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Jornal das três, na Rádio Observador, com o Luís Soares. Eu sou o Ricardo Conceição. Terminado o prazo para apresentar alterações à proposta do governo para criar a prestação social única, o Chega admite votar contra se os imigrantes que não descontem puderem aceder a este apoio.
O líder do Chega ameaça rejeitar a proposta de criação de uma prestação social única se o governo não aceitar condicionar o acesso a apoios para os imigrantes sem descontos.
O princípio é: quem vem para Portugal não deve receber subsídios antes de descontar. Este é o princípio um. E esse princípio para nós é mesmo importante. Isto tem que estar vertido na proposta de prestação social única.
Nas declarações de André Ventura, caso isso não aconteça, o líder do Chega ameaça votar contra a proposta do governo, sendo que na proposta que fizeram chegar hoje à Assembleia da República, o PSD e o CDS aumentam de um para dois anos o período mínimo de residência legal em território nacional para que quem venha de fora da União Europeia possa ter acesso a esta prestação. O partido liderado por André Ventura insiste no limite mínimo de cinco anos e ainda propõe que o direito a esta prestação tenha caráter temporário, não podendo ultrapassar os dois anos sem que tenha novo intervalo de um ano sem qualquer apoio.
À esquerda, o PS não elimina por completo a referência a trabalho social enquanto condição para receber este apoio do Estado.
O PS estabelece que o direito à PSU depende da disponibilidade para formação profissional, trabalho em emprego conveniente ou socialmente necessário, mas faz questão de referir que este trabalho deve ser adaptado às condições do beneficiário e do agregado familiar. Na proposta de alteração a que o Observador teve acesso, o PS propõe um regime semelhante ao que já existe para o rendimento social de inserção. A esquerda focou-se na retirada do canal de denúncias da proposta e num limite para o patrimônio mobiliário superior ao que o governo pretende implementar. O PS e o Livre propõem que os beneficiários possam ter o dobro daquilo que o Executivo pretende fixar na lei.
Em véspera de São João, os presidentes das Câmaras Municipais de Gaia e Porto juntaram-se para assinar um memorando para a construção de uma nova ponte no Rio Douro.
É uma ponte ainda sem nome, mas já com orçamento, deve custar cerca de vinte e cinco milhões de euros, estará pronta no fim de 2029, vai ser apenas pedonal e ciclável. O objetivo, diz o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, é promover a mobilidade suave.
Ao longo dos últimos anos, se não décadas, as palavras como sustentabilidade e tudo que anda à volta disso, foram se desgastando um pouco, foram usadas para quase tudo e para quase nada. Nós aqui estamos a dar um exemplo concreto de que estamos, de fato, a promover políticas também de sustentabilidade e que privilegiam a qualidade de vida das pessoas.
O senhor presidente da Câmara do Porto destaca este impacto na qualidade de vida com esta nova ponte. O autarca de Gaia, Luís Filipe Menezes, reconhece que uma nova infraestrutura pode também potenciar o turismo.
Também admito, atendendo à tal formatação que se está a apontar para o início do projeto, que ela possa ter características que, por si só, façam dela mais um motivo para o Porto ter uma visibilidade global, internacional, mundial superior.
Luís Filipe Menezes olha para o potencial turístico da nova ponte, que vai ficar 350 metros a jusante da ponte Luís, precisamente numa das zonas mais movimentadas das duas cidades.
E no Porto, hoje é noite de São João, com uma mistura entre futebol, seleção, sardinhas e martelinhos.
É, e junto ao Cais da Ribeira está o repórter Miguel Pinheiro Correia, onde já se prepara, Miguel, o menu para esta noite de São João.
Ainda faltam algumas horas para o cair da noite e também para o intensificar do movimento aqui na baixa do Porto. Nós estamos na Rua da Alfândega, bem perto do Rio Douro, entre o rio e o Mercado Ferreira Borges, onde já se sente e já se ouve o São João. Vemos pessoas a dançar, ouvimos a música nas colunas e vão-se ouvindo também alguns tímidos apitos dos martelos, este som bastante clássico da noite mais longa do ano e que, com o cair da noite, se intensificará. Apesar de ainda faltarem algumas horas para esta altura mais movimentada, nós estamos aqui com uma família que já está a preparar, enquanto dança, a banca para o São João. É verdade?
Sim, é verdade. Já estamos aqui desde às 07:30 da manhã. Ainda temos uma noite pela frente e vamos vender tudo, porque isto é noite do Porto.
E o que é que há aqui para vender para as pessoas que quiserem vir aqui?
Eu neste momento tenho pizzas, pão com chouriço, lanches, bife de bifanas, tenho cerveja, tenho Summer Beer, tenho tudo e tenho pau à disposição.
Estavas me a dizer que já chegaram aqui muito cedo. Como é que se aguenta uma noite destas?
Tem que ser. Isto é uma noite ao ano e a gente é a noite que mais ama, por isso é um amor à cidade. A mais longa do ano.
E para já, apesar de ainda faltarem algumas horas, já têm vendido bastantes coisas, têm visto mais turistas, pessoas de cá.
Sim, temos visto muito turista, nós temos muito turista, mas mais para frente vamos ter portugueses, porque os portugueses não perdem esta noite.
E conseguem ter tempo para, mesmo estando aqui a vender, ir dar um passinho de dança, festejar.
Tem que ser, isso faz parte. Falta o nosso presidente, chegar o nosso presidente, que vai parar aqui com o presidente da República, por isso ficam a saber. E vamos dançar também com o presidente da Câmara.
Aliás, antes de lhe perguntar, se já têm o balão preparado, o que é que venderiam, tanto ao presidente da Câmara como ao presidente da República?
O que eles quisessem. Eu acho que lhes vou dar uma pizza para eles irem até ao palácio, que vai-lhes faltar força para irem até ao palácio.
Muito bem. E o balão já está--
A aposta de hoje é que Portugal ganhe.
O balão já está preparado para lançar?
Já está preparado. Antes do fogo, às 11 vamos lançar os balões.
E aproveitando esta deixa aqui, hoje também há jogo de Portugal, ou seja, é uma noite para festejar a dobrar, esperemos. Alguma perspectiva também para esse jogo?
Tenho uma perspectiva, hoje vai ficar dois zero.
Muito bem. Terminamos aqui esta visão esperançosa, tanto para a noite de São João, como para o jogo de Portugal, que também trará à baixa muitas pessoas. Agora vão-se preparando, vão-se ultimando esses preparativos, vão-se vendendo. Vejo agora um pão com chouriço aos turistas, mas há neste momento muito movimento, que se intensificará nas próximas horas.
Naturalmente, Miguel Pinheiro Correia com estes preparativos para a noite mais longa do ano no Porto.
Luís, pizza na noite de São João? Eu estava à espera de sardinhas.
Outro menu.
Pizza. Bom, lá vamos, mas espero que haja sardinhas. Sardinhas sempre. Estamos a três horas do segundo jogo de Portugal no Mundial de Futebol, depois do empate frente à República Democrática do Congo. A Seleção Nacional defronta hoje o Uzbequistão.
Segunda jornada do grupo K, frente a uma seleção que ainda não pontuou na prova. Portugal não pode contar com o defesa central Tomás Araújo, mas vê Rúben Dias de regresso. A esta hora já muitos adeptos se dirigem para o estádio em Houston. Alguns portugueses organizaram mesmo uma caminhada que arranca por esta hora. O enviado especial do Observador, Miguel Cordeiro, está a acompanhar estes adeptos. Miguel, ainda será uma longa caminhada, necessariamente, até ao estádio, até à hora de ver o jogo de Portugal?
Sim, é uma caminhada que, na verdade, tem um ponto de encontro a cerca de 15 minutos do estádio. Não é uma caminhada muito longa, mas se bem se recordam, na semana passada, nas horas antes do jogo frente ao Congo, estivemos em diferentes entradas do estádio à procura de adeptos da Seleção Nacional. Foi fácil encontrar adeptos da seleção, mas foi difícil encontrar portugueses. Portanto, tentámos perceber onde se concentram os portugueses e encontrámos um ponto de encontro. Aliás, a própria Federação Portuguesa de Futebol partilhou nas suas redes sociais esta iniciativa de adeptos para juntar uma espécie de claque da seleção portuguesa. Ainda há minutos parei junto a este ponto de localização e vejo, de facto, muitos adeptos portugueses a caminharem para esse ponto de encontro para partirem depois para o estádio. Concentram-se ainda com algum tempo. O jogo só começa daqui a sensivelmente três horas e já há vários adeptos da seleção portuguesa que aqui se estão a juntar. Muito calor na região do Texas, em Houston. Apesar desse calor, recordar que o estádio é climatizado e que as temperaturas altas não vão afetar a prestação da equipa. Também muito trânsito nas imediações deste estádio. E há uma curiosidade: para trazer carro para o estádio, é difícil encontrar lugar de estacionamento. Os lugares de estacionamento disponíveis ficam todos um pouco distantes, porque é proibido estacionar nos parques de estacionamento dos estádios. Isso está proibido para este mundial, até porque os americanos têm a tradição de ficar a consumir bebidas e comida antes dos jogos nos parques de estacionamento, mas para o mundial isso foi proibido. E portanto, o que vemos quando estamos a tentar chegar ao estádio, são dezenas e dezenas de pessoas com placas a apontar para parques de estacionamento e essas placas já têm o preço e variam. Já vimos placas que dizem 30 dólares, até pode não parecer muito caro para passar o dia todo estacionado num parque de estacionamento, mas também já vimos placas que dizem, por exemplo, 100 dólares. Cem dólares para estacionar o carro para um jogo. Muitos diriam que esse valor até já é caro para um bilhete. Imaginemos então para um parque de estacionamento, que muitas vezes não é um parque de estacionamento, é apenas a garagem de uma casa. À minha frente, a cerca de 100 metros de onde me encontro, já escuto os tambores. Já vejo dezenas e dezenas de pessoas. Eu diria, à distância que me encontro, cerca de 300, 400 pessoas, portugueses, que se juntam para fazer a festa rumo ao NRG Stadium. Nem todos portugueses, naturalmente, conseguimos perceber isso também, mas é daqui que vai sair esta claque da Seleção Nacional rumo ao estádio. Vamos tentar falar aqui com algum adepto. Já algumas pessoas aqui junto a este ponto de encontro. Olá, muito boa tarde. Português? Português. Olá, emigrados, vieram para o Mundial?
Viemos para o Mundial.
Vieram de onde?
Nova Iorque.
Vieram de Nova Iorque, portanto, estão emigrados nos Estados Unidos. Qual é a sensação de estar aqui a ver a Seleção Nacional no país que escolheram para trabalhar e para viver?
É muito forte. É sempre bom ver a seleção aqui a jogar. A representar Portugal, que é o máximo.
O que espera para o jogo de hoje?
Um 4 x 0.
4 x 0 ou 4 x 1. 4 x 0? 4 x 1 ou 4 x 0. Por que 4 x 1? Não sei. Porque os outros também merecem um. Muito bem. E quem é que marca os gols?
A dividir, a dividir um bocadinho por todos. Cristiano Ronaldo, claro, temos que o apoiar porque ele merece. E Vitinha, João Félix, qualquer um.
O observador está a chegar agora a este ponto de encontro, já vemos aqui centenas de adeptos. Como é que está o ambiente por ali?
Muita confusão, mas ao mesmo tempo muito apaixonado.
Vamos já para o estádio, vamos já mais cedo.
Vamos já, vamos mais cedo um bocadinho. Para fugir um bocadinho da confusão, senão depois começa a ser demasiado perto.
Muito obrigado. Só obrigado. Vestem duas camisolas da Seleção Nacional. Vemos muitas camisolas de Portugal, também de alguns clubes de Portugal. Uma concentração que começa precisamente a esta hora. Ainda vão ficar aqui alguns minutos estes adeptos para depois rumarem em marcha lenta até ao NRG Stadium, onde Portugal joga hoje com o Uzbequistão.
E o Miguel Cordeiro vai também acompanhar esta caminhada rumo ao estádio. O jogo começa às 18h.
E não deixa de ser incrível, Luís, esta qualidade de som. Parece que o Miguel Cordeiro está aqui sentado ao nosso lado.
E não está.
Mas está muito longe, está em Houston, no Texas. E há outras notícias a marcar esta tarde.
Desde logo, um incêndio em Loulé que está a ganhar maior dimensão. Foram reforçados, e muito, os meios de combate na última hora, são mais de 250 operacionais, também 76 viaturas e oito meios aéreos neste incêndio que começou na localidade de Ameixial, Besteiros, em Loulé. A Estrada Nacional 2 está cortada nos dois sentidos por prevenção. Segundo fonte do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, o incêndio tem duas frentes ativas com bastante intensidade. O vento está a ser o principal inimigo dos bombeiros, com fortes rajadas a provocar projeções a longa distância. Assim que avança, nesta altura, que há casas que estão a ser ameaçadas pelas chamas e o incêndio já obrigou mesmo à evacuação de um lar de idosos. Estamos a tentar também, nesta altura, obter mais informações sobre este incêndio em Loulé. Na operação Marquês, José Sócrates manifestou interesse em voltar a depor em tribunal cerca de um ano depois de ter falado pela última vez em julgamento. O antigo primeiro-ministro poderá voltar a ser ouvido já em setembro, no início de mais uma sessão. A presidente do coletivo anunciou que José Sócrates apresentou um requerimento nesse sentido. E Ricardo, o que costumas fazer às meias que rompem, que ficam rotas, que rasgam? Acredito que as mandas fora, digo eu.
Sim.
Imagino o Ricardo com um daqueles ovos de madeira.
É isso, é que eu tinha um ovo de madeira, mas não sei dele. Já não consigo remendar meias. Tenho, acho que toda a gente tem, um cemitério de meias desmanadas.
Mas há quem rasgue as meias de propósito e isso é mesmo uma moda no futebol moderno.
É verdade. Explica-me lá o que aqueles tipos andam a fazer às meias, estão com as meias todas rasgadas.
Vários jogadores rasgam a parte de trás das meias, ali na zona dos gémeos. Fazem pequenos golpes, porque acreditam que esses golpes, esses furos nas meias, diminuem a pressão na zona dos gémeos, melhoram o fluxo sanguíneo e ajudam a prevenir cãibras ao longo dos 90 minutos de jogo.
Mas isso tem alguma base científica?
Aí é que está o problema, é que aparentemente não tem. Um médico de um clube da língua inglesa explicou ao jornal TalkSport que não há evidências concretas disso. O médico diz que é mais uma questão de conforto ou desconforto e há até um médico fisioterapeuta que nega por completo. Diz, aliás, que é exatamente ao contrário. A forma de reduzir medicamente a pressão nos gémeos é o oposto de fazer furos nas meias, é através do uso de meias de compressão.
Por isso é que eu corro sempre descalço, sem meias. Se alguém vir alguém a correr descalço aí pela rua afora, sou eu.