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Uma da tarde. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Miguel Videira. Miguel, o antigo primeiro-ministro António Costa foi há instantes confrontado com a escuta revelada ontem à noite pela CNN Portugal, que vem pôr em causa uma acusação feita por António Costa em 2023.

Afirmação. E disse, nessa altura, António Costa, que nunca conversou com Diogo Lacerda Machado sobre o projeto de construção de um centro de dados em Sines, um projeto que está no centro da investigação da Operação Influencer. Há suspeitas de tráfico de influências para agilizar o licenciamento do projeto. Uma escuta de uma conversa em 2022 entre o Lacerda Machado e António Costa vem pôr em causa a garantia do antigo chefe de governo. A conversa é precisamente sobre o centro de dados em Sines. O atual presidente do Conselho Europeu está hoje em Portugal, esteve há pouco em Braga, numa conferência na Universidade do Minho. À saída, foi confrontado com esta escuta e a aparente contradição que daí resulta, face ao que o antigo primeiro-ministro havia dito. Maria Rego, agora aqui em direto de Braga, António Costa explicou esta aparente contradição?

Não só não respondeu, como diz não conhecer o processo. António Costa saiu com poucas palavras, apenas comentou essas recentes notícias que dão conta de escutas entre o próprio e Diogo Lacerda Machado, escutas essas que foram desmentidas numa conferência de imprensa dada em São Bento a 11 de novembro de 2023 por António Costa. Nestas escutas agora conhecidas, a CNN relata que esta conversa sobre a Startup Campus, de facto, aconteceu na véspera do Natal de 2022. Agora, à saída de uma conferência em Braga, António Costa garante que não conhece o atual estado do processo.

Não conheço nada do processo. Como é sabido, fui ouvido há quase dois anos, a meu pedido. Desde aí não faço ideia o que é que aconteceu. Já requeri várias vezes o acesso ao processo, mas ao contrário dos senhores, nunca tive acesso. Portanto, não vou comentar o que não conheço.

Sem comentário, António Costa saiu sem mais nenhum esclarecimento sobre este assunto. Recordo que este processo Influencer foi o responsável pela queda do governo de António Costa em 2023. O presidente do Conselho Europeu segue agora para o Porto, onde participa numa outra conferência, desta vez na Universidade Católica Portuguesa.

O momento que também vai ser acompanhado pela jornalista do Observador, Maria Rego, que nos deu então conta aqui desta declaração de António Costa, que não quis prestar qualquer esclarecimento sobre esta aparente contradição que resulta da escuta divulgada pela CNN Portugal, uma escuta de uma conversa entre António Costa e Diogo Lacerda Machado.

E o presidente da CCDR Centro revela que foram detectadas várias declarações falsas em pedidos de apoio à reconstrução de casas na sequência das tempestades.

Ribal Esteves não quantifica, mas diz que o número é surpreendente.

Estamos a constatar que há um número que nos surpreende de cidadãos que falseia declarações pra tentar ter acesso a um benefício do qual não têm direito. É isto que está a acontecer. Aquilo que nós decidimos na CCDR, e isto está, além do mais, bem articulado com Lisboa e Vale do Tejo e com o senhor ministro da Economia e da Coesão Territorial, é, no final deste processo, aquelas falsidades que entendamos que têm uma dimensão mais exagerada, vamos fazer um processo para o entregar ao Ministério Público.

Foi isso que anunciou no Parlamento o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Ribal Esteves explica que esta situação, estes pedidos fraudulentos, também acabam por condicionar a rapidez com que os processos são analisados e deferidos.

Nós, neste momento, vamos no centro com um bocadinho mais de 2200 candidaturas já pagas e 1600 indeferidas. Nos indeferimentos, há alguma fraude, há segunda habitação, também. Como sabeis, a decisão que está tomada é que é só para habitação permanente. E há uma lógica, também, de gente que não tem o direito. Estamos a fazer o nosso melhor e a deferir e a pagar o que tem de direito e o que não tem de direito é indeferido.

Durante esta audição, o presidente da CCDR explicou também que os 700 técnicos, engenheiros, anunciados pelo governo para darem uma ajuda na apreciação e na análise dos danos provocados pelo mau tempo, desses 700 técnicos, só 40 estão a trabalhar em permanência.

E a poucas horas da apresentação do PTRR, o Programa de Recuperação das Zonas Afetadas pelas Tempestades, o presidente da Câmara de Leiria pede rapidez na chegada dos apoios ao terreno.

Sim, o plano contempla medidas de curto, médio e longo prazo, vai estender-se para lá de 2030. O autarca de Leiria, Gonçalo Lopes, espera que haja bom senso na definição deste programa.

Há coisas que não podem esperar até 2035, só quem não está no terreno, só em teoria. Só teórico é que consegue imaginar. Nós, para recuperar as escolas onde temos contentores, precisamos de dinheiro amanhã. E esse sinal de rapidez, eficácia e inteligência tem que estar no documento, porque se não tiver no documento, ele não vai servir as zonas afetadas.

É isso que pede o autarca de Leiria, Gonçalo Lopes, neste dia em que se assinalam três meses da passagem da tempestade Cristina pela região Centro.

E por lá, por Leiria, andou esta manhã o jornalista João Gama, que nos traz agora diferentes relatos de quem sentiu na pele as consequências das tempestades.

E três meses depois, há queixas a fazer. A população não está satisfeita com a resposta que foi dada. João Gama.

Lamentos, queixas, pedidos de ajuda. A tempestade Cristina passou por Leiria há três meses e deixou um rasto de destruição. Destruição que tocou a todos.

Inimaginável, não. Foi horroroso. Só se ouvia barulho, tudo a bater, tudo a partir, tudo a cairTemos agora aqui à volta, todos sofremos, não houve ninguém que não sofresse.

Elídio Teodósio, nascido e criado na freguesia de Carvide. Hoje trabalha na paróquia, ajuda a preparar o dia de aulas que, hoje em dia, acontece na igreja por causa da depressão. A uma rua de distância, Virgínia Pequeno abre o café, um luxo, depois de meses fechado.

Olha, aqui não tive ajudas nenhumas. Tive fechada um mês. Esse tempo não tive luz para poder abrir. Primeiro não tinha luz nem água.

Os últimos clientes tinham sido os bombeiros no dia da depressão e o tema continua a ser o mesmo, até porque há muito que resolver.

Não se fala, porque ainda há bem pouco tempo, coisa de uma semana, ainda havia aqui gente sem internet nem televisão.

Em Carvide, a tempestade Kristen é um tema delicado, apesar das imagens de casas destruídas e árvores rachadas ao meio não deixar espaço para dúvidas. José Alberto bebe o café de um trago, espera que venha um dia melhor.

Não sei. Para que diga, não sei. Mas eu penso bem que sim. Eu penso que isto é capaz de se compor um bocado, mas vai demorar um tempo.

A poucos quilómetros, Manuel Ribeiro e Isabel Morais fazem fila no Mercado do Falcão, agora adaptado a armazém solidário. Pedem telhas e soluções a longo prazo.

A casa está coberta com plásticos, mas vou ter que mudar uma parte do telhado.

Até quando é que tem que trocar as telhas? Até o próximo inverno?

Até o próximo inverno, porque agora tem o plástico. Vou fazer aqui até o próximo inverno.

Estão mais de algumas quinhentas telhas arrancadas, mas já sei que os pobres não dão nada. Dizem que dão, mas sabe o que é que dão? Quando for um mês depois, já dá-te o papel para pagar o IMI.

Leiria, três meses depois da depressão Kristen.

Foi por lá que andou esta manhã o jornalista do Observador, João Gama, aqui com alguns relatos de quem desespera pelos apoios à recuperação de casas e outras infraestruturas danificadas pelo mau tempo.

Vamos ao desporto neste jornal da Uma. O Sporting joga amanhã contra o Tondela, uma partida em atraso. Na antevisão do encontro, o treinador dos Leões revela que as lesões ao longo da época estão a castigar a equipa leonina.

Certo, assim é. Foi o que disse Rui Borges. O Sporting recebe o Tondela amanhã a partir das 8:15 da noite. Como disseste, é um jogo em atraso, ainda que o Sporting ganhe, vai igualar o Benfica, sendo que as duas equipas em igualdade pontual, é o Benfica que está em vantagem, venceu no Estádio José Alvalade. O treinador da equipa verde-branca, Rui Borges, espera um Tondela audaz, principalmente por causa da chegada do novo treinador.

Digo uma equipa que está a precisar de pontos. Uma equipa que, apesar de tudo, com o seu novo treinador, tem sido uma equipa até bastante audaz naquilo que é a estratégia. É uma equipa que tem tentado ganhar mais algum protagonismo naquilo que é o jogo, uma equipa que pressiona bastante, alto até, em muitos momentos do jogo, que se expõe. Essa audácia também é de relevar. Por isso é uma equipa que vai dar a vida pelos pontos, mas nós também temos que dar, porque precisamos deles.

É isso que diz Rui Borges. As lesões têm marcado esta parte final da época do Sporting. O técnico leonino considera que não é normal o número de lesões e é algo que não se consegue controlar?

Normal não é, como é lógico. Agora, há coisas que nós não controlamos. Se me dissesse aqui: "Olha, tiveram 18 lesões musculares", aí tínhamos que repensar tudo aquilo que estamos a fazer e tudo aquilo que é feito em termos estruturais. Agora, não tem a ver com isso. Há coisas que nós não controlamos e nós tivemos muitas lesões que não controlamos, infelizmente. E prejudicou-nos em alguns momentos nesse sentido daquilo que era a gestão. E isso, por mais que eu seja positivo, e sou muito, e nunca me queixei, e não me estou a queixar, longe disso. Agora vamos pagar, como eu disse, a fatura em algum momento.

Rui Borges, treinador do Sporting, em antevisão da partida de amanhã com o Tondela. É no Estádio José Alvalade. A bola começa a rolar às 8:15 da noite.

E tem relato aqui na Rádio Observador. 1 hora e 10 minutos, Miguel, que outras notícias estão a marcar esta terça-feira?

Na Grécia, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas na sequência de disparos de um homem de 89 anos, armado com uma caçadeira. Aconteceu em Atenas, capital. O suspeito está em fuga. Abriu fogo numa repartição de Segurança Social, feriu um funcionário. Antes, atacou três pessoas num tribunal do centro de Atenas. O motivo do tiroteio ainda não é claro. A ERT News avança que o suspeito atirou envelopes com documentos para o chão. Depois dos disparos, as autoridades suspeitam que estes ficheiros possam estar na origem do crime. A BP viu os lucros disparar cinco vezes desde o início deste ano. Em comunicado à Bolsa de Valores de Londres, a petrolífera revela que registou ganhos de mais de 3 milhões de euros no primeiro trimestre, um aumento de quase 460% face ao mesmo período de 2025. É uma consequência da subida do preço do petróleo, que decorre da guerra no Médio Oriente.

Miguel Vilar e o Jornal da Uma.