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Esta é a tarde política da Rádio Observador. Avançamos para o jornal das 17h com o Luís Soares. Donald Trump avisa que a grande onda de ataques norte-americanos contra o Irão ainda está por vir.

Foi uma ideia deixada pelo presidente norte-americano à cena internacional, ainda antes de uma declaração que está a fazer nesta altura na Casa Branca, durante uma cerimônia de entrega de medalhas. Nesta cerimônia, Donald Trump está a fazer uma atualização daquilo que têm sido os ataques contra o Irão. Sublinhou que o Irão ignorou os avisos dos Estados Unidos e recusou-se a cessar na busca por armas nucleares. Prossegue também dizendo que o Irão representa uma ameaça imediata às forças norte-americanas na região e sublinhou também essa ideia de que os objetivos desta operação são obliterar o poder nuclear do Irão. Nestas declarações que Donald Trump está a fazer nesta altura, sublinha também que os Estados Unidos estão mais adiantados do que eram as projeções de quatro a cinco semanas para que esta guerra durasse, mas tem capacidade para durar ainda mais. Esse aviso deixado, essas declarações que estão a acontecer nesta altura na Casa Branca. Ainda antes, nessas entrevistas que tem dado a vários jornais norte-americanos, Donald Trump garante também que não quer que a guerra se prolongue muito tempo, admitindo que sempre achou que iria durar essas quatro semanas, avisa também que a situação está prestes a ficar ainda mais perigosa e que a grande onda de ataques está para chegar em breve.

E o primeiro-ministro israelita visitou hoje uma das zonas atingidas por um míssil iraniano. Benjamin Netanyahu classifica o Irão como uma ameaça a toda a humanidade.

Um míssil que provocou nove mortes, incluindo três adolescentes, que atingiu ontem uma zona entre Tel Aviv e Jerusalém. Foi lá que Benjamin Netanyahu alertou para os riscos de ver o Irão capaz de utilizar armamento nuclear.

Se este regime terrorista que nunca vimos no mundo conseguir armas nucleares e os meios para produzir mísseis balísticos intercontinentais, eles vão ameaçar toda a humanidade. Assim, sentimos proteger-nos e ao fazê-lo protegemos muitos outros. E quero agradecer de forma muito especial ao nosso grande amigo e grande líder mundial, Donald Trump, por se juntar a nós neste esforço crucial para salvar o mundo.

Agradecimento de Netanyahu a Donald Trump, que se juntou a Israel para bombardear o Irão num ataque que dura já desde o passado sábado.

O primeiro-ministro britânico adianta que o Reino Unido não vai juntar-se aos Estados Unidos e a Israel nos ataques ao Irão. No entanto, vai permitir o uso de bases aéreas britânicas.

Com o propósito de autodefesa coletiva, foi assim que Keir Starmer justificou perante o Parlamento essa posição do Reino Unido. O chefe do governo britânico diz que o país teve que tomar duas decisões distintas: uma, se o Reino Unido se junta ou não às ofensivas dos Estados Unidos e Israel contra o Irão. A decisão é de não se juntar. A segunda decisão foi um pedido dos Estados Unidos sobre se o Reino Unido iria permitir o uso de bases aéreas com propósito de autodefesa coletiva. Keir Starmer explica que a decisão foi a de ceder essas bases.

Em sentido contrário, o governo espanhol declarou que as bases em Espanha não podem ser usadas nos ataques ao Irão.

E por isso mesmo, 15 aeronaves norte-americanas já deixaram as bases militares de Rota e Morón, no sul de Espanha, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram esses ataques contra o Irão. O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros afirmou que Espanha não vai permitir que as bases militares operadas em conjunto com os Estados Unidos, mas sob soberania espanhola, sejam utilizadas para ataques contra o Irão, ataques que a Espanha condenou.

E o presidente francês avisa que o país vai aumentar o número de ogivas nucleares e avançar com uma cooperação mais estreita com outros países europeus no campo da defesa.

Emmanuel Macron falava na Bretanha, em Ile Longue, base que alberga os submarinos nucleares do país. O presidente francês diz que estas medidas surgem no âmbito daquilo que classifica como uma doutrina de dissuasão avançada, que vai reforçar não só a defesa francesa, mas também a da Europa.

A nossa ambição deve ser maior, porque é a segurança do continente e a nossa que está em jogo para o futuro. Foram feitos contactos com grupo inicial de aliados, começando, é claro, com o nosso parceiro essencial, a Alemanha. Eles responderam favoravelmente à oferta da França. Hoje, uma nova etapa da dissuasão francesa pode ser concretizada. Estamos a entrar no caminho do que eu chamo de dissuasão avançada.

Neste discurso, Macron deixou ainda um alerta: todos aqueles que tiverem a audácia de atacar França, sabem o preço que terão que pagar.

O primeiro-ministro português apela, entretanto, ao restabelecimento do diálogo diplomático e ao fim das hostilidades, depois dos ataques lançados por Israel e Estados Unidos contra o Irão.

Luís Montenegro espera que o diálogo seja retomado e manifesta também a preocupação face à situação dos portugueses que se encontram em diversos locais afetados pelo conflito. À margem da apresentação do dispositivo especial de combate a incêndios rurais em Ponte da Barca, Luís Montenegro explica que o governo está a acompanhar os portugueses que se encontram nos países afetados.

Temos tido vários contactos e temos, sobretudo, feito um apelo para que todos aqueles que tenham essa necessidade, alguns dos quais são turistas, que estão em trânsito e foram apanhados completamente desprevenidos, possam ter acesso ao número de emergência consular e através dele entrar em contato conosco para tentarmos, juntamente com as companhias aéreas, agilizar o seu regresso a Portugal.

Garantia deixada pelo primeiro-ministro, que anunciou o aumento do orçamento para o combate aos incêndios em € 6 milhões de euros face ao ano passado, com mais operacionais, mais viaturas e mais meios aéreos.

E os mercados financeiros estão a reagir a este conflito no Médio Oriente. As bolsas estão em queda. Já os preços do petróleo e do gás estão a subir.

E a esta hora as bolsas europeias já fecharam. Importa, por isso, perceber como foi este primeiro dia útil depois do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Temos conosco em direto Felipe Garcia, economista da informação de mercados financeiros. Boa tarde, Felipe. As bolsas europeias fecharam em queda?

Olá, boa tarde. Sim, tivemos uma queda nas principais praças europeias na casa dos 2,5% para o Stock 50, o DAX alemão, o CAC francês. Curiosamente o PSI, em Portugal, acabou quase inalterado, devido ao peso da Galp, que sendo petrolífera, subiu mais de 7% e acabou por contrabalançar outras perdas. A nível mais global, nos Estados Unidos, por exemplo, as bolsas estão praticamente inalteradas, o que dá a entender que os mercados financeiros estão a reagir não com muita surpresa àquilo que aconteceu, porque já se ia descontando que pudesse haver uma intervenção, não se sabia exatamente quando. Os maiores efeitos acontecem precisamente nos mercados de matérias-primas.

Precisamente, qual é que está a ser essa evolução, Felipe, nos preços do petróleo e também do gás?

Sim, o petróleo, nomeadamente o Brent, que é a referência que mais nos interessa, está a subir agora 6%, já esteve a subir mais, está para $77,5, chegou a fazer quase $82. Portanto, máximos de janeiro de 25, no acumulado do ano já ganhou cerca de 30%, mas há evidente destaque para mais duas situações: uma que é a subida dos preços do diesel no mercado internacional, o gasóleo, que está a subir neste momento de 6%, e uma subida bem mais expressiva do TTF, que é a referência para o gás natural na Europa, que está a subir mais de 30%, neste momento 36%, já esteve a subir mais de 40. Esta cotação está em máximos de um ano e isto justifica-se, essencialmente, com o facto de o Qatar já ter parado a sua produção de gás natural liquefeito, de já não haver trânsito deste tipo de material pelo Estreito de Hormuz e de, já agora, numa perspetiva conjuntural, os stocks na Europa de gás natural estão relativamente baixos em relação à média histórica. Isto é, é normal que nesta altura do ano os stocks estejam mais embaixo, depois do inverno, no final do inverno, mas por comparação com a média histórica, estamos abaixo. Isso significa que há aqui alguma vulnerabilidade e o mercado está com algum receio. Em todo caso, só relativamente ao gás, convém dizer que ainda assim se tratam de valores relativamente baixos e a variação percentual acaba por ser muito alta, precisamente porque a base também é relativamente baixa. Agora, no caso do diesel, a base não sendo tão alta quanto isso, mas é um pouco mais alta e é um tipo de preços que vamos sentir com mais rapidez no bolso a partir da próxima semana.

Obrigado, Felipe Garcia, economista de informação de mercados financeiros, a dar conta da evolução das bolsas, mas também a dos preços do petróleo e do gás.

E claro, o governo está preocupado com a subida do preço do petróleo. O ministro da Economia promete tomar medidas caso sejam necessárias.

Castro Almeida admite que essa subida dos preços não é uma boa notícia.

Claro que o aumento de preço do petróleo não é uma boa notícia, mas também temos que considerar que Portugal hoje já resiste muito melhor ao aumento do preço do petróleo do que no passado. Nós temos reservas importantes que eu espero que durem para lá do tempo que é anunciado como o tempo que vai durar esta guerra. Neste momento, não há nada para recear a esse respeito.

Em declarações aos jornalistas em Faro, o ministro da Economia, Castro Almeida, recorda que 70% da eletricidade em Portugal tem origem em fontes renováveis e sublinha que Portugal já foi mais dependente do petróleo.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 2 de março.

O número de utentes sem médico de família voltou a aumentar no final de janeiro. São mais de 1,6 milhões. São dados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde. Este é o quarto agravamento mensal consecutivo neste indicador. No espaço de um mês, há mais 37 mil pessoas sem médico de família atribuído. No desporto, o Sporting e o Porto jogam amanhã a contar para a Taça de Portugal. O treinador dos Dragões, Francesco Farioli, espera um adversário agressivo, diferente daquele que defrontou para o campeonato na antevisão da partida. Francesco Farioli diz que pela frente vai estar uma equipa com muita qualidade e mais agressiva.

O nosso foco é absolutamente na Taça. Para a equipa que eles são, eu não posso esperar que eles fiquem num bloco médio à nossa espera, à frente dos adeptos. Eu espero que eles sejam muito mais agressivos do que foram aqui no Dragão. Entre a Liga e a Taça de Portugal, eles fizeram 52 jogos e têm apenas uma derrota. Eu acho que isso diz muito sobre o trabalho incrível que estão a fazer, sobre a qualidade da equipa e da organização que eles têm.

Na antevisão do treinador do Porto, do lado do Sporting, Rui Borges admite que às vezes os jogos têm estratégia a mais, mas isso deve-se ao enorme respeito que as equipas têm entre si.

Acredito que seja um bom jogo, com duas equipas competitivas, com duas equipas a querer ganhar, dentro daquilo que são as suas forças e de alguma forma, em alguns momentos, a tentar anular a outra. Isso acho que é natural. E os jogos grandes, por norma, acabam sempre muito por ter alguma estratégia a mais. E não tem a ver com o não querer ganhar ou não querer perder, não tem nada disso. Tem a ver com aquilo que é o jogo e com aquilo que é o respeito que existe de parte a parte.

Rui Borges e Francesco Farioli na antevisão do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, marcado para amanhã, mas hoje ainda há futebol, o jogo que encerra a jornada 24 da Primeira Liga. O Gil Vicente recebe o Benfica quando forem 20h45.

E são jogos com relatos garantidos aqui na Rádio Observador. Hoje a emissão especial de desporto começa depois do jornal das 20h. Nesta hora das 17h, Política da Rádio Observador. Vamos continuar concentrados sobre o que se está a passar no Irão e as ligações à política portuguesa.