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Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal das Quatro, com a edição do jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, o estudo pedido pelo governo para aprofundar a sustentabilidade da Segurança Social conclui que os excedentes registados no sistema do setor ajudaram a criar uma ilusão sobre a saúde das contas públicas.

O grupo liderado pelo economista Jorge Bravo alerta que, nos últimos anos, têm sido registados excedentes no sistema da Segurança Social, o que poderia sugerir uma posição mais confortável. Leitura incorreta aos olhos dos autores deste novo relatório. Hoje foram apresentadas uma série de propostas para alterar o sistema das pensões, desde logo a correção do mecanismo de atualização das pensões, para que os pensionistas possam ter as reformas atualizadas, pelo menos à inflação. Há também a recomendação da criação de um regime de reforma parcial flexível, que permita harmonizar as regras e uma transição gradual entre a vida ativa e a reforma. Nestas medidas, está também a criação de uma garantia integrada para a velhice, para assegurar que o patamar mínimo é superior para quem contribuiu mais para o sistema. Há também propostas complementares apresentadas neste relatório, como é o caso da criação de planos de pensões profissionais de adesão automática e voluntária, também a criação de contas de poupança reforma para crianças e jovens, e ainda as recomendações apresentadas pelos economistas constam de um relatório de mais de 600 páginas, demorou cerca de ano e meio a ser feito. O relatório foi pedido pelo governo, mas a Ministra do Trabalho já veio rejeitar a possibilidade de se fazer uma reforma na Segurança Social ainda nesta legislatura. O economista que liderou o projeto pedido por Maria do Rosário Palma Ramalho reitera e garante que este estudo é independente.

E fazemos agora um ponto de situação dos incêndios em Portugal. Há três grandes a preocupar as autoridades. Vasco, os dispositivos de combate às chamas foram reforçados esta tarde face à subida das temperaturas.

São mais de 900 homens e mulheres no terreno. O incêndio de Torre de Moncorvo continua a concentrar o maior dispositivo. São, por esta hora, perto de 450 operacionais, apoiados por cerca de centena e meia de veículos e ainda quatro meios aéreos. Há, nesta altura, três frentes ativas, uma das quais a causar mais dificuldade aos bombeiros, mas a expectativa é de que o fogo seja dominado ainda hoje. É, de resto, o que adianta o segundo comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Norte, Luís Araújo.

Neste momento, temos meios a trabalho, estamos a progredir, com alguma dificuldade mais na de Vilarinho, que os acessos são muito difíceis, orografia complicadíssima, e temos todos os combatentes, bombeiros, os restantes agentes de proteção civil, a trabalho para que consigamos manter livre de reacendimentos e de reativações fortes e ao fim da noite poder dar o incêndio em resolução, se as condições assim se mantiverem.

Declarações do segundo comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Norte, Luís Araújo, à RTP.

E em Arouca, no distrito de Aveiro, o fogo segue também com três frentes ativas, sem dar tréguas.

O incêndio lavra em zonas de muito difícil acesso para os bombeiros. O comandante de Arouca, Sérgio Azevedo, admite que há aldeias no caminho das chamas, mas que, por agora, não estão em risco.

Propriamente ameaçada, não. Temos quatro aldeias, essencialmente na linha de fogo, nomeadamente Rio de Frades, Bouçegim, aldeia do Cando e aldeia de Pedrógão. São estas as quatro que estão mais próximas da linha de incêndio, embora ainda com alguma distância e todas já com meios em prevenção para qualquer ocorrência, para a proximidade do incêndio poderem rapidamente atuar na defesa das pessoas e dos seus bens nessas aldeias.

Declarações do comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca, Sérgio Azevedo, também à RTP. No combate a este incêndio, estão nesta altura quase 500 operacionais, mais de 100 veículos e ainda sete meios aéreos.

Já no Grande Porto, em Santo Tirso, continua ativo o fogo que começou ao final da tarde de ontem em Rebordões.

Já arderam 900 hectares. O comandante dos Bombeiros Voluntários Tirsenses, Vítor Pinto, fala de uma falsa sensação de calmia no terreno, marcada por várias reativações.

Mais ou menos 900 hectares de área, o que dá um perímetro muito extenso. E isto provoca muito desgaste dos meios e muitas reativações. Vivemos já desde o período da manhã, não temos uma frente de incêndio severa, mas temos pequenos pontos que vão reativando. Portanto, vivemos aqui numa falsa acalmia. Parece que o incêndio está muito dominado, mas não, porque a cada momento temos uma reativação. Portanto, não podemos descurar, estamos a consolidar para que durante o dia de hoje conseguiremos garantir aqui a consolidação.

O que diz Vítor Pinto, comandante dos Bombeiros Voluntários Tirsenses, também à RTP. No terreno, estão mais de duas centenas de operacionais, apoiados por cerca de 70 meios terrestres.

Cenário diferente em Ponte de Lima. Ao final da manhã, entraram em resolução os dois incêndios que atingiram este conselho do distrito de Viana do Castelo.

O primeiro a ser dominado foi o fogo em Couto, em Regojos do Lima, por volta das 11h. Ao meio-dia, também o fogo entre as localidades de Facha e Senhora da Rocha, ativo desde sábado, entrou em resolução. Em Ponte de Lima, ao todo, nestes dois incêndios, continuam cerca de 480 operacionais, apoiados nesta altura por um meio aéreo.

A Iniciativa Liberal quer ouvir o ministro das Finanças no Parlamento sobre a reentrada do Estado no capital da REN.

O partido entregou hoje um requerimento para que se realize uma audição parlamentar de Joaquim Miranda Sarmento O deputado liberal Mário Amorim Lopes levanta dúvidas sobre as razões apresentadas pelo primeiro-ministro para a entrada na REN.

Os motivos que foram avançados pelo senhor primeiro-ministro na Festa de Pontal não fazem qualquer sentido. Alegou que iria permitir baixar os preços da energia. Isto é falso e mesmo que tivesse um impacto, será absolutamente residual, que não será sentido pelas famílias portuguesas. Depois diz também que é para salvaguardar o interesse estratégico. Isto também é falso, porque a infraestrutura é pública, explorada por um operador privado, a REN, mas a infraestrutura é pública, foi feita uma concessão e, portanto, o Estado pode, e assim o faz, em cada momento decidir exatamente o que é que acontece a essa infraestrutura, através da entidade reguladora, através da tutela.

Mário Amorim Lopes alerta também que as experiências do Estado como acionista têm corrido mal.

As ações da REN já desvalorizaram, porque o mercado entende, e bem, que o Estado português geralmente acrescenta pouco valor. Pelo contrário, é capaz de destruir bastante valor das empresas das quais participa. Percebe-se então que isto não serve nada de substantivo. Serviu apenas para um anúncio na Festa do Pontal. E portanto, se o senhor primeiro-ministro foi incapaz de apresentar os motivos válidos para entrar no capital da REN, esperemos que o senhor ministro das Finanças seja capaz de o fazer. Daí queremos ouvi-lo no Parlamento.

Mário Amorim Lopes, deputado da Iniciativa Liberal, o partido quer questionar diretamente o ministro das Finanças no Parlamento e avança, por isso, com este requerimento para uma audição parlamentar.

Na atualidade internacional, arrancou hoje o julgamento que opõe 29 estados norte-americanos à Meta, a empresa-mãe do Facebook e do Instagram. A empresa de Mark Zuckerberg é acusada de saber que estava a criar funcionalidades viciantes para crianças e, ainda assim, continuar a produzi-las.

Falamos, por isso, de mais de metade dos estados norte-americanos envolvidos nesta acusação. O processo foi inicialmente apresentado em outubro de 2023. O julgamento arranca hoje no Tribunal Federal da Califórnia do Norte, com os estados do Colorado, Kentucky, Nova Jérsia e Califórnia na linha da frente da acusação. Querem provar que a Meta sabia que determinadas características do Instagram e do Facebook podiam prejudicar os jovens, mas que a empresa as manteve para aumentar o tempo de utilização e, por isso, também os lucros da empresa. Nos Estados Unidos, este está a ser descrito como um processo sem precedentes na área da proteção do consumidor, que se pode tornar na maior batalha judicial sobre os impactos prejudiciais das redes sociais. Ricardo Lopes.

São 233 páginas de acusação. Um dos procuradores-gerais envolvidos descreve como o maior processo de proteção do consumidor da história dos Estados Unidos. Os 29 estados acusam a Meta de ter concebido e aperfeiçoado funcionalidades capazes de prender a atenção das crianças durante muito tempo. Falamos de scroll infinito, notificações constantes, gostos, algoritmos de recomendação ou até filtros que permitem alterar a própria imagem. A acusação diz que a empresa conhecia os riscos associados, mas que se recusou a abandonar estas funcionalidades de modo a maximizar os ganhos financeiros. De acordo com o jornal britânico The Guardian, se a empresa perder o processo, as sanções podem atingir os 200 mil milhões de dólares, um valor semelhante às receitas da Meta durante todo o ano passado. Contas que Mark Zuckerberg contesta, diz que este valor é manifestamente desproporcional, acusa os estados de não estarem verdadeiramente preocupados com os jovens utilizadores. A Meta rejeita totalmente as acusações, diz que está a ser responsabilizada por problemas de toda a indústria. As sanções podem ir além do dinheiro. Os estados querem que a Meta seja também obrigada a alterar o funcionamento das plataformas para torná-las mais seguras para as crianças. Começam hoje as alegações iniciais e a apresentação do caso, um julgamento que deve prolongar-se durante seis a oito semanas e por onde deverão passar alguns dos principais rostos da empresa. Mark Zuckerberg, o presidente-executivo da Meta, e Adam Mosseri, responsável máximo pelo Instagram, estão entre as testemunhas. Os dois deverão depor em tribunal, embora ainda não sejam conhecidas as datas dos depoimentos.

Jornalista Ricardo Lopes a explicar o caso que vai opor em tribunal a Meta a 29 estados norte-americanos. Arranca hoje a fase de apresentação do processo. O julgamento vai contar com um júri de oito pessoas, cinco mulheres, três homens. A decisão final vai caber apenas a uma juíza, chama-se Yvonne González Rogers.

E agora são 16h10, que outras notícias há a destacar a esta hora?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou hoje uma imagem na rede social Truth Social, onde apresenta o Estreito de Ormuz como um novo território norte-americano. Publicação, que aparece sem qualquer legenda, surge dias depois de Donald Trump ter afirmado que iria em breve declarar esta via marítima como território dos Estados Unidos. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão já reagiu através de uma publicação na rede social X, onde classifica a sugestão do presidente norte-americano como uma ilusão que vai ser corrigida. Refere-se a Trump como um homem delirante. Bruxelas promete novas medidas para reforçar a resiliência climática na União Europeia. A Comissão Europeia diz que vai apresentar ainda este ano uma estratégia para preparar melhor o país para fenómenos extremos, depois de um verão marcado por ondas de calor, secas e incêndios. A proposta pretende dar resposta não só aos incêndios, mas também a áreas como o ambiente e a agricultura, é o que avança a porta-voz da Comissão Europeia. Em Granada, no sul de Espanha, três pessoas ficaram hoje ligeiramente feridas na sequência de um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter, informação avançada pelo responsável para as emergências da região da Andaluzia. O sismo ocorreu pelas 10h30 da manhã, 9h30 em Lisboa, com epicentro localizado a 10 km a sul de Granada. O responsável disse ainda que vai convocar o Comitê Consultivo do Plano de Emergência para Risco Sísmico assim que a situação for avaliada, para continuar a tomar medidas de precaução, autoproteção e prevenção.

E fica por aqui o Jornal das Quatro, edição do jornalista Vasco Maldonado Correia. Até já! Está de regresso às 16h30.

Até já!