Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Retirar ou não retirar a moção de confiança? O ministro da Coesão, Castro Almeida, admite essa possibilidade. Já Pedro Duarte recusa, ainda que diga que a bola está do lado do PS. Leitão Amaro coloca o foco no voto socialista à moção do governo. Mas vamos começar por ouvir o ministro da Coesão. Castro Almeida admitiu esta manhã, aqui na Rádio Observador, retirar o documento da discussão, a moção de confiança, mas impõe algumas condições para que isso venha a acontecer.

Se o Partido Socialista vier declarar que reconhece ao governo condições para executar o seu programa e se declarar que se considera satisfeito com os esclarecimentos dados e que retira a CPI, eu acho que há condições da moção poder ser retirada.

Foi isso que disse Castro Almeida, entrevistado esta manhã na Rádio Observador, aqui a dar conta das condições que permitam evitar uma crise política. Já durante a tarde, foi o ministro dos Assuntos Parlamentares que falou. Pedro Duarte diz que retirar a moção não está em cima da mesa, remete para o PS a responsabilidade de viabilizar a iniciativa do governo.

Como compreendem, o Partido Socialista tem afirmado o que tem afirmado e, portanto, eu acho que devemos devolver a palavra ao Partido Socialista, que pode pronunciar-se, designadamente, através do voto na moção de confiança. Portanto, acho que a bola está, desse ponto de vista, do lado do Partido Socialista.

Outro ministro da presidência alinha pela ideia de Pedro Duarte. António Leitão Amaro diz que não basta o PS deixar cair a Comissão Parlamentar de Inquérito, tem de clarificar a posição que tem sobre o governo na moção de confiança, e o mesmo vale para o Chega.

Só há eleições se existir um voto do Partido Socialista e um voto do Chega para haver eleições. Só há eleições com esse voto. Aquilo que nós propusemos foi uma clarificação para que não se votasse uma coisa e se dissesse outra. Se votasse uma, dissesse outra e depois, a seguir, se tomasse uma iniciativa terceira. Não tem a ver com esclarecimento, tem a ver com condições de governabilidade de um governo que é ciente de que não é um governo maioritário, de maioria absoluta no Parlamento.

António Leitão Amaro, em declarações no final da reunião do Conselho de Ministros, em que sublinhou a ideia de que o clima de suspeição que paira sobre o governo ultrapassa e é independente da comissão parlamentar de inquérito proposta pelo PS. Dois possíveis candidatos presidenciais já se pronunciaram sobre a crise política. O almirante Henrique Gouveia e Melo fala de um mau momento para a política nacional. Pede, por isso, uma solução imediata que ponha termo à crise.

Todos os portugueses estão desejosos que haja estabilidade e que, havendo estabilidade, haja também credibilidade na governação. Portanto, o que é importante neste momento é encontrar uma solução urgente para estas duas necessidades.

Sobre a candidatura eventual e anunciada candidatura a Belém, Gouveia e Melo afasta, para já, qualquer esclarecimento. Explica que este não é o momento, já que o foco está na crise política. Outro possível candidato presidencial, António José Seguro, que defende o restabelecimento dos canais de diálogo entre os partidos para que sejam encontradas soluções que evitem eleições e seja retirada a moção de confiança apresentada pelo governo.

Que os canais de diálogo se mantenham para que até terça-feira se possa encontrar uma solução clara, que clarifique a atual situação, mas que evite a ida para eleições. A retirada da moção de confiança ajudaria a resolver esse assunto. Como é que se retira essa moção de confiança? Bem, o governo saberá quais são as condições.

António José Seguro defende que é preciso estabilidade e não aquilo que considera ser podridão na política. Outro socialista, José Luís Carneiro, também defende que o Presidente da República deve promover o diálogo entre os líderes do PSD e do PS. O antigo candidato à liderança socialista acredita que ainda há margem para evitar uma crise política.

Daqui até terça-feira, ainda há muito tempo para que esse diálogo, essa concertação, pudesse ser promovida pelo senhor Presidente da República e até, eventualmente, pelo próprio senhor Primeiro-Ministro, tomar a iniciativa também de dialogar com o próprio líder da oposição, porque julgo que todos têm este sentido de compromisso com o país.

Declarações de José Luís Carneiro à Agência Luz, em que o deputado e dirigente do PS responsabiliza o primeiro-ministro pela atual crise política e defende que os socialistas têm dado provas de cooperação ao longo da legislatura. Conosco em estúdio está a grande repórter do Observador, Rita Tavares, da editoria de política. Rita, há aqui alguma contradição nestas declarações feitas pelos vários ministros sobre retirar ou não a moção de confiança do governo?

Olha, estava aqui a ouvir o deputado do Partido Socialista, José Luís Carneiro, a falar que ainda existe tempo até terça-feira, data em que se vai debater a moção de confiança, para se conseguir evitar uma crise política. O que me parece é que neste momento até pode existir tempo, não parece existir muita vontade e as declarações do governo desta tarde mostram isso mesmo, quando parecia haver ali uma porta aberta, que até podia ter ali, e já lá vamos, uma intenção de empurrar a bola para o lado do Partido Socialista. Mas a seguir vêm dois ministros dizer que afinal a retirada da moção de confiança não está em cima da mesa, nem que venha o PS fazer o que vier a fazer. Não me parece que tenha existido alguma vontade inicial, sequer de Castro Almeida, em abrir uma porta de saída desta crise política. O que me parece existir aqui já há muito, quer do lado da AD, quer do lado do PS também, é um total clima de campanha eleitoral, em que neste momento, nesta primeira fase, o que se está a tentar fazer é empurrar o ônus da crise para o lado de lá Porque os partidos têm esta ideia, que tem algum respaldo na história, que é que quem desencadeia uma crise política, quem atira o país pra eleições antecipadas acaba por ser penalizado nas urnas, depois no dia do voto. O que se está a tentar agora é evitar que a percepção de que se é o responsável pela criação da instabilidade é de um lado ou do outro. E o que o PSD, os ministros deste governo estão a fazer nestas últimas horas é tentar por toda a responsabilidade em cima do Partido Socialista, dizendo que se o PS quiser, ainda pode reponderar o voto na moção de confiança.

E o PS ontem, Álvaro Beleza, de resto, que precisamente na tarde política defendia que o PS não devia votar contra a moção de confiança e que a apresentação de uma moção de censura deveria ficar dependente das conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito, que é pedida pelo próprio Partido Socialista. Esta posição assumida por Álvaro Beleza é partilhada por outros militantes, eventualmente destacados militantes do Partido Socialista?

Agora há muitas posições. Cada cabeça uma posição diferente sobre este assunto. Mas mesmo Álvaro Beleza não sei se está a pôr assim totalmente de parte umas eleições antecipadas, na medida em que fala numa moção de censura também.

Mas só no final da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Sim, no final da Comissão Parlamentar de Inquérito, que me parecia muito aquilo que era a ideia inicial do Partido Socialista. Para quê? Para tentar aproveitar estes longos meses que dura uma comissão parlamentar de inquérito, que pode ser até 180 dias e, no caso de uma potestativa, pode ser prolongado por mais 90 dias sem sequer ter que ser aprovada em plenário. Portanto, o PS podia estender a crise pelo tempo que quisesse, tinha esse calendário na mão. E isso ia permitir ao Partido Socialista desgastar a imagem de Luís Montenegro. Acho que a perspectiva inicial era isso, era estender a crise no tempo, estender esta ideia de um primeiro-ministro que não tem capacidade política neste momento pra gerir um governo e levar várias audições à Comissão Parlamentar de Inquérito que pudessem ser muito sensíveis pro primeiro-ministro em funções, nomeadamente empresários, familiares até, levando isto pra outro nível. Tudo isso ia provocar uma natural fragilização da imagem de Luís Montenegro. E se é natural nós vermos que o Partido Socialista pretendia esse caminho, neste momento, e depois ser levado a um ponto onde se tivesse que avançar com uma moção de censura, ela já pudesse ser vista como uma coisa inevitável, também é natural olhar-se pra o governo e perceber que esse cenário não era conveniente pra Luís Montenegro, porque ia chegar ao fim destes seis meses num estado pior do que está hoje.

A apresentação da moção de confiança veio estragar aquela que era a estratégia inicial do Partido Socialista. Ainda há margem para o PS recuar nesse voto contra a moção de confiança?

Não me parece que haja margem por parte do PS, mas também não me parece que haja muita vontade por parte do governo. Acho que neste momento já está toda a gente com a cabeça nas eleições, quer se queira, quer não, mas neste momento parece-me que é o ambiente e estes argumentos, esta responsabilização do outro lado que está a acontecer agora, é prova disso mesmo. E eu não tenho a menor dúvida de que logo à noite, quando Pedro Nuno falar, porque há de estar hoje num evento do Partido Socialista, é natural que hoje ao fim do dia fale, eu adivinho que ele venha dizer que a responsabilidade desta crise não é do Partido Socialista e é do governo e nomeadamente do primeiro-ministro Luís Montenegro, e não vamos sair disto nos próximos tempos.

Rita Tavares, obrigado pela tua análise. Rita Tavares, grande repórter do Observador, a ajudar-nos aqui a olhar para o atual momento político, a poucos dias do governo apresentar a moção de confiança no Parlamento. O governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o lançamento de parcerias público-privadas em cinco hospitais. O objetivo é fazer regressar à gestão, em parceria, quatro hospitais que já funcionaram com esse modelo: Braga, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Loures, e juntar o Garcia de Orta, que sempre esteve sob gestão pública. Ora, a acompanhar esta reunião do Conselho de Ministros esteve a repórter Beatriz Félix, a acompanhar a conferência de imprensa, sendo que o governo falou numa medida histórica relativamente às PPP. Beatriz, o governo aprovou várias medidas na área da saúde, mas também na área da administração pública.

Precisamente, acabou há pouco a conferência de imprensa à margem do Conselho de Ministros, que decorreu esta sexta-feira. Hospitais mais bem geridos, é esta que é a vontade do governo. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, anuncia, portanto, como já referiram, o regresso das parcerias público-privadas em quatro hospitais do país: Braga, Loures, Amadora-Sintra e Vila Franca de Xira, mas também outras medidas para melhorar o funcionamento da estrutura do Serviço Nacional de Saúde, como por exemplo, o investimento de 62 milhões de euros nos hospitais de Viseu e Évora, e também a reforma da administração financeira do Estado para fundir várias entidades, poupar fundos. E também a eliminação de 120 cargos nas unidades locais de saúde. Estas que são medidas que têm em vista a redução de despesas. A Câmara de Loures e Vila Franca de Xira dizem que não foram ouvidas sobre a intenção do governo de voltar às parcerias público-privadas. Nesta conferência de imprensa, António Leitão Amaro e Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, que também esteve presente, admitem que o diálogo ainda vai avançar face aos tempos de implementação deste tipo de medidas, que são bastante demorados. São, portanto, como já referi, medidas que têm em vista a redução de despesas e em plena crise política. O ministro da Presidência garante também a legitimidade governativa do executivo de Montenegro, que tem intenção de responder às perguntas dos partidos. Era um assunto que não podia deixar de ficar de fora desta conferência de imprensa. Aliás, e foi também já conhecida a lista de 14 perguntas feitas pelo Bloco de Esquerda dirigidas ao primeiro-ministro e fica agora a promessa de que essas perguntas terão resposta. Ainda assim, Leitão Amaro diz que a moção de confiança é a última oportunidade para que os partidos, nomeadamente o PS, e desafia o partido a tomar uma posição definitiva em relação ao sentido de voto desta moção, mas que no fundo demonstrem se há ou não condições para o governo continuar em funções.

Beatriz Félix, em direto da reunião do Conselho de Ministros, que terminou há instantes com essa aprovação, nomeadamente de cinco novas parcerias público-privadas para a gestão de cinco hospitais. São agora cinco horas mais 13 minutos. Vamos ficar a conhecer outras notícias que estão a marcar a atualidade a esta hora. E começamos pelo Porto, onde um painel de grandes dimensões caiu na Via de Cintura Interna, o que está a provocar longas filas de trânsito no sentido Arrábida-Freixo. A fonte da PSP indica à Agência Lusa que não há feridos. Também à Lusa, uma fonte das Infraestruturas de Portugal informa que a circulação na VCI faz-se atualmente apenas pela faixa da esquerda. Também o mau tempo tem marcado este último dia da semana, com a Proteção Civil a registar quase 200 ocorrências até às 16h. As regiões de Lisboa, Setúbal e Porto são as mais afetadas. Não há danos significativos a registar, nem qualquer vítima ou ferido. Pode ter uma marcha à trás depois das últimas semanas terem sido marcadas pelo afastamento entre Estados Unidos e Ucrânia. Agora, Donald Trump diz que pode impor mais sanções à Rússia. Foi na rede social Truth Social. O presidente norte-americano deixou o aviso: "Podem estar a caminho sanções em grande escala". E por quê? Escreve Trump: "Porque a Rússia está absolutamente a martelar a Ucrânia no campo de batalha". Palavras do líder norte-americano, que fala em sanções bancárias e tarifas contra a Rússia até que seja declarado cessar-fogo e firmado um acordo de paz. Termina a publicação com um aviso aos dois países: "Venham já para a mesa de negociações antes que seja tarde demais".