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Rádio Observador. Já vamos ouvir as críticas de Pedro Nuno Santos à atuação da polícia no Martim Moniz, em Lisboa. Antes, Portugal que vai apresentar um protesto formal à Rússia, depois da chancelaria da Embaixada Portuguesa em Kiev ter sido danificada por um ataque de Moscovo.
Um ataque que causou danos materiais em diversas missões diplomáticas, incluindo na portuguesa, mas não causou feridos. O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já condenou, de forma veemente, estes ataques, chamou o encarregado de negócios da Rússia em Portugal para uma reunião onde vai ser apresentado esse protesto formal.
Obviamente, isto é altamente condenável. Em primeiro lugar, qualquer ataque da Federação Russa à Ucrânia e à cidade de Kiev merece a nossa mais forte condenação, mas é absolutamente inaceitável que possa haver ataques que tenham impacto ou visem instalações diplomáticas. E, portanto, na sequência disso, foi já chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, e será recebido dentro de minutos, o encarregado de negócios da Federação Russa, uma vez que o embaixador não está em Lisboa, para que seja apresentado um protesto formal.
Paulo Rangel, o ministro dos Negócios Estrangeiros, em declarações pouco antes das 11 da manhã. Entretanto, é a vez também do presidente da República prestar declarações aos jornalistas sobre este caso. Vamos escutar Marcelo Rebelo de Sousa, aqui à boleia da CNN Portugal.
O que aconteceu foi o senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros contactou-me hoje, logo de manhã. Ele, aliás, esteve aqui na reunião do Conselho da Diáspora, porque as instalações da Embaixada de Portugal tinham sido indiretamente atingidas. Não se pode dizer que tenha sido um míssil dirigido contra a Embaixada, mas teve efeitos na Embaixada e noutras chancelarias de países representados, que utilizam o mesmo edifício. E, portanto, objetivamente, fruto do ataque russo, houve danos e houve o atingir aquilo que é território português em plena Ucrânia. Nesse sentido, o senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros entendeu, em conjunto com o senhor primeiro-ministro e também comigo, que devia ser feita uma diligência junto do país em causa, que isso seria comunicado publicamente por uma nota que deve estar a sair ou que já saiu, e que ele próprio trataria de exprimir ao Estado russo aquilo que considera ser uma violação de regras de direito internacional. É isso que aconteceu.
Alguma indicação mais concreta?
Mais pormenores, o senhor ministro é que está a tratar disso e, portanto, eu até pensava que deve estar quase a sair a nota. Provavelmente, não saiu porque quis primeiro fazer a declaração.
Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas aqui à boleia da CNN Portugal, na chegada à reunião do Conselho da Diáspora, em Cascais, a propósito dos ataques russos que afetaram a zona das embaixadas em Kiev. O Ministério Russo da Defesa já confirmou o ataque, diz que se trata de uma resposta aos mísseis lançados ontem pela Ucrânia contra a região russa de Rostov. Estes ataques em Kiev provocaram um morto e vários feridos e também incêndios por toda a região. Junta-se em direto a este jornal do meio-dia o embaixador António Martins da Cruz. Boa tarde, obrigado por se juntar a nós em direto. Esta resposta por parte do governo português é aquela que seria de esperar perante estas circunstâncias?
Boa tarde. Exatamente. Eu acho que o ministro dos Negócios Estrangeiros procedeu da maneira correta. Ou seja, o bombardeamento à cidade de Kiev terá provocado danos colaterais no escritório da Embaixada de Portugal, ou seja, o que nós chamamos a chancelaria. Não foi a casa do embaixador, a embaixada, mas foi a chancelaria. Importava, na minha opinião, duas coisas: em primeiro lugar, elevar um protesto veemente e forte junto das autoridades da Federação Russa, através da embaixada que eles têm em Lisboa, protestando contra o bombardeamento que causou danos às instalações diplomáticas portuguesas. E em segundo lugar, num momento posterior, depois de fazer as reparações que têm que ser feitas, apresentar a conta ao governo da Federação Russa e exigir uma indenização. Estes são os dois passos que têm que ser feitos.
Paulo Rangel dizia nestas declarações que admitia outras diligências e também outros níveis, tendo em conta também que esta era uma zona de embaixadas e que outras também terão sido afetadas. Que outras diligências é que poderão também ser tomadas a outros níveis, como dizia Paulo Rangel?
Pode ser feita uma chamada diligência conjunta, quando soubermos quais são as chancelarias que foram afetadas. Se pertencem, por exemplo, à União Europeia, pode ser feita uma diligência conjunta dos países afetados junto, por exemplo, do representante diplomático russo na União Europeia, em Bruxelas, ou mesmo as embaixadas destes países em Moscovo realizarem uma diligência conjunta junto do governo da Federação Russa, ou seja, do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mas eu gostava de dizer o seguinte Não é a primeira vez que isto acontece. Eu lembro-me perfeitamente, em maio de 1999, há 24 anos, eu era embaixador de Portugal na NATO e a NATO decidiu uma operação de bombardeamento de Belgrado, da Sérvia. Operação na qual participaram, sem participar nos bombardeamentos, mas participaram na operação, dois F-16 portugueses que estavam estacionados numa base aérea no norte de Itália. Nessa operação, creio que no dia 9 de maio ou 7 de maio, já não me lembro exatamente da data, de 99, vários aviões americanos bombardearam e destruíram a embaixada da China em Belgrado. E o que é que fez a China? Protestou junto do governo dos Estados Unidos pela destruição da sua embaixada e a seguir, uns anos depois, os Estados Unidos apresentaram a fatura à China. Perdão, ao contrário. A China apresentou a fatura aos Estados Unidos e os Estados Unidos pagaram os danos realizados. Ou seja, estes são os dois procedimentos que se fazem quando uma missão diplomática é bombardeada no decurso de uma guerra.
António Martins da Cruz, muito obrigado por ter estado em direto conosco, embaixador, a ajudar-nos a olhar para estas circunstâncias que levaram a que alguma parte da chancelaria de Portugal em Kiev tivesse sido afetada por este bombardeamento russo.
E o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, acusa Luís Montenegro de liderar o governo mais extremista que Portugal teve nas últimas décadas.
Reação à operação policial de ontem no Martim Moniz, em Lisboa, que tem estado a gerar polêmica. Miguel Vitor Dias, agora em direto, este é um tema que tem estado a marcar as declarações no Parlamento, desde logo com essa declaração de Pedro Nuno Santos.
Sim, também já no debate que ainda está a decorrer, essa situação foi abordada por Isabel Moreira e por António Rodrigues, mas o secretário-geral do Partido Socialista quis mesmo usar da palavra e convocou os jornalistas para uma declaração em que atira não só a Luís Montenegro, mas também ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que acusa de fazer parte desta agenda de extrema-direita que tem estado a instrumentalizar as forças de segurança. E por isso o PS quer ouvir não só a ministra da Administração Interna, mas também o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública.
E digo, sem qualquer hesitação, que nós temos neste momento em Portugal, o governo mais extremista que nós tivemos nas últimas décadas da nossa democracia. O Partido Socialista já chamou a senhora ministra da Administração Interna ao Parlamento. O diretor nacional da Polícia de Segurança Pública também tem um dever de explicar ao país e, desde logo, ao Parlamento, quais são os fundamentos que justificaram aquela operação.
Pedro Nuno Santos, que acusa também o governo de ter conduzido uma operação policial que nunca se viu em Portugal e que ultrapassou os limites e que procura distinguir também as pessoas por cores, dizendo que seria impossível ver esse tipo de operações policiais em ruas de Cascais ou no centro da cidade de Lisboa. Pedro Nuno Santos, que falou aos jornalistas sobre esta matéria aqui nos Passos Perdidos da Assembleia da República.
Miguel Vitor Dias, em direto do Parlamento, com essa informação. O PS quer ouvir a ministra da Administração Interna e também o diretor nacional da PSP no Parlamento, com essas críticas também de Pedro Nuno Santos à atuação policial de ontem.
12h09, Luís, que outras notícias marcam a atualidade a esta hora?
Os salários do Exército deste mês vão ser pagos com três dias de atraso, devido a uma falha técnica no sistema financeiro e bancário. O pagamento devia ser efetuado hoje, só vai ser feito na próxima segunda-feira. A informação foi comunicada pela repartição de abonos da direção do serviço de pessoal do Exército. A fábrica da Tupperware, instalada em Constância, Santarém, vai encerrar a atividade dia 8 de janeiro. Os cerca de 200 trabalhadores vão ser despedidos. A confirmação foi deixada hoje pelo presidente da Câmara de Constância. A multinacional em Portugal dependia 100% da casa-bem norte-americana. O anúncio do pedido de declaração de insolvência teve esta consequência direta também na unidade portuguesa.
Luís Soares e o Jornal do Meio-Dia.