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Jornal das quatro, com Luís Soares. Começamos com o Mundial de Futebol. Estamos a duas horas do jogo de estreia da Seleção Portuguesa frente à República Democrática do Congo.

É o primeiro jogo do grupo K, jogo em Houston, nos Estados Unidos, no estádio NRG, que tem a capacidade para 69 mil espectadores e junto ao estádio já está o enviado especial do Observador, Miguel Cordeiro. Miguel, já com milhares de adeptos a encaminharem-se para o estádio.

Sim, são milhares e milhares de pessoas que se encaminham para o estádio sob forte chuva. Às vezes com mais intensidade, agora já acalmou um pouco, mas há pouco chovia torrencialmente junto ao NRG Stadium. É aqui que Portugal vai jogar frente à República Democrática do Congo. Portanto, difícil nesta altura encontrar abrigo, mas quase todos os adeptos preferem ir para o estádio e abrigar-se lá, até porque o estádio é coberto e é também difícil encontrar quem fale português. Há muitas camisolas de Portugal, há muitas bandeiras e cachecóis de Portugal, mas quando vamos falar com esses adeptos, ou são mexicanos ou são norte-americanos, quase todos. Estive largos minutos a tentar encontrar um português e finalmente consegui encontrar uma família de portugueses. António Pinto trabalha como mecânico há mais de três décadas nos Estados Unidos, vive em West Palm Beach, veio para Houston para ver o jogo. Qual é a sensação?

A sensação de ser português e ver a nossa equipe jogar é imensa.

Disse que conseguiu chegar aqui porque conseguiu bilhetes pela sua filha. Recorda-me o seu nome?

Brigitte Pinto.

Brigitte. Como é que foi comprar bilhetes? Foi fácil, não foi?

Foi fácil. Fiz com a page de ser fã da Seleção e fiz com o Larry.

Bilhetes para este jogo.

Bilhetes para mesmo este jogo.

Viajaram hoje para este encontro?

Ontem à noite. Eu vim de New Jersey, ele veio da Flórida.

Brigitte, é a primeira vez que vai ver um jogo da Seleção?

Não. Eu vi a Seleção jogar num friendly game lá em Lisboa, mas é a primeira vez a vê-los jogarem aqui na América.

Expectativas para este jogo.

Vamos ganhar. Quero o Ronaldo para ter um hat trick agora.

Tenho também comigo um adepto do Congo. Obrigado, Brigitte. Obrigado, António. Tenho também comigo um adepto do Congo. Estão, e tenho que dizer, em larga minoria. Eu diria, é possível encontrar um adepto congolês por cada 80 portugueses, ou melhor, um adepto com camisola do Congo por cada 80 com camisola de Portugal, para ser mais preciso. Eu vou fazer isto em inglês, vai ser um pouco rápido. Gee, you came from Congo for this game. What are your expectations?

I expected, of course, we stayed 52 years without participating for FIFA World Cup. So we are so happy to be here today, to play this like a big stadium of FIFA, so we are so happy.

Está muito contente. Diz que está muito contente, não vinha a um mundial já há mais de 50 anos e diz que está muito contente com grande expectativa para este jogo. Let me ask you, how much have you paid for a ticket for this game?

It was 900.

900 euros foi o que pagou este adepto. Gee, what will be the result in this game?

I think we're gonna win. We're gonna win today. We are so prepared.

How much?

Huh?

How much?

Win? Two.

Two?

Yeah.

2 x 0 for Congo.

2 x 0 for Congo, but I give-

You want a goal from Ronaldo.

I'll give one for Portugal.

Thank you, Gee. Um adepto também do Congo a dizer que espera um resultado de 2 x 0, mas que até aceita um gol de Portugal. Aqui a expectativa dos adeptos das duas seleções que se vão defrontar já daqui a pouco no NRG Stadium. É daqui a sensivelmente duas horas. As entradas começaram muito cedo, as portas abrem mais de quatro horas antes da partida e os adeptos podem fazer longas filas, mas tudo corre com normalidade. São controlados à entrada e encaminhados depois para os lugares. Os preços são dinâmicos. Já encontrei pessoas que pagaram 200 dólares por um bilhete, já encontrei quem pagasse 1.500 dólares por um lugar neste encontro.

Miguel Cordeiro, aqui em direto, enviado especial do Observador, junto ao estádio em Houston, para acompanhar de perto esta partida entre Portugal e República Democrática do Congo, numa altura em que a seleção já está a entrar para o autocarro, vai daqui a pouco sair precisamente para a zona do estádio.

Como é hábito, Cristiano Ronaldo foi o último jogador a entrar no autocarro. Agora está a entrar a equipa técnica e da arbitração. Ora, já estivemos em direto a partir de Houston. Vamos para onde agora, Luís?

Vamos para Lisboa, porque este jogo naturalmente vai ser visto com muita atenção em todo o país, mas em Lisboa, no Terreiro do Paço, está o João Costa e Silva. João, se o Miguel Cordeiro falava em chuva em Houston, imagino que o calor se faça sentir, também com muita gente já a começar a juntar-se no Terreiro do Paço.

É isso mesmo, Luís. Eu cheguei por volta das 13h20 e estavam aqui poucas pessoas na altura, arrisco-me a dizer cerca de 20, 30 pessoas, e neste momento eu estou de costas para o palco e digo que já são cerca de três centenas as pessoas que estão aqui, adeptos de Portugal e não só, muitos estrangeiros também com camisolas de Ronaldo, prontos para assistir a esta partida. Eu tenho aqui comigo alguém que viajou desde muito longe, emigrante na Suíça, Maria João, muito boa tarde. Há quantas horas é que está aqui à espera para ver o jogo de Portugal?

Duas horas.

E por que veio aqui para a fanzone aqui no Terreiro do Paço?

Porque eu sou de Cascais, Vila, mas vim para aqui porque o ambiente vai ser muito melhor.

E trouxe, Maria João, para os nossos ouvintes que nos estão a ouvir neste momento, trouxe um banquinho, está bem equipada neste momento, bem instalada, tem uma bandeira consigo, o que é que traz mais na sua lancheira?

Na minha lancheira trago apenas água, porque eu não bebo álcool. Água, uma banana e mais nada.

Bem fresquinha. E quanto ao jogo de mais logo, que faltam menos de duas horas, expectativas para este primeiro jogo de Portugal neste mundial?

Ou empate

Vamos ganhar.

Estamos assim tão pouco otimistas?

Sabe que as equipas pequenas, às vezes ficamos parvos com como é que eles jogam, não é?

E se tivesse de apostar no resultado final, qual seria?

Final de hoje? Dois a zero.

Dois a zero para Portugal. Luís Soares, eu vou continuar por aqui a reunir mais testemunhos também de adeptos que estão aqui nesta fan zone, que começa a ficar composta. A minha dica: trazerem chapéu e virem cedo, porque está a ficar bastante composto. Água também é preciso, 31°C na cidade de Lisboa, portanto vai ser mesmo preciso isso.

João Costa e Silva, que está no Terreiro do Paço, em Lisboa. No Porto, os adeptos juntam-se, por exemplo, na Praça Dom João I, onde está o Miguel Pinheiro Correia. Também Miguel aí com os preparativos ainda para assistir à partida.

É verdade, Luís. A duas horas do início do jogo, estão aqui concentradas poucas dezenas de pessoas neste ecrã montado na Praça Dom João I, mesmo em frente ao Teatro Rivoli. As primeiras pessoas aproveitaram as escadas para se sentarem enquanto aguardam pelo início do jogo, pelo arranque, pela estreia de Portugal no Mundial. Há rulotes de bebidas, há comida e há também uma rulote da federação para quem quer comprar camisolas, bandeiras ou cachecóis, mas para já não vão faltando. Há muitas pessoas com adereços e por esse motivo não faltam para vir ver aqui o jogo. Eu estou com o Santiago, de um grupo de jovens que ainda estão a decidir se vão ver o jogo aqui ou não, têm passado por várias fan zones. Não sei se já têm a decisão tomada.

Olá, boa tarde. Estamos assim um bocado na dúvida. Há várias zonas muito fixes e que têm muita gente e nós estamos aqui um bocado divididos. Vamos ver com uns amigos ou com outros, mas havemos de decidir daqui a pouco tempo.

Até porque entretanto começa também o jogo. Aqui na Praça Dom João I faz bastante sol e não há muitas sombras. Pode ser algo a ter em conta na tomada de decisão. De qualquer das formas, querem ver este jogo e qual é a expectativa para Portugal, tanto neste jogo como no Mundial?

Acho que nós todos portugueses acreditamos na vitória hoje, como é óbvio, e na vitória do Mundial também. Hoje é entrar com o pé direito para fazermos uma campanha bonita e representarmos aquilo que é a nossa nação.

E não temem um dissabor como aconteceu, por exemplo, com Espanha frente a Cabo Verde?

Sim. Importante entrar com o pé direito, ganhar confiança para conseguirmos fazer uma boa caminhada e evitar entrar com o pé esquerdo.

E algum prognóstico para o resultado?

Eu diria dois, três a zero. Três a zero. É seguro.

A opinião aqui de Santiago, deste grupo de jovens adeptos, os poucos que também ainda se vão reunindo aqui na Praça Dom João I para assistir a este encontro, à estreia de Portugal no Mundial.

Miguel Pinheiro Correia no Porto, também com adeptos que vão acompanhar este jogo, numa altura em que já partiu a seleção portuguesa de futebol, já saiu do hotel e já vai em direção ao estádio em Houston, onde vai decorrer a partida às 18h, hora de Lisboa, frente à República Democrática do Congo.

Luís, estava aqui a olhar para o trânsito a esta hora. Ainda não está complicado de todo, mas já se começa a complicar. O Mundial de Futebol também não passou ao lado do debate quinzenal desta tarde no Parlamento, mas foram as alterações às leis laborais que acabaram por marcar a discussão.

Uma discussão que, de resto, ainda decorre a esta hora. A oposição e o governo foram trocando acusações sobre quem é capaz de ter mentalidade Ronaldo ou quem é que está a marcar autogolos. Mas na véspera do debate sobre o código laboral, Miguel Viterbo Dias, agora em direto, o primeiro-ministro deixou também um desafio aos deputados para que escolham entre a ambição e o imobilismo.

Sim, é um debate com muitas alegorias e ilustrações futebolísticas, campos inclinados, mentalidade e desempenho à Ronaldo, táticas mais ou menos comuns feitas por Roberto Martínez, com André Ventura a tentar trazer para o debate público as negociações que tem tido com Luís Montenegro em privado.

Além dos assuntos que estamos a tratar, desde a idade da reforma até ao fim das subvenções vitalícias dos políticos, que devem acabar de uma vez por todas, eu quero lhe perguntar se o governo está ou não disponível para corrigir coisas em áreas fundamentais. Cito: amamentação. Nós não podemos tirar direitos a quem amamenta. Se está disponível para valorizar quem trabalha por turnos. E eu refiro-me a isso especificamente porque muitos em Portugal, centenas de milhares, se não milhões, trabalham por turnos com prejuízo da sua vida pessoal e familiar.

E Luís Montenegro disse estar disponível para negociar, para alterar a proposta do governo, mas avisa que para isso é preciso que a iniciativa passe amanhã no Parlamento, seja pela viabilização através do voto, seja pela descida à especialidade.

Há disponibilidade para podermos afinar, consertar, enriquecer com contributos de todos os partidos a proposta que apresentámos. Agora, senhor deputado, há uma questão que é uma questão prévia. Nós só teremos oportunidade de fazer essa aproximação, esse diálogo e de sermos consequentes com ele se este instrumento for viabilizado na Assembleia da República.

O aviso de Luís Montenegro que é preciso primeiro a viabilização para que se possa fazer a discussão na especialidade. Já o PS colocou vários deputados a falar antes de José Luís Carneiro rematar com Cristiano Ronaldo.

Para quem prometia jogar a Ronaldo, senhor primeiro-ministro, eu espero que Ronaldo jogue melhor no Mundial, porque senão será mesmo uma desgraça.

José Luís Carneiro, depois de críticas do PS sobre a saúde, a habitação e os impostos sobre os combustíveis, com Luís Montenegro a dizer que o PS é que vai marcando na própria baliza.

A equipa continua a rodar e os gols na própria baliza também.

Luís Montenegro a fazer referência ao facto de José Luís Carneiro ter dado a palavra a três deputados antes de intervir neste debate quinzenal, que vai terminar dentro de poucos minutos. Fala agora Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, a acusar o PS de sonsice e hipocrisia, ao dizer que a prestação social única já tinha sido construída pelo governo de António Costa e agora o PS está a anunciar que vai votar contra.

A reportagem direta do Miguel Viterbo Dias, que está a acompanhar este debate quinzenal que está prestes a terminar no Parlamento.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 17 de junho.

Uma notícia dos últimos minutos: o Ministério Público arquivou o processo Monte Branco, um processo aberto há 15 anos. O Ministério Público anuncia essa decisão e destaca que a investigação permitiu ao Estado obter mais de 30 milhões de euros através de regularizações fiscais. No processo estavam em investigação crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais relacionados com um serviço informal de movimentações de fundos entre Portugal e o estrangeiro. A família de Odair Muniz vai recorrer da pena de três anos e meio suspensa por igual período aplicada ao agente da PSP que vitimou mortalmente com dois tiros o homem natural de Cabo Verde. O advogado da família diz que não percebe a pena aplicada a um crime desta natureza. Além da família de Odair Muniz, também o Ministério Público revelou que vai recorrer. O presidente norte-americano insiste que o memorando de entendimento com o Irão não é um acordo definitivo e deixa críticas e ameaças caso o país não cumpra o que é esperado. Antes de uma reunião bilateral com o presidente do Egito, Donald Trump assume que se não gostar, volta a lançar bombas sobre o Irão. E atenção, Ricardo, aos fãs do Mundial, porque a GNR está a deixar muitos alertas para burlas na venda de cromos e também de bilhetes.

Eu já tinha visto muita maluquice com cromos Panini, mas nunca como este ano.

É verdade. A GNR diz que há 13 mil domínios com alusão à FIFA que foram registados na internet este ano. Cerca de 8% têm características maliciosas ou suspeitas. Há também seis participações por burlas relacionadas com a aquisição de cromos do Mundial e, por isso, a GNR avisa para esse tipo de burlas ao phishing no e-mail, redes sociais, sites falsos, plataformas de streaming fraudulentas, fraude com criptomoedas. Enfim, é preciso ter muita atenção agora que Portugal também vai entrar em campo.

A ser, já não falta muito. 1h45 e daqui a 15 minutos o Luís Soares vai regressar para atualizar as notícias.