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Olá, seja bem-vindo ao "Conversas no Tee", um podcast em parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e com o apoio da DS Automobile, a acompanhar esta viagem pelo universo do golfe, onde cada detalhe conta. O golfe em Portugal tem uma tradição consolidada e somos reconhecidos no mundo inteiro, mas o grande desafio está no futuro. Como é que preparamos a nova geração e levamos os nossos talentos mais longe nos circuitos internacionais? Eu sou a Maria João Simões e para responder a esta e outras questões, tenho comigo o piloto Pedro Couceiro, um apaixonado pelo golfe e com uma vasta experiência na gestão de carreiras desportivas, e o Nelson Ribeiro, treinador da Seleção Nacional da Federação Portuguesa de Golfe. Bem-vindos aos dois. É um gosto tê-los aqui no "Conversas no Tee".

Muito obrigado.

Muito obrigado também.

Nelson, olhando para a nova vaga de jovens atletas que acompanhas na seleção, que retrato fazes do talento jovem em Portugal? Esta geração já chega à competição contra a ambição internacional?

Eu considero que o talento sempre existiu em Portugal. Nós temos aqui algumas políticas que não dependem dos golfistas, que podem condicionar e ao mesmo tempo facilitar, que é o que eu posso fundamentar. As aulas de 45 minutos passaram para 90 minutos, ou seja, os jovens estão muito mais tempo sentados e isto está a ter um impacto significativo na literacia motora. Não é fácil hoje em dia conseguir encontrar atletas coordenados. Contudo, pelo outro lado, nós temos atletas muito mais informados. Por isso o conhecimento do mundo é muito mais facilitado através das redes sociais, através de qualquer plataforma que eles consigam ter acesso. E esta dicotomia que existe entre o conhecimento versus a disponibilidade que eles têm para treinar, esta tem sido as grandes dificuldades, os grandes desafios que a Federação Portuguesa de Golfe e outras federações que considero também têm encontrado. Mas acredito que estejamos em um bom caminho.

Pedro Couceiro, tu conheces como ninguém o exigente mundo do desporto e da alta competição, e o caminho também para internacionalizar um atleta. O que um jovem prodígio do golfe precisa para dar o salto do talento local para uma carreira profissional sólida lá fora?

Mais uma vez, Maria João, um gosto enorme estar aqui contigo e com vocês todos, e o Nelson. Eu não gostava de abordar diretamente dessa maneira, porque eu não tenho muita experiência, muito menos na gestão de carreiras de golfe. O que eu posso é tentar ver a parte dos automóveis e como outsider, o que vejo, e se calhar até o Nelson irá corrigir-me, com certeza, mas das experiências que vejo com alguns jovens em Portugal. Eu vou contar-te talvez fazendo a história ao contrário. Vou contar-te o que se passou com o desporto, e não queria até que o desporto automóvel em Portugal. O desporto automóvel em Portugal até o início dos anos 80, independentemente dos grandes talentos que tinha, e teve sempre, era um vazio em termos de internacionalização. E houve um volte face muito grande quando alguém trouxe para Portugal uma categoria que era a Fórmula Ford. E toda essa categoria veio a criar campeões, consecutivamente, pilotos que todos nós acabamos por conhecer: o Pedro Matos Chaves, do Porto, que chegou à Fórmula 1, o Diogo Castro Santos, depois fez uma carreira, mas terminou, que passou para o golfe, por coincidência. O Pedro Lamy, que foi campeão, eu fui campeão, o Manuel Gião, e todos nós tivemos a possibilidade de ir para fora, mas criou-se ali um rio que todos os anos criava um campeão. Eu costumo dizer, e para não me alargar muito, foi criada uma casa pela primeira vez com fundações. Uma das coisas que se passa no desporto, e eu não quero correr o risco, até porque não tenho experiência em relação ao que vejo no golfe, mas uma das coisas que se passa muito no desporto em Portugal é que muitas vezes tentamos fazer a casa a começar logo pelas paredes ou pelo telhado. Não sei se isso também se passa no golfe. E eu acredito que o golfe, porque eu lembro-me na minha geração, o sobrinho, julgo que era o sobrinho, que era um grande talento, mas não houve continuidade, pelo que eu me recordo, se calhar estou errado. E ele era o motor para continuarmos. E estamos a falar há muitos anos.

Há muitos anos, sim.

Não muitos, não. Somos jovens.

Somos todos jovens.

E a ideia que eu tenho que se passa no golfe, como em outras modalidades, é isso. E que se passou nos automóveis, e infelizmente os automóveis voltaram um pouco à estaca zero. Nós estamos outra vez a ter o mesmo problema. Eu acho que é um problema cultural, de querermos muitas vezes começar a casa pela parede ou inclusive pelas telhas ou pelo telhado.

Tens saudades de jogar golfe? Já não jogas.

Tenho, eu já não jogo há uns anos. É um desporto que eu tenho saudades, não só pelos momentos que passava. Eu já não jogo há pouco mais de 10 anos. Tenho ao pé de minha casa um excelente trabalho, julgo eu, que a federação tem vindo a fazer, que é o campo de treino do Jamor, que é no fundo para incentivar, para relativizar aquela ideia que nós temos do golfe. Todos nós, os outsiders, temos: o golfe é um desporto muito caro. Eu acho que veio desmistificar e massificar um pouco isso, mas acabamos por ter, julgo eu, esse problema no desporto em geral. E eu acho que o golfe está a fazer um bom trabalho, mas não sei se o golfe não está a viver o que nós vivemos ainda antes dos anos 80.

Nelson, concordas tu que estás por dentro?

Concordo. Tem existido efetivamente um investimento nessa desmistificação de que o golfe é francamente um desporto para todos, com preços perfeitamente acessíveis. Passando a fundamentar isso de uma forma muito concreta, uma mensalidade para nós conseguirmos ter um filho a jogar golfe três vezes por semana são €50 por mês. É o mesmo para a piscina, é o mesmo para a ginásio. Por isso, nós conseguimos ter o nosso filho com treino acompanhado quatro vezes por semana a uma mensalidade de preço médio de €50 por mês.

Falaste aí do treino. Qual é a maior mudança no acompanhamento destes jovens? Trabalha-se mais hoje a vertente física, a nutrição, o foco mental do que há uma década?

Eu diria que não se trabalha mais, mas trabalha-se de uma forma mais sistemática e de uma forma mais direcionada. Eu acho que a grande mudança tem a ver, como há pouco fazia referência o Pedro, que foram construídos os campos de golfe e depois foi necessário formar os treinadores. E os treinadores, hoje em dia, têm uma formação técnica mais específica, ou seja, são provenientes das ciências do desporto, são provenientes da psicologia, são provenientes de outras áreas que vieram complementar aquilo que era uma modalidade vista como estritamente técnica. E esta agregação de várias variáveis acabou por trazer uma maior riqueza ao treino. Por isso, um jovem hoje em dia quando treina, já não bate bolas só, ele vai ao ginásio, tem um acompanhamento nutricional, mas também já não vai ao ginásio só levantar peso, já vai porque quer longevidade, já vai porque quer ter o mínimo de lesões possível numa carreira, já vai porque ele quer o nutricionista, não por causa da composição corporal, mas porque sabe que precisa de se hidratar, mas como é que eu me vou hidratar? É eletrólitos, é água, é o quê? Há aqui um complemento das ciências que trouxeram para o desporto que hoje em dia, e para o golfe em específico, está muito interessante ver como é que as crianças hoje estão a trabalhar.

O automobilismo e o golfe partilham o fato de serem modalidades onde o detalhe, a gestão de patrocínios, a força mental fazem toda a diferença. O que é que falta a Portugal para ser visto não apenas como um destino de turismo de golfe, mas como uma verdadeira fábrica de campeões internacionais, Pedro? Olhando para aquilo que o Artur-

Isso é uma pergunta que é uma rasteira, Marijanta. Eu vejo, em geral, o desporto, eu vou falar no golfe, mas o desporto em geral, e o nosso país tem condições fantásticas. Eu vejo isso por variadíssimos atletas de várias áreas que conheço, e se referem ao nosso país como um berço. Depois temos, e isto vem aqui um bocadinho se calhar a mística das cinco quinas, mas vem aquela mística de nós termos uma combatividade acima da média, se calhar, porque somos pequenos, porque temos menos possibilidades, ou seja, nós sabemos que, uma linguagem que se usa muito, mas temos o one shot. Se calhar há outros países que têm dois, três, quatro, cinco. Nós temos o one shot, nós sabemos ou corre bem ou não corre, e por isso há uma dedicação muito maior. Há muitos fatores, no meu entender, que vão fazer com que os atletas no futuro possam ter uma carreira mais constante em termos de internacionalização e de ser, no fundo, uma carreira mais constante. Mas isso, eu volto a bater na mesma tecla, é um trabalho. Hoje em dia eu vejo mais, como também os próprios atletas, mas é um trabalho que tem que ser feito de base. Essa base é importantíssima e os atletas depois também têm que a saber aproveitar. Eu estou um pouco à vontade para falar nessa área, porque eu há cerca de 15 anos, em conjunto com 40 pessoas de variadíssimas áreas, criamos uma associação que se chama Méritis, que é uma associação de apoio a jovens de mérito. E quando estamos a falar de mérito, estamos a falar de mérito muito elevado, de várias áreas, do desporto, da cultura, das artes. E eu vejo que os jovens que têm mais sucesso são aqueles que, como o Nelson dizia, que tentam fazer uma preparação mais ampla, ou seja, o talento tem que lá estar, com certeza.

Exatamente.

Mas o talento nós usamos muito essa expressão.

Mas trabalha-se, não é?

Muito. E esse talento no desporto automóvel, nós costumamos dizer que é 10, 20%. O resto é trabalho em outras áreas. O marketing, a preparação física, a alimentação, a nutrição, tudo isso.

Era o que me falava o Nelson.

E por isso, quando nós tivermos também os atletas, mas isso depois é o ovo e a galinha. Os atletas têm que estar motivados, depois também temos que ter situações para eles estarem motivados.

Exatamente, que os motive, não é?

Que os motive. Por isso eu julgo que acaba por ser por aí, mas não querendo, e termino como comecei, é uma área tão específica que temos a pessoa indicada.

Sim, ia perguntar o que é que faltava. Tu que lidas de perto com estes jovens talentos.

Eu acho que, voltando à pergunta anterior, nós criamos as condições ideais para termos o golfe. Temos o país ideal, temos a temperatura ideal.

O clima, claro.

Aliás, nós consecutivamente ganhamos melhores destinos de golfe mundiais nas grandes revistas de referência.

Mas para passarmos disso, para não sermos só um destino de turismo de golfe.

Primeiro fizemos isso e agora estamos a fazer o processo contrário. Agora as pessoas que trabalham todos os dias lá, qual é o nível e a qualidade que eles entregam às pessoas que os visitam. Eu acho que esse está a ser o grande passo que a federação está a fazer, está a investir muito em termos de formação de treinadores. Parcerias com faculdades para que os treinadores, quando estiverem a trabalhar com estes atletas, possam ter uma maior qualidade de intervenção e paralelamente, que não pode deixar só de ser apenas a questão da formação, que é aumentar o número de experiências que eles têm internacionalmente. Para fundamentar isso, eu aqui em Portugal tenho um conjunto limitado de jogadores e um conjunto de países que eu posso visitar em termos de condições internacionais. Eu anteriormente trabalhei como técnico da seleção brasileira e o número de jogadores é incomparável. E dada a escala que eles têm, eles são worldwide, eles viajam para o mundo inteiro.

Essa perspectiva.

Nós temos um termo que é: nós comparamo-nos com Espanha, como a Bélgica se compara com França e a Áustria se compara com a Alemanha. É uma questão de dimensão. E quando nós estamos a passar de uma escala nacional, como é Portugal, que é um país pequeno, que é um jardim lindo virado para o mar, para a escala global, nós temos que ter esta consciência, porque quem sai e quem vence português lá fora é mesmo muito acima da média. É mesmo muito acima da média, porque nós não nos podemos dar ao luxo de perder Dois atletas. Eles perdem dois, continuam com cinco na linha. E isto torna este processo todo muito mais exigente, porque nós não podemos falhar, porque se falharmos, foi uma geração que se perdeu. Por isso, esta qualidade que o técnico tem que ter em identificar, selecionar, acompanhar-

A motivar, como falava o Pedro Conceição

...em motivar, tem que ser exímia.

E como é que se motiva alguém, perante tudo aquilo que acabaste de dizer e essas comparações que são inevitáveis fazer?

Eu diria que através do contacto internacional. O contacto internacional é fundamental. É fundamental colocá-los em outros palcos. Primeiramente, fazer uma comparação entre o atleta que está português versus o mundo, e depois perceber a que distância estão e o que é preciso trabalhar para conseguirmos chegar lá. Porque quando nós estamos a falar também de ultrapassar esta barreira, para nós termos uma noção, é a mesma coisa que estar a dizer: "Eu quero ser o melhor médico do mundo. Eu quero ser o melhor engenheiro do mundo. Eu quero ser o melhor arquiteto do mundo". Isto é muito complicado. E no desporto parece que isto é muito mais fácil do que as outras profissões, mas não é. Isto é extremamente complicado, porque uma coisa é eu pensar bem, eu falar bem, outra coisa é eu pensar bem e o meu corpo dar a resposta que eu estou a pensar. Por isso é que a necessidade de ter esta preparação física, esta parte da psicologia, da nutrição, sempre ali a trabalhar, porque eu posso estar a pensar muito bem e o meu corpo não reagir. E perguntam-me no final: "Como é que foi hoje? Correu mal porquê?" E se eu pensei perfeito do princípio ao fim. Só que a capacidade de resposta, esta motricidade fina, de eu conseguir controlar o taco um grau ou a velocidade, ele não deu resposta, eu não consegui.

Pode ser muito frustrante, não é?

É frustrante nós estarmos a jogar em altitude, nós estarmos a jogar com uma temperatura diferente, nós estarmos a jogar com vento.

São muitas condicionantes, muitas variáveis.

O campo de golfe é diferente em todo o mundo.

Sim, não há dois campos iguais.

E nós somos o guarda-redes, nós somos o defesa, nós somos o médio centro, nós somos o avançado, nós somos o treinador, porque o treinador não pode falar connosco durante a competição. Por isso, há aqui um conjunto de valências nesta modalidade que é 100% individual, ninguém interfere na minha bola. Elas têm que ser muito desenvolvidas e bem desenvolvidas para que se consiga ter o resultado que esperamos.

Pedro Conceição, ias dizer?

Ia dizer. É engraçado, disseste esta expressão e eu estava a pensar nela. Eu julgo que é transversal a todos os desportos de alta competição. O talento está lá, tem que estar, com certeza, mas os grandes campeões são aqueles que vencem melhor as frustrações, porque a frustração vai lá estar. Não há campeão que não tenha que vencer uma frustração. Uma não, muitas.

Como é que foi no teu caso?

Foram muitas. Ficávamos aqui com vários programas.

Com vários episódios. Mas tem algum conselho para se lidar com essa frustração, Pedro?

É muito difícil, sinceramente.

Cada caso é um caso, cada pessoa.

É muito difícil. Eu ontem estava a falar com uns amigos e falava-lhes, eu gosto muito de expressões, em geral, e vive muito com bases, porque no fundo já foi quase tudo inventado, é só tentar melhorar. E há uma expressão que eu gosto muito do Leonardo da Vinci, que diz uma coisa muito parecida com esta: que nós na vida, para sermos felizes, não podemos só fazer aquilo que gostamos, mas temos que aprender a gostar do que fazemos. E vamos ter em qualquer desporto de alta competição, eu ia dizer um termo chato, peço desculpa, é chato, mas é muito aborrecido. É muito aborrecido, é tudo muito metódico. Uma pessoa chega ao fim de uma semana, é muito trabalho para conseguir e ver um resultado, se calhar, de 10 segundos, quem corre os 100 metros. E são anos, não são meses, são anos de trabalho para aqueles 10 segundos. E muitas vezes esses 10 segundos são uma frustração, mas a pessoa tem que ir pro passo a seguir. Por isso disseste aquele termo e eu lembrei-me. Eu acho que os grandes campeões são aqueles que vencem melhor a frustração. Como é que isso se vence? É com motivação, com trabalho e depois com o ADN também, com certeza. Por isso é que há os campeões, o ADN também vai nos ajudar um pouco nessa fase.

Tens saudade de jogar golfe?

Vou voltar. Eu moro ao pé do Estádio do Jamor. Eu moro ao pé do Jamor. Como qualquer atleta, eu acho que o Nelson não me vai deixar enganar.

O Jamor fica é muito apetecível.

Muito, mas como qualquer atleta de alta competição, que fui, com certeza, todos nós temos uma fase e somos obsessivos. E eu tenho essa obsessão há três anos. Ainda não consegui, mas vou concretizá-la, que tenho todos os dias na minha agenda e diz: "Voltar a treinar num driving range". E é isso que eu vou fazer.

É agora que vai acontecer.

Acho que sim.

Nelson Ribeiro, se tivesses de deixar um conselho a um jovem atleta ou aos pais de um talento emergente que sonha chegar ao circuito mundial, qual é que seria?

Eu diria que era o processo. Foco no processo.

Acreditar no processo.

Primeiro construir um bom processo, uma boa equipa técnica e depois ter esse foco no processo. Eu acho que é fundamental o processo, porque quando nós estamos a ver uma perspetiva de longo prazo, uma carreira a longo prazo, nós temos que fazer um zoom out. Nós temos que sair, não podemos avaliar todos os passos. Não podemos avaliar, devemos avaliar, mas não podemos julgar tudo o que acontece sempre, porque torna-se extremamente exaustivo, cansativo e desmotivante para um atleta que está em constante avaliação. Ele tem que saber: eu estou num processo, eu tenho espaço para errar, e eu tenho espaço para errar, e este erro vai me permitir eu melhorar.

Isso é muito interessante dizeres isso.

Por isso eu acredito que sair um bocadinho da visão que está demasiado dentro e sair mais para fora para conseguir ver uma carreira a 20 anos, a 30 anos, exatamente, ver esse big picture e perceber onde é que podem estar os obstáculos para conseguir antecipadamente preparar para eles. Eu acho que esse é o ponto fundamental. E outro que é: ninguém sente falta daquilo que desconhece. O atleta tem que ser curioso, o atleta tem que se expor, o atleta não sabe se vai conseguir fazer bem ou mal até experimentar. E há coisas que muitas vezes os atletas defendem-se, podem sentir que não estão preparados, mas até estão capazes de dar a resposta.

Portanto, é o medo arriscar? Devem ultrapassar esse medo arriscar. Pedro Conceito, tu és uma referência para muitos. Que conselho darias?

Eu estava a ouvir o Nelson com muita atenção e eu ouvi te dizer isso do risco. Eu acho que nós temos mesmo que arriscar, porque sem risco não há melhoria. Mas eu se calhar dava um conselho. Eu não gosto de dar conselhos, porque acho que, sinceramente.

Uma sugestão.

Mas uma sugestão. Aquela que eu vi a primeira corrida, o meu patrão de equipa da minha primeira corrida internacional, que se virou para mim e disse-me que no desporto automóvel eu ia ter 90% de dissabores, de tristezas e derrotas, mas que tinha que trabalhar afincadamente para os 10%. Os grandes campeões, se calhar é 15. Os grandes campeões trabalham para 15 ou têm 15, mas os próprios grandes campeões têm 70, 80% de derrotas na vida. Por isso nós temos que trabalhar para aqueles 10% e acreditar que os outros 90% de frustrações são precisamente para depois aqueles podermos enjoy daqueles 10%.

Exatamente, aqueles restantes. Pedro Conceito, Nelson Ribeiro, foi um gosto conversar convosco.

O gosto é nosso. Também.

Muito obrigada. Foi mais um episódio de Conversas no Tee, uma parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e o apoio da DS Automóvel, onde a elegância, a precisão e a paixão pelo detalhe nos conduzem a novas conversas. Eu sou a Maria João Simões, regresso na próxima semana com um novo episódio. Até lá, bons swings.