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Jornal da Uma com Miguel Videra. Miguel, o Nobel da Medicina foi entregue esta manhã a dois investigadores pela descoberta que levou ao desenvolvimento de algumas das vacinas contra a Covid-19.

Katalin Karikó e Drew Weissman recebem o mais importante prêmio de medicina. O anúncio foi feito esta manhã em Estocolmo. Os dois investigadores desenvolveram trabalhos que permitiram o desenvolvimento de vacinas de mRNA eficazes contra a Covid-19. As investigações começaram em 2005, muito antes da pandemia. Katalin Karikó, de 68 anos, é uma bioquímica húngara, que atualmente é investigadora na Universidade de Szeged, na Hungria, e na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. É a 12° mulher a receber o Prêmio Nobel da Fisiologia ou Medicina. Karikó vai partilhar o prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de €950 mil, com o cientista norte-americano Drew Weissman, de 64 anos, que também é investigador da Universidade da Pensilvânia, no Instituto Penn para as Inovações com RNA. A Assembleia do Nobel atribui assim o prêmio a quem teve a mais importante descoberta dentro das áreas da fisiologia ou medicina, sendo indiscutível a importância que as vacinas contra a Covid-19 tiveram no controle da pandemia e na prevenção da morte e doença grave, em particular as vacinas baseadas em mRNA.

Dizias há pouco, Miguel, que é uma investigação com vários anos e que conquista o Nobel muito por causa da importância, claro, que teve no combate à pandemia.

Nem os próprios investigadores sabiam, na altura, o papel que iriam ter no combate à Covid-19. Miguel Prudêncio é investigador do Instituto de Medicina Molecular. Conversou com o jornalista Miguel Cordeiro para explicar a importância do trabalho de Karikó e Weissman. Miguel Prudêncio considera que o trabalho destes investigadores é notável e recorda que quando o estudo foi publicado, teve pouco impacto.

Este trabalho foi publicado em 2005, portanto, esta descoberta de que introduzindo estas tais alterações na molécula de RNA mensageiro, se conseguia evitar que ela conduzisse a uma reação inflamatória. Isto é um trabalho que foi publicado em 2005, portanto muito antes da pandemia de Covid-19. E como eu dizia, na altura, nem toda a gente percebeu as implicações potenciais futuras que este trabalho veio a ter. Isto é um exemplo característico de como um trabalho de investigação fundamental, em que na altura, quando Katalin Karikó e Drew Weissman estavam a trabalhar neste assunto, não estavam a pensar forçosamente na sua aplicação e nomeadamente em termos de vacinas, mas a descoberta deste fenómeno fundamental foi crucial para que depois essa utilização fosse possível.

Análise e as explicações de Miguel Prudêncio, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular. Katalin Karikó e Drew Weissman vencem o Prêmio Nobel pelas descobertas que permitiram o desenvolvimento de vacinas de mRNA contra a Covid-19.

E o Ministro da Saúde vai reunir com o Bastonário da Ordem dos Médicos já esta quarta-feira.

Uma reunião pedida pela Ordem com caráter de urgência. O Bastonário Carlos Cortes explicava ontem que o objetivo do encontro é tentar encontrar soluções para aquilo que define como a grave situação que atravessa o Serviço Nacional de Saúde. Antecipa a possibilidade de durante esta semana algumas unidades deixarem de conseguir dar resposta face à falta de profissionais. Carlos Cortes fala numa crise sem precedentes, motivada pela incapacidade do governo, diz o Bastonário, de valorizar e tornar atrativa a carreira dos médicos que trabalham no SNS.

E as preocupações do Bastonário coincidem com a criação de um movimento de médicos que recusa realizar mais de 150 horas extraordinárias por ano. É, de resto, o limite previsto na lei, Miguel.

E por causa da recusa, seis urgências hospitalares já foram obrigadas a encerrar. Há dificuldades em fazer escalas e há também preocupações por parte dos autarcas. Por exemplo, manifestadas esta manhã pelo presidente da Câmara Municipal de Barcelos. Está conosco em direto nesta edição da Uma, da Rádio Observador, Mário Constantino. Boa tarde. Bem-vindo ao Observador. O que o preocupa?

A mim preocupa-me o facto de durante o mês de outubro, muito provavelmente, a urgência do hospital encerrar. Isso causa transtornos e constrangimentos muito graves para os munícipes e para os utentes, pondo até em risco as questões de saúde e de vida da população. Isso, naturalmente, deixa-nos muito intranquilos e muito preocupados. Eu tive conhecimento na sexta-feira, ao fim da tarde, da dificuldade em fazer escalas para a urgência para o mês de outubro, em virtude da recusa dos médicos para as urgências e, portanto, desde logo, entrei em contacto com a administração do hospital para tentar perceber o que é que estava a ser organizado no sentido de mitigar ou atenuar as consequências absolutamente problemáticas e dramáticas que poderão advir deste fecho da urgência. Sei que há uma articulação com o Hospital de Braga para o encaminhamento dos utentes com caráter de urgência, mas não deixa de nos preocupar, porque a pressão sobre o Hospital de Braga vai ser muito grande e, naturalmente, os tempos de atendimento vão disparar e pondo em causa e em risco a saúde dos utentes.

Alguma diligência junto ao Ministério da Saúde, o ministro da Saúde em particular, para tentar evitar este cenário que se antecipa?

Nós, através da ARS Norte, estamos a fazer um apelo que eu reputo de dramático, no sentido de ser possível encontrar um ponto de entendimento e de equilíbrio entre este braço de ferro que opõe os médicos com o Ministério da Saúde. Nós entendemos algumas das reivindicações que os médicos apresentam, parecem-me absolutamente legítimas e justificadas. No entanto, acho que há um valor maior que é a saúde e o bem-estar das populações que deve prevalecer. De qualquer das formas, havendo essa notícia, como há pouco referiram, de uma reunião entre o senhor ministro e o senhor bastonário da Ordem dos Médicos, espero que daí saia algum fumo branco, no sentido de encontrarmos uma solução. É preocupante e espero sinceramente que não se percam vidas, nem que se agravem situações de saúde em virtude desta situação anômala que acontece. Espero que o bom senso e a sensatez prevaleçam e que muito rapidamente seja encontrado um entendimento que ponha cobro a esta situação dramática e preocupante.

Fica esse apelo de Mário Constantino ao presidente da Câmara Municipal de Barcelos, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco nesta edição da "Uma da tarde". É um dos autarcas preocupados com o funcionamento dos hospitais, unidades de saúde que servem os conselhos e as autarquias de que são presidentes. Está desde já na calha e já foi anunciado que o Hospital de Barcelos, o serviço de urgência do Hospital de Barcelos, vai funcionar com constrangimentos durante o próximo mês de outubro. É uma consequência da recusa por parte de vários médicos de trabalharem mais de 150 horas extraordinárias por ano. É esse o limite previsto na lei. Muitos médicos já atingiram este número.

E o presidente da Iniciativa Liberal esteve esta manhã à porta do Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins, Conselho de Sintra. Rui Rocha lançou um desafio a António Costa e Manuel Pizarro.

O Centro de Saúde do Conselho de Sintra é o maior do país, foi inaugurado há dois anos pelo primeiro-ministro. Tem sido notícia pelas longas filas de utentes que aguardam vez para agendarem consulta, fato que motiva as questões de Rui Rocha.

Fazemos uma pergunta muito simples ao ministro da Saúde e ao primeiro-ministro: é possível chegarmos a novembro com frio, com chuva e termos dezenas, centenas de pessoas numa fila de espera desde as 04:00 a.m.? É isto aceitável em Portugal em 2023? E já agora, infelizmente, não se trata apenas deste centro de saúde. Há muitos outros centros de saúde, há muitas outras questões pendentes neste momento no Serviço Nacional de Saúde. Eu pergunto a António Costa e a Manuel Pizarro: querem vir cá comigo no primeiro dia útil do mês de novembro para verem? Porque parece que eles vivem fora da realidade, parece que não conhecem isto, esta realidade, e isso não é aceitável. Os governantes têm que ter uma noção exata da realidade para perceberem como é que podem depois tomar medidas que as resolvam.

Rui Rocha, o presidente da Iniciativa Liberal, que visitou esta manhã mais uma vez o Centro de Saúde de Algueirão-Mem Martins para pôr nu as dificuldades de funcionamento desta unidade de saúde.

Quanto ao ministro da Administração Interna, anuncia que o projeto Verão Seguro vai continuar nos próximos anos.

É um projeto de cooperação da PSP e da GNR, que fazem patrulhas conjuntas durante o verão. José Luís Carneiro, o ministro, esteve esta manhã em Matosinhos para fazer o balanço do programa. O ministro da Administração Interna revela que, apesar de terem sido registados 20 milhões de hóspedes em Portugal, a criminalidade geral e violenta baixou 24% entre 2013 e 2023. Face aos resultados, o ministro anuncia que o programa Verão Seguro é para continuar.

Os resultados são muito positivos e por isso decidimos continuar com este programa nos anos que se seguem e começar já agora no outono e no inverno a preparar o Verão Seguro. Tem que ficar um apelo a todas e a todos os serviços para na preparação do plano de segurança balnear para 2024, se comece também já a ter preparação de alguma flexibilidade nos planos de segurança, porque o que estamos a ver é que por força das temperaturas e do clima, a senhora presidente da Câmara dizia-me que este fim de semana que agora terminou, teve de novo as praias repletas de procura, de jovens e de cidadãos de todas as idades que voltaram a procurar as praias.

José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, esta manhã em Matosinhos, nesta iniciativa, para fazer o balanço do programa Verão Seguro, programa de cooperação entre a PSP e a GNR. A ministra da Defesa também marcou presença. Helena Carreiras destaca a importância precisamente da cooperação entre as várias forças de segurança. E à margem desta iniciativa, reagiu às acusações do ex-diretor financeiro de Defesa. Paulo Branco, acusado de corrupção e branqueamento no âmbito da Operação Tempestade Perfeita, disse em interrogatório judicial que financiou as investigações acadêmicas de Helena Carreiras para que a investigadora desse um carimbo científico aos dados recolhidos pela Direção Geral do Ministério de Defesa. A ministra fala em acusações caluniosas e infundadas e promete não se deixar intimidar.

O trabalho de investigadora na área das Forças Armadas, da sociologia militar, é um trabalho que é de longas décadas, é um trabalho reconhecido, profusamente publicado, avaliado pelos meus pares e não permitirei que este tipo de insinuações venha pôr em causa esse trabalho. Em boa parte, esse trabalho é também a razão pela qual eu sou ministra da Defesa. Reagirei, portanto, fortemente contra falsidades, mentiras que coloquem em causa o trabalho que eu tenho realizado, não apenas, mas também em colaboração no passado com o Ministério da Defesa.

A ministra da Defesa, Helena Carreiras, a reagir a estas acusações feitas pelo ex-diretor financeiro da Defesa, declarações feitas à margem do balanço da cerimônia que serviu para fazer o balanço da estratégia de cooperação Entre as forças de segurança neste verão de 2023.

Miguel, a comissão técnica independente que estuda o novo aeroporto propõe um terceiro terminal em Lisboa.

E ainda o desvio de voos não comerciais para outros aeroportos. O objetivo é diminuir a pressão no aeroporto Humberto Delgado. No relatório divulgado hoje, a comissão liderada por Rosário Partidário propõe que este novo terminal tenha acesso direto ao exterior e a vias de táxis. O documento apresentado defende ainda a reavaliação do projeto já apresentado pela ANA para a expansão do Cais Sul, bem como a criação de uma placa de estacionamento dedicada a cargueiros. São soluções que a comissão técnica independente espera que possam ser adotadas num horizonte de cinco a sete anos, assumindo que nessa altura a nova solução aeroportuária já estará numa fase operacional.

E a Ministra da Justiça vai entregar hoje uma proposta do novo estatuto aos funcionários judiciais. O presidente do Tribunal da Relação do Porto fala no impacto forte e negativo da greve destes profissionais.

A paralisação começou no início do ano e tem obrigado a milhares de adiamentos de audiências e outros atos processuais. Convidado ao programa Justiça Cega, da Rádio Observador, José Igreja de Matos, presidente do Tribunal da Relação do Porto, afirma que seria importante resolver este problema e o quanto antes.

Um impacto forte, negativo, que se prolonga no tempo sem que surja uma solução à vista. Os funcionários judiciais são uma peça fundamental na orgânica da Justiça e quem trabalha nos tribunais sabe bem que é assim, advogados, magistrados judiciais, Ministério Público, o funcionário tem um papel central, nuclear. Nós, operadores, aqueles que estamos no terreno, sentimos que o prolongar desta situação no tempo prejudica fortemente a eficácia e a qualidade, a prestação de serviços de justiça. E seria desejável que esta situação já tivesse sido ultrapassada há muito.

José Igreja de Matos, o presidente do Tribunal da Relação do Porto, convidado desta semana do programa Justiça Cega, da Rádio Observador.

Feita pelo Luís Rosa, que na próxima hora vai entrevistar José Maria Ricciardi. Vamos recuperar essa entrevista. Para já, e numa altura em que é 13h14, que outras notícias, Miguel, marcam a atualidade.

Travão a fundo, o número de condutores apanhados em excesso de velocidade caiu 80% desde que foram adotados os novos radares. Foi em setembro. As estradas passaram a contar com 37 novos equipamentos de controle de velocidade. O balanço foi hoje feito pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, que dá conta que se registou uma redução da velocidade média de 95% dos veículos que circularam na estrada nacional 10, na 206 e na 119. Não foram registados feridos graves ou mortos nas zonas onde foram instalados estes novos radares. Só mais uma coisa, João. Só para te dizer que Anthony Taylor é o árbitro escolhido para apitar o jogo desta quarta-feira entre o Porto e o Barcelona. É uma partida a contar para a segunda jornada do grupo H da Liga dos Campeões. Começa às 20h e vamos escutar o relato aqui no Observador.

Nem mais. Ponto final no Jornal da Uma, teve edição do Miguel Videira.