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Jornal do Meio-Dia na Rádio Observador tem edição do Miguel Vilar. Miguel, está a começar nesta hora o sorteio do playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa.

Daqui a instantes, o Benfica vai ficar a saber com quem vai ter de jogar, caso consiga ultrapassar o Hearts da Escócia na terceira pré-eliminatória da competição. São sete os possíveis adversários do Benfica. O Dinamo de Zagreb, da Croácia, é à partida, o clube mais difícil.

E a esta hora, a Liga Europa. À 13h é a vez do sorteio do playoff da Liga Conferência.

Prova em que participa o Sporting Clube de Braga. Os bracarenses ainda vão defrontar o Dinamo de Minsk, da Bielorrússia, na terceira pré-eliminatória. No playoff podem vir a encontrar o Getafe de Espanha. Teoricamente, é o adversário mais complicado.

Mudamos de tema neste Jornal do Meio-Dia. Dos quase 60 mil migrantes que entraram em Ceuta na semana passada, permanecem no território perto de cinco mil.

Entre três e cinco mil, é este o número avançado pelo presidente da Cidade Autônoma de Ceuta, Juan Vivas.

A integridade territorial da Espanha foi violada pela chegada de 80 mil pessoas. Esse número equivale praticamente a toda a população de Ceuta. Portanto, aquela angústia, aquele medo, aquela sensação de impotência e pavor vividos pelos cidadãos de Ceuta permanecem gravados no nosso estado de espírito coletivo. Além disso, ainda há entre 3 mil e 5 mil pessoas aqui que não foram embora.

Número avançado em entrevista ao canal televisivo Telecinco por Juan Vivas, que fez ainda críticas à atuação do governo central liderado por Pedro Sánchez.

É importante ressaltar que nos dias que antecederam a onda de chegadas, já havia sinais indicando a necessidade de adotar medidas e de uma ação necessária. Comunicamos isso repetidamente. Foi por isso que disse ao primeiro-ministro, na última sexta-feira, quando ele visitou Ceuta, que a reação do Estado me parecia tardia e insuficiente, manifestamente tardia e manifestamente insuficiente.

Da acusação feita pelo presidente da Cidade Autônoma de Ceuta.

E por Ceuta continua a enviada especial do Observador, Inês André Figueiredo, que dá conta de um regresso progressivo à normalidade.

Refletido, por exemplo, na reabertura de estabelecimentos comerciais, ainda que sob o olhar atento das autoridades.

O exército mantém-se nas ruas, o que obviamente não é normal em Ceuta, e há uma grande incerteza sobre o que vai acontecer aos migrantes que não regressaram a Marrocos. Na noite de ontem, estivemos na praia, onde estão centenas de pessoas reunidas, uma praia quase a uma hora a pé daquela por onde entraram a nado na fronteira com Marrocos, e não há respostas. Há pessoas sem comida há cinco dias, há seis dias. O exército ontem deu água, mas os próprios migrantes acabam por ter um conjunto de perguntas na cabeça deles às quais não conseguem responder. E acabam também por aproveitar a presença dos jornalistas para perceber se há respostas políticas a nível internacional sobre a situação que estão a viver aqui em Ceuta. Aguardam, diria que pacientemente, porque o cenário a que assistimos de madrugada foi esse: pessoas calmas a fazer fogueiras para se aquecerem, muitas a dormirem, outras a aproveitar para jogar bola. Porque há um pormenor relevante: ao contrário das pessoas que resolveram regressar a Marrocos depois de passarem a fronteira, logo nas horas a seguir, porque perceberam que não havia água, não havia comida, quem está em Ceuta neste momento não tem nada a perder. Muitos vieram de outros países da África Subsaariana, fogem de guerras, ficaram sem as famílias, têm fome há muito tempo, e não só há estes dias, e não têm nada a perder. Penso que a frase que melhor resume tudo aquilo que nos têm vindo a dizer é: "Eu prefiro morrer do que regressar a Marrocos". E isto diz bem o que estas pessoas estão aqui a fazer e a razão pela qual não voltam atrás.

O relato da enviada especial do Observador a Ceuta, Inês André Figueiredo.

E esta vaga migratória foi tema do Explicador desta manhã aqui na Rádio Observador. O antigo eurodeputado do PS, Pedro Silva Pereira, descarta responsabilidades do governo de Pedro Sánchez.

Sugere, por exemplo, Pedro Silva Pereira, que o processo de legalização extraordinária de migrantes, lançado em abril pelo governo socialista Pedro Sánchez, não está na origem deste episódio.

Os movimentos de legalização extraordinária de migrantes, quando são cíclicos, produzem sempre um efeito chamada, na medida em que criam a expectativa de que mais tarde ou mais cedo a regularização vai acontecer. Mas esse efeito chamada é sempre um efeito gradual e diferido no tempo. Está muito longe de poder explicar um movimento súbito de dezenas de milhares de pessoas no mesmo dia entrarem num único ponto, que é o ponto de Ceuta. A legalização extraordinária não teve nada a ver com isto.

É isso que entende Pedro Silva Pereira. Também convidado ao Explicador, o antigo eurodeputado do PSD, Carlos Coelho, alerta para a possibilidade de se voltar a repetir o movimento migratório, como o ocorrido a semana passada com destino Ceuta. Carlos Coelho lembra ainda que há um fator novo a dificultar o controle de fronteiras.

O fato de haver milhares de pessoas a cruzarem o Mediterrâneo com risco de vida para chegar à Europa é algo que nós temos tido há muitos anos. Portanto, isso não tem nada de novo. O que tem de novo foi as redes sociais criarem uma narrativa e essa narrativa gerou um comportamento coletivo. Repare, isso tem acontecido também na Europa e na América, quando narrativas falsas

Badaladas pelas redes sociais criam comportamentos coletivos. Eu correria o risco de dizer que isto que vimos agora em Marrocos pode se repetir no mesmo local ou noutras latitudes.

Alerta feito por Carlos Coelho, que com Pedro Silva Pereira foram convidados do Explicador desta manhã de Rádio Observador.

E o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão diz que não há negociações com os Estados Unidos.

Foi isso que disse Naim Baghaei durante uma conferência de imprensa esta manhã. A declaração surge depois de Trump ter dito ontem à noite que as negociações com o Irão iam recomeçar hoje. O porta-voz da diplomacia do regime de Teerão afirma que não há qualquer plano para receber uma delegação norte-americana ou enviar uma delegação iraniana. Diz que o Irão está focado nas negociações com Omã sobre a navegabilidade no estreito de Ormuz. O objetivo das conversas é estabelecer uma rota que respeite a soberania iraniana e a soberania de Omã, bem como os interesses nacionais e a segurança dos dois países.

Miguel, o uso precoce das redes sociais pode estar associado a piores resultados escolares.

É a conclusão de um estudo publicado na revista Nature Human Behavior. Os investigadores acompanharam mais de 5 mil alunos de quase 30 escolas do norte de Itália durante cerca de um ano, entre 2003 e 2024. As conclusões deste estudo são aqui trazidas pelo jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.

Os investigadores compararam a idade em que os jovens criaram a primeira conta nas redes sociais com os resultados em italiano, inglês e matemática. Os alunos que começaram a usar as redes sociais entre os 11 e os 12 anos tiveram, dois anos depois, piores classificações em italiano e matemática. Os efeitos precoces da exposição às redes sociais mantiveram-se nos anos seguintes. No 10° ano, os jovens que começaram a utilizar as redes sociais mais cedo continuavam a apresentar piores resultados em italiano, com uma diferença de 0,22 desvios-padrão, enquanto o desfasamento em matemática aumentava para os 0,27 desvios-padrão. Segundo os autores, esta diferença equivale sensivelmente a cerca de seis meses de aprendizagem escolar. Já entre os alunos que abriram conta mais tarde nas redes sociais, no sétimo ou no oitavo ano, as diferenças foram menores, embora se continuem a verificar resultados inferiores a italiano e matemática em relação aos colegas que aderiram às redes sociais a partir do nono ano. As conclusões mudam quando se fala da disciplina de inglês. Os investigadores não encontraram evidência de um impacto tão significativo das redes sociais.

Jornalista Hugo Fortunato Oliveira, com as principais conclusões deste estudo sobre o impacto das redes sociais na aprendizagem.

Nove minutos para lá do meio-dia, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?

92,9% do Produto Interno Bruto. A dívida pública subiu no segundo trimestre do ano, mais 1,9 pontos percentuais face aos primeiros três meses. São dados do Banco de Portugal. Outros números, outros dados, desta feita do Instituto Nacional de Estatística, indicam que o turismo contribuiu cerca de 12% para o PIB em 2025. Equivale a um total de € 36 milhões, mais 0,3 pontos percentuais para o crescimento real da economia. Este é o contributo do turismo. O INE indica que apesar deste contributo, está a diminuir o efeito do turismo, o impacto do turismo no crescimento da economia portuguesa. A UEFA considera avançar com uma ação judicial contra a FIFA por causa dos planos de Gianni Infantino, o presidente da FIFA. Numa carta, os advogados da UEFA informam a FIFA que estão a considerar avançar com medidas legais e alertam os 18 executivos do organismo máximo do futebol para não destruírem quaisquer provas relacionadas com o plano de privatização da organização do Mundial. Falam, por exemplo, em documentos ou mensagens. A Federação Inglesa de Futebol também vai enviar uma carta à FIFA anunciando a retirada do apoio à recandidatura de Gianni Infantino.

Miguel Vidara, e o Jornal do Meio-Dia.