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Jornal das 5, com a Vanessa Cruz.
Começamos com um deslizamento de terras ainda em curso em Almada. Pelo menos uma escola fecha portas. Estamos a falar da Arriba de Santo António de Caparica. Ao fundo desta arriba, há várias casas. Vamos até lá em direto, João Lourenço. Ponto de situação.
Neste momento, a rua que está mais em risco, ou pelo menos a urbanização que está mais em risco de ser evacuada, foi agora cortada ao trânsito. As autoridades que já estão no local tentaram contactar os vários moradores, tocar às campainhas, inclusive, para tentar ter mais ou menos este perímetro de segurança garantido ao redor desta arriba da Costa de Santo António de Caparica. Está um infantário, estão 33 crianças e, segundo uma das responsáveis deste espaço, Sandra Lopes, o aconselhamento aos pais foi, neste caso, de retirarem as crianças.
Já demos ordem de evacuação no dia de hoje e amanhã a creche estará encerrada por precaução, tendo em conta as informações da Proteção Civil e o aconselhamento da parte deles.
Esta mensagem de precaução e cautela, não só aos moradores, como também a alguns espaços, neste caso, comerciais. Não era o caso deste. Esta é uma creche com cerca de 25 anos. Uma das populares que vive aqui em Santo António de Caparica diz que este problema é recorrente.
Em dezembro passado, nas chuvas, cairam pedregulhos da arriba e, neste momento, com a quantidade de água que tem estado a cair, há os deslizamentos de terras em dois pontos aqui em Santo António. E sim, há habitações em risco.
Habitações em risco devido a esse deslizamento de terras, consequentemente, também essas lamas que vão descendo desta arriba de Santo António de Caparica. E para terminar, dizer que também já há mais elementos da Proteção Civil no local. Muitos curiosos aqui ao redor tentam se aproximar deste perímetro de segurança, mas as autoridades impedem, visto que o cenário não é o mais animador.
Reportagem do João Lourenço. Vais continuar por aí na Costa da Caparica.
Aqui na Rádio Observador, pouco antes deste deslizamento, a presidenta da Câmara Municipal de Almada alertava para a possibilidade do aluimento de terras.
Inês de Medeiros detalhou as zonas de maior alarme nesta altura.
Temos as terras absolutamente alagadas e temos toda a questão das arribas, que é uma preocupação permanente. A nossa grande preocupação é a parte da ribeirinha, que vai desde o Segundo Rrão, Trafaria, Porto Brandão e até à Cova do Vapor.
A presidenta da Câmara de Almada diz que há pelo menos dois desalojados. O risco de cheias faz com que haja uma estreita articulação também com o Porto de Lisboa.
Em Vila Franca de Xira, a mesma preocupação, a possibilidade de cheias, as terras estão cada vez mais encharcadas.
À Rádio Observador, o autarca Fernando Paulo Ferreira diz que é difícil prever o comportamento das zonas mais instáveis com a chuva a intensificar-se.
Quedas de árvores, quedas de estruturas temporárias, faltas de energia elétrica e também deslizamento de terras nas nossas zonas mais montanhosas. E isso apresenta-nos um risco acrescido agora para estes próximos dias, uma vez que se prevê muita pluviosidade e as terras estão carregadas de água.
O autarca de Vila Franca de Xira apela à população para ficar em casa, se puder, face ao risco de queda de árvores.
Estamos a ser atravessados pelo mau tempo. Em Montemor o Velho, distrito de Coimbra, a subida do nível das águas do Mondego está a causar também preocupações. A maré cheia está prevista para mais ou menos daqui a meia hora. Vanessa Cruz, importa ver o que se está a passar no Mondego.
Sim, há risco de inundações. Temos conosco em direto o presidente da Câmara, José Veríssimo. Obrigada por conseguir ter aqui uns minutos para um ponto de situação. Que retrato é que nos pode fazer nesta altura?
Sim, muito boa tarde. Neste momento, a situação vai se complicando e agravando hora a hora, minuto a minuto. Tem a ver com a subida do rio e da maré. A maré vem até quase à Ponte Formosela. Portanto, isso quer dizer o quê? Quer dizer que as águas que nós temos no Vale do Mondego, neste momento, não podem entrar ou serem escoadas para o Mondego. Isto por quê? Porque estão mais altas, as águas continuam a subir junto às habitações. E o que nos preocupa neste momento mais é a freguesia da Erêra, que já temos algumas inundações em casas. E pouco podemos fazer. A situação é o que é e a maior preocupação é, no fundo, as próximas horas.
Mas há desalojados nesta altura?
Não, desalojados não temos. Temos todos os meios no local e aqui em Montemor mesmo, disponíveis para qualquer necessidade. As pessoas já estão todas elas avisadas, todas precavidas, já todas mudaram, subindo para pontos mais altos, todos os bens também já foram retirados. Agora é um pouco a natureza e preocupa-nos imenso o fato de as previsões não serem muito abonatórias.
Não sei se nessa zona há ou não escolas, se escolas poderão fechar amanhã.
Não, as escolas, não. Já resolvemos a situação dos transportes com as crianças. Nós, no local, temos quatro ambulâncias para alguma eventualidade que seja necessária. Então duas de cada margem. Temos também os fuzileiros, temos um grupo de bombeiros especiais Também no local. Os nossos bombeiros e a proteção civil também estão a monitorizar tudo a toda hora. Temos equipas da ação social que já fizeram várias vezes, constantemente, a passagem junto das populações, a acalmar. Mas continua a ser uma angústia as pessoas sentirem isto ao fim de 25 anos. Já sentiram isto, estão novamente na iminência de poder vir a acontecer. Embora tenha sido uma cheia um pouco programada e calculada, que é uma forma de, como toda a gente sabe, o nosso rio Mondego é um rio diferente dos outros, é um rio construído ao nível da base dos solos do Baixo Mondego, é um rio artificial e há sempre uma bomba conta-relógios que está ali, que qualquer momento se rebenta uma margem, é um perigo para todas as populações, incluindo não só a Ervedeira, mas todas as outras também. Temos a margem esquerda e a margem direita.
José Veríssimo, muito obrigada por ter estado em direto na Rádio Observador. A aflição aqui do autarca de Montemor o Velho, com esse risco de cheias, tendo em conta a subida do nível das águas no Mondego. Mais a sul, no distrito de Setúbal, em Alcácer do Sal, a preocupação é semelhante, cheias, escolas que já tiveram até de fechar por precaução.
E olhando para a previsão da meteorologia, vamos ter chuva intensa e persistente nas próximas horas, Vanessa.
Para hoje, a meteorologista Alexandra Fonseca, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, diz mesmo que são esperadas muitas horas de chuva com bastante intensidade.
Vamos continuar com precipitação intensa e persistente. Ela tem vindo a ser registada, principalmente na região Sul, durante esta manhã, e já estamos a ver um agravamento na região Centro. A chuva irá continuar e a próxima noite espera-se que haja um pico de intensificação da precipitação que durará até o início da manhã de amanhã, em especial nas regiões do Centro e Sul.
A partir de amanhã a intensidade da chuva abranda, com aguaceiros até sexta-feira, mas no fim de semana, a chuva forte estará de volta.
O primeiro-ministro veio, entretanto, corrigir o Ministério do Trabalho e da Segurança Social sobre os apoios para as famílias em situação de carência, na sequência da depressão Christine.
O valor correto que as famílias afetadas pela tempestade podem receber é de, no máximo, 12.900 € num ano, 1075 € por mês. Inicialmente, o Ministério do Trabalho tinha dito que estes 1075 € eram a dividir por 12 meses, mas não, são a multiplicar por esse período. Portanto, o que dá os tais 12.900 € num ano, um esclarecimento do gabinete do primeiro-ministro Luís Montenegro.
E o Presidente da República tem estado a fazer um périplo pelos municípios da zona Centro mais afetados pelo mau tempo. O que tem dito Marcelo Rebelo de Sousa?
Está agora em Soure, depois de ter passado por Pedrogão Grande e Ourém. Vamos aproveitar, porque temos indicação que o Luís Soares está, nesta altura, com Marcelo Rebelo de Sousa.
Viva, Vanessa. Não estou bem com Marcelo Rebelo de Sousa, estamos em comitiva com o presidente. Temos estado aqui a fazer uma ronda pelo rio Mondego em vários pontos e estamos neste momento novamente a entrar nos carros, porque Marcelo Rebelo de Sousa já voltou a entrar na carrinha que tem estado a fazer este percurso e, entretanto, vai já voltar a sair. Sendo que Marcelo Rebelo de Sousa admite alterar a agenda, nomeadamente no que diz respeito à ida a Alcácer do Sal, hoje ou amanhã, pode até nem ir por causa das condições do tempo.
Para hoje não, eu já desloquei Alcácer do Sal para amanhã de manhã. É evidente que era mais fácil ficar mais perto de Alcácer do Sal e, portanto, temos que ver se há condições para poder fazer isso ou não. Se não houver, não há. Se houver, há.
Marcelo Rebelo de Sousa que admite também alterar a agenda de sexta-feira, vai a Madrid, mas isso poderá ser cancelado conforme for a evolução do tempo nos próximos dias.
Mas aí, por exemplo, eu combinei com o senhor primeiro-ministro amanhã uma reunião entre o meio e o fim da tarde, mas é evidente, tudo isto é muito flexível. Quer dizer, o que interessa é que seja possível reunir no momento em que se possa olhar para o que sucedeu esta noite e o dia de amanhã e retirar as conclusões. É evidente que eu também já preparei o cenário para, se for preciso retirar dessas conclusões, o haver uma revisão do meu programa de sexta-feira, estar em aberta a hipótese disso poder ser revisto.
Aqui está essa declaração de Marcelo Rebelo de Sousa, que tem estado a fazer um périplo pelos municípios afetados pelo mau tempo, périplo acompanhado pelo jornalista do Observador, Luís Soares.
E o presidente da República tem ainda um aviso para o Governo, Parlamento e para o sucessor em Belém.
Têm pela frente um longo período em que vai ser preciso união e abrir os cordões à bolsa para recuperar da catástrofe.
É evidente que isto é um desafio. É um desafio que ultrapassa estes 30 dias, ou 33, ou 34 do meu mandato, que vai cair em cheio em cima do meu sucessor e tem um papel muito importante. Se se quer tratar a sério este problema, isso significa mais tempo e, porventura, mais dinheiro do que as pessoas pensam.
Aviso deixado pelo Presidente da República em Pedrogão Grande para o sucessor, que vai ser decidido no próximo domingo. Vai ser preciso mais dinheiro do que se pensa para reerguer os conselhos afetados pelo mau tempo.
E o presidente da Câmara Municipal de Leiria diz que se sente num país de faz de conta.
E que o grau de tolerância está a esgotar-se. Gonçalo Lopes critica a ausência de comunicação sobre o processo de reconstrução em Leiria.
Quem está a dar a cara sou eu, todos os dias a comunicar-vos a pouca informação que tenho, e o processo tem que ser mais transparente, o processo tem que ser mais claro. No Covid tínhamos briefings e comunicação ao país sobre o que estava a acontecer e eu acho que ninguém comunica ou não querem comunicar. Nós parece que estamos num país de faz de conta.
As críticas de Gonçalo Lopes, autarca de Leiria. O município vai comprar 13 casas pré-fabricadas para instalar desalojados. É um investimento de meio milhão de euros.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 4 de fevereiro.
Ainda a propósito do mau tempo, a EDP vai suspender temporariamente a faturação às comunidades afetadas pela tempestade Christine. Em comunicado, a empresa explica que vai assumir um custo de mais de 800 mil €, de forma a conseguir dar apoio aos clientes. São cerca de 700 mil os clientes com casas ou empresas nas zonas mais afetadas. Ainda há, nesta altura, 83 mil pessoas sem eletricidade. O diretor executivo do SNS nega haver falta de macas nos hospitais, mas reconhece que a permanência das ambulâncias nas urgências foi excessiva em 14 unidades de saúde no mês passado, apesar dos tempos de espera dos utentes terem baixado. Álvaro Almeida foi ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Saúde. E voltamos à política. Morreu o antigo dirigente e líder parlamentar do CDS, José Luís Nogueira de Brito. Tinha 88 anos. A notícia chega através do próprio partido. Nogueira Brito chegou a ser presidente do Conselho Nacional do CDS. O último cargo que desempenhou foi de presidente da Cruz Vermelha.
Vanessa Cruz vai regressar às 17h30 para atualizar as notícias.