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Miguel, vamos a essa subida no valor do gasóleo e da gasolina. Já se sabe qual é essa subida que vai ocorrer a partir de segunda-feira.

Sim, entre 7 e 8 cêntimos, tendo em conta o valor do desconto do ISP, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, anunciado pelo Ministério das Finanças esta sexta-feira. Sem este desconto, a subida seria de 10 a 11 cêntimos. O desconto anunciado pelo governo, aqui incluída não só a redução do ISP, mas também a consequente perda de receita do IVA, é de 3,3 cêntimos na gasolina, 1,8 no gasóleo.

O Ministro da Economia admite que o governo pode avançar com outro tipo de medidas, caso os combustíveis continuem a aumentar ao longo das próximas semanas.

Tornando-se, dessa forma, um problema estrutural para a economia portuguesa. Manuel Castro Almeida estabelece um prazo.

O governo está, todos os dias, a olhar com atenção para os preços dos diversos produtos, da gasolina e dos derivados do petróleo, e não só. Estamos sempre a ponderar e a preparar medidas que possam vir a ser tomadas, caso estas alterações tenham uma natureza estrutural. Se estas alterações perdurarem no tempo, se perdurarem por mais do que quatro, cinco semanas, transformam-se num problema estrutural que pode precisar de uma intervenção do Estado.

Declaração do Ministro da Economia à margem da cerimónia de assinatura do programa Crescer Turismo, no Porto.

A Confederação dos Agricultores Portugueses considera que não há tempo a perder. Pede uma ajuda imediata.

É o pedido feito pelo secretário-geral da CAP. É certo que o gasóleo verde, o gasóleo agrícola que se destina a máquinas agrícolas, florestais e aquícolas, tratores, por exemplo, já beneficia de uma redução de impostos, mas é preciso mais, diz Luís Mira, tendo em conta o impacto que o setor da agricultura já está a sentir.

As taxas e os impostos, neste momento, do gasóleo agrícola, 25% do preço de venda são impostos. Com a subida dos 20 cêntimos que resultou na semana passada, teve um impacto nesta semana de 1,13 milhão de euros. Há que criar aqui uma compensação que, pelo menos, não dê mais receita ao Estado. É, pelo menos, isso que se pede.

Luís Mira diz também que é inevitável. Os consumidores vão sentir o aumento dos custos de produção na agricultura.

Este aumento vai ter que se repetir no custo dos alimentos. Atenção que depois há o transporte, depois há a energia para a parte de processamento. Depois está tudo isto. Não é só a lavoura no campo, é todas as outras.

Luís Mira, o secretário-geral da Confederação dos Agricultores Portugueses. Não é o único setor que reclama medidas para amenizar as dificuldades que decorrem da subida do barril de Brent. É nosso convidado neste jornal das 15h, o presidente da Federação Portuguesa do Táxi. Bem-vindo, Carlos Silva. Começo desde já por lhe perguntar que tipo de apoios reclama para fazer face a esta subida do preço dos combustíveis, que está bom de ver, é sentido de forma muito particular pelo setor que representa.

Muito boa tarde, Miguel. Face a esta escalada de preços dos combustíveis, que está a colocar em risco a sobrevivência de milhares de profissionais e a continuidade do serviço público do táxi em muitas zonas do país, a federação defende três medidas imediatas. A primeira, a criação do gasóleo profissional do táxi, com reembolso parcial do ISP, à semelhança do que existe para outro tipo de transportes. Em segundo, um programa anual de apoio ao combustível para o táxi, via o Fundo Ambiental, com mantimentos por vitura alinhados com o esforço feito para os autocarros. Em terceiro, o reforço de apoios à descarbonização, com mais verbas para táxis de baixas emissões e pontos de carregamento dedicados.

Tendo em conta a dimensão dos aumentos, o setor não está a ter capacidade para acomodar esta subida ou ainda não estamos numa situação crítica?

Antes dos aumentos dos combustíveis, o setor do táxi está a viver uma situação crítica, não só por esta questão dos meses muito difíceis, de janeiro e fevereiro, ainda para mais com a questão das tempestades em fevereiro, que baixou muito a utilização do serviço, até pelas visitas de estrangeiros, mas estamos a viver uma forte, uma cerrada concorrência das plataformas de mobilidade que esmagam preços e que o táxi, que trabalha sempre com o preço regulado, não consegue competir. Juntando este coquetel todo à questão do combustível, torna-se uma situação insustentável e vamos assistir, com certeza, a muitas empresas terminarem a sua atividade se o Estado não intervir. O Estado tem que intervir e já utilizou mecanismos em 2021 e 2023, um apoio extraordinário ao táxi pelo modelo do Fundo Ambiental e tem que ir recuperado novamente.

É esse o apelo feito por Carlos Silva, presidente da Federação Portuguesa do Táxi, a quem agradeço a disponibilidade para ter estado conosco nesta edição das 15h.

O Tribunal da Relação de Lisboa chumbou o recurso de André Ventura e confirmou a ordem de retirada dos cartazes que visavam a comunidade cigana.

Em causa cartazes da candidatura presidencial do presidente do Chega com a inscrição "Os ciganos têm de cumprir a lei". O Tribunal Civil de Lisboa ordenou, numa primeira fase, a retirada dos cartazes. Ventura recorreu, alegou direito à liberdade de expressão política, mas agora a Relação de Lisboa vem confirmar a decisão inicial.

Há outra polémica a envolver o Chega. O Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa pede a intervenção da organização da feira de ensino Futurália. Considera que o stand do Chega está a promover uma retórica racista.

Neste stand é possível ler frases como: "Isto não é mesmo Bangladesh, mas parece" ou "Sorria, estamos a ser substituídos" numa referência à teoria da grande substituição. Nesta banca está também exibido o mapa de Portugal com a porcentagem de nascimentos de filhos de imigrantes nos diferentes distritos do país. O conteúdo destas mensagens levou o Instituto de Ciências Sociais a divugar um comunicado em que reconhece a legitimidade do Chega para participar na Futurália, mas que tal entende não signifique carta-branca para a divulgação de mensagens discriminatórias ou que promovam o racismo contra comunidades específicas. André Ventura reagiu no Parlamento.

Uma expressão lamentável por parte de instituições que deviam defender a liberdade, mas a Associação Académica de Coimbra é igual. Sei que na feira está havendo problemas com a direção da feira, que também não quer aqueles cartazes e aquela banca, tal como está lá dos jovens. Alguns de vocês já foram lá comigo, vejam a diferença de adesão à nossa banca, à nossa mensagem e às dos outros. É ver o entusiasmo dos mais jovens, dos menos jovens, a uma mensagem que aderem. Nem todos gostam. Não, mas a democracia é isso. Uns gostam, outros não gostam. Ao fim do dia vão pra casa e pensam. É assim, não é calar as pessoas, não é silenciar.

O que está em causa é a liberdade de expressão, defende André Ventura.

Já é conhecido o novo diretor do Museu do Aljube, depois da antiga deputada Rita Rato não ter sido reconduzida.

A escolha recai em Ana Paula Valente, antiga coordenadora do Gabinete de Estudos Olissiponenses e vogal do Museu Nacional Ferroviário. Em comunicado, a EGEAC, Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa, anuncia também que o atual diretor do Teatro Municipal São Luiz, Miguel Loureiro, vai acumular funções como diretor do Teatro do Bairro Alto.

Hoje é sexta-feira, está à porta mais um fim de semana. Miguel Videra, vamos olhar para algumas sugestões culturais.

Sim, temos peças de teatro, regresso de bandas icônicas, óperas e até DJ sets. O Ricardo Lopes reuniu alguns eventos culturais agendados para hoje e para o fim de semana.

Vamos primeiro abrir a cortina dos teatros. Nas estacas do palco do Teatro de Vila Real, estreia hoje a ópera "Amor de Perdição", para encerrar as comemorações do bicentenário de Camilo Castelo Branco. A peça foi encomendada pela CCDR Norte e quer responder à pergunta: afinal, quem decreta o amor? A música é da responsabilidade de Fernando Lapa, o libreto de Eduarda Freitas e a encenação é feita pelo Ângel Frágua. Estreia hoje às 21h30. Repete amanhã à mesma hora e domingo às 17h. Fazemos agora uma viagem de 95 km de Vila Real até à porta do Teatro Sá da Bandeira, no Porto, onde Albano Jerónimo vai revisitar "Veneno", uma peça que estreou há 10 anos, mas que o autor garante estar mais atual que nunca.

Quisemos, sim, trazer à superfície uma buça lida, uma violência que se normalizou e que nos deposita a nós, povo, pessoas, em ninharias onde nós sabemos o que é verdade, o não é.

O texto é de Cláudia Lucacheu. Albano Jerónimo dirige e apresenta-se sozinho em palco durante 1 hora e um quarto. "Veneno" tem sessão marcada para hoje e para amanhã no Sá da Bandeira e depois alastra-se pelo país.

No fundo, é devolvermos às pessoas aquilo que nos interessa, que é questionarem-se, interrogarem-se, reverem-se e, sobretudo, que tenham a coragem e a pertinência de mudar.

Do teatro, passamos para a música. Primeiro, com o regresso aos palcos dos Primitive Reason. O grupo de Cascais vai celebrar os 30 anos do lançamento do disco "Alternative Prison" na sala um do Lisboa Ao Vivo. Os três membros fundadores da banda não tocam juntos desde 1998. Foram dos conjuntos mais populares da música alternativa feita em Portugal nos anos 90 e regressam agora para matar saudades dos palcos. Por fim, também na capital, o espaço Oitomaravilha recebe hoje um concerto de Fatboy Slim, figura incontornável da música eletrônica. O produtor britânico é um ícone que marcou várias gerações pelas pistas de dança de todo o mundo e ainda há bilhetes para o ver hoje em Lisboa.

Aqui e agora, este fim de semana, as propostas culturais do jornalista Ricardo Lopes.

Vamos ainda às notícias de âmbito local, Miguel.

Começamos por Almada. A falta de médicos está a atrasar a abertura da urgência regional de obstetrícia e ginecologia na margem sul do rio Tejo. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tinha adiantado que o serviço iria entrar em funcionamento em breve. Agora, o Jornal Expresso e a direção executiva do SNS garante que a abertura não vai acontecer em março. Ontem, o Observador noticiou que apenas três dos sete médicos do Hospital do Barreiro aceitaram integrar o novo modelo centralizado em Almada, o que deverá obrigar ao recurso a médicos tarefeiros. Em Santarém, a CCDR Lisboa e Vale do Tejo já pagou €78 mil em apoios relacionados com a tempestade Cristina. Segundo o autarca João Teixeira Leite, o município recebeu 162 pedidos de apoio. Foram validados 158, num total que ascende a €350 mil. Atenção ao mar em Vila do Conde e na Póvoa de Varzim. A capitania do Porto emitiu um comunicado. Alerta para a intensificação da agitação marítima entre as 21h de hoje e as 18h deste sábado. Esperam-se ondas que podem atingir os 4 e os 5 m de altura. As barras dos dois concelhos vão permanecer abertas. Ainda assim, as autoridades apelam à cautela da população pela possibilidade de agravamento rápido da agitação marítima. Em Pombal, já foram limpos cerca de 500 km de estradas e caminhos florestais condicionados pelas tempestades. No concelho, o maltempo deixou um rastro de destruição com cerca de 7 milhões de árvores tombadas e quase 2500 km de estrada danificada. E este sábado, Aveiro inaugura a época nacional de ciclismo de estrada. A prova tem partida marcada para às 11h45 em Ílhavo, termina em Ovar. A chegada dos ciclistas à cidade está prevista para às 15h40.

Até já, Miguel.

Até já, Nelson.