seu lugar na fila da frente do palco e que foi dos primeiros, aliás, a levantar-se para aplaudir Jerónimo de Sousa, que vai agora discursar. Depois lá está de João Oliveira ter já aqui aquecido a sala para esta intervenção. Vamos ouvir Jerónimo de Sousa.

Vivemos um tempo exigente, um tempo de resistência e de acumulação de forças e iniciativa, como se afirma no projeto de resolução política do nosso 22º Congresso, e por isso um tempo de grandes desafios. Quem olhar para a história do Partido Comunista Português verificará que desde os longínquos anos da sua fundação, este partido, aqui está em Congresso, nunca teve uma vida fácil, mas nunca desistiu. Ilegalizado quase à nascença, não aceitou a sentença da sua liquidação e partiu para a luta pela conquista da liberdade e democracia, correndo os maiores riscos e atravessando as mais tenebrosas conjunturas. Partiu para fazer história e construir futuro, num trajeto de vida que é centenário, sem vacilar, nem se deixar intimidar, assumindo com honra o seu papel de vanguarda da luta contra a exploração capitalista, tendo como horizonte a construção da sociedade nova, o socialismo. Esse papel, que emana da sua natureza de partido da classe operária e todos os trabalhadores, e que se expressa num projeto político distinto e oposto ao das classes dominantes. Esse papel, que lhe impôs e nos impõe hoje, contribuir para a organização da luta do povo trabalhador, as suas organizações capazes de garantir de forma autónoma a sua própria defesa e aspirações, bem como todas as camadas antimonopolistas, apontando caminhos e propondo políticas para cada etapa histórica. Ontem na realização da revolução democrática e nacional. Hoje pela democracia avançada, na luta pela qual se insere e que agora travamos, pela concretização de uma política alternativa e por uma alternativa política patriótica e de esquerda. Sucederam-se gerações de combatentes e direções partidárias, mas o que a história nos diz é que o PCP nunca falhou ao permanente compromisso que assumiu com os trabalhadores e o povo na defesa dos seus interesses e aspirações. O que a história nos diz é que este partido, nas maiores das dificuldades e adversidades que enfrentou, encontrou sempre força para se erguer e avançar e cumprir os seus compromissos com os trabalhadores e o povo. Pense-se apenas, onde já não iria o processo contrarrevolucionário que dura há 48 anos, sem conseguir todos os seus objetivos e que agora o governo da AD, com as costas quentes da IL e do Chega, quer levar mais longe. Sim, onde não iriam a liquidação das conquistas de Abril e o regime democrático, a própria exploração do trabalho, que seria mais profunda e de outras camadas laboriosas do nosso povo, se não fosse a luta constante, firme e leal do compromisso do Partido Comunista Português. Como mulheres e homens livres que somos, escolhemos o nosso caminho, e é por aí que nós caminharemos na procura dos nossos objetivos de transformação da sociedade. Com olhos de ver para as suas propostas, para as preocupações invariavelmente expressas, incluindo na Assembleia da República, e lá encontraremos, igualmente refletidos, os compromissos assumidos quando se trata de garantir a valorização dos salários e das pensões, elevar e defender direitos laborais e sociais universais à saúde, à educação, à habitação, à cultura, defender o emprego contra encerramentos abusivos e em defesa dos setores produtivos da economia nacional, garantir apoios justos à agricultura familiar e aos micro, pequenos e médios empresários, em defesa das suas atividades. Sim, este é um partido de uma só cara e de uma só palavra. Sabemos que enfrentamos adversários poderosos, que têm nas mãos potentes instrumentos de manipulação política, ideológica e comunicacional. Mas desiludam-se todos aqueles que, utilizando as mais torpes mentiras, as mais vis falsificações, deturpações sobre o nosso partido e a sua orientação, mas também o silenciamento e omissão das soluções que tem e defende para o país, nos desencorajam e nos desanimam no combate que continuamos a travar em todas as frentes, nas empresas, nos locais de trabalho, nos campos, nas instituições, as batalhas cotidianas pela melhoria das condições de vida e de trabalho do povo. Desenganem-se aqueles que acham possível levar o PCP a iludir e dissimular nos seus princípios e fraquejar um compromisso que afinal é a sua própria razão de ser e a marca da sua identidade. Que ninguém duvide. Tal como ontem, também hoje este partido não vacilará no cumprimento do seu compromisso de sempre com os trabalhadores, com o povo. No cumprimento do compromisso de tudo fazer para unir a classe operária e os trabalhadores, reforçar a sua organização para a defesa dos seus interesses imediatos e para assegurar o seu decisivo e imprescindível papel de protagonistas na construção de uma sociedade mais justa e mais solidária. No cumprimento do compromisso de contribuir para intensificar e ampliar a sua luta e com ela garantir melhores condições de vida e de trabalho. No compromisso de contribuir para a elevação da consciência política das massas populares, mostrando quanta ilusão e falácia está presente na ideologia das classes dominantes para manter o seu sistema de exploração. No compromisso, nestes inquietantes tempos que vivemos, da luta pela paz e contra a guerra, sempre solidário com a luta dos povos pela libertação do jugo imperialista, pela soberania. No compromisso de não dar tréguas à política de direita, responsável pela degradação das condições de vida do povo e pelo atraso e crescente dependência do país. Neste combate que travamos para romper com a política de direita e pela alternativa vinculada aos valores de Abril, precisamos de um PCP mais forte. Mais forte para intervir e tomar a iniciativa lá onde residem as causas e os destinatários principais da razão de ser deste Partido Comunista, cumprindo o seu insubstituível papel ao lado dos trabalhadores e do povo, combatendo a exploração, as injustiças, as desigualdades, mas também a resignação, dinamizando a resistência e a luta de classe da classe operária, dos trabalhadores, das populações contra a política de direita, pela resolução dos problemas do país, pela retura e pela mudança. Sim, camaradas, são grandes as exigências que se colocam ao nosso partido e a cada um de nós. A este partido necessário e indispensável para a construção em Portugal de uma alternativa política e de uma política ao serviço dos trabalhadores do povo e do país. A este partido, portador de um projeto político moderno e avançado, válido e atual, mesmo que a situação seja dura como troncos, bem podíamos dizer. A este partido, camaradas, que nós temos confiança, uma confiança no seu coletivo militante, nas suas próprias forças. Confiança na capacidade de ação e de intervenção deste partido, que é diferente e diferente quer continuar a ser, porque essa é a matriz da sua criação, da sua existência e o segredo da sua longevidade, da sua força, da sua capacidade de intervenção e luta. Aqui estamos. Aqui estamos e aqui continuamos de pé para lutar, de pé a enfrentar a ofensiva contra Abril com força e confiança, e eu acrescento a esperança, dispostos a seguir em frente e transformar o sonho em vida. Sim, sempre, a luta continua. Viva o Partido Comunista Português! PCP! PCP! PCP!

Jerónimo de Sousa, o antigo secretário-geral do partido, aqui a levantar também o congresso depois de João Oliveira e a dar aqui conta de que, no seguimento daquilo que também tínhamos vindo a falar, que mesmo com o PCP a não ter vida fácil, o trabalho é para continuar. Também agora junta-se a nós o Miguel Santos Carrapatooso, aqui à conversa que estávamos já a ter também antes com o Miguel Pinheiro. Miguel Santos Carrapatoso, aqui esta intervenção de Jerónimo de Sousa segue um bocadinho aquilo que conversámos no Jornal das 11, que é um partido que está a preparar-se para que os resultados eleitorais possam ser piores, mas que por causa disso não deve perder a força e a vontade de continuar.

Sim, é um discurso muito voltado para a necessidade de resistir. Uma referência à história do próprio partido, que esteve, como sabemos, na clandestinidade durante muito tempo. Pareceu-me um discurso de toca-rebate. Jerónimo de Sousa teve, ainda por cima, a infelicidade de ser a seguir a João Oliveira, que, de facto, galvanizou a sala. Jerónimo de Sousa não conseguiu fazer isso. Nota-se que tem uma grande estima pelo antigo secretário-geral do PCP, mas o discurso não teve o mesmo efeito de João Oliveira. Por momentos, achei que Jerónimo de Sousa iria fazer a defesa do legado da geringonça. Há uma frase que me pareceu chave nesse aspecto, quando Jerónimo de Sousa diz: "Onde iria já o processo contra-revolucionário se não fosse o papel do PCP?" Por momentos, achei que Jerónimo de Sousa iria por aí, ou seja, como o grande obreiro da geringonça, o homem que permitiu, que no momento determinante, e já passou algum tempo, mas nessa altura a questão que se colocava era se Pedro Passos Coelho continuava ou não como primeiro-ministro. E, portanto, foi a ação do PCP, muito mais até do que a do Bloco de Esquerda, que permitiu a António Costa ser primeiro-ministro e afastar o PSD e o CDS do poder. Achei que Jerónimo de Sousa ia fazer essa defesa do legado, mas rapidamente o discurso ficou mais centrado nessa questão da importância do PCP resistir num período particularmente adverso. Enfim, foi o Jerónimo de Sousa mais clássico, menos inspirador.

Miguel Pinheiro, aqui pegando no que o Miguel estava a dizer, não ter exercido propriamente uma defesa do legado da geringonça, a verdade é que só se ouviu falar de AD, Iniciativa Liberal e Chega. Não houve aqui críticas ao Partido Socialista, como acontece noutros momentos.

Sim, mas eu acho que aqui o papel de Jerónimo de Sousa foi mais o de ser a voz da história. Atenção, Jerónimo de Sousa só entrou no PCP depois do 25 de Abril. Não esteve ao lado de Álvaro Cunhal. Mas pela idade e pelos anos em que esteve à frente do partido, que foram muitos, veio-nos falar da história, de mais uma vez a tal preparação do que aí vem. Aquela ideia de que vivemos um momento exigente de resistência e de acumulação de forças, que foi assim que começou o discurso de Jerónimo de Sousa, mas o que ele vem dizer é: "Isto não é novo. Nós já estivemos aqui, isto já nos aconteceu. E na realidade, a nossa história é muito mais isto do que outra coisa qualquer. Desde a fundação do partido," diz ele, "nós nunca tivemos uma vida fácil. Fomos ilegalizados, estivemos na clandestinidade e, por isso, comparado com as dificuldades que tivemos que atravessar na história, isto não é nada", no fundo, é o que Jerónimo de Sousa está a querer dizer. "Portanto, vamos manter a confiança para o que aí vem." E depois, claro, um discurso que agiganta os adversários. Temos adversários poderosos. Que se desenganem, que ninguém duvide. Nós estamos aqui, nós vamos continuar aqui, nós não vamos desaparecer. É tentar dar alguma perspectiva histórica às dificuldades do momento.

Relativizar a situação.

Sim, é dizer: nós sempre tivemos dificuldades. Pronto. Nós sempre tivemos dificuldades e por isso não tem que ficar desanimados com o momento em que estamos e com os momentos que aí vêm, porque isto é apenas a continuidade histórica. A vida do PCP sempre foi assim, sempre foi uma luta de resistência e de tentar ganhar forças para o que aí vem. Enfim, mais um momento de grande pessimismo, realmente, a que assistimos aqui neste congresso.

A opinião que estávamos a ter sobre a liderança, não só do PCP. Esta intervenção de João Oliveira e de Jerónimo de Sousa mostram que com outro tipo de carisma, de partido. Como é que eu hei de dizer isto sem ser indelicado, que não é de todo a minha intenção? Acho que pelo discurso que Jerónimo de Sousa teve aqui, se denota algum cansaço natural e perfeitamente compreensível e que pode, aliás, ter justificado também a saída precoce de Jerónimo de Sousa. Eu recordo que Jerónimo de Sousa saiu não em congresso, mas numa conferência organizada. Não querendo ser indelicado, porque não é a minha intenção, o discurso de Jerónimo de Sousa não está à altura de outros que o próprio fez no passado. João Oliveira, em contrapartida, sim, mostrou que tem uma capacidade de galvanizar e de puxar pelos militantes diferente da de Paulo Raimundo. Se isso seria suficiente ou não para mudar a trajetória descendente do PCP? Como disse há instantes, tenho as minhas dúvidas. Acho que o PCP enfrenta problemas muito maiores do que a liderança que está em funções, desde logo, uma falta de identificação com o projeto que o PCP defende, que é um projeto muito diferente do que nós temos no país. Há um problema evidente de identificação dos eleitores com esse projeto

Uma renovação do tecido social e socioprofissional muito profunda, e o PCP não tem sabido acompanhar essa transformação. Há o plano internacional, sabemos que tem efeito também na hora do voto e portanto tenho as minhas dúvidas de que se João Oliveira ou João Ferreira fossem secretários-gerais do PCP, o PCP estaria a transbordar de energia e com o saco cheio de votos. Tenho as minhas dúvidas. Agora, é indesmentível ver um discurso de João Oliveira e teremos a oportunidade de ver um discurso de João Ferreira e compará-lo com o discurso de Paulo Raimundo, é dia pra noite, não há comparação possível.

Tendo a forma como têm reagido. Ias acrescentar alguma coisa?

Pergunta que eu depois digo.

Eu quero, independente da pergunta. Ia perguntar se o PCP, pelo que vimos aqui, claramente não se pode dar ainda ao luxo de reformar Jerónimo de Sousa. Ainda é uma figura importante mantê-lo aqui no núcleo duro, porque ele próprio tinha pedido uma tarefa mais levinha.

Mas diz o que ias dizer. Olha, foi uma pergunta tão incrível, que eu vou te responder primeiro e só depois dizer o que eu queria dizer. Sim, é evidente que o PCP tem um problema de falta de protagonistas, bem óbvio. Até porque depois eles vão sendo abatidos nas eleições sucessivamente. O João Oliveira teve que ir para o Parlamento Europeu para conseguir continuar a existir politicamente, porque não conseguiu ser eleito para o Parlamento.

Quando era líder parlamentar.

Portanto, claro, há essa dificuldade. Agora, há um outro ponto interessante para que Jerónimo de Sousa chamou a atenção e que é uma velha discussão no PCP. Há uma frase em que ele diz que o PCP é diferente, e diferente quer continuar a ser, e que essa diferença é o segredo da longevidade. Ou seja, não vale a pena virem cá dizer que o PCP tem que ser menos ortodoxo, que o PCP tem que ter uma posição diferente em relação à guerra na Ucrânia, que o PCP tem que ter uma posição diferente em relação a vários pontos políticos nacionais, porque os partidos comunistas que deixaram de ser diferentes, que deixaram de ser comunistas, foram diluídos, desapareceram e apesar de tudo, o PCP, com todas as dificuldades, ainda aqui está. E aquilo que o mantém vivo é esta tal diferença. Houve aí um período em que se falava até da possibilidade do PCP e do Bloco de Esquerda irem juntos numa frente comum em eleições, porque o nosso sistema eleitoral premeia quem tem concentração de votos, e que depois poderiam ter uma vida isolada, cada um por si no Parlamento, mas no momento eleitoral irem juntos. Houve ali um período em que se falou disso. Houve várias correntes no PCP que tentaram uma modernização, entre aspas, e o que Jerónimo de Sousa diz aqui é: "Nem pensar. Nós temos que continuar a ser diferentes, aquilo que sempre fomos, porque isso é que garante que nós não nos transformamos numa irrelevância". Eu, se calhar, acrescentaria numa irrelevância ainda maior, mas pronto.

E Paulo Raimundo tem feito isso, tem mantido o PCP agarrado ao guião.

Isto tem. Aliás, se calhar, apesar dele próprio. Nomeadamente na questão da Ucrânia, há ali oscilações um bocadinho difíceis de entender, porque Paulo Raimundo, por vezes, dá a entender que da guerra na Ucrânia ou da operação especial.

Ainda a recente entrevista que dei à Renascença, Paulo Raimundo usou mesmo a expressão erro.

Erro.

E a questão de Putin.

Para vermos que não é uma questão geracional, João Oliveira aqui ontem no platô do Observador, disse: "Não vejo que erro é que possamos ter cometido", portanto, nem sequer é geracional. Não, aqui a questão é do caminho que o PCP deve seguir, se é manter-se exatamente da mesma forma que foi até agora, o tal partido diferente que fala Jerónimo de Sousa, ou aproximar-se do mainstream. De fato, eu percebo o argumento. Se é pra dizer o mesmo que diz o PS e que diz o Bloco, de fato, se calhar não vale muito a pena. Por outro lado, se é pra dizer coisas tão diferentes que a dada altura os votos passam a ser menos do que um punhado de votos, também é problemático. Enfim, é um problema que o PCP vai ter que resolver ainda bem. Ainda bem que não é um problema meu.

Miguel, há aqui esta questão que é, não vale a pena virem para o PCP falar em adaptações de discurso e adaptação, por exemplo, temos a questão dos autarcas do PS que se tem falado muito. Estão à procura de adaptar o discurso para responder aos problemas que são relacionados com o Chega. Muitas vezes o PCP também quer lutar por esses territórios onde sempre esteve.

Quer dizer, vamos lá ver, como dizia o nosso antigo primeiro-ministro. Uma coisa é aquilo a que nós assistimos aqui, de porta aberta, outra coisa é o que é discutido dentro de portas. E o PCP não é um partido aberto, nem é um partido transparente. Portanto, não haja enganos sobre isso. Admito, até porque com algum esforço de gente que trabalha no Observador, no caso a Mariana Lima Cunha, e que vai conhecendo e que vai dominando alguns processos de decisão do PCP, admito que haja uma reflexão sobre o que fazer com o Chega e há uma preocupação. Portanto, há essa preocupação que há uns tempos tínhamos um texto precisamente sobre isso. O PCP não ignora o que está a acontecer e que está a ter um adversário muito diferente daquele que enfrentou no passado, que consegue falar pra muita gente que votava no partido, que tem formas de comunicar muito atraentes, no caso das redes sociais, e ontem mesmo o Paulo Raimundo falou disso, das redes sociais, do algoritmo, defendeu a importância do Avante, mas

Nunca veremos um dirigente do PCP sugerir que tem de ter o mesmo ou um discurso muito parecido ou que tem de se bater de igual para igual com o Chega, porque para o PCP, tudo que esteja à direita, e estou a ser simpático, à direita do Partido Socialista, são inimigos, não estão ao nível do partido. Portanto, nunca veremos o PCP reconhecer o Chega como adversário de igual para igual. Não vamos ter ninguém a dizer: "Nós devemos falar mais sobre estes problemas, porque é um partido chamado Chega que nos está a roubar votos." Agora, o PCP, e acho que esse é um trabalho que se vai notando em alguns estudos e que admito que esteja a ser feito internamente, tem uma preocupação evidente de recuperar algum diálogo com as bases do partido, as tais massas de que vão falando ali em cima. Porque sem isso, se o PCP continuar este caminho de desligamento em relação às bases eleitorais que sempre alimentaram o partido, o velho operariado, se o PCP não fizer esse caminho de voltar a falar com as pessoas que são precárias, que têm novas formas de trabalho que muitas vezes funcionam ou estão assentes em vínculos laborais muito frágeis, se o PCP não fizer esse trabalho, se deixar que essa onda de insatisfação que existe, que é palpável, fugir toda para o Chega, o PCP ficará sem eleitores. Ao mesmo tempo, se deixar de falar ou se continuar a não falar para aqueles que se sentem excluídos, para aqueles que se sentem postos de parte, para aqueles que deixaram de acreditar no sistema, então esse eleitorado fugirá ou continuará a fugir para partidos com características como as do Chega. Portanto, essa preocupação existe. Eu acho que nos discursos que vamos ouvindo, nas entrelinhas e se procuramos bem, estão lá essas pistas, mas acho que essa reflexão existe e essa preocupação com o Chega é cada vez mais evidente.

Para além da mudança de 11 dos 19 autarcas, o risco não só de o PS poder conquistar esses territórios, mas também o Chega ter aí uma palavra a dizer.

Sim, claro. Há situações muito diferentes. Há Setúbal.

Setúbal é ainda mais diferente, porque depois acrescenta Maria das Dores Meira.

Exatamente. Setúbal é um caso muito especial, porque há uma ex-veterana do PCP que agora se candidata, acho que como independente, e que vai ser um grande sarilho para o PCP. E depois há, de facto, a força, para já desconhecida, do Chega a sul do Tejo. Aquilo que nós vimos nas últimas eleições legislativas foi o Chega, nomeadamente no Algarve, a ganhar muita força, mas depois também há, em muitas zonas do Alentejo, o Chega a conseguir progredir. E aqui o ponto não é só o de saber se o Chega vai ganhar presidentes de Câmara. Não é esse o ponto. O ponto é que muitas vezes as vitórias do PCP não são propriamente por um caminhão de votos. E se o Chega conseguir tirar uma margem suficiente de votos ao PCP para fazer a diferença.

Nas autárquicas governa quem ganha por mais um voto, não há questões de coligações posterior.

E além dos presidentes de Câmara, o Bernardino Soares na entrevista ao Observador falava disso. Claro, os presidentes de Câmara são importantes, são aquilo que é mais visível, mas há muitos eleitos abaixo de presidente de Câmara nas autarquias e o Chega pode começar a limpar uma série de coisas dessas e a tirar esses representantes ao PCP. O PCP sempre foi um partido mais ligado ao concreto do que outras forças de esquerda. Desculpem, estamos aqui agora com um barulho. Parece o som do Terminator. São imagens da NATO, por isso é que estamos com este som, parece que extraterrestres invadiram o planeta Terra. E invadiram.

Ou então é porque dentro de momentos vai intervir Ângelo Silva para falar sobre a situação internacional.

Ok, é para preparar o ambiente.

Exatamente.

Onde é que eu ia? Ajuda-me, Miguel, por favor.

Estávamos a falar do Chega, das autárquicas e do PCP.

Mais concreto.

Mais concreto, exatamente.

Aliás, basta ver a questão do wokismo. O PCP nunca teve uma deriva wokista, sempre foi um partido muito mais conservador do que outras forças à esquerda, do que o PS, o Bloco, e então o Livre também nem se fala. Teve ali algumas concessões táticas nalguns pontos, mas o PCP nunca perdeu aquilo de que nós falámos muito nas eleições americanas. Falou-se muito do facto da esquerda americana ter deixado de falar em trabalhadores e em classes e passar a falar em temas mais woke. O PCP nunca teve essa ilusão. O PCP sempre manteve muito claro que o mais importante é falar dos trabalhadores, da classe operária, das dificuldades económicas e não se perder nos temas fraturantes Que entretém muito o Bloco de Esquerda, o Livre e o PS. O facto é que isso não tem sido suficiente. Claro, por outras razões. Mas esta contraprova do que é que tem corrido mal na esquerda, por exemplo, americana, se essa contraprova fosse o PCP, também não era brilhante. Mas o facto de o PCP não se ter deixado levar por esse tipo de temas que fogem das dificuldades económicas, tem-no ajudado um bocadinho. Mas não vai ser suficiente para resistir ao voto do Chega. O Chega nestas eleições autárquicas, como os próprios dirigentes do PCP reconheceram no artigo do Observador, está muito mais estruturado, está muito mais forte. Já não é aquilo que era nas últimas eleições autárquicas, que era uma espécie de um espectro, um nevoeiro que andava por ali.

Mas o Bloco de Esquerda nunca foi um risco para o PCP no terreno autárquico. Nunca se conseguiu implementar.

O Bloco de Esquerda conseguiu uma câmara municipal, correu terrivelmente mal. Foi uma história que acabou muitíssimo mal. O Bloco de Esquerda nunca esteve verdadeiramente empenhado em conseguir ter esse papel autárquico, apesar do discurso. Estão a ter um direito. A implantação no terreno foi um fracasso. Mas o Chega não, o crescimento do Chega é diferente do crescimento do Bloco de Esquerda e consegue, de facto, em toda essa... aliás, é um movimento a que nós assistimos lá fora também, não tem novidade nenhuma. Há muito eleitorado operário ou de zonas agrícolas, a passarem diretamente, passaram diretamente noutros países, dos partidos comunistas, ou dos partidos à esquerda, para os partidos da direita radical e populista. Está mais do que visto, não tem surpresa nenhuma. O que está a acontecer, e possivelmente vai acontecer nas eleições autárquicas, a curto prazo, é o movimento que aconteceu em todo o lado. Porque de facto, os partidos de direita radical e de direita populista falam para os perdedores da história que o Miguel referia há bocadinho. O discurso é para esses, é para mobilizar esses perdedores da história. E o Chega tem conseguido fazer também em mudanças grandes eleitorais, não só o ir buscar este eleitorado, mas também a mobilização da abstenção. O Chega tem conseguido, de facto, e nas últimas legislativas isso foi muito evidente, menos nas eleições europeias porque é mais complicado, vamos ver como é que eles se saem nas autárquicas com isso, mobilizar um voto que não ia às urnas. E tudo isso muda muito o jogo, especialmente para um partido como o PCP, que se agarra ao eleitorado que já tem. Vai perdendo aos poucos esse eleitorado, mas agarra-se muito a esse eleitorado que já tem. Se de repente surgem eleitores novos, o peso desse eleitorado diminui ainda mais.

Entrando desconhecido. Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapoto, obrigado mais uma vez por se juntarem a esta emissão da Rádio Observador aqui no Congresso do PCP. Estivemos a acompanhar as intervenções de João Oliveira e Jerónimo de Sousa e também da parte da tarde estaremos de regresso novamente para entrevistas, comentários e análises nesta reunião magna do Partido Comunista.

É isso mesmo, Miguel Viterbo Dias, em direto a partir do Congresso do PCP em Almada. Voltemos ao contacto do Miguel e também de toda a equipa de reportagem do Observador mais tarde, logo à tarde, também aqui com todos os apontamentos necessários a serem feitos nos espaços informativos.

O quadro era muito pouco recomendável a pessoas mais sensíveis.

No dia seguinte eu estava dentro de um carro com agentes especiais do FBI.

Esta é a conturbada investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou a PJ. Uma história de pistas falsas, escutas surpreendentes e armadilhas perigosas.

Prenderam o meu estripador, como é que é possível?

Era tudo mentira. Tudo.

A Caça ao Estripador de Lisboa é uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Inês Castelo Branco, e tem banda sonora original de Mário Lajinha. Estreia a 17 de dezembro. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.

Que ciência se faz em Portugal? Quem são os investigadores que trabalham para um mundo com mais informação, mais saúde e melhores tratamentos? Acompanhe tudo na página especial Mentes Brilhantes, no site do Observador, com o apoio da Fundação la Caixa e do BPI.

Então Luísa, que cara de felicidade é essa? Viste passarinho novo ou o quê?

Isso, agora... Com 20 mil € por mês durante 30 anos, é difícil não festejar. E tu, já apostaste no Eurodreams? Eurodreams, vida extra mês sim, mês sim.