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É meio-dia. Está no ar o Jornal do Meio-Dia, com a edição do Vasco Maldonado Correia. Vasco, no rescaldo das eleições legislativas, os partidos começam a movimentar-se. A AD pede estabilidade e cooperação à oposição. Chega e Iniciativa Liberal estão disponíveis para dialogar.
Para a AD, a vitória foi clara. Significa que os portugueses querem dar continuidade ao governo de Luís Montenegro. Já o PS acredita numa recuperação já nas próximas eleições autárquicas. Maria Miguel Duarte, os partidos tentam agora encaixar-se no novo panorama político.
A AD sai vencedora, mas sem maioria absoluta. Agora, os sociais-democratas apelam à estabilidade.
A governabilidade não se exige apenas aos partidos que apoiam o governo, exige a todos, com sentido de responsabilidade.
O deputado do PSD, Cristóvão Norte, pede a cooperação dos partidos da oposição. Já do lado do PS, Alexandra Leitão fala numa derrota pesada e considera que o partido vai recuperar nas autárquicas.
As eleições autárquicas têm que ser o primeiro momento de recuperação do Partido Socialista, porque o Socialista é o maior partido autárquico português.
O Chega diz estar disponível para negociar com o PSD, mas o líder parlamentar Pedro Pinto passa a bola para Luís Montenegro.
O interesse é de Luís Montenegro. Luís Montenegro é que não tem um governo de maioria absoluta. Estamos muito tranquilos e confortáveis. Luís Montenegro também terá que dar o passo.
Apesar da Iniciativa Liberal não conseguir um resultado expressivo para influenciar o governo, o deputado liberal Rodrigo Saraiva diz que há disponibilidade para conversar com a AD.
Se Luís Montenegro ligar a Rui Rocha, como aconteceu ao longo dos últimos anos, Rui Rocha irá atender a telefone, certamente.
Já Isabel Mendes Lopes, do Livre, fala numa noite bastante agridoce.
Foi uma noite de crescimento, mas em que o resultado final é um resultado que nos preocupa muito.
Paula Santos, do PCP, diz que o resultado das eleições não ajuda os portugueses.
São desfavoráveis para a resolução dos problemas da vida das pessoas.
Ricardo Moreira, do Bloco de Esquerda, considera que apesar de ter perdido quatro deputados e só ter eleito Mariana Mortágua, o partido não está em risco.
A representação parlamentar do Bloco de Esquerda está reduzida, mas existe.
Do lado do PAN, Inês de Sousa Real mostra-se feliz por se manter no Parlamento.
Parece-me que é uma grande vitória o PAN manter-se no Parlamento.
A mensagem dos vários partidos no rescaldo desta noite eleitoral que abanou a política nacional.
Maria Miguel Duarte, com as intervenções de vários dirigentes partidários no Explicador desta manhã.
É um episódio que já está disponível nas plataformas podcast e também no site do Observador. Entretanto, Vasco, o Presidente da República começa amanhã a ronda de audições com os partidos.
É o que diz um comunicado publicado no site da Presidência da República, diz que na sequência das eleições para a Assembleia da República ontem realizadas, o chefe de Estado vai iniciar amanhã, terça-feira, as consultas aos partidos políticos, tendo em conta os resultados provisórios anunciados pelo Ministério da Administração Interna. O primeiro partido a ser ouvido será o PSD, a partir das 11h, depois Marcelo Rebelo de Sousa recebe o PS às 15h, às 17h terá lugar o encontro com o Chega.
E para sábado foi convocada a Comissão Nacional do PS.
Para aprovar o calendário das eleições internas do partido e analisar os resultados de ontem, de acordo com a convocatória a que a Agência Lusa teve acesso, assinada pelo presidente do PS, Carlos César, a reunião vai acontecer sábado de manhã, em local ainda a designar. No discurso de ontem à noite, Pedro Nuno Santos já tinha avançado que a Comissão Nacional se reunia no sábado e que iam ser marcadas eleições, às quais o secretário-geral não vai ser candidato. Entretanto, fonte próxima de José Luís Carneiro, que perdeu as últimas eleições internas com Pedro Nuno Santos, está a ser contactado por militantes socialistas e pela sociedade civil para voltar a avançar para a corrida pela liderança do partido.
E um dos vencedores da última noite foi o Juntos pelo Povo. Vai ter representação parlamentar pela primeira vez.
O partido regional alcançou a eleição do primeiro deputado pelo círculo eleitoral da Madeira. Filipe Sousa, presidente do Juntos pelo Povo, vai representar o JPP na Assembleia da República e junta-se agora a nós em direto. Filipe Sousa, bem-vindo, obrigado por estar conosco na Rádio Observador.
Olá, bom dia.
Bom dia.
Agradeço esta oportunidade.
O que promete trazer de novo ao Parlamento?
Olha, acima de tudo, eu acho que levar e dar seguimento ao nosso lema, que é a voz das ilhas por Portugal. E não são só as ilhas do ponto de vista geográfico que falo, com os três minutos associados a esse facto, falo concretamente de Madeira e Açores, mas também as diferentes ilhas que eu vejo a esta distância de 900 quilómetros que é só o nosso país, são idosos completamente abandonados e marginalizados, jovens que acabam a sua formação, não conseguem oportunidade de emprego no seu país, uma classe média empobrecida, doentes que morrem à porta dos hospitais. Portanto, há aqui um conjunto de ilhas em que com o trabalho que nós cimentámos aqui na Madeira, e que merece já uma confiança expressiva da população madeirense, somos a segunda força política. Portanto, levar esta forma de estar na política diferente dos partidos tradicionais, com uma matriz muito humanista, de comunidade, de tolerância. E dar voz a essas ilhas que há pouco fiz referência.
E deduzo das suas palavras que não pretende ser só um representante local, ou seja, que vai fazer também por falar para o país inteiro, é isso?
Sim, nós subimos agora este degrau. Começámos numa pequena freguesia de Gaul e ganhámos uma eleição da Cruz. Como disse há pouco, somos agora a segunda força política aqui no mapa regional. Subimos este degrau agora para a República para levar precisamente esta forma diferente de fazer política. E é claro que não posso, embora tenha aqui uma missão no círculo eleitoral da Madeira por onde fui eleito, com o objetivo claro de tentar solucionar problemas que já afligem os madeirenses e porto-santenses há décadas, mas também com uma missão bem presente que é perceber o país real em que vivemos e tentar sensibilizar os nossos governantes para a solução desses problemas. Não temos a varinha mágica, é verdade, mas o caminho faz-se caminhando. Vamos lançar uma sementinha e tomara que essa semente possa germinar e dar frutos no futuro.
Filipe Sousa, há cerca de um mês, nas eleições regionais da Madeira, o JPP conseguiu mais três deputados do que o Partido Socialista. Agora, a nível nacional, o PS pode ser ultrapassado na segunda posição, em termos de representação parlamentar, no mínimo. Falta ainda eleger quatro deputados, mas isso pode acontecer. Encontra alguma semelhança ou ligação entre estes dois resultados?
Não encontro. Eu ainda hoje falava. Eu noto com alguma preocupação o crescimento dos extremismos, neste caso do Chega. E esse crescimento também é desaire precisamente do falhanço dos governos, quer seja do Partido Socialista, que já nos governou durante vários anos, e também do próprio PSD. E o líder do Chega tem uma forma muito particular de estar na política e toca precisamente nesses falhanços e surge aqui como um milagreiro. E o resultado é este. Preocupa-me, embora eu, enquanto eleito pelo JPP, não veja aqui nenhuma linha vermelha com o Chega, longe disso. A minha experiência política faz com que nós sejamos capazes de trabalhar com todos e olhar para o bem comum coletivo. Não abro mão de nenhum dos ideais do Chega, longe disso, mas acho que temos que respeitar, acima de tudo. Se hoje está em 58 deputados-
Nesta altura, sim.
Exatamente. Poderá ultrapassar o PS. Mas eu não vejo aqui semelhanças, talvez sim, porque há falhanços de todos os lados.
Temos de terminar, Filipe Sousa.
Eu também falho, mas a minha esperança é que o nosso trabalho possa vingar. Esse trabalho de formiguinha e dar frutos e, acima de tudo, dar voz àquelas redes que eu já indiquei.
Fica clara essa ideia. Obrigado, Filipe Sousa, presidente, deputado eleito pelo Juntos pelo Povo, será o primeiro a representar o partido na Assembleia da República. Obrigado por ter estado na Rádio Observador.
12h10. Vasco, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?
A agência de rating Morningstar DBRS receia que o próximo governo não cumpra toda a legislatura, desde o período entre 2015 e 2019, que isso não acontece. Morningstar é uma das quatro agências de rating reconhecidas pelo Banco Central Europeu. Numa nota divulgada esta manhã, o vice-presidente da agência fala no Parlamento fragmentado que pode não durar os quatro anos de legislatura. Lembra que os próximos anos vão ser marcados por um contexto externo mais complexo e incerto. Bruxelas tirou uma décima à previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, mas as contas públicas podem voltar ao déficit no próximo ano, é o que se pode ler nas previsões divulgadas esta manhã pela Comissão Europeia, mais pessimistas do que as do governo no plano orçamental entregue a Bruxelas. O Executivo estimava um crescimento económico de 2,4% para este ano. Ora, de acordo com a Comissão Europeia, a economia portuguesa deve crescer 1,8% em 2025.
Vasco Maldonado Correia e o Jornal do Meio-Dia. Já de seguida, dois explicadores especiais.