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Do meio-dia. Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador, com edição do Miguel Vilar. Miguel, começamos este jornal com uma informação de última hora: morreu um dos portugueses que seguia numa embarcação ao largo da Croácia, embarcação essa apanhada por uma tempestade.
Isso mesmo é confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros numa publicação nas redes sociais. Lê-se que o ministério acompanha com grande apreensão e em estreita articulação com as autoridades croatas o caso dos quatro cidadãos portugueses desaparecidos ao largo da Croácia depois da embarcação em que seguiam ter sido surpreendida por uma tempestade. Este português morreu, há dois desaparecidos na sequência desta tempestade. Há uma portuguesa resgatada com vida, portanto, quatro portugueses, um morreu, uma portuguesa resgatada com vida e há buscas ainda a decorrer pelos outros dois cidadãos nacionais. É isso que dá conta o jornal croata Novi List, e é uma notícia com poucos minutos que haveremos de desenvolver em futuros espaços informativos aqui na antena do Observador.
E Miguel, a poucas horas do eclipse solar, faltam cerca de seis horas e meia, não se está a revelar tarefa fácil encontrar nas farmácias óculos para observar o fenômeno em segurança.
Isso mesmo tem testemunhado o repórter do Observador, Ricardo Lopes. Esteve esta manhã em algumas farmácias da cidade de Lisboa. Por exemplo, na Farmácia Alentejo, a diretora técnica Alexandra Matos dá conta de uma grande procura nas últimas horas e claro, a farmácia queria dar resposta, mas-
Lamentavelmente, não iremos conseguir.
De resto, a farmacêutica explica que esta farmácia procura desde o mês passado adquirir os óculos junto de fornecedores certificados, sem sucesso.
Farmácia Alentejo, desde o final do mês de julho, início do mês de agosto, que contactou estes distribuidores e fornecedores e nunca obteve a resposta de disponibilidade dos mesmos óculos.
Não é opção para quem ainda tenta adquirir os óculos que lhe permitiam observar o eclipse sem pôr em risco a saúde ocular. Ora, o jornalista Ricardo Lopes, que recolheu este testemunho, chegada à redação, agarrou-se ao telefone, contactou várias farmácias de norte a sul do país. Ricardo, há esperança? Há óculos?
Não, o cenário não é muito otimista. Eu liguei para uma farmácia em todas as capitais de distrito. O cenário é muito semelhante por todo o país. Não obtive uma única resposta positiva, Miguel. Todas me explicaram que não tinham óculos e que não receberam qualquer reforço de estoque durante esta manhã. Só que este anúncio do reforço não dava conta nem de que em farmácias seria distribuído, nem em que quantidade. Em Lisboa, esta manhã falei também com uma diretora técnica que me explicava que ontem ligou para a ANF a pedir alguns esclarecimentos, mas que também não souberam responder. Tanto na região centro, como a sul ou norte, pelo menos uma vez, atenderam-me o telemóvel e sem me deixar dizer rigorosamente nada, respondiam logo: "Bom dia, Farmácia Central, por exemplo, não temos óculos para o eclipse. Tem mais alguma questão?" Ou seja, percebe-se que os farmacêuticos têm passado o dia nisto, atende o telefone, desliga telefone. A procura aumentou muito, pelo que eu percebi esta manhã, devido ao anúncio deste reforço. Ao falar com várias pessoas, deu a última réstia de esperança a quem quer ver o eclipse em segurança e que esta manhã desatou a correr para as farmácias. E depois foram confrontadas com essa realidade de escassez de óculos. Além disso, das pessoas que se deslocam efetivamente para os estabelecimentos. Lá está, as farmácias tornaram-se neste autêntico call center durante esta manhã. O barulho do toque do telefone tornou-se praticamente som de ambiente nas farmácias onde eu estive esta manhã, algo que naturalmente perturba também o atendimento. Queria só dizer, por exemplo, na região de Coimbra, na Farmácia Fórum, disseram-nos que estão a ser um bocado enganadoras estas notícias e que estão a levar as pessoas de forma muito convicta a chegar à farmácia e a dizer: "Eu sei que há óculos porque vi o anúncio do reforço."
Claro, com essa expectativa de encontrarem óculos. Ricardo Lopes aqui com o retrato daquilo que foi encontrando ao longo da manhã e também o resultado dos diversos telefonemas que fez. Ora, este é um diagnóstico que vem contrariar a expectativa criada pela presidente da Associação Nacional de Farmácias, que ontem, ao final do dia, dava conta de um reforço do estoque de óculos esta manhã. Bom dia, meu Paulino. Então, não se concretizou este reforço?
Muito bom dia. De facto, concretizou-se o reforço em algumas farmácias que conseguiram contactar os fornecedores para entregas ainda durante o dia de hoje. Como eu disse ontem também, não havia forma da Associação Nacional das Farmácias saber se o reforço de estoque que algumas farmácias iam receber hoje não estaria já direcionado para reservas já feitas nessas mesmas farmácias. Importa dizer que as farmácias acabaram por entrar aqui nesta solução de promover acesso a mais pessoas, a mais portugueses, aos óculos, apenas a partir do momento em que nos apercebemos que efetivamente estava a haver uma escassez em termos daqueles óculos que estavam a ser distribuídos gratuitamente através das óticas e, portanto, cada farmácia teve de encontrar os seus fornecedores e estabelecer aqui um plano de entregas para os óculos que estavam disponíveis nesses fornecedores. Portanto, há muitas farmácias que podem não ter conseguido ou identificar fornecedores ou ter tido acesso a estoque de óculos nesses mesmos fornecedores e, portanto, pode haver esta variação em termos nacionais de acesso aos óculos através das farmácias. Sabemos que muitas farmácias, de facto, já não têm óculos disponíveis.
Mas há farmácias que receberam esta manhã mais estoque de óculos? Tem alguma indicação nesse sentido? Alguns grupos de farmácias, grupos económicos. Alguns grupos económicos que concentram mais do que uma farmácia.
Não. Normalmente, a informação que temos é que as farmácias a nível individual puderam identificar alguns fornecedores que ainda conseguiam garantir as entregas hoje durante a manhã
Mas depende muito da localização da farmácia e do estoque existente ainda nos fornecedores, porque mesmo a nível internacional, e sabemos que Espanha e Reino Unido têm tido também os mesmos reportes de escassez a nível de óculos. Portanto, mesmo as farmácias, contactando os fornecedores, estavam dependentes da existência desse estoque. E como digo, mesmo o estoque que está ainda de forma residual a ser distribuído hoje de manhã, é muito provável que uma grande parte desse estoque já esteja cativo para as encomendas e reservas que entretanto foram sendo feitas.
Emma Paulino, ajude-me. Alguma farmácia onde eu me possa dirigir para ainda adquirir esta manhã os óculos, pelo menos antes do fenômeno?
Enquanto presidente da Associação Nacional das Farmácias, não posso encaminhar para nenhuma farmácia em particular. Confirmar que existem algumas farmácias que ainda poderão, eventualmente, ter óculos disponíveis, mas se eu puder fazer uma recomendação, é no sentido de poderem partilhar os óculos que entretanto já foram distribuídos. Já foram distribuídas várias centenas de milhares de óculos e sabemos que existe um pico em termos do eclipse que toda mundo quer ver, mas vai haver aqui uma janela temporal em que é possível visualizar o eclipse e, portanto, pode-se utilizar o mesmo par de óculos, até porque cada pessoa não deverá olhar, mesmo com os óculos, por mais do que um a dois minutos e é perfeitamente possível haver essa partilha de óculos. E neste momento, eu diria que acaba por ser a opção mais sensata, é procurar garantir que cada agregado familiar, nas empresas, que exista um par de óculos disponível e que haja essa possibilidade de haver essa partilha.
Fica então esse apelo da presidenta da Associação Nacional de Farmácias. Partilhem os óculos que permitem observar em segurança este fenômeno do eclipse. Obrigado, Emma Paulino, pela sua disponibilidade, pela sua presença nesta edição do Meio-Dia.
E Miguel, a importância da utilização dos óculos tem sido sublinhada ao longo dos últimos dias. O vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, por exemplo, pede à população para que siga as recomendações das autoridades.
Uma à cabeça, salienta João Paulo Magalhães, claro, não olhar diretamente para o eclipse, ainda que apenas por alguns segundos.
Não tendo óculos, por favor, evitem mesmo olhar, porque no nosso dia a dia, nós tendemos a não olhar diretamente para o sol. Não olhamos para o sol porque nos causa desconforto imediato. É normal. E quando acontecem estes fenômenos do eclipse, ou seja, em que se remove esse desconforto, a radiação não deixa de lá estar. E bastam pequenos segundos, é que são mesmo segundos, em que nós estamos a olhar diretamente para não nos causarem danos que podem potencialmente ser irreversíveis na nossa visão.
João Paulo Magalhães, vice-presidente nacional de Médicos de Saúde Pública, com os riscos associados à observação desprotegida deste fenômeno do eclipse. Sugere que cada um de nós esteja atento a sintomas como a diminuição da visão ou dor ocular intensa. Nestes casos, deve ligar o quanto antes para a linha SNS 24.
E já sabe que a região de Bragança vai permitir uma observação privilegiada deste fenômeno. Na ponta norte de Portugal, Miguel, os hotéis estão completamente lotados. O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal destaca os benefícios econômicos deste fenômeno para a região de Trás-os-Montes.
Impactos e consequências evidentes. Zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, vai ser palco privilegiado para assistir a este eclipse. A região espera uma grande afluência de visitantes. Os hotéis estão lotados e os restaurantes notam, pois claro, o aumento da procura e reservas. Na Rádio Observador esta manhã, Luís Pedro Martins disse que os dados apontam para uma afluência positiva e não só para hoje, mas também para os dias seguintes.
Muitos cientistas, muitos estudantes de cursos de ciências que tinham a informação em primeira mão e esses fizeram as primeiras reservas. E depois, diria que em maio, já pelo cidadão comum, muito do mercado nacional, mas também muitos espanhóis. Curioso é que as pessoas reservaram não só para o dia do eclipse, mas julgo que aproveitaram para fazer dois em um. Por um lado, esta oportunidade de ver um eclipse que se vê apenas numa geração, mas, por outro lado, também uma oportunidade para conhecer um território, porventura, menos conhecido.
O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, à Rádio Observador esta manhã. Precisamente em Bragança está o jornalista Martim Andrade, que esta manhã dava conta de muito movimento, muitos visitantes, muitos curiosos, movimento sentido já desde ontem.
Nota-se logo à entrada da aldeia que há um elevado número de pessoas fora os habitantes que vieram de propósito para o eclipse, mas também não ajuda o facto do parque de campismo ser mesmo à entrada da aldeia, o que nos dificultou um pouco a vida, até estacionar. Mas foi curioso, porque assim como nós, houve várias pessoas a tentar fazer um reconhecimento da zona 24 horas antes do eclipse, para tentar perceber qual seria o melhor local para ver o sol. Nós e outros que vieram de longe para cá. Encontramos, por exemplo, um casal que vive nos Países Baixos e que vieram de propósito para Rio de Onor para ver o eclipse e encontramo-los a subir um monte para tentar perceber onde é que o sol estaria às 19h30 de hoje e quanto tempo teríamos de eclipse até o sol ficar tapado por um monte que é ali já do lado da fronteira espanhola.
Reportagem do sortudo, jornalista do Observador, Martim Andrade, que vai passar o dia em Bragança, região de Portugal com melhor visibilidade deste eclipse, que não acontecia este fenômeno desde 1912.
E mais logo vamos estar em emissão especial para acompanhar o eclipse quase total em Portugal continental. Emissão especial entre as 17h e as 20h, a partir do telhado do Mate, junto ao Tejo, em Belém, em Lisboa, e com reportagem, Miguel, em todo o país e em especial em Bragança, o único ponto de Portugal que vai conseguir ver a 100% este eclipse. Portanto, vamos mostrá-lo na rádio e também em vídeo. Quatorze minutos para lá do meio-dia. Miguel, que outras notícias marcam a atualidade?
A taxa de inflação abrandou para 3% em julho, face ao mesmo período do ano passado. O Instituto Nacional de Estatística confirma assim a estimativa rápida, que apontava para este desacelerar. Em junho, a inflação tinha-se fixado nuns 3,2%, é uma descida de 0,2 pontos percentuais. Os dados do INE divulgados esta manhã mostram também uma elevada percentagem de pessoas sem emprego em Portugal. Mais de metade dos desempregados no primeiro trimestre deste ano continuaram sem emprego no segundo trimestre. Informações esmobizadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística. De saída, dar conta das críticas de Carlos Moedas. Não percebe a libertação do suspeito de envolvimento no disparo contra uma turista na Baixa de Lisboa. O autarca fala numa decisão inaceitável da Justiça portuguesa, que prejudica a imagem do país.
Miguel Madeira e o Jornal do Meio-Dia.