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Jornal das 16h, com a edição do Miguel Videira. E Miguel, o Ministério Público abriu um inquérito à intervenção da PSP durante a manifestação na Praça Dom João I, no Porto, há cerca de uma semana.
Foi na madrugada de 15 de outubro. Os manifestantes pelo direito à habitação denunciaram, na altura, um uso excessivo de força por parte dos agentes. Deram conta de 37 feridos. Houve alguns manifestantes que necessitaram de receber tratamento hospitalar. Num esclarecimento prestado à Agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República dá conta que há um inquérito a decorrer sob segredo de justiça.
Aos pedidos de demissão do presidente do IHRU, vem o ministro Miguel Pinto Luz esclarecer que Benjamim Pereira está em plenitude de funções e que o esclarecimento prestado esta manhã é suficiente.
Depois de ontem o presidente do IHRU ter questionado a capacidade de sacrifício dos mais jovens face ao exemplo das gerações mais antigas. Lembrou, por exemplo, que houve quem tivesse de emigrar para conseguir ter uma casa. Já esta sexta-feira, Benjamim Pereira veio esclarecer em comunicado as afirmações que, admite, foram infelizes. Explica que não quis sugerir que as gerações mais novas deviam ter a mesma capacidade de sacrifício de gerações mais antigas, que deviam ser obrigados aos mesmos sacrifícios. Escreve também que em momento algum sugeriu que os jovens deviam emigrar face às dificuldades para encontrarem casa em Portugal. O ministro Miguel Pinto Luz, que ontem considerou as afirmações de Benjamim Pereira infelizes, diz agora que os esclarecimentos prestados pelo presidente do IHRU são suficientes.
Entendo que o presidente do IHRU retratou-se. Mais importante do que se retratar, pediu desculpa aos jovens e, insisto, aquilo que disse foi infeliz, não diminui a gravidade das suas afirmações, mas contextualizou-as. Eu sinalizei isso ao presidente do IHRU ontem à noite. Foi-me dada uma resposta que, para mim, foi suficiente.
Na sequência desta declaração, foi perguntado a Miguel Pinto Luz se o presidente do IHRU tem condições para se manter no cargo.
Está em plenitude de funções e o presidente do IHRU tem um mandato para concluir a obra que tem que concluir, que é urgente.
Foi o que disse esta tarde o ministro das Infraestruturas e Habitação, na Guarda, à margem da inauguração do Porto Seco.
A Iniciativa Liberal considera que as declarações do presidente do IHRU são infelizes, mas que a demissão de Benjamim Pereira não é solução.
O deputado Mário Amorim Lopes entende que a eventual demissão de Benjamim Pereira não vai resolver nenhum problema.
Nós, na Iniciativa Liberal, não queremos cabeças a rolar. Nós queremos gruas a funcionar. E, portanto, o problema do IHRU não é este presidente. O problema do IHRU vem de trás, vem de há muitos anos e nunca foi resolvido. Nós temos bairros, habitações sociais completamente degradadas que o IHRU não consegue manter. Temos projetos de construção, dois, três, quatro e cinco anos à espera que o IHRU avance com eles. O IHRU é um bom exemplo de um Estado que não funciona e que não é capaz de ajudar a resolver os problemas da habitação.
Problemas que não se resolvem com demissões. Entendimento diferente tem o Chega. O deputado Francisco Gomes pede a demissão de Benjamim Pereira, mas não só.
Todo este governo deve apresentar a sua demissão, porque este governo é completamente incompetente. O país precisa de respostas e nós estamos mesmíssimo. Que se vá ele, que se vá Montenegro, que vão todos os amigos do PSD, porque nós precisamos de uma nova página na política. E uma nova página não se escreve com os mesmos de sempre.
À esquerda, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, fala em declarações inaceitáveis tendo em conta as dificuldades com que se debatem as gerações mais novas.
Foram, de facto, inaceitáveis e revelam um profundo desprezo pela situação dos jovens no nosso país. Revelam uma insensibilidade relativamente àquilo que são as consequências das políticas que estão a ser seguidas pelo governo. Políticas que estão a agravar ainda mais as dificuldades no acesso à habitação.
As críticas às declarações do presidente do IHRU são partilhadas por Livre, Bloco de Esquerda, PAN e PS.
O ministro das Finanças alerta que as medidas para resolver a crise da habitação demoram tempo a fazer efeito, mas espera uma estabilização do mercado para breve.
Joaquim Miranda Sarmento esteve esta manhã a ser ouvido pelos deputados na Comissão de Orçamento e Finanças, momento que marca o arranque do debate na generalidade do orçamento. Quase seis horas de audição e Vasco Maldonado Correia, com os manifestantes na rua em protesto pelo direito à habitação. O tema acabou por se sobrepor à discussão orçamental. Miranda Sarmento veio ao Parlamento, mas bem podia ter sido Miguel Pinto Luz, com os deputados a exigirem mais medidas para combater a crise na habitação. O ministro das Finanças pede paciência.
Construir casas demora tempo, colocá-las no mercado demora tempo, mas nós já fizemos um número de medidas muito significativo nestes dois anos e meio.
Até porque, garante, o cenário vai acalmar.
Eu creio que todas estas medidas já estão a surtir efeito no aumento da oferta, vão continuar a surtir cada vez mais efeitos e nós não demoraremos muito a ver uma maior estabilização dos preços.
Eduardo Teixeira, do Chega, pede mais.
As suas medidas nos últimos três anos só agravaram, nunca melhoraram.
E a socialista Marina Gonçalves questiona o impacto da revogação das medidas do programa Mais Habitação.
Eu pergunto-lhe como é que justifica o disparar dos preços da habitação face à retração que estava a acontecer nos últimos anos e se efetivamente não há aqui uma correlação.
A polêmica em torno do presidente do IHRU, que pediu um sacrifício aos mais jovens, não tardou a entrar na discussão. Primeiro com Patrícia Gonçalves, do Livre.
O senhor ministro também acha que as novas gerações devem fazer mais sacrifícios para conseguir arrendar ou comprar casa?
E depois com Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, a lembrar as rendas moderadas de €2.300.
O presidente do IHRU, com os seus €7.600 de rendimento por mês, paga três rendas moderadas destas e ainda lhe sobra dinheiro para ir de férias.
E face às críticas da oposição, Miranda Sarmento, que pretende estabelecer um teto em €2.300, não faz subir o preço das rendas.
Os agentes económicos formam o preço em função da oferta e da procura. Se uma determinada casa num determinado sítio tem uma renda Fixada pelo mercado de €1300, qualquer pessoa que queira colocar essa renda em €2300 não vai conseguir arrendar. É tão simples quanto isto.
O Ministro das Finanças, a dar o peito às balas pela crise na habitação, volta a responsabilizar os governos do PS pela situação do setor.
Uma audição acompanhada pelo jornalista Vasco Maldonado Correia, que dá conta que Miranda Sarmento recusou comentar o polémico apelo ao sacrifício feito por parte do presidente do IHRU.
E Miguel, subiu para cinco o número de feridos no ataque com uma arma de fogo que ocorreu esta manhã nos arredores de Paris.
Informação avançada pelo Ministro do Interior. Adianta ainda que três dos cinco feridos se encontram em estado crítico. O ataque provocou ainda uma vítima mortal. Laurent Nunez classifica o crime como terrorismo, diz que as motivações ainda têm de ser esclarecidas, mas avança já com algumas possibilidades. Podem ter natureza racista. O homem de 39 anos está detido. Segundo informações apuradas junto de fontes policiais, foram encontrados no apartamento armadilhas e botijas de gás. O prefeito da localidade de Trappes, localidade a cerca de 30 km da capital Paris, fala no ataque com conotações racistas e com probabilidade de um ataque islamofóbico. Adianta ainda que a menina de 12 anos ferida durante os disparos está entre a vida e a morte. A investigação está a cargo da Procuradoria Nacional Antiterrorismo.
No desporto, o Futebol Clube do Porto regressa amanhã aos desafios para o campeonato com uma viagem até ao reduto do Gil Vicente. Francesco Farioli deixa elogios ao treinador da formação de Barcelos e afasta qualquer tipo de ambiente de crise no balneário azul e branco.
Sim, depois das duas derrotas consecutivas para as competições europeias, para a Liga dos Campeões, embora o Porto mantenha o registo 100% vitorioso para o campeonato. A meio da semana, perdeu com o PSV Eindhoven, em casa, por 1 x 0. Ora Francesco Farioli afasta qualquer tipo de mau momento e responde às críticas com recurso à linguagem bélica.
Há dois tipos de crítica: uma é o sentimento e o desejo dos nossos adeptos de vencer. É algo que partilhamos com eles, o desejo de vencer e fazer mais em termos de atitude. É o que tentamos fazer em todos os jogos do campeonato, mas também na Liga dos Campeões. E depois, há o mundo exterior, que tem o desejo de tentar aproveitar todas as oportunidades para colocar uma bomba, tentar matar ou pelo menos ver algum sangue.
Francesco Farioli, técnico dos azuis e brancos, que deu conta de que não vai poder contar ainda com o extremo brasileiro William Gomes, continua lesionado.
A fechar, Miguel, que outros temas estão em destaque?
Em França, 70 mil agentes foram mobilizados para garantir a segurança durante os protestos convocados para amanhã. O ministro do Interior afirma que a forte mobilização é uma resposta aos apelos para atos violentos e pilhagens, apelos feitos através das redes sociais. Laurent Nunez sublinha que o governo vai ser implacável com os agitadores e saqueadores. Deu instruções às forças de segurança para que atuem com firmeza. Entre os 70 mil agentes mobilizados, o ministro inclui efetivos locais dos diferentes departamentos, assim como elementos das unidades de elite. Dá ainda conta de cerca de 20 veículos blindados destinados à Polícia Militar. O preço da gasolina deve descer €0,06 na próxima semana. O gasóleo deve registar uma ligeira subida, €0,01. São, pelo menos, essas as previsões da ANAREQ, a Associação Nacional de Revendedores de Combustível, à Rádio Observador. Os valores já contam com o acerto do ISP. A empresa Bolt considera que retirar as trotinetas partilhadas de Lisboa reduz as opções de mobilidade para quem vive na capital. No comunicado enviado à Lusa, a empresa adianta que no ano passado 78% das viagens em trotinetas partilhadas foram feitas por residentes.