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E vamos às notícias na Rádio Observador, edição das 16h, com o Miguel Cordeiro. Está reaberto o Estreito de Ormuz.

Reaberto para todas as embarcações comerciais. Foi o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã que fez este anúncio numa publicação na rede social X. Abbas Araqchi escreve que, em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, o estreito de Ormuz fica aberto durante a trégua entre Israel e o Líbano. É uma trégua que foi anunciada ontem, depois de negociações com os Estados Unidos da América, dura 10 dias. Donald Trump já falou sobre esta reabertura. Na Truth Social, escreve uma mensagem de agradecimento. Essa mensagem foi publicada logo depois do anúncio de Teerão. O presidente norte-americano confirma também que mesmo com a reabertura do estreito de Ormuz, o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos da América ao Irã é para continuar.

E com esta reabertura surgem várias reações na Europa.

Desde logo, da presidente da Comissão Europeia. Von der Leyen afirmou numa publicação na rede social X que a restauração da liberdade total e permanente de navegação no estreito de Ormuz é uma prioridade partilhada por todos os líderes europeus. Adianta também que esteve presente na reunião desta manhã, na qual fez questão de reforçar o papel da União Europeia neste processo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, também falou aos jornalistas após uma reunião. Afirma que a estabilidade do Médio Oriente é do interesse de todos.

E Miguel, este anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz aconteceu ao mesmo tempo que, em Paris, decorria uma reunião organizada pelo presidente francês e pelo primeiro-ministro britânico sobre a navegação neste estreito.

Estava precisamente a falar desse encontro. Marcaram presença o chanceler alemão, a primeira-ministra italiana. São cerca de 40 países que participaram neste encontro ao mais alto nível, que teve a presidência do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e também de Emmanuel Macron, o presidente francês. No final desse encontro, Keir Starmer felicitou o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz, mas avisou que é preciso que esta reabertura seja duradoura. Sublinhou o consenso que existiu na reunião para uma solução duradoura nesse conflito do Médio Oriente.

"Todos nós concordamos e houve uma unanimidade no encontro que acabamos de ter. Queremos ver um regresso às negociações e um acordo duradouro, incluindo a reabertura do Estreito. Saudamos o anúncio feito durante a nossa reunião, mas precisamos garantir que isso seja algo duradouro e que seja possível de desenvolver. E isto vem reforçar a necessidade do trabalho que fizemos esta tarde."

Palavras de Keir Starmer. Também o presidente francês Emmanuel Macron felicitou a reabertura do Estreito de Ormuz. Diz que é uma decisão na direção certa. Na próxima semana, será a vez de Londres receber uma reunião sobre o Estreito de Ormuz.

E com o cessar-fogo em vigor no Líbano, Donald Trump deixa um aviso sério a Israel.

Mensagem de Trump para Israel: "Já chega, estão expressamente proibidos de bombardear o Líbano". É isto que escreve Donald Trump na Truth Social. O presidente norte-americano reitera que a situação do Líbano vai ser tratada de forma separada. Ainda assim, minutos antes desta publicação de Donald Trump, o primeiro-ministro israelita publicou uma mensagem de vídeo na página oficial do YouTube, em que reitera que ainda não eliminou o Hezbollah. Benjamin Netanyahu confirma que cedeu ao pedido de Donald Trump e que aceitou o acordo temporário de cessar-fogo no Líbano. Diz: "Estamos a dar a oportunidade de avançar com a solução combinada, política e militar, em conjunto com o governo libanês".

Donald Trump aproveitou também para voltar a criticar a NATO, Miguel.

Diz que os membros da aliança foram inúteis quando o presidente dos Estados Unidos da América mais precisou. E voltou também a comparar a NATO a um tigre de papel.

E já há impactos nos mercados a esta hora, Miguel?

Sim, o crude caiu cerca de 10%, por volta das 14h, às 14h, o preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em junho já caía 10,42% para os US$ 89. As bolsas de valores estão, neste momento, a subir.

Ainda antes deste anúncio da reabertura, o ministro dos Negócios Estrangeiros português reiterou que o cessar-fogo no Líbano facilita as negociações sobre o conflito entre Irã, Israel e também os Estados Unidos.

Paulo Rangel esteve esta manhã reunido com o homólogo libanês, Yusuf Ragi, em Beirute, e transmitiu uma mensagem de apoio e solidariedade do governo português. Em declarações à Agência Lusa, depois do encontro, Paulo Rangel explicou que o cessar-fogo no Líbano tem um duplo sentido.

Um, que é óbvio, é claramente pacificar, estabilizar a situação no Líbano e garantir que o governo tem o apoio internacional necessário para exercer as suas funções. E um segundo é o papel que este acordo tem nas negociações que estão a ser mediadas pela Paquistão entre os Estados Unidos e o Irã, porque evidentemente que havendo uma cessação das hostilidades no Líbano, também fica facilitada a negociação.

As palavras de Paulo Rangel, a visita do chefe da diplomacia portuguesa coincidiu com o início de uma trégua de 10 dias entre Israel e o Líbano e que foi anunciada ontem por Donald Trump, trégua que agora leva à reabertura do Estreito de Ormuz.

Em Lisboa, está em andamento a esta hora a manifestação convocada pela CGTP contra a reforma laboral.

Mais uma manifestação contra essa reforma que o governo quer fazer avançar. É um dia também de greve na administração pública. O protesto saiu do Saldanha, pouco depois das 14h30, prossegue em marcha lenta até à Assembleia da República. Em direto está a jornalista Teresa Freire, que está a acompanhar esta manifestação. Teresa, qual a dimensão deste protesto e em que zona da capital portuguesa segue nesta altura?

A dimensão é grande, estão aqui muitos manifestantes, milhares de manifestantes em representação dos vários sindicatos do país. Neste momento, a manifestação está na zona do Rato, portanto, já estamos mais perto da Assembleia da República do que estávamos há uma hora, quando estávamos a sair do Saldanha. Há pouco chegou Paulo Raimundo à manifestação, que cumprimentou a linha da frente, onde estava, por exemplo, Tiago Oliveira, o secretário-geral da CGTP, e Paulo Raimundo aproveitou depois para criticar o governo, em declarações aos jornalistas.

Há uma coisa que eu tenho a certeza: o governo está a enfrentar dificuldades que nunca pensou que viria a enfrentar. Foi assim com a greve geral, foi assim com as ações. E está aqui mais uma ação a criar dificuldades ao governo. Vai ter que assumir as responsabilidades, mas mesmo perante isto, se quiser avançar, vai ter que assumir todas as responsabilidades com as consequências que daí vão vir.

Também José Manuel Pureza, o coordenador do Bloco de Esquerda, está a marcar presença nesta manifestação. No início, disse aos jornalistas que esta manifestação é a prova da arrogância que o governo tem mantido na discussão do pacote laboral.

A reforma laboral não é do vosso agrado. Quer continuar?

O número de pessoas que vai hoje estar na rua em Lisboa é a prova provada da imensa arrogância por parte do governo, da imensa prepotência deste pacote laboral e da imensa vontade, da indomável vontade de derrotar o pacote laboral. Isso tem vindo a acrescendo na sociedade portuguesa. O governo está cada vez mais isolado e tudo isto que tem acontecido, têm sido manobras de desespero por parte do governo.

José Manuel Pureza, que também está a marcar presença nesta manifestação contra o pacote laboral. Estão a entoar cânticos onde criticam este pacote laboral. Também vemos muitos cartazes em que se diz que o custo de vida aumenta, mas a gente não aguenta. Não vamos desistir. Pedem que o pacote caia. Pedem paz, pão e também o direito à habitação. Os manifestantes continuam assim, a caminho da Assembleia da República, agora na zona do Rato.

Protesto em curso neste momento pelas ruas da capital portuguesa. Com a CGTP na rua, há também um novo encontro no Ministério do Trabalho, está a decorrer nesta altura. Governo, UGT e confederações patronais estão reunidos para discutir a proposta apresentada pela Central Sindical na segunda-feira, proposta relativa ao banco de horas e à jornada contínua. Ontem, a reunião de concertação social terminou sem acordo e com a UGT a dizer que um acordo ainda está longe e com os patrões a dizerem que é tempo de assumir responsabilidade de forma clara.

Quatro e nove, Miguel. Que outras notícias estão em destaque?

Já arrancou a primeira reunião do Conselho de Estado, chefiada por António José Seguro, já com nomes indicados pelo Presidente da República e pelo Parlamento, que tomaram posse antes do encontro, e também com Marcelo Rebelo de Sousa, que assume o lugar como ex-chefe de Estado. Entre as caras novas, há uma ausência: o investigador Miguel Bastos Araújo está fora do país, não tomou posse. Este primeiro encontro tem como tema a segurança e a defesa. No desporto, o Benfica está fora da Youth League, é a Liga dos Campeões de juniores, em futebol. Em Lausanne, na Suíça, os encarnados perderam frente ao Club Rouge por três a um. Fechamos com as emissões de gases com efeito estufa na União Europeia, caíram mais de 3% entre 2023 e 2024. De acordo com o comunicado da Agência Europeia do Ambiente, os valores agora anunciados elevam a redução total das emissões da União Europeia para 40% abaixo dos níveis de 1990. Os responsáveis da União Europeia explicam que a redução das emissões devem-se ao aumento das energias renováveis e à utilização de combustíveis fósseis menos intensivos em carbono. A Agência Europeia do Ambiente afirma também que quase todos os Estados-membros contribuíram para as reduções de emissões.