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Jornal das Duas com José Rafael Lopes e começamos pela divulgação das colocações do ensino superior. Foram conhecidas um dia mais cedo do que era suposto e vai trazer desafios para a habitação no próximo mês.
Com as colocações conhecidas, milhares de alunos vão agora entrar num processo de procura de casa para frequentarem o ensino superior, um pouco por todo o país. No Porto, o presidente da Câmara lembra já hoje essa questão. Pedro Duarte sublinha que há uma certa preferência dada pelos alunos às universidades da cidade do Porto. Na Feira do Livro, Pedro Duarte também voltou a falar sobre segurança, deixou rasgados elogios às instituições de ensino superior da cidade, mas apontou, Miguel Pinheiro Correia, agora em direto, esse problema ligado à habitação.
Exatamente, José. O presidente da Câmara do Porto discursou aqui na Feira do Livro, onde esteve ao lado de Inês Lourenço, a poeta homenageada na edição deste ano da feira e que foi muito elogiada por Pedro Duarte, que destacou a Feira do Livro como sendo um grande evento de redobrada importância para a cidade e aproveitando, claro está, a presença neste palco de conhecimento e de saber, falou aos jornalistas sobre precisamente os resultados de acesso ao ensino superior. Enalteceu aqui, como dizias, o trabalho feito pelas universidades da cidade, que têm tido, e tiveram também neste ano, presença repetida entre os cursos com nota de entrada mais alta, mais elevada. E para o presidente da Câmara do Porto, há desafios que nascem desta condição. E esta preferência traz aqui pelo menos dois desafios. Por um lado, é preciso criar condições para que estes estudantes queiram continuar na cidade depois de concluírem os estudos e, por outro lado, vamos ouvir agora Pedro Duarte a referir que é preciso dar habitação mais acessível a todos os estudantes.
Nós temos muitos estudantes deslocados que vêm para o Porto e a oferta de habitação ainda não é suficiente. É evidente que tem crescido bastante a oferta de residências universitárias, mas aquelas que são de natureza privada estão a preços, de facto, muito difíceis de ser comportados por parte da generalidade das famílias.
Pedro Duarte aqui a falar sobre estes problemas de habitação, habitação cara para estes estudantes que agora procuram a cidade para viver e também para estudar. E também aqui, na Feira do Livro, o presidente da Câmara do Porto falou sobre outro tema que lhe tem merecido um comentário regular nos últimos tempos, a questão da segurança. E aqui, como também vamos ouvir, pediu uma resposta dura para combater os focos de violência que se têm notado, sobretudo durante a noite.
Nós temos de matar esse problema à origem. Portanto, quando começamos a ter pequenos focos ou os primeiros focos de instabilidade e de violência, nós temos de rapidamente responder. E temos de mostrar que quem manda na cidade não são os delinquentes, quem manda na cidade são as autoridades e é o Estado, para precisamente podermos proteger os cidadãos.
Aqui os comentários ou os novos comentários de Pedro Duarte sobre a questão da segurança, as preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara do Porto, que no discurso aqui na Feira do Livro falou sobre o acesso ao ensino superior e sobre essa importância de procurar soluções para todos os estudantes que agora procuram a cidade do Porto.
A reportagem do Miguel Pinheiro Correia a partir da Feira do Livro no Porto, onde esteve o presidente da Câmara Municipal a dar conta desses problemas na habitação que podem estar no horizonte e também na questão da segurança. São declarações que vamos continuar a acompanhar ao longo desta tarde.
E quase 50 mil estudantes foram colocados na primeira fase do ensino superior. Ainda sobram vagas, José, mas mais de metade dos candidatos conseguiu entrar na primeira opção que escolheu.
E quase 85% dos candidatos foram admitidos numa das primeiras três opções. Os dados foram conhecidos hoje, um dia antes do previsto, depois de uma fuga de informação na última noite. Ainda assim, os resultados não foram entregues aos reitores. É o que revela o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Na Rádio Observador, Luís Loures diz que não lamenta a divulgação dos colocados, mas sublinha que há um problema, uma vez que os resultados dos colocados ainda não foram enviados pela tutela aos estabelecimentos de ensino superior.
O lamento não é que saiba antes. O que eu acho que não é tolerável é, tanto eu como o presidente do CRUP, começarmos a ser contactados pela comunicação social para reagirmos a resultados que não conhecíamos. Obviamente, a tutela tem todo o direito de fazer a comunicação mais cedo. Eu acho é que também a devia ter feito aos reitores das instituições de ensino superior públicas, que são uns dos principais interessados em que o processo corra bem. Posso lhe dizer que aquilo que é o ficheiro de vagas que está a circular, não recebemos oficialmente.
Luís Loures, na Rádio Observador, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos admite que este ano a diminuição de provas de acesso pode ter permitido um aumento de candidatos ao ensino superior.
Posição semelhante tem o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, que admite que a diminuição de provas necessárias pode ser uma razão para o aumento de candidatos.
Luís Ferreira explica que este ano as instituições de ensino superior pediram apenas uma prova de ingresso como requisito mínimo, tal como era permitido há dois anos. O ano passado eram pedidas pelo menos duas provas de ingresso para o ensino superior e, portanto, esta redução das provas pode explicar o aumento do número de candidatos. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas explica também que as revisões das notas pode ter levado a este aumento.
Talvez devido ao número muito elevado de reapreciações de notas, como nós sabemos, foram muito superiores àquilo que é costume. Tivemos mais de 20 mil reapreciações, sabendo que mais de 70% dessas reapreciações conduziram a notas mais elevadas do que tinham anteriormente e, portanto, provavelmente também terá tido alguma influência nisso.
Luís Ferreira, presidente do Conselho de Reitores das Universidades, no dia em que foram divulgadas as colocações para o ensino superior, mais de metade dos alunos entrou na primeira opção que escolheu.
A Federação Académica do Porto considera que o aumento no número de colocados vai aumentar a responsabilidade das instituições.
O presidente da Federação, Francisco Porto Fernandes, pede atenção acrescida para que seja garantida equidade entre todos os estudantes.
Temos um recorde absoluto de entradas no ensino superior. É algo que é muito positivo. Apesar do caos nos exames nacionais, o acesso ao ensino superior funcionou. Mas este sucesso é também uma responsabilidade acrescida, uma responsabilidade que o ensino superior tenha de ser verdadeiramente o elevador social que o país precisa e que os estudantes portugueses tenham condições de equidade, que sabemos que devido à crise do alojamento, muitas das vezes não acontece.
Francisco Porto Fernandes, da Federação Académica do Porto. Declarações na Rádio Observador depois da colocação. Milhares de alunos vão agora ter de mudar de cidade ao longo do próximo mês. O presidente da Federação Académica do Porto critica a falta de investimento do Estado na habitação estudantil.
O economista António Nogueira Leite considera que o governo não deve ir além dos ajustes que tem feito semanalmente no ISP para controlar a subida do preço dos combustíveis.
O governo anunciou ontem que vai aumentar o desconto no ISP na próxima semana, devido à nova subida dos preços da gasolina e do gasóleo, que está prevista para segunda-feira. Na Rádio Observador, António Nogueira Leite diz que, apesar da pressão externa para o fazer, o Executivo não deve tentar combater estas subidas mais do que tem feito até aqui, porque os efeitos, defende o economista, podem ser piores.
Acho que o governo não deve, em termos da política de combustíveis, eu sei que não é isso que as pessoas querem ouvir, mas o que deve ser não é necessariamente aquilo de que se gosta. E não me parece que deva dar nenhuma ajuda suplementar àquela que existe, porque não só há distorções, não só isso custa e pagamos uns para os outros, como depois, no futuro, isso pode nos pôr numa posição mais difícil.
António Nogueira Leite no Explicador da Rádio Observador, onde esteve também o especialista em mercados financeiros Filipe Garcia, que explica que a situação económica atual de Portugal está a ser mais penalizadora, especialmente para famílias com menos rendimentos.
A inflação costuma ser chamada de um imposto escondido, um imposto regressivo, porque acaba por afetar aqueles que têm menos rendimentos e isso é particularmente verdade no contexto atual. Quando vamos olhar para aquilo que mais tem subido este ano em termos de ritmo de crescimento de preço, ou seja, de inflação, vêm os transportes, a alimentação e tudo o que tem a ver com a habitação, nomeadamente gastos com eletricidade, água, gás, etc. E portanto, a situação acaba por ser mais penalizadora para essas famílias.
A análise do especialista em mercados financeiros Filipe Garcia a dar conta dessa situação penalizadora para as famílias.
A Ordem dos Advogados contestou a falta de canais dedicados na AIMA e exigiu o investimento numa plataforma online que ultrapasse os problemas de atendimento dos imigrantes.
Em comunicado, o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, criticou as filas extensas para os advogados, bem como a falta de informações regulares, de canais dedicados ou de procedimentos uniformizados que limitam os direitos de defesa dos imigrantes. É o balanço depois de uma visita a uma agência da AIMA nos Anjos, em Lisboa. Neste documento, João Massano revela que a Ordem dos Advogados levou a cabo uma recolha e sistematização das principais dificuldades e constrangimentos reportados pelos colegas no exercício das atividades profissionais. A Ordem dos Advogados diz ainda que faltam recursos humanos na AIMA e esse canal institucional permanente de articulação entre a Ordem dos Advogados e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo.
Estava Rafael Lopes com o Jornal das Duas.