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De observadores. Jornal da Uma, com edição do André Maia. André, começamos com o Congresso do PCP. Está previsto para esta hora o discurso de Paulo Raimundo.

O secretário-geral do PCP vai encerrar os trabalhos desta reunião magna, que decorre desde sexta-feira em Almada. Entretanto, o novo Comité Central do PCP esteve esta manhã na primeira reunião, depois de ter sido nomeado ontem. Resultou na eleição, por unanimidade, de todos os órgãos mais restritos do partido, assim como a reeleição, também por unanimidade, de Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP. Ora voltamos em direto até Almada, até ao Congresso do Partido Comunista Português, onde está o repórter Miguel Vítor Dias. Miguel, pergunto se já há algum sinal de Paulo Raimundo para este discurso de encerramento.

Estará quase. Para já estão a ser apresentados os órgãos eleitos pelo partido, depois da reunião do Comité Central, com os resultados que dava as contas. Já foram apresentados os 125 nomes que compõem o novo Comité Central, também a Comissão Política e o Secretariado. Essa apresentação está a ser feita por José Capucho, numa altura em que vai sendo apresentada também a Comissão Central de Controlo do Partido Comunista, uma espécie de tribunal do PCP, que compõe também estes órgãos que saem desta eleição do Comité Central. Como referiste, Paulo Raimundo foi eleito por unanimidade, sendo que o próprio secretário-geral optou por não participar nessa votação, não quis votar no seu próprio nome, portanto, não fez parte do leque de pessoas que votaram na continuidade, mas foi expressa essa unanimidade por parte do Comité Central para a reeleição de Paulo Raimundo como secretário-geral do partido, neste que acaba por ser até o primeiro congresso de Paulo Raimundo, neste fato de secretário-geral, depois de ter sido escolhido numa conferência nacional do PCP. E agora aplauso de pé para o anúncio da eleição do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, no Pavilhão Municipal de Almada, hoje mais composto do que nos últimos dois dias, porque para além dos cerca de mil delegados que compõem a sala, há também muitos observadores que vão estando nas bancadas, que estão lotadas no pavilhão de Almada. Aplauso final para o secretário-geral do PCP, que deverá agora encerrar os trabalhos com o discurso final, depois de na sexta-feira ter feito uma intervenção de cerca de 50 minutos com um resumo daquilo que entende que o partido fez mal nos últimos anos para esta perda eleitoral e com o que é preciso melhorar. E agora sim, Paulo Raimundo já foi anunciado e vai começar este discurso de encerramento que fecha o 22º Congresso do PCP. Vamos escutar esta intervenção de encerramento de Paulo Raimundo.

PCP! PCP! Camaradas, permitam-me iniciar com uma saudação aos convidados que muito nos honram com a sua presença, organizações e estruturas diversas, associações, movimentos, partidos políticos e organizações sociais, onde destaco a delegação da CGTP-IN aqui no nosso congresso. Uma saudação particular ainda aos nossos aliados, ao Partido Ecologista Os Verdes, à Associação Intervenção Democrática e aos muitos independentes sem filiação partidária, componentes deste projeto de trabalho, honestidade e competência que é a CDU. Estamos a chegar ao fim do nosso 22º congresso e aqui chegados, podemos afirmar com segurança que atingimos os seus objetivos. Aqui analisamos a evolução da situação internacional e nacional, alargamos a compreensão do quadro em que intervimos e a dimensão da ofensiva, identificamos as dificuldades e o chão que pisamos, tomamos decisões para reforçar o partido e relançá-lo na tomada de iniciativa, afinamos a tática, sublinhamos a estratégia, definimos a alternativa patriótica e de esquerda como tarefa central que está colocada aos democratas, aos trabalhadores, ao povo e à juventude, reafirmamos a nossa entidade comunista, aprovamos a resolução política e elegemos um novo Comité Central. E sobre o Comité Central, permitam-me uma saudação a todos os camaradas que agora saíram. Entrega, militância, determinação. Entrega, militância e determinação. Foi assim a vossa ação enquanto membros do Comité Central e será assim, com toda a certeza, em todas as tarefas que vão agora abraçar. Uma saudação que estendo também a todos aqueles que iniciam funções e em particular àqueles que integram o Comité Central pela primeira vez. E camaradas, o Congresso foi, como esperávamos, um momento de grande significado para o partido e de importância acrescida para os trabalhadores, para o povo, para a juventude e para o país. O congresso não foi uma montagem ou um espetáculo. Foi, isso sim, um banho de realidade, uma expressão da vida vivida e das dificuldades do dia a dia, mas também da luta que faz frente a essas mesmas dificuldades. O congresso foi, isso sim, uma manifestação de força, determinação, coragem e esperança para milhares e milhares e milhares que justamente ambicionam uma vida melhor. E a todos esses, aos que trabalham e põem o país a funcionar, aos que trabalharam uma vida inteira, aos jovens que querem cá estudar, trabalhar e viver, aos que procuram em Portugal uma vida melhor, àqueles que foram lá fora à procura de oportunidades que o seu país lhes negou, às mulheres que justamente ambicionam igualdade no trabalho e na vida, a todos aqueles que são alvos da política de direita, a todos lhes dizemos: Portugal tem futuro e esse futuro constrói-se no presente com confiança, com determinação e com a luta. Há força e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para travar a minoria que capturou o país, que submete o poder político e domina a economia ao sabor dos interesses dos grupos económicos. Esses tais que concentram 32 milhões de euros de lucros por dia, ao mesmo tempo que cerca de dois milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, milhares delas incluindo crianças, mais de um milhão de reformados vive com pensões de miséria e numa altura em que se acentua a exploração e a política dos baixos salários. Há força e forças suficientes, se organizadas e mobilizadas, para enfrentar a política de classe ao serviço dos poderosos e pôr fim às desculpas esfarrapadas de que nunca há dinheiro para aumentar salários e reformas, nunca há condições para valorizar carreiras e profissões, nunca se pode fixar profissionais nos serviços públicos, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde, que nunca é possível avançar pra rede pública de creches ou de lares, ou pra apoiar a ciência, ou pra apoiar a investigação, ou pra apoiar a cultura. Mas, pasme-se, há sempre razões e há sempre recursos públicos disponíveis pra mais descidas de IRC e mais, e mais, e mais transferências de recursos públicos para os grupos económicos. Camaradas, o que serve ao país não é a submissão aos interesses dos grupos económicos e das multinacionais. O que serve ao país, o que serve a quem produz a riqueza e põe o país e a economia a funcionar, é uma política ao serviço do povo, uma política ao serviço da maioria. E se é verdade, e é verdade, a situação que enfrentamos é de grande exigência, o inimigo tem muita força e tem meios poderosos, como sabemos. Mas este não é o momento pra desânimos. E àqueles que perdem a esperança, dizemos olhos nos olhos: olhem pra este congresso, confiem neste partido e juntos, ombro a ombro, vamos resistir, vamos acumular forças e vamos criar as condições pra avançar e pra vencer. Neste tempo em que vivemos, cheio de incertezas e de justas inquietações, em que soam os tambores da guerra, em que se acentuam as injustiças, em que o grande capital joga a cartada da extrema-direita, os trabalhadores e todos os democratas precisam, e cada vez mais, de um PCP mais forte. Precisam de um partido em que possam confiar e que não ceda ao oportunismo perante as dificuldades. Um partido que seja um porto seguro de firmeza e de coragem, que seja portador da confiança, da esperança, que seja o farol da possibilidade de vencer as dificuldades, por mais maiores que elas sejam. E é a partir dessa necessidade e do justo reconhecimento do papel do PCP, um reconhecimento que se alarga a cada vez mais gente e gente mais variada, que da tribuna do nosso 22º congresso apelamos e convocamos os democratas, os patriotas, os que cá vivem e trabalham, a juventude e todos aqueles que são atingidos pela injustiça e as desigualdades para que, com o PCP, tomem nas suas mãos a luta pela ruptura com a política de direita, que derrotemos os projetos reacionários, defendamos juntos o regime democrático inscrito na Constituição da República. Se no PCP nos assumimos como a força determinante pra impulsionar a alternativa patriótica e de esquerda, a responsabilidade da construção dessa mesma alternativa está também Nas mãos dos trabalhadores do povo, dos democratas, da juventude, de todos aqueles que são os principais interessados na sua concretização. Daqui reafirmamos: não desistimos do país. Portugal não é uma província de um Estado qualquer. Portugal é uma nação soberana, com quase 900 anos de história. Portugal é resultado da construção e da luta de um povo que, em momentos decisivos da nossa história, tomou nas mãos o seu destino. Este povo que se renova e este povo que se abre a novos tempos. Este povo que derrubou o fascismo, que ergueu e construiu a Revolução de Abril, que fez do seu projeto, das suas conquistas e dos seus valores uma realidade na vida. Este povo tem a força necessária para recolocar o país no trilho dos valores e das conquistas de Abril, no trilho do qual o país nunca deveria ter saído. O país não está condenado às injustiças e às desigualdades. O país tem recursos, tem meios, tem forças e tem gente séria capaz de construir uma vida melhor, essa vida que justamente ambicionamos. O país precisa responder à emergência nacional do aumento significativo dos salários e das pensões. Precisa de combater a chaga da precariedade, de valorizar carreiras e profissões, precisa de respeitar quem trabalha e quem trabalhou uma vida inteira. O país precisa de pôr fim aos benefícios fiscais, às privatizações, à corrupção. Precisa de pôr fim, de uma vez por todas, à rapina de recursos públicos por parte daqueles que se acham os donos disto tudo. O país precisa de mais e melhores serviços públicos, salvar e reforçar o Serviço Nacional de Saúde, fixar e contratar profissionais, garantir a todos o acesso à saúde. Precisa de valorizar a escola pública, responder à falta de professores e de outros profissionais. Precisa de avançar, precisa mesmo de avançar para uma rede pública de creches gratuitas e o acesso universal à educação pré-escolar. O país precisa de enfrentar o drama da habitação, dar combate à especulação, reduzir o valor das rendas e pôr a banca a suportar os efeitos das taxas de juro. O país precisa de recuperar os instrumentos para definir, de forma soberana, o seu próprio rumo de desenvolvimento, investindo mais e onde faz mais falta, e não onde a União Europeia e as suas regras orçamentais querem impor que seja o nosso investimento. O país precisa, pode e deve produzir mais para criar mais riqueza e para se desenvolver enquanto nação soberana. O país precisa de colocar todo o saber e o conhecimento científico e tecnológico, precisa de colocar a ciência e a investigação ao serviço do país. O país precisa da força e a criatividade da juventude, respondendo às suas necessidades, aumento dos salários, estabilidade, educação e acesso à habitação. O país precisa de todos aqueles que cá procuram uma vida melhor e dispensa o bafiento e desviante discurso do ódio, do racismo e da xenofobia. É possível um país desenvolvido, de progresso e soberano, e cá estamos para, com muitos outros, o construir. Saímos do congresso mais fortes, mais preparados e determinados para tomar a iniciativa. Não faltaremos a nenhuma batalha, seja ela econômica, social, política, institucional ou até eleitoral, estaremos em todas essas batalhas. Vamos agir a todos os níveis. Desde logo, contribuindo pra intervenção da Juventude Comunista Portuguesa e pro sucesso do seu congresso. Vamos tomar a iniciativa pelo aumento dos salários e das pensões, contra as injustiças e desigualdades, pelos serviços públicos, por uma rede pública de creches para todas as crianças, pelo direito à habitação. Tomar a iniciativa com o desenvolvimento da ação, aumentar salários e pensões para uma vida melhor. E daqui relançamos esta ação com um desafio ao partido, mas também aos trabalhadores, ao povo e à juventude. Levemos por diante uma das maiores recolhas de apoio e exigência que realizamos até hoje. Nos próximos tempos, em todo o lado, contactar, esclarecer, conversar, mobilizar para assinar. E no próximo dia 14 de janeiro, em todo o país, vamos ainda com mais empenho e com confiança, realizar 100 ações para 100 mil assinaturas. Camaradas, tal como foi muito visível no congresso, esta ação impõe um estilo de trabalho que deve ser uma referência da nossa ação geral, ligação às massas e um partido ainda mais ligado à vida. Aproveitemos esta experiência para tomar a iniciativa e intensificar a preparação das próximas eleições autárquicas. Façamos das eleições autárquicas uma grande jornada de contacto e mobilização. Levemos por diante uma ampla ação de apoio popular à CDU, a este espaço de ampla convergência, onde cabem todos os que anseiam resolver os problemas concretos das populações, daqueles que querem justamente viver melhor na sua própria terra. Mobilizemos comunistas, ecologistas, independentes. Mobilizemos todos, independentemente das suas opções partidárias, pra dar ainda mais força a um projeto que não se confunde com nenhum outro, que queremos que se alargue, queremos que cresça e vá mais longe, desde logo, com mais candidaturas. Quem tem um projeto autárquico sem paralelo como o nosso e com provas dadas, quem tem eleitos ligados às populações, como são os eleitos da CDU, quem tem como marca trabalho, honestidade e competência, quem se lança numa ampla jornada de contacto, mobilização, envolvimento e apoio popular, só tem razões acrescidas pra ter confiança na batalha das eleições autárquicas. Tomar a iniciativa sem nenhuma hesitação pela paz e contra a guerra, pela solidariedade e contra o militarismo e contra a indústria da morte. Camaradas, não desistimos da paz e estaremos, como sempre estivemos, na primeira linha de exigência da paz. Lá estaremos no próximo dia 18 de janeiro, em Lisboa, nessa manifestação sob o lema: "É urgente pôr fim à guerra, todos juntos pela paz". Lá estaremos e seremos, com toda a certeza, muitos, porque são muitos e cada vez mais os que não aceitam o caminho da guerra e do desastre por onde querem arrastar o povo. Tomar a iniciativa e dinamizar a justa luta que aí está e tem que se intensificar, desde logo no motor central dessa luta, que é a luta dos trabalhadores, mas também de outros setores e camadas, seja pela habitação, seja pelo Serviço Nacional de Saúde, pelos serviços públicos, pelo aumento das reformas, pelo transporte público, pelo ambiente, contra as discriminações e preconceitos, pelos direitos, pelo respeito e pela dignidade, por tantas e tantas justas causas que aí estão, que é preciso atacar, mobilizar e lutar. Tomar a iniciativa pelo reforço do partido, concretizando um movimento geral do reforço que agora decidimos. Um movimento que exige de todo o partido a tomada de medidas concretas, tendo como elemento central a responsabilização de quadros, alargando a nossa capacidade de intervenção pra se chegar mais longe, pra intervir em mais frentes, para mobilizar ainda mais gente. Reforço do partido que faz falta ao país, aos trabalhadores, ao povo, à juventude, que faz falta aos democratas e patriotas. E camaradas, quem achava que vínhamos pro 21º congresso para carpir mágoas, mais uma vez se enganou. Quem esperava que confundíssemos resistência com desistência, encontrou aqui um partido consciente do torrente que pisa, das dificuldades que o nosso povo enfrenta, mas que está aqui a resistir. Sim, a resistir, mas de uma resistência que não fica à espera, que se lança na luta, que se lança a acumular forças pra avançar e transformar. Quem esperava fraqueza, encontrou aqui a força, a unidade, a determinação e a coragem, como foi aqui dito ontem no nosso congresso, essa coragem que é a irmã gêmea da militância. Encontrou aqui toda essa determinação. Quem esperava isolamento, encontrou aqui um partido ligado à vida e à realidade, disponível e empenhado em juntar forças com todos aqueles que justamente não desistem do país e estão preocupados com o atual rumo. Quem esperava estagnação, encontrou aqui a criatividade da juventude e a força da JCP. Os que propositadamente confundem mensagens novas com demagogia, mentira e desinformação, encontraram aqui um partido que não abdica dessa mensagem, a mensagem da verdade. Quem esperava conformismo, encontrou aqui a luta que lhe faz frente, encontrou a esperança de Abril e a força de Maio, encontrou uma inabalável confiança na força dos trabalhadores, do nosso povo, dos democratas e da juventude. Quem esperava pessimismo, encontrou a alegria, essa alegria própria de quem sabe que é justa a causa por que luta. Lamentamos desiludir os que tomaram desejos por realidade. O PCP cá está com a força do seu ideal, com a força do seu projeto, com a determinação e a coragem do seu grandioso coletivo partidário. O PCP cá está a desmentir e, acima de tudo, pronto a enfrentar e a derrotar todos quantos gostariam que o partido se vergasse ao poder e aos interesses do grande capital. Mas este não é um partido do capital, desses já há muitos. Este é, e com muito orgulho, o Partido do Trabalho, o Partido Comunista Português. E quem nos queria ajoelhados, aqui estamos de pé, com os olhos postos na felicidade do nosso povo. Quem desejava um partido condenado, encontrou aqui e vai encontrar amanhã, nas empresas e nos locais de trabalho, nas ruas e nos bairros, nos centros de saúde, nas escolas, nas universidades, nos centros de investigação, nas associações, vai encontrar em todos os locais onde pulsa a vida, o Partido Comunista Português. A força de Abril que está a tomar a iniciativa com os trabalhadores, com o povo, com os olhos postos na construção da democracia e do socialismo. A luta continua! Viva a paz! Viva o 22º Congresso! Viva a JCP! Viva o Partido Comunista Português!

A intervenção de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, a encerrar este 22º Congresso. Um discurso de cerca de meia hora a fechar os trabalhos destes três dias aqui no Pavilhão Municipal de Almada, com Paulo Raimundo a ter sido reeleito secretário-geral por unanimidade e com esta mensagem agora virada para o exterior. Antes do encerramento dos trabalhos, claro, também a nossa análise com os suspeitos do costume, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatozo. Miguel Pinheiro, ainda com este som de fundo, sai daqui um partido com uma mensagem renovada ou foi mais um toque, com uma mensagem a querer olhar para as autárquicas, ou foi um toque de rebate para que os militantes não adormeçam e não se deixem ultrapassar nesse desafio que é o próximo?

Acho que um dos problemas deste discurso, precisamente, é que é virado exclusivamente para os militantes. Costuma dizer-se que nos congressos partidários-

À sexta, para dentro.

Muito bem. O discurso inicial é para os militantes, se é o domingo, à hora dos noticiários de almoço, o discurso é para o país. Mas nós ouvimos este discurso e que medidas concretas que há para os eleitores? Dizer, claro, ouvimos aqui uma proclamação genérica de princípios, mas há alguma medida concreta que o PCP fixe como nós queremos até à data tal aprovar uma determinada proposta que vá melhorar as vidas das pessoas nisto, nisto e nisto? Não, foi tudo muito vago. De facto, o primeiro discurso de Paulo Raimundo a mensagem era que foi pessimista. E este, eu diria, foi de um falso otimismo. Foi claro, a tentar dar força às pessoas, mas depois há aqui alguns pontos em que o PCP não consegue sair do mais do mesmo. Por exemplo, Paulo Raimundo diz-nos: "Quem esperava estagnação encontrou aqui a criatividade". Qual criatividade? Os dois anúncios que foram feitos aqui da ação política foram: no dia 14 de janeiro, em todo o país, o PCP vai realizar 100 ações para recolher 100 mil assinaturas para uma coisa qualquer. Aliás, ao longo deste congresso, nós ouvimos várias vezes oradores a virem dizer que tinham conseguido não sei quantas assinaturas para uma determinada baixa cidade Quer dizer, estas assinaturas levam a quê? Não sei se já te aconteceu, a mim já me aconteceu. Eu uma vez estava a comprar um livro numa iniciativa que não era do PCP, mas era uma iniciativa de esquerda.

E foste desafiado a subscrever uma abaixo-assinado?

Sim. Eu, por acaso, não assinei, porque tenho alergia.

Não sentiste a materialização desse abaixo-assinado em nada.

Não, tenho alergia a abaixo-assinados. Mas vamos imaginar que eu tinha assinado aquilo. Podia ter acontecido, podia ter sentido: "Enfim, não vou ser antipático, estão aqui a ser tão simpáticos comigo e até têm uns livros interessantes, vou assinar." Essa assinatura levava a quê? O PCP acha que esta multiplicação de assinaturas leva a quê? E a segunda ação é, no dia 18 de janeiro, em Lisboa, uma manifestação sob o lema "É urgente pôr fim à guerra, todos juntos pela paz". Quer dizer, essa manifestação será composta por pessoas do PCP, que dirão as coisas de sempre. Onde é que está a criatividade? Onde é que está esta nova forma de fazer as coisas? Não se vê. Mas acima de tudo, o que se sabe é que este congresso só serviu para falar para os eleitores lá de fora. As pessoas que estão lá fora, ainda por cima está muito frio, não levam nada daqui. Isto foi feito para falar das pessoas que estão aqui dentro. Eu percebo o ponto, é preciso aguentar as tropas.

A mensagem já é conhecida.

Sim, mas realmente não houve nenhum esforço para falar para fora. Não vale a pena inventar, não houve nenhum esforço, mais vale assumir. Não, este congresso foi feito para falar para os militantes, não foi feito para falar para mais ninguém. Ok, se é assim, parabéns.

Miguel, há aqui uma necessidade de combater o adormecimento dos militantes do partido neste ano pré-autárquicas?

Necessidade há. Se foi bem executado neste discurso, não me parece. Eu tinha algumas expectativas de que esta intervenção de Paulo Raimundo servisse não só para isto que está a acontecer e que aconteceu, ou seja, a mobilização das tropas, mas também para provar a quem não votou no PCP nas últimas eleições, que encontrasse renovados argumentos para voltar a confiar no Partido Comunista Português. Este discurso não serviu para isso. Miguel dizia que foi muito pensado para dentro e de facto foi, porque mesmo no caderno de encargos ou nas prioridades assumidas pelo partido, ninguém estranhará que o PCP defenda o aumento de salários, valorização das carreiras, proteção da escola pública, valorização do Serviço Nacional de Saúde. Não me parece que seja absolutamente surpreendente, nem tem de ser, mas convém que seja quando se anuncia ou quando se fala para fora, que haja medidas concretas e que haja iniciativas concretas. E nesse aspecto, Paulo Raimundo falhou. Depois, o outro caminho que ainda ontem falávamos, que me parecia interessante para o PCP seguir, que era a crítica ao Partido Socialista. Enfim, há aqui uma referência muito vaga à redução do IRC e sabemos que o Partido Socialista contribuiu para a viabilização dessa redução do IRC. Esse caminho de crítica ao Partido Socialista e afirmação do PCP também não foi exatamente espelhado neste discurso de Paulo Raimundo. Até aí foi mais ou menos um ato falhado. Depois, eu percebo e acho que é interessante o PCP distinguir-se, por exemplo, do Bloco de Esquerda e do PS também, na ideia ou na forma de combater o Chega. Há uma referência muito indireta ao Chega, mas, ao contrário do que acontece com o Bloco de Esquerda, por exemplo, o Chega é um adversário real e material do PCP, sobretudo nas autárquicas. E portanto, percebendo a ideia, e Paulo Raimundo disse isso ontem na entrevista ao Observador, que não é suposto dar palanque ao partido do André Ventura, convém que o combate se faça de forma mais direta, nem que seja para dizer aos eleitores que antes votavam no PCP e que agora estão a fugir para o Chega, que estão a votar de forma errada, que se estão a enganar, que estão a ser iludidos. Esse discurso tem de existir. O PCP não quer ter esse discurso. Eu percebo que seja uma forma de se distinguir do Bloco, distinguir do PS, não dar palanque, não fazer publicidade gratuita ao Chega, mas é preciso um bocadinho mais, porque se há eleitores a saírem de um partido para o outro, convém que o partido que está a perder eleitores explique porque é que não devem fazer isso. Portanto, também aí achei um discurso mal conseguido da parte de Paulo Raimundo.

Ou seja, quando Paulo Raimundo diz aqui no início: "Afinámos a tática", não afinou propriamente.

Não me parece que deste discurso se possa retirar que haja uma tática nova, que demonstre um caminho evidente. Confesso que esperava mais do discurso, até pelas entrevistas que fomos fazendo aqui no plateau, de gente esclarecida e influente no partido. Esses militantes e dirigentes do PCP foram dizendo, foram mostrando que o caminho é não ser diluído e não ser confundido com o Partido Socialista. Paulo Raimundo tinha aqui uma oportunidade de provar isso mesmo, de explicar, por A mais B, porque é que o PCP é diferente do Partido Socialista, é diferente do Bloco de Esquerda, é diferente do LIVRE, e porque é que o PCP deveria ter mais força, e não conseguiu, não foi bem conseguido.

Miguel, faltou aqui uma mensagem para fora sobre o posicionamento face ao Partido Socialista, que se ouviu até no arranque dos trabalhos e nas entrevistas que fomos aqui fazendo. Isso agora passou muito ao lado?

Sim, aqui neste discurso, praticamente não existiu Tanto olhando para a política nacional como a autárquica. De facto, houve aqui também uma leve referência às autárquicas.

Foi das assinaturas serem um primeiro ponto. A recolha de assinaturas ser um primeiro ponto para mobilizar.

E dizer que as autárquicas vão ser esta tal grande jornada de contacto e de mobilização popular. Como é evidente, em cada eleição os motivos de mobilização das pessoas são diferentes, como é óbvio, não é possível fazer uma única campanha autárquica. É evidente que isso não é possível, mas era possível dar aqui algumas pistas de como é que o PCP vai tentar travar essa luta eleitoral e isso também não saiu daqui. Também foi uma coisa muito genérica, muito vaga e não houve, como dizia o Miguel Santos Campatoso, eles não sentiram a necessidade de abordar os temas que estão a levar à migração de eleitores do PCP para o Chega. Parece que há aqui um fazer de conta que não se está a passar nada. E não vejo como é que isso possa dar bons resultados, honestamente.

O PCP refere sempre que a força é o coletivo, mas tivemos aqui nesta última hora, quando foram sendo chamados os nomes, Paulo Raimundo foi reeleito por unanimidade e foi até bastante aplaudido, mas há aqui outros nomes que também levantaram o Congresso, João Oliveira, João Ferreira, excluindo o Jerónimo de Sousa, que não fará parte de uma lista de eventuais futuros nomes para o lugar. Mas o partido está definitivamente unido à volta de Paulo Raimundo, reconhece-o como secretário-geral, esse processo está ultrapassado?

Bom, tem que se me responder que remédio. É evidente que está unido quando é escolhido por unanimidade. Bom, não há prova mais inequívoca.

Se quiseres ficar só na parte objetiva.

De que está unido em torno de Paulo Raimundo. Foi eleito sem o voto do próprio, porque é tradição do PCP os candidatos a secretários-gerais saírem da sala para haver votação. Portanto, não se pode dizer que não haja uma união em torno do Paulo Raimundo. O PCP é um partido diferente, nesse aspeto tem razão. Eu não sou dessa geração, o Miguel Pinheiro saberá explicar muito melhor isso, mas cresci a ouvir críticas à cassete do PCP, dizerem que Carlos Carvalhas era um líder já um bocadinho cansado, que não conseguia mobilizar o partido. Enfim, Carlos Carvalhas ficou na liderança do PCP durante muitos anos. Jerónimo também, mas Jerónimo veio trazer uma nova energia e continua a ser muito acarinhado dentro do partido. E Paulo Raimundo, não me parece que se tiver um mau resultado amanhã nas autárquicas ou depois nas legislativas, vá sair. O PCP nesse aspeto é realmente diferente dos outros partidos. Houve uma expressão, já não sei de quem exatamente, em que se dizia que o PCP não é um partido de carinhas larocas nem de homens providenciais. E, portanto, não mede apenas os resultados eleitorais que tem. Agora, para falar de João Oliveira e de João Ferreira, sem dúvida, as pessoas mais aplaudidas, a par de Paulo Raimundo e Jerónimo de Sousa. João Ferreira tem nas próximas eleições autárquicas a tarefa muito importante de contrariar a ideia de que o PCP está, de facto, a desaparecer. E não será uma tarefa fácil. Nós falávamos disso ontem. Se é verdade que a direita não está unida, havendo uma frente de esquerda em Lisboa que inclua PS, Livre e Bloco de Esquerda, se o PCP não fizer uma campanha eficaz e competente na ideia de que é importante reforçar o papel do partido e não cair na ladainha, que é uma expressão que também foi usada aqui, das grandes plataformas, nas grandes alianças de esquerda, se João Ferreira não fizer essa campanha competente e eficaz, arrisca-se a ter um mau resultado em Lisboa. E sabemos que haverá, se houver uma competição entre dois blocos muito bem definidos, haverá naturalmente uma mobilização de eleitorado para duas candidaturas muito concretas. O PCP corre à margem e João Ferreira tem aqui uma missão muito difícil e muito espinhosa. É João Ferreira quem tem nas mãos dar o primeiro sinal de que o PCP tem margem para inverter a trajetória decrescente e é, sem grandes dúvidas, o maior ativo eleitoral do partido, um tal partido que rejeita a ideia de homens providenciais e carinhas larocas. João Oliveira, mais pelo talento natural que demonstra nas intervenções que faz e pela forma como se dá aos militantes, é muito mais popular, propriamente, João Ferreira, conseguiu roubar o Congresso, conseguiu fazer a intervenção mais aplaudida, de longe, do Congresso. É um ativo importante na Europa, fez uma campanha que permitiu que o PCP não desaparecesse de Bruxelas e, portanto, tem cinco anos para mostrar trabalho na Europa. Sabemos que Bruxelas é uma realidade muito distante.

Noutro partido era alguém que obrigava o líder a olhar por cima do ombro.

Sim, mas acho que essa questão não se coloca no PCP. João Oliveira tem espaço, palco e tempo para mostrar que é uma mais-valia para o partido. Honestamente, não sei quanto tempo durará Paulo Raimundo na liderança do PCP. Não há lideranças eternas, nem mesmo no PCP. O futuro, à partida, passará ou passaria por estes dois homens. Já se dizia isso há um congresso, já se dizia isso em 2016 também. E a verdade é que o PCP preferiu Paulo Raimundo.

Deixa só irmos até Inês Batista, que está no exterior com João Torres, deputado do Partido Socialista e que está a falar aos jornalistas.

E hoje assim continua a ser, num quadro político diferente, em que governa a direita, mas em que o Partido Comunista Português tem tomado posições diferentes daquelas que são defendidas pelo Partido Socialista, designadamente no caso da Ucrânia, uma vez que o Partido Socialista, desde a primeira hora, condenou com veemência a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, algo que o Partido Comunista Português não fez. E sobre a questão concreta que foi colocada a propósito dos ataques e das críticas do Partido Comunista Português ao Partido Socialista, aquilo que eu diria é o seguinte: é muito importante que a esquerda esteja unida no combate a este governo, que é um governo incompetente, é um governo sem credibilidade e é um governo que não responde às necessidades das portuguesas e dos portugueses. Mas para isso, aquilo que nós no Partido Socialista entendemos é que é fundamental que a esquerda, os partidos da esquerda, nunca se enganem nos alvos. E quando o Partido Comunista Português, como sucedeu em alguns momentos deste congresso, faz do Partido Socialista, ou fez do Partido Socialista, um dos primeiros alvos, a verdade é que está a perder a sua energia e o seu tempo num contexto também que não é, ou que não tem sido ascendente para o próprio Partido Comunista. Por isso deixaria esta mensagem: é muito importante que não se confundam os alvos. Nós no Partido Socialista nunca confundimos os alvos e espero que o Partido Comunista Português também, de agora em diante, não os confunda. Muito obrigado a todas e a todos.

João Torres, deputado do Partido Socialista, aqui a reagir em nome da delegação do PS que marcou presença neste congresso do PCP. A par do PS, também o Bloco de Esquerda esteve a assistir a esta sessão de encerramento, bem como o PSD e claro, o partido parceiro natural do PCP, o Partido Ecologista Os Verdes. Aguardava também só para perceber se tínhamos reação do Bloco ou do Partido Social Democrata. É possível que vos interrompa daqui a poucos segundos, mas há aqui esta mensagem, Miguel Pinheiro, do PS, que é: não se confundam os inimigos, a esquerda deve estar unida, porque durante estes dias o PCP tem se posto um bocadinho à margem desta união à esquerda.

Sim, não vai sair daí. Se o PS está à espera de conseguir convencer o PCP a entrar em novas alianças tão cedo, é melhor esperar sentado, porque claramente isso não está na cabeça do Partido Comunista. O balanço que o PCP faz da participação na Jeringonça é negativo. Podem dizer o que quiserem publicamente, mas o que sai daqui, clarinho, é que para o PCP aquilo foi uma falsa saída, para citar uma expressão que foi usada aqui neste congresso, foi uma ilusão. E o PCP continua a olhar para o PS como sempre olhou, como um aliado e um cúmplice da direita. Ouvimos João Torres a insinuar que o PCP está com tantos problemas, está tão fraco, ainda quer arranjar mais problemas, ainda quer ficar mais fraco. Não, precisamente. O ponto dos comunistas é o de que estão fracos porque se juntaram ao PS.

Estão ainda a tentar livrar-se desse abraço de urso.

Esse é que é o balanço que o PCP faz e por isso não vale a pena. O PS pode discordar, com certeza. Ao PS deu muito jeito a Jeringonça, permitiu a António Costa chegar ao poder quando tinha ficado em segundo lugar nas eleições de 2015. A Jeringonça também permitiu a António Costa fazer a sua cena de divórcio que levou à maioria absoluta. Portanto, de facto, é uma aliança que deu muito jeito. A criação da aliança e a destruição da aliança que se chamou Jeringonça deu muito jeito ao PS, mas não deu assim tanto jeito ao PCP. E portanto, o sonho de Pedro Nuno Santos, de reconstituir uma espécie de Jeringonça. Pedro Nuno Santos achava que chegava ao PS e o PCP e o Bloco vinham de joelhos, como se tivessem a ir a Fátima adorar a nova aparição da esquerda. Mas não, o PCP não está para isso, não está com grande vontade de ir a Fátima.

Para já.

Tão cedo.

Vamos ver se o Bloco de Esquerda está com vontade ou não, porque também estão à saída do Congresso, salvo erro, junto da Inês Batista, o antigo deputado e fundador do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda.

E vamos conseguir agora essas declarações no final do Congresso do PCP.

E proteção da vida das populações. Portanto, nesse aspeto, temos campo em comum, unidade na ação, apesar de diferenças políticas que são naturais e são notórias. Muito obrigado.

A sublinhar essas diferenças políticas, Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda. Por aqui passaram também João Torres, do Partido Socialista. João Torres que disse que o PCP está a perder energia ao tornar o Partido Socialista como um dos alvos durante este congresso. Pede que não se confundam esses alvos. De recordar que o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, disse que o Partido Socialista era cúmplice do governo e da política do governo PSD/CDS, por ter viabilizado o orçamento do Estado.

Inês Batista com Luís Fazenda. Também há pouco, à saída, uma curta declaração de Carlos Coelho, em nome do PSD, que recuperamos agora.

As palavras do secretário-geral do PCP, não só neste discurso, mas em toda a tônica do congresso, com muitas críticas, nomeadamente ao governo da AD e às políticas do PSD.

Acho que isso é relativamente normal. Espera-se de um partido da oposição que seja crítico. Numa democracia estabilizada, isso é positivo, porque os governos que sabem ouvir também ouvem as críticas e devem tirar consequências. Agora, os partidos da oposição, quando fazem críticas à esquerda e à direita, por tudo e por nada, correm o risco de serem mais ouvidos com a perspectiva de que estão a cumprir um papel do que serem relativamente focados e objetivos. Mas enfim, é normal que os partidos da oposição tenham esse registo.

Obrigado. Creio que é só, Carlos Coelho, do partido social-democrata.

Sem surpresa, Carlos Coelho, do PSD, um partido que ficou também com as orelhas quentes nestes últimos dias de Congresso do PCP, como é natural. As reações dos três partidos com assento parlamentar que aqui marcaram presença no encerramento do Congresso do PCP, que agora termina e também, tal como é habitual, já tudo praticamente arrumado, é também uma tradição das reuniões magnas do PCP. O Observador esteve nos últimos três dias aqui a acompanhar os trabalhos com uma vasta equipa, a Mariana Lima Cunha, a Inês André Figueiredo e o Miguel Santos Carrapatoso, no texto, a Inês Batista na rádio, no som a Mariana Sousa Aguiar e a Matilde Andrade, na fotografia o Diogo Ventura e no vídeo o João Lopes e o Tiago Couto, com a coordenação da Teresa Cassis. Eu sou o Miguel Viterbo Dias e comigo também, ao longo destes dias, esteve o diretor executivo do Observador. Está terminado este 22º Congresso do Partido Comunista Português.

Boa viagem de regresso, Miguel Viterbo Dias e a toda a equipe de reportagem do Observador. Já aqui com todos os nomes ditos pelo Miguel Viterbo Dias. Fechamos a partir de Almada com este 22º Congresso do PCP. Se não conseguiu ouvir os principais destaques deste discurso final de Paulo Raimundo e também daquilo que aconteceu neste último dia, basta apenas ouvir os próximos espaços informativos. Vamos dar obviamente destaque ainda a esse Congresso do Partido Comunista Português e obviamente com a nossa cobertura em observador.pt.

É isso mesmo. E se tivemos uma equipa em Almada, também tivemos aqui uma equipa pronta em Alvalade. Agradecer à Catarina Duarte, que esteve na produção, ao Rui Casa Nova, que esteve a subeditar estas manhãs 360 de fim de semana, também ao João Costa Campos, à Maria João Brás, que estiveram no apoio à redação. Nós, André Maia, estamos de saída. Tu, entretanto, também vais de férias. Para a semana não estás cá.

Dia 28 cá estaremos.

Exatamente. E fica por cá a Filipa Duarte. Filipa Duarte, que entretanto estou a tentar ligar o teu microfone para que possas falar um bocadinho conosco, porque a vida é mesmo assim, a vida é sempre em direto.

Como é que se encontram?

Estamos bem.

Estamos bem.

Peço imensa desculpa, nem fones tenho na cabeça. Obrigada aqui ao colega José Rafael Lopes, que me ajudou a colocar os fones aqui na cabeça. Olá, tudo bem? Bom domingo aos caros colegas. Como é que se encontram? Tudo bem aqui.

Fizemos uma passagem de serviço um bocadinho mais tarde, mas tu trabalhas menos de uma hora.

Olha, também não percebi este toldo, João.

Não agradeças.

Pronto, faz parte, é a consciência.

Tens de agradecer ao Partido Comunista Português.

Obrigada, PCP. Foi bom, foi bonito da parte deles. Mas sim, eu fico por aqui, não até às 18h.

Ainda por cima, isto hoje aqui é um regabofe.

Olha, João, a inveja é uma coisa que te fica muito mal, percebes?

Eu não. Eu tenho amigos à minha espera, tenho um almoço do amigo secreto.

Pronto, e fazes tu muito bem. Eu fico aqui com o Luís Soares, com uma ótima programação da Rádio Observador e eu estava a dizer que saio às 17h30, não fico até às 18h, fico até às 17h30, porque também há bola.

Muito bem. Qual é a bola?

Benfica.

AVS. Muito bem.

Olha, é sim.

Desculpa.

André, também, como é que sempre?

Às 18h.

AVS, Benfica.

Exatamente.

Pronto, é isto. Eu só quero Benfica, AVS. Desculpa, mas olha, menos mal, também da maneira que sai daqui não apanho ali trânsito na circular.

Qualquer coisa incomodas o André Maia e ligas e perguntas: "Olá, quem é que joga hoje?" Acho que é legítimo.

Em minha defesa, eu sabia, mas aparentemente eu estava a fazer uma troca que era Benfica, AVS. E é isto. Desejo-vos um ótimo domingo.

Obrigado, igualmente.

Um ótimo domingo aos nossos ouvintes, que fiquem desse lado também fazendo companhia. E é isto.

E boas festas.

Beijinhos. Bom fim de semana. E boas férias ao André Maia.

Obrigado.

Boas férias, André Maia.

Feliz Natal para vocês, que já não nos vamos ver, até lá.

Que Portugal vamos ter daqui a 10 anos? No décimo aniversário do Observador, desafiamos 52 personalidades da sociedade portuguesa para nos ajudarem a pensar o futuro. Ao longo de um ano, durante 52 semanas, vamos ouvir as opiniões e saber o que pensam os membros do Clube dos 52. Todas as segundas-feiras, depois das 9h30, na Rádio Observador. O Clube dos 52 tem o apoio da NOS, PLMJ, KPMG, DS Automóbil e Câmara Municipal de Cascais.

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