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Rádio Observador. É o Jornal das Três, edição da jornalista Diana Rosa. Diana, António José Seguro pressiona as instituições europeias para flexibilizar os prazos de execução do PRR para apoiar a reconstrução das zonas afetadas pela depressão. Uma proposta que até o atual presidente da República considera necessária. O candidato à presidência, apoiado pelo PS, diz que é lamentável caso isso não aconteça. Em causa uma notícia do jornal Eco, que dava conta de uma fonte que diz que o mecanismo de recuperação em resiliência não pode e não vai ser prolongado. Para Seguro, a ser verdade, a posição da Comissão Europeia é inaceitável.

Se isso é verdade, essa posição da Comissão Europeia, é lamentável que tomem essa posição. Lamentável! Há um povo europeu a sofrer, com dificuldades. O que se pede é que alarguem o prazo e é a visão administrativa e burocrática que impera sobre a necessidade e a urgência de apoiar humanitariamente as pessoas? Eu acho que não vivemos no mundo certo. Alguém está errado, desse ponto de vista. Se é verdade, volto a dizer, se é verdade que a Comissão Europeia tem esta posição, é uma coisa inaceitável e inimaginável. Eu quero acreditar que não seja essa a posição, ou então, se é, que a Comissão Europeia reveja rapidamente essa posição.

António José Seguro propõe ainda o alargamento do prazo para o cumprimento de obrigações fiscais para as pessoas afetadas. A esta hora, fala o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, precisamente sobre esta tempestade e os efeitos que teve no centro do país. Vamos ouvir aqui a boleia da RTP.

Daquela intensidade. Depois Feira da Paz, menos grave do que Leiria, mas ainda uma cidade. Mas há outro Portugal. E outro Portugal foi atingido. Vila de Rei é um exemplo desse Portugal, que depois chegámos cá, ao longo do IC8, e a se ver como havia, de facto, marginando o IC8, os efeitos nos eucaliptos, nas ligações, nas comunicações telefónicas, daquilo que é esse outro Portugal. Aqui em Vila de Rei, estamos num Portugal diferente do Portugal urbano ou metropolitano, e o presidente explicou-nos como, tendo Vila de Rei 94 aldeias, 90% da eletricidade já está disponível, em pouco tempo. A água também, não é geral. As comunicações, isso é um problema. É isso que explica porque é que estamos aqui, porque aqui é possível haver comunicações, se for ali um pouquinho adiante, ao lado, já não há. Mas onde há problemas, a que se respondeu de forma muito solidária. A autarquia, trabalhadores da autarquia, voluntários, IPSS, enfim, tudo o que podia no populações, deu essa resposta muito imediata. É evidente, deu para ver que há, por exemplo, acabámos de vir aí uma empresa que os prejuízos calculados são assim, de repente, para as pessoas terem a noção do que isto é tudo somado. Meio milhão ou mais. Uma empresa com 20 e tal anos, 20 a 30 anos. Quem a fez está tão desfeito quanto uma parte da empresa. Os filhos são mais novos ou do tempo em que isso arrancou. Portanto, é uma vida. Isto acontece em muitos casos. Aqui aconteceu. E não foram os únicos prejuízos de grande monta que houve. E há gente que tem problemas com os telhados e há estruturas que naturalmente já foram objeto de intervenção. Isto para dizer o quê? E já não estou a falar, não muito longe daqui, prejuízos na agricultura, no olival, muito avultados. Isto explica como foi muito grave, foi muito extenso no território, foi muito intenso nos efeitos e como é um apelo a um esforço coletivo e solidário de todos.

Ouvimos aqui as declarações do presidente da República, que está em Vila de Rei. Vamos dar nota nos próximos espaços informativos dos destaques do que disse Marcelo Rebelo de Sousa, que afirma que há outro Portugal atingido fora das grandes cidades, fora dos centros urbanos. Afirma o presidente que o país tem de se preparar com antecipação. E em Leiria, enquanto Leiria recupera dos estragos dos últimos dias, o Conselho está a preparar-se para outros danos causados pelo mau tempo, que volta amanhã a agravar-se. Uma onda de solidariedade já a pensar na chuva que vai regressar e que pode danificar mais as habitações, que já têm os telhados partidos. No Pavilhão Municipal dos Poços está o jornalista João Lourenço. Muito boa tarde, João. Bem-vindo a esta edição das três. De que forma é que as pessoas estão aí a trabalhar para se precaverem para os próximos dias?

Através da distribuição de telhas e também de lonas, de forma a precaver os tetos de várias habitações que ficaram visivelmente afetadas por esta passagem da depressão Christine. É os primeiros sinais daquilo que tende ser esta recuperação depois de vários estragos, tanto queda de árvores, também arrebentamento de alguns muros, destruição de vários telhados. E por isso, ouvimos aqui Mónica Dias, uma das voluntárias aqui no Pavilhão Municipal de Poços, a dizer que, até ao momento Todos os bens doados, quer telhas, quer lonas, têm sido suficientes para precaver os próximos dias.

Sim, até agora temos estado sempre a dar. É claro que reduzido. Telha há menos. As lonas temos conseguido com mais facilidade.

Aqui Mónica Dias a explicar que desde manhã cedo se juntava aqui uma longa fila para tentar ter novos bens, bens para arranjar várias infraestruturas, acima de tudo, para precaver estes dias com bastante precipitação e durante a tarde deste sábado já começou a chover ligeiramente aqui na cidade de Leiria. Ora também estivemos à conversa com um popular que estava concretamente a tentar arranjar o telhado da própria casa, a dizer que, neste momento, ainda não chegou ajuda por parte das entidades competentes.

Não, não aparece aqui ninguém, só veio aqui ontem. Veio a polícia, porque há aqui um senhor que é cego e está sinalizado e veio aqui a polícia e vieram aqui os bombeiros. Vieram aqui os bombeiros pra ver se ele precisava de ajuda, algum tipo de ajuda.

Mas de resto?

De resto, não apareceu ninguém a perguntar. Todos os nossos vizinhos estão assim, é no que se vê.

Só mesmo conhecidos é que conseguem oferecer essa ajuda porque sabem da situação.

Entre aqui e vizinhos, nós temos todos prejuízo. Nós tentamos ajudar, tentamos ir à procura de telha pra uns, pra outros.

Uma entreajuda que se faz notar não só de vizinho pra vizinho, dentro de pequenas comunidades, até para um pavilhão municipal aqui em Pousos, a cerca de cinco, dez minutos do centro da cidade de Leiria. Leiria essa que continua a tentar sarar estas feridas desta tempestade, desta depressão Christine. E há pouco, durante uma pequena passagem que fizemos pela cidade, ainda se veem, por exemplo, vários postos de combustível, vários restaurantes e ainda bastantes zonas comerciais, minimercados, supermercados ainda encerrados, visto que, como já ouvimos ao início da tarde, cerca de 35% do Conselho apenas ainda tem essa rede elétrica. Nas próximas horas, prevê-se, neste caso, não só o finalizar destes ainda últimos trabalhos para precaver a chuva de amanhã, que pode ainda trazer mais transtornos à população desta zona centro.

A reportagem é do João Lourenço, assim é que é o nome de guerra do nosso jornalista da Rádio Observador, que está em reportagem na freguesia dos Posos, em Leiria.

E agora, nove minutos para lá das 15h, temos noticiário local.

E precisamente em Leiria, nove pessoas ficaram feridas numa intoxicação com monóxido de carbono numa habitação na Ortigosa. Os nove feridos, com idades entre os dois e 64 anos, foram transportados para os hospitais da Figueira da Foz e o Hospital Universitário de Coimbra, onde estão agora internados. A Proteção Civil indicou à Lusa que o alerta foi dado às 21h30. Foram mobilizadas sete viaturas com quase 20 operacionais para as operações de socorro. A depressão Christine obrigou ao encerramento do Convento de Cristo em Tomar. De acordo com a Museus e Monumentos de Portugal, o encerramento deve-se a danos patrimoniais e queda de árvores, por razões de segurança, obrigam à interdição dos espaços do monumento, não tem previsão de abertura. Em Almada, também o Convento dos Capuchos teve de ser fechado. O mau tempo da madrugada de quarta-feira provocou danos no edifício e nos jardins. A Câmara Municipal não dá previsão para a reabertura. A depressão Christine também se fez sentir em Sintra. Foram derrubadas mais de 140 árvores na serra. O Parque de Sintra mobilizou prontamente equipas de intervenção para dar inicial limpeza das estradas, que foram, entretanto, repostas as condições de segurança nas primeiras 24 horas depois da tempestade. De acordo com o levantamento, foi contabilizado um total de 149 árvores caídas nos parques de Sintra. A Câmara Municipal de Albergaria à Velha anuncia a instalação de 10 tanques de águas móveis. É uma iniciativa que tem como objetivo reforçar a ação da Proteção Civil e apoiar diretamente os bombeiros no combate aos incêndios florestais. Já estão definidas seis localizações para a primeira fase de implementação. A Universidade do Porto é uma das 100 melhores da Europa, de acordo com a edição europeia do ranking do ensino superior. A instituição ocupa o lugar número 100, o que representa uma subida de nove lugares face ao ano passado. A Universidade do Porto é a segunda instituição de ensino superior portuguesa melhor classificada, fica atrás da Universidade de Lisboa, que ocupa o lugar 81.

E é o ponto final no Jornal das 3, edição da jornalista Diana Rosa. Até já.

Até já.