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As notícias. Miguel, o Ministério Público já deduziu acusação contra o autor de um ataque com um coquetel molotov durante a Marcha pela Vida.

Nelson Vassalo é acusado de 10 crimes, entre eles infração terrorista, tentativa de homicídio, posse de arma proibida e incêndio. O Ministério Público considera que Nelson Vassalo agiu com a intenção de afetar seriamente os manifestantes, mas, sobretudo, agiu com a intenção de afetar o sentimento de segurança de todos aqueles que, não estando presentes na manifestação, defendessem ou viessem a defender aquelas convicções quanto ao aborto, à eutanásia e ao suicídio medicamente assistido. O Ministério Público acredita que houve, sim, uma motivação ideológica para o ataque. Nelson Vassalo está em prisão preventiva a aguardar o desfecho do processo. O Observador procura obter uma reação do advogado Ricardo Sá Fernandes à acusação agora conhecida.

O presidente da Câmara do Porto vê com bons olhos a abertura de um processo para apurar as circunstâncias da intervenção da PSP durante a manifestação pelo direito à habitação na cidade.

Ontem o autarca do Porto afirmou que a polícia foi forçada a intervir para travar os protestos. Há instantes, em declarações aos jornalistas, Pedro Duarte sublinhou que é preciso transparência e elogia, por isso, a iniciativa da Inspeção-Geral da Administração Interna, que decidiu avançar com uma averiguação à atuação dos agentes da PSP.

Tudo que seja esclarecer e investigar a bem da transparência e do escrutínio é muito favorável e parece-me muito importante que isso seja levado até às últimas circunstâncias. Acho que esse tipo de transparência é excelente. Todos nós vimos algumas imagens que foram gravadas por telemóveis, mas isso às vezes também são uma parte do que ali aconteceu e, portanto, é bom que seja tudo esclarecido a esse respeito.

É isso que diz o autarca da cidade invicta, que comentou também a forma como decorreu a manifestação da última noite. Considera que a forma tranquila que marcou o protesto é um sinal da democracia funcionar.

Eu saúdo muito a forma ordeira como ontem a manifestação decorreu. Decorreu dentro do quadro legal vigente e quando é assim, a democracia ganha. Nós temos que ouvir as pessoas, obviamente, e temos que encontrar respostas com as nossas políticas.

Declaração de Pedro Duarte ao início da tarde, captadas pela CNN Portugal.

Ora, o governo não vai mudar de estratégia por causa dos gritos nas ruas.

É essa a expressão usada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares numa referência às manifestações dos últimos dias. No debate à Assembleia da República sobre o aumento do custo de vida pedido pelo PCP, Carlos Abreu Amorim afastou pressões sobre o governo à boleia dos protestos.

Este governo não vai ceder aos gritos que vêm da rua. Este governo resolve problemas com políticas públicas, com soluções sérias, com soluções construídas. Sim, com a estatística, senhor deputado. A estatística é importante, os dados são importantes, não são os slogans irrealistas. Nós resolvemos os problemas com os ingredientes da realidade e tentando sempre, e conseguindo resolvê-los dentro do espírito, repito, da moderação, do humanismo e da defesa do Estado de Direito.

Carlos Abreu Amorim acusou ainda o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, de fazer um apelo à insurreição, à semelhança do que acontece noutras cidades europeias. O Bloco pediu a defesa da honra para recusar e refutar a acusação e o deputado do PS João Torres garante que ninguém quer importar conflitos de outros locais. Mas as críticas sobre a atuação da PSP foram muitas por parte dos partidos à esquerda, com o PCP, que pediu o debate, a acusar o governo de responder aos problemas com força policial.

Como é que o governo torna a habitação mais acessível? Aumenta as rendas. Como é que garante que as pessoas tenham casa? Facilita os despejos. Como é que se responde à especulação imobiliária? Com borlas fiscais. Como é que se responde a quem reclama? À bastonada. É esta a vossa política, senhor Secretário de Estado.

É a acusação feita pela líder parlamentar do PCP, Paula Santos.

António José Seguro alerta que uma Europa em que tantos jovens não conseguem aceder a uma casa, arrisca-se a perder a confiança das novas gerações.

Na sessão plenária do encontro número 21 do grupo de Arraiolos, que decorre na Eslovénia, o presidente da República defende que há momentos na história em que as nações têm de decidir se querem ser conduzidas pelos acontecimentos ou se estão dispostas a fazer história. Seguro acredita que a Europa chegou a um desses momentos, numa altura em que em várias cidades europeias se multiplicam os protestos relativamente às dificuldades de acesso à habitação. O chefe de Estado admite que, perante esta realidade, a Europa tem que fazer escolhas e reitera que os cidadãos vão decidir livremente, pelo que cabe aos líderes europeus garantirem que encontram uma Europa capaz de responder às inquietações da população. António José Seguro terminou a intervenção com um apelo à coragem política, responsabilidade e ação.

Morreu Joaquim Letria. O antigo jornalista tinha 82 anos.

Notícia conhecida ao início da tarde. Joaquim Letria começou a carreira de jornalista em 1963, no Diário de Lisboa. Foi repórter internacional, comentador. Após o 25 de abril, regressou a Portugal para dirigir a RTP, sendo que José Rafael Lopes foi um dos moderadores daquele debate entre Álvaro Cunhal e Mário Soares em novembro de 1975.

Talvez um dos momentos mais icônicos da política portuguesa, Joaquim Letria moderou o debate ao lado de José Megra. Foram mais de três horas e meia da batalha política entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, um dos pontos altos dessa carreira, que começou na década de 60 e que teve uma mentira como base.

Foi dizer a um que o outro já tinha aceito e que se ele dissesse que não, ia dizer que Não havia porque ele tinha dito que não. Quando, no fundo, acabaram as leis para dizer que sim.

A mentira que deu origem a um dos mais importantes debates da vida política portuguesa. Joaquim Letria recorda ao Observador como ajudou a contar o Portugal da ditadura, da revolução e da democracia. Trabalhou nos jornais, nas agências internacionais, na televisão e na rádio. Foi repórter, entrevistador, apresentador e professor. O percurso ganhou dimensão internacional, trabalhou para a Associated Press. Mais tarde, mudou-se para Londres para trabalhar na BBC. Era lá que estava quando aconteceu o 25 de abril. A pedido da RTP, regressou a Portugal e em outubro de 1974 foi diretor-adjunto de informação da televisão portuguesa. Aí participou na maratona de 30 horas das eleições para a Assembleia Constituinte, onde, conta Joaquim Letria, valeu tudo para informar os portugueses.

Tive que levar injeções para baixar a febre com uísque. Ajudou-me bastante o uísque, devo lhe confessar. Não sei se não ajudou mais que as injeções. E café, foi como aguentei as 30 horas.

A carreira de Joaquim Letria não se limitou à informação televisiva. Participou na criação de projetos de imprensa, entre eles o Jornal e o Tal & Qual. Esteve também ligado à revista Sábado. Foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e exerceu funções de porta-voz do presidente da República Ramalho Eanes após a eleição presidencial. Após o final de carreira, entrou no mundo acadêmico no papel de professor. Durante mais de 20 anos, deu aulas no Porto, em Lisboa e em Aveiro.

Alguns marcos do percurso do jornalista e escritor Joaquim Letria, que morreu hoje aos 82 anos. Como o José Rafael Lopes aqui referia, Joaquim Letria foi um dos fundadores do Tal & Qual, tal como o jornalista Ramón Font, que está conosco neste jornal das 14h e a quem agradeço a disponibilidade. Bem-vindo, Ramón Font. Quem é este jornalista escritor que hoje se despediu de nós?

Boa tarde, muito obrigado por participar neste programa. Queria começar por dar os pêsames à família. Estou realmente chocado com essa notícia que vocês me deram. Joaquim era um jornalista diferente, um estilo sereno, pausado, pícaro. Deixava falar os entrevistados, assunto que mereceria hoje uma reflexão. O jornalismo português perdeu hoje um dos seus referentes fundamentais. Eu estive há pouco tempo na casa dele e lamento não ter voltado, porque senti que nos emocionamos juntos pensando e lembrando os episódios extraordinários que vivemos juntos na primeira metade da década de 80, quando eu fui porta-voz do presidente da República e o correspondente da Rádio Nacional de Espanha. Antes tivemos a sorte de passar a noite de Santo António de 1980 juntos e criar numa noite o Tal & Qual. Quinze dias depois da noite de Santo António, o jornal estava nas bancas, um prodígio de editores e jornalistas que deixaram marcas e hoje lembramo-nos com saudade.

Já que referimos, Joaquim Letria foi jornalista em rádio, televisão e também imprensa. Onde é que mais se destacou? Em que meio mais se destacou?

Eu acho que na televisão, na minha forma de ver. Aliás, o Tal & Qual nasce quando na noite de Santo António convida-me a entrar em Alfama para comunicar-me que a televisão, a RTP, iria deixar de emitir o programa 15 dias depois e eu sugeri-lhe que aproveitasse o prestígio profissional dele e a marca Tal & Qual para pôr nas bancas um produto com o mesmo nome. Eu acho que os programas de Joaquim Letria, sobretudo as entrevistas na RTP, deixam marcas e eu gostaria de lembrar a célebre entrevista a Álvaro Cunhal, quando, pela primeira vez, o secretário-geral do Partido Comunista Português reconheceu que ganhava todos os meses o salário mínimo nacional.

Ramón Font, obrigado pelo testemunho, por ter partilhado aqui este testemunho e pelas lembranças dos momentos que partilhou com Joaquim Letria, um príncipe do jornalismo, como também era conhecido, morreu hoje aos 82 anos.

Obrigado.

Miguel, seguimos com outras notícias em destaque a esta hora.

As propostas para limitar o acesso de estrangeiros não residentes ao SNS foram aprovadas pela AD e pelo Chega, tal como há dois anos, e diretor único para aprovar mecanismos de salvaguarda para o pagamento dos custos hospitalares dos cidadãos estrangeiros sem autorização de residência em Portugal. AD e o Chega dizem que é essencial combater o chamado turismo de saúde. Os restantes partidos votaram contra. As iniciativas foram, sim, aprovadas na generalidade. Vão agora ser discutidas na Comissão Parlamentar de Saúde, em sede de especialidade. Nova semana, nova mexida no preço dos combustíveis. Há previsões, o preço por litro de gasóleo deve subir €0,05, o preço por litro de gasolina desce €0,015. Valores avançados, previsões avançadas ao final da manhã pela Associação Nacional de Revendedores de Combustível.