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Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal das duas, edição do jornalista Martim Madeira. Martim, o representante do governo espanhol em Ceuta diz que a entrada de milhares de migrantes vindos de Marrocos obrigou à criação de um centro de acolhimento e triagem.
Em conferência de imprensa, Miguel Pérez Triano afirma que foi necessário recorrer a medidas excepcionais para atender todas as pessoas que chegavam por mar e garantir a segurança da cidade. O representante diz que se procedeu à organização de um novo centro de acolhimento de migrantes para triagem e admissão em centros de estadia temporária.
Até àquele momento, estivemos a discutir as crises migratórias que enfrentamos e as medidas adotadas para lidar com elas. As medidas adotadas naquele período, que anunciamos justamente naquela quinta-feira, incluíram o aumento em nove pessoas do efetivo do Serviço Marítimo da Guarda Civil. Além disso, iniciaram-se os preparativos para um centro temporário de acolhimento e triagem. Trata-se de um novo tipo de instalação introduzido pelo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, que é concebido como o local onde a Polícia Nacional pode manter migrantes para realizar a triagem, antes que eles passem por trâmites posteriores ou sejam admitidos em um centro de estada temporária.
Miguel Pérez Triano diz ainda que o que aconteceu foi uma clara violação da integridade territorial de Ceuta e que está em permanente contato com o governo espanhol na resposta à crise migratória. Entretanto, foi revisto em alta o número de mortes na sequência desta crise. São agora 72 vítimas mortais.
Martim, a equipe de reportagem do Observador dá conta de um reforço policial em Ceuta.
Com carros de combate junto a supermercados e outros espalhados por toda a cidade, é o que nos conta a Inês André Figueiredo, enviada especial do Observador a Ceuta. Diz ainda que há menos migrantes nas ruas, mas que os que se mantêm pela cidade têm o objetivo de não regressar.
Neste momento, a realidade pressupõe tanques do exército espanhol nas ruas, polícia por todo lado. Estes tanques estão à porta dos supermercados e as pessoas de Ceuta com quem temos falado têm mostrado que só assim se conseguem sentir seguras. Esses tanques estão aqui para dar essa sensação de segurança, mas o trabalho do exército espanhol está longe de ter terminado. Agora que a situação na praia, na fronteira entre Espanha e Marrocos está muito mais calma, depois de ter sido colocada boia com cerca de 500 metros para complicar a chegada dos migrantes, por assim dizer, a verdade é que o exército está espalhado por toda a parte e o que se está a fazer é tentar encaminhar os migrantes que ainda estão na cidade para o passadiço que leva a essa fronteira para que regressem a Marrocos. O número de pessoas que passam nesse corredor tem vindo a diminuir significativamente, porque neste momento, quem está em Ceuta vai jurando que está para ficar e que fará tudo para conseguir uma passagem para o território europeu. Os centros de alojamento temporário estão completamente cheios e à porta destes centros há centenas de pessoas à espera de uma vaga.
Reportagem da Inês André Figueiredo, a partir de Ceuta, a dar conta da situação na cidade.
E na terça-feira vai decorrer um conselho da União Europeia de Ministros do Interior.
Vários estados membros têm tido reações divergentes entre pedidos para um maior controle das fronteiras e a suspensão dos acordos do espaço Schengen. Na análise, o tenente general Marcos Serronha considera que alguns dos governos que tiveram uma reação brusca, tendo em conta que Ceuta não faz parte desse espaço.
Há uma polarização de posições, neste caso, da imigração. Os países que têm mais preocupações com a questão do tratamento político do fenômeno das migrações, tiveram uma reação relativamente um pouco mais brusca do que aquilo que era necessário. Para já, é preciso também pôr a questão em contexto. Ceuta não faz parte do espaço Schengen. Quer dizer, o que alguns países disseram parece que tinha havido uma invasão do espaço Schengen, o que não é verdade. É a questão mais sensível da segurança, é uma questão mais dos países, embora há sítios onde tem que haver coordenação entre os países, que é o caso, por exemplo, de nós, Portugal e Espanha. Naturalmente, temos uma fronteira contígua da União Europeia, que tem que ser tratada de forma articulada.
O tenente general Marcos Serronha na análise à crise migratória em Ceuta, no gabinete de guerra desta manhã.
Entretanto, o Papa diz estar atento ao que considera ser uma situação alarmante.
Leão XIV deixa uma oração a todos os que estão envolvidos nesta crise migratória em Ceuta, no Vaticano. O líder da Igreja Católica pede soluções para os problemas e assegura que Ceuta precisa de paz, estabilidade e justiça.
Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Peço a Deus, por intercessão do Nosso Senhor de África, que se possam encontrar soluções de paz, estabilidade e justiça. Continuemos a pregar pela paz, porque no mundo existe uma guerra. Temos de encontrar soluções diplomáticas para os conflitos. Recordemos todas as vítimas das hostilidades, sobretudo as mais fracas e indefesas: crianças, idosos e doentes.
O Papa Leão XIV, no Vaticano, a garantir que a Igreja está atenta a esta situação em Ceuta.
E viajamos agora até ao Médio Oriente. Donald Trump diz que cancelou o ataque previsto contra o Irã por estar perto de fechar um acordo.
O presidente norte-americano afirma que estava pronto para atacar o Irã com um terror e uma força militar que não eram vistas desde a Segunda Guerra Mundial, mas explica que aceitou travar a ofensiva a pedido do Irã e de outros países do Médio Oriente, após terem sido alcançadas bases para um novo acordo. É o que escreve Donald Trump numa publicação na rede social Truth Social.
E na atualidade nacional, o governo lançou os primeiros avisos de financiamento no âmbito do Fundo para a Mobilidade e Transportes.
Dos dois milhões de euros previstos, a logística urbana fica com quase um milhão, mas também estão incluídas as áreas da mobilidade escolar e descarbonização do setor do táxi. A informação é avançada esta manhã através de um comunicado do Ministério das Infraestruturas e Habitação. O governo explica que o apoio visa promover soluções inovadoras para uma logística urbana mais eficiente.
E ainda os incêndios em curso no distrito de Vila Real entraram em fase de resolução.
Aquele que continua a concentrar mais operacionais é o incêndio em Valpaços. À Lusa, a Proteção Civil adianta que o incêndio sofreu reincêndios fortes durante a noite. Garante, no entanto, que foram combatidos e que o incêndio se encontra controlado. O comandante afirma ainda que os operacionais e os meios vão continuar no terreno para que as chamas não voltem a sair do controle. O incêndio em Valpaços tem, neste momento, mais de 700 operacionais no terreno, apoiados por 240 viaturas e três meios aéreos. A Proteção Civil explica que o incêndio está controlado, mas ainda não foi extinto.
E sobre incêndios, mas lá fora, a cidade de Washington declarou estado de emergência devido aos incêndios florestais.
O governador do Estado, Bob Ferguson, avisa que os ventos fortes e a seca histórica estão a provocar condições perigosas. Segundo o gabinete do governador, este é o quarto ano consecutivo de seca na cidade de Washington, algo inédito no estado. Neste momento, contabilizam-se 12 grandes incêndios e mais de 80 mil hectares em chamas.
E é assim que fechamos o Jornal das duas, edição do jornalista Martim Madeira. Está de regresso às 14h30. Até já.
Até já.
E nesta hora temos: E o Resto é História.