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Observador. Jornal do Meio-Dia com Vasco Maldonado Correia. A Cruz Vermelha, Vasco, garante ter capacidade para assistir até uma centena de operacionais nos incêndios de Ponte da Barca.
Os bombeiros no terreno contam com o apoio de uma unidade móvel instalada pela Cruz Vermelha. O objetivo é ajudar os operacionais. Em comunicado, a Cruz Vermelha destaca que a estrutura é uma resposta inédita em Portugal, tem como objetivo dar condições dignas de descanso, higiene, apoio psicossocial, e também recuperação física a estes operacionais. Ao todo, a unidade móvel pode ajudar até 500 bombeiros, mas não todos de uma vez.
Esta estrutura está projetada para 100 operacionais em simultâneo, mas com a capacidade, obviamente, de haver rotação. Podemos chegar até aos 500 operacionais apoiados nesta unidade móvel num sistema de rotação, sendo que simultaneamente, sabemos que também os bombeiros trabalham por turnos, conseguimos 100 em simultâneos.
O coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha fala numa iniciativa pioneira no combate a incêndios. Gonçalo Órfão refere que o objetivo é melhorar as condições de conforto dos bombeiros no teatro de operações.
Nós apoiamos muitas vezes com camas de campanha, criando um espaço, mas desta vez estamos mesmo com socorristas nossos ao lado dos bombeiros para alguma necessidade. Estamos a articular com fisioterapeutas, enfermeiros de reabilitação, também para dar um apoio. Temos psicólogos e mesmo a nível de material de consumíveis, e com este apoio da Missão Continente, conseguimos também dar materiais consumíveis e de conforto pessoal para sentirem um outro apoio quando é neste período de descanso.
Gonçalo Órfão, coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha, em declarações à Rádio Observador. Neste momento, em Ponte da Barca, mais de 660 bombeiros combatem as chamas, apoiados por mais de 220 meios terrestres e ainda seis meios aéreos.
Está também a preocupar as autoridades um incêndio de Penafiel.
Que, de acordo com a Proteção Civil, tem duas frentes ativas. Está a ser combatido por 210 operacionais, 64 viaturas e quatro meios aéreos. Já o incêndio de Arouca, um dos que mais preocupou as autoridades ao longo desta última semana, foi dado como dominado esta manhã. O comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, destaca o trabalho dos meios no terreno para o controle das chamas.
É um incêndio em que os trabalhos de combate estavam a evoluir favoravelmente. Isto permitiu-nos, como disse, às 07h, dar este incêndio como dominado.
Comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo, num ponto de situação feito esta manhã. Apesar de o incêndio estar dominado, continuam no terreno cerca de 430 operacionais, apoiados por 160 viaturas e ainda, a esta altura, dois meios aéreos. Entretanto, os Passadiços do Paiva, que foram atingidos pelas chamas neste incêndio em Arouca, vão reabrir ao público amanhã, um anúncio que foi feito na última hora no Facebook.
Neste jornal do meio-dia, Vasco, falamos agora da reforma do Estado. O antigo ministro da Educação, Nuno Crato, defende que o IAV, Instituto de Avaliação Educativa, deve ser independente e alega que isso pode ajudar a reduzir a burocracia.
Uma posição assumida pelo ex-governante no Contracorrente da Rádio Observador. O Executivo anunciou ontem as primeiras linhas orientadoras do programa da reforma do Estado. Vai haver uma reorganização e também transformação dos ministérios e também um processo de simplificação legislativa e administrativa. Nuno Crato esteve no Contracorrente, diz que as reformas pretendidas pelo Executivo no setor da educação são necessárias. Vê no ministro Gonçalo Matias, o ministro da Reforma do Estado, capacidade para avançar com o projeto. E sobre a redução da burocracia, o antigo ministro aponta para a necessidade de independência do Instituto de Avaliação Educativa.
Como é que essa burocracia se resolve? É fundindo organismos, é juntando? Não! É acabar com as diretivas sobre a avaliação formativa dos professores. A avaliação formativa é muito importante. Deixe os professores fazê-las e é fazer avaliação independente no final, ou seja, provas de aferição e exames independentes ligados ao currículo. Isto é que reduz a burocracia, é um processo que reduz a burocracia, o processo de haver uma avaliação externa, independente, com impacto sobre as escolas, sobre os alunos. E isto é que tem que ser feito. E para isso é preciso que o IAV tenha a maior das independências.
Nuno Crato, antigo ministro da Educação, ouvido esta manhã no Contracorrente da Rádio Observador. O antigo governante espera agora mais informações acerca desta reforma no Ministério da Educação.
O PS acusa o governo de querer implementar despedimentos e cortar salários na função pública. A Iniciativa Liberal afirma que o Executivo deve passar das palavras aos atos.
A reforma do Estado foi também o tema do Explicador desta manhã. A deputada socialista Marina Gonçalves refere que o plano de reforma do Estado devia focar-se mais na prioridade da proximidade do Estado com o trabalhador e afastar a eliminação de cargos dirigentes na administração pública.
Se eu mostrar que tenho mais eficiência a reorganizar os serviços para ter uma única porta de entrada, uma partilha de informação, ninguém está em desacordo nisso. Isso é simplificar, é desburocratizar, é aproximar, como dizia, o Estado do cidadão e o cidadão do Estado. O problema é que nós ouvimos um briefing do Conselho de Ministros sobre a grande prioridade e a grande medida que apresentam é a redução dos cargos dirigentes e dos trabalhadores.
É o que diz a deputada socialista Marina Gonçalves. Já Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, acredita que as medidas da reforma do Estado devem ser profundas. O deputado considera que o excesso de burocracia no Estado pode levar a casos de corrupção.
Nós temos situações de atraso, de licenciamento de obras em vários municípios, em que depois as pessoas naturalmente querem avançar com a sua vida e aquilo que lhes é dito é: "Olhe, se apresentar aqui um envelope com 3 ou 4 ou 5 mil euros, o processo é acelerado." Isto é inaceitável, mas isto é uma consequência da burocracia e daquilo em que se tornou o Estado português. Enfim, não vá lá com um corta-unhas para podar uma floresta. Isto, de facto, tem de ir com uma reforma a fundo, tem de ser de buldózer.
Do lado do PSD, o deputado Pedro Alves reforça que as medidas apresentadas por Gonçalo Matias não pretendem despedir pessoas. O social-democrata dá o exemplo da melhoria que o diretor de uma escola pode ter com a nova reforma do Estado.
O governo apresentou uma proposta que vem, por um lado, concentrar melhor o processo de decisão. Perceber que um diretor de uma escola, para poder fazer a gestão da escola, para adquirir o que quer que seja, tem que se relacionar com cinco entidades diferentes a nível central. A partir do momento em que se consiga implementar esta reforma, bastará lidar com apenas uma entidade central. E naturalmente que isto vai levar a que haja uma diminuição, seja dos organismos, seja dos dirigentes, mas não há despedimentos, há simplesmente uma reorganização.
Pedro Alves, deputado social-democrata, afirma ainda que o governo quer atrair novos talentos para a administração pública. Já o PS critica o governo por desrespeitar os trabalhadores da função pública.
Donald Trump decidiu hoje adiar a entrada em vigor das tarifas alfandegárias. A economista Susana Peralta fala num sinal de chantagem.
A Casa Branca divulgou ontem a lista de países abrangidos pelo novo plano tarifário de Donald Trump e com uma novidade: as tarifas que tinham lançamento agendado para hoje só vão ser lançadas na próxima semana, na quinta-feira. Susana Peralta lembra o acordo comercial entre norte-americanos e União Europeia, diz que o líder da Casa Branca está à procura de impor mais e melhores acordos com base na chantagem.
Esta estratégia de Donald Trump, dos anúncios e dos sucessivos adiamentos e dos altos e baixos das taxas que vai aplicar, tem um único objetivo, que é fazer chantagem nos restantes países para depois assinarem acordos que pelo menos Donald Trump e sua equipe consideram que são benéficos para os Estados Unidos, como aconteceu com a União Europeia, que capitulou em toda a linha assinando um acordo nos termos em que Donald Trump queria que assinasse.
Economista e membro do painel do programa Fora do Baralho, do Rádio Observador, Susana Peralta sublinha que os contribuintes norte-americanos vão sair afetados com o novo plano. Em causa estão taxas que vão dos 10% aos 41% para quase uma centena de países.
Vasco, temos ainda outras notícias que estão a marcar este início de tarde.
Os lucros do Santander Totta baixaram 8% face ao ano passado, dados anunciados hoje pelo banco. Nos primeiros seis meses do ano, os lucros foram de cerca de € 500 milhões. O ano anterior registava aproximadamente € 540 milhões de lucro. O presidente executivo do banco, Pedro Castro de Almeida, aponta que o recuo se deve à redução das taxas de juro, sobretudo nos créditos. A Menzies, antiga Groundforce, ativou planos de contingência para acalmar as perturbações nos serviços de assistência nos aeroportos, devido à greve do grupo. A empresa garante que vai cumprir em conformidade com a lei e com total respeito pelos direitos dos trabalhadores. Realça ainda a prioridade de continuar a assegurar a continuidade operacional e a qualidade do serviço prestado aos clientes e aos passageiros, isto apesar das greves. A Polícia Judiciária confirma que deteve um homem de 29 anos por suspeita de homicídio qualificado, profanação de cadáver e posse de arma proibida. Em causa, um crime que terá ocorrido em Lisboa esta semana. Em comunicado, o PJ descreve que a vítima, um homem de 34 anos, foi objeto de mutilação por decapitação. Foi apreendida a faca que terá sido utilizada no crime.