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Notícias na Rádio Observador. Jornal das Duas com Vanessa Cruz. Vanessa, os Estados Unidos avisam o Irão de que deve levar os ataques desta madrugada a sério, tal como mensagem passada por Donald Trump. Réplica lançada na última hora pelo secretário norte-americano da Defesa, numa conferência de imprensa. Pete Hegseth revela que o plano para atacar o Irão levou meses a ser preparado, sem o mundo saber, e diz que o armamento utilizado e o estilo da operação são a prova de um plano brilhante de Donald Trump.
Foi um ataque histórico, um ataque que incluiu a mais longa missão com o bombardeiro B-2 desde 2001 e o primeiro uso operacional do MOP, um dispositivo de penetração maciça de material bélico. A missão demonstrou ao mundo o nível das nossas Forças Armadas, da nossa aliança. Como afirmou o presidente Trump, os Estados Unidos não procuram a guerra. Mas deixe-me ser claro: agiremos de forma rápida e decisiva quando o nosso povo, os nossos parceiros ou os nossos interesses forem ameaçados. O Irão deve ouvir o presidente dos Estados Unidos e saber que ele fala sério com cada palavra que diz.
Pete Hegseth a dizer que os Estados Unidos não procuram a guerra, mas a avisar que os interesses do país e dos aliados vão ser protegidos a todo o custo. Entretanto, o secretário da Defesa norte-americana garante também que Israel não participou nos ataques norte-americanos ao Irão, nestes ataques de madrugada, mas que tem sido incrível assistir aos sucessos israelitas. É esta a expressão utilizada pelo secretário da Defesa de Donald Trump. Entretanto, falou também, Beatriz Félix, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos. Isso mesmo, Dan Cain diz que a operação desta madrugada, denominada Midnight Hammer, foi complexa e arriscada. Destaca que foi confidencial e que poucas pessoas em Washington souberam dos detalhes operacionais. O presidente iraniano reagiu na última hora aos ataques da última madrugada. Diz que é a prova da impotência de Israel e que os norte-americanos sempre estiveram informados sobre o que o regime de Benjamin Netanyahu se preparava para fazer. O presidente do Irão, Massoud Pezeshkian, promete uma resposta à altura. A China condena em absoluto os ataques dos Estados Unidos ao Irão e culpa Donald Trump por exacerbar as tensões no Médio Oriente. Pequim mostra-se pronto para trabalhar com a comunidade internacional para restaurar a paz e a estabilidade. E em França, o gabinete de Defesa vai reunir-se ainda hoje. Um encontro com caráter de urgência. O presidente Emmanuel Macron falou com vários líderes nas últimas horas, incluindo o príncipe herdeiro saudita. Entretanto, Beatriz, há também um balanço destes ataques dos Estados Unidos no Irão. Não provocaram vítimas mortais. A fonte é o líder do Crescente Vermelho iraniano, mas há vários feridos, de acordo com o que relata a imprensa iraniana. E nesta altura, a cidade iraniana portuária Bushehr está sob ataques israelitas. E as defesas antiaéreas do Irão foram ativadas em algumas regiões, sobretudo no leste de Teerão, a capital. É o que está a avançar a imprensa estatal iraniana, citada pela Sky News. Beatriz Félix, com o ponto de situação. Temos estado a acompanhar ao minuto no site do Observador as últimas sobre o conflito no Médio Oriente. E Beatriz Félix vai voltar ao longo desta tarde informativa, sendo que o Irão fecha a porta às negociações com os Estados Unidos. Em conferência de imprensa na Turquia, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros diz que neste momento não há espaço para diplomacia. Abbas Araqchi acusa os Estados Unidos de violarem de forma imperdoável o direito internacional.
É claro que a porta da democracia deve estar sempre aberta, mas esse não é agora o caso. O meu país está sob ataque, sob agressão, e temos de responder segundo o nosso direito legítimo de autodefesa. Faremos isso enquanto for preciso e necessário. Não foi o Irão, mas os Estados Unidos que traíram a diplomacia, traíram as negociações enquanto negociavam conosco. Deram luz verde aos israelitas, talvez mesmo tendo-os instruído para atacarem as instalações nucleares do Irão. Eles provaram que não são homens de democracia e que apenas percebem a linguagem da força e das ameaças.
E tal como o presidente iraniano, que já escutámos nesta edição, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão também garante que Teerão vai responder com todos os meios necessários.
Condenamos, nos termos mais fortes, a brutal agressão dos Estados Unidos contra as instalações pacíficas nucleares do Irão. É uma violação sem precedentes da Carta da ONU e da lei internacional. A administração em Washington, com sede de guerra, é a única responsável pelas implicações do seu ato agressivo. Apesar de o presidente Trump ter sido eleito para terminar as guerras eternas dos Estados Unidos, acabou por trair não só o Irão, mas enganou também os seus eleitores ao submeter-se aos interesses de um criminoso de guerra.
Amanhã o líder da diplomacia de Teerão vai encontrar-se com Vladimir Putin, o presidente da Rússia, em Moscovo, assegurando que a Rússia é amiga do Irão. E se o Irão fecha as portas à diplomacia nesta altura, em Portugal, o ministro português dos Negócios Estrangeiros teve uma madrugada de intensas consultas diplomáticas. O gabinete de Paulo Rangel dá essa informação numa nota à imprensa e indica que o ministro de Estado viaja hoje mesmo para Bruxelas, uma agenda em prol da máxima contenção e do retorno às negociações no Médio Oriente, depois desses ataques da última madrugada dos Estados Unidos em território iraniano. Este domingo participa Paulo Rangel no encontro dos países da União Europeia do Mediterrâneo. Amanhã integra a reunião informal de ministros e do Conselho de Negócios Estrangeiros. E o primeiro-ministro Luís Montenegro mostra-se preocupado com o risco de grave escalada. Na rede social X, o chefe de Governo escreve que o programa nuclear do Irão é uma séria ameaça à segurança mundial e, por isso, não pode prosseguir. André Ventura, líder do Chega, concorda, também na mesma rede social, escreve apenas que o Irão jamais deve ter armas nucleares. Pelo PCP, o eurodeputado João Oliveira, aqui na Rádio Observador, pede ao governo português para condenar Donald Trump e diz que os Estados Unidos são a maior ameaça à paz mundial.
Nós estamos a assistir a uma escalada da guerra por todo o mundo
Que não tem paralelo nas últimas décadas. E nesta circunstância, de facto, esta postura agressiva dos Estados Unidos, que vem de há vários anos a esta parte, de semear a guerra, de incentivar a guerra, de práticas de confrontação, de ingerência, de desrespeito pela soberania dos Estados, são a maior ameaça à paz mundial.
O eurodeputado do PCP apela que as Nações Unidas e outras instituições europeias repreendam estes ataques. Apelo feito também ao governo português, Vanessa. Sim, além de o PCP exigir explicações sobre a utilização da base das Lajes, na Ilha Terceira, nos Açores, lança ainda um desafio ao Executivo de Luís Montenegro condenar a agressão dos Estados Unidos ao Irão.
É evidente que nós exigimos ao governo um esclarecimento relativamente à utilização da base das Lajes pelas Forças Armadas norte-americanas, considerando que há notícias sobre a presença de aviões norte-americanos na Ilha Terceira, na região das Termas dos Açores. E não apenas a fazer este esclarecimento, mas desafiamos também o governo a condenar esta agressão dos Estados Unidos ao Irão, não apenas dos Estados Unidos, mas de Israel também, porque verdadeiramente esta é uma agressão que é absolutamente inaceitável e tem que ser condenada.
João Oliveira, eurodeputado do PCP, acusa ainda o governo de ter a agulha mal orientada no que diz respeito à atribuição de culpas na escalada de conflitos a nível mundial. No mesmo sentido, a reação esta manhã da coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, pede ao governo que se insurja contra o plano de Trump e do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para dominar o Médio Oriente. Insiste também que o governo deve impedir a utilização da base das Lajes pelos Estados Unidos, que estão nesta altura estacionados na Ilha Terceira, nos Açores, 12 aeronaves norte-americanas de reabastecimento aéreo. Notícia de fecho do Jornal das duas na Rádio Observador.