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Jornal das 5 com Luís Soares. Os Estados Unidos e o Irão confirmam: o Estreito de Ormuz está totalmente aberto a navios comerciais. Os preços do petróleo, mal se soube esta notícia, mergulharam 10%.

Primeiro foi o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, numa publicação na rede social X, que anunciou que o Estreito de Ormuz foi oficialmente reaberto para todas as embarcações comerciais durante o período de cessar-fogo com o Líbano, um cessar-fogo de 10 dias alcançado após os combates entre Israel e a milícia xiita Hezbolá, no Líbano. Também o presidente norte-americano, na rede social Truth, anunciou que o estreito está totalmente aberto e pronto para a passagem total e agradece mesmo ao Irão. Num outro post, Donald Trump sublinha, no entanto, que mesmo com a passagem garantida a todos os navios comerciais, o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos vai continuar com toda a força. O presidente norte-americano explica que este bloqueio só afeta o Irão e continuará em vigor até a negociação com o Irão estar 100% concluída. De resto, Donald Trump tem estado a fazer várias publicações na rede social que detém. Já fez cerca de uma dezena em poucos minutos, cerca de uma hora. Noutra delas anuncia que o Irão, com a ajuda dos Estados Unidos, estão a remover todas as minas navais instaladas no Estreito de Ormuz e noutra acrescenta que o Irão concordou em nunca mais fechar o estreito.

E na análise destes recentes acontecimentos, o historiador e comentador da Rádio Observador, Bruno Cardoso Reis, encontra aqui uma vitória para o Irão com o anúncio feito ao início desta tarde.

Foi no gabinete de guerra. Bruno Cardoso Reis sublinha a importância do estreito na estratégia iraniana.

O Irão conseguiu impor aqui uma condição importante, que era a ligação do cessar-fogo entre o Líbano e abrangendo também o estreito. Donald Trump diz que isso não é assim, mas objetivamente, factualmente é assim. Realmente, o Irão disse que não abriria o estreito até haver um cessar-fogo no Líbano. Donald Trump veio dizer: "Acabaram os bombardeamentos israelitas, já chega". Aparentemente, há um cessar-fogo que está a durar no Líbano e o estreito é reaberto pelo Irão. E o fato de estarmos constantemente a falar do estreito de Ormuz, que se tornou incontornável por causa do impacto global do seu fecho, realmente é uma vitória objetiva do Irão.

Análise de Bruno Cardoso Reis, no gabinete de guerra desta tarde. O historiador explica que se o cessar-fogo for quebrado, o Estreito de Ormuz pode voltar a fechar.

Este anúncio da reabertura do estreito acontece ao mesmo tempo em que em Paris decorria uma reunião organizada pelo presidente francês e pelo primeiro-ministro britânico, precisamente sobre a navegação no estreito de Ormuz.

Marcaram presença, entre outros, o chanceler alemão e a primeira-ministra italiana, isto no total de mais de 40 países que participaram neste encontro. No final de uma declaração conjunta, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer felicitou o anúncio, mas avisou que é preciso que esta reabertura do Estreito de Ormuz venha para ficar e sublinhou o consenso que existiu na reunião para uma solução no conflito no Médio Oriente.

"Todos nós concordamos e houve uma unanimidade no encontro que acabamos de ter. Queremos ver um regresso às negociações e um acordo duradouro, incluindo a reabertura do Estreito. Saudamos o anúncio feito durante a nossa reunião, mas precisamos garantir que isso seja algo duradouro e que seja possível de desenvolver. E isto vem reforçar a necessidade do trabalho que fizemos esta tarde".

Além de Keir Starmer, também o presidente francês Emmanuel Macron felicitou a reabertura do Estreito, diz que vai na direção certa. Na próxima semana, será a vez de Londres receber uma nova reunião sobre o Estreito de Ormuz.

Certo é que os mercados reagiram quase de imediato a estas notícias, com bolsas a subir e o preço do crude em queda.

Quedas que chegaram a ultrapassar os 10%. Logo que foi conhecida a notícia da reabertura do Estreito, o preço do barril de Brent, de referência pra Europa, baixou mais de 10% para cotar em torno dos US$ 88 por barril. Também as bolsas norte-americanas abriram a negociação mais ou menos à mesma hora do anúncio, arrancaram a subir em torno de 1%. Em sentido contrário, a cotação das petrolíferas BP e Shell afundaram cerca de 5% no mercado londrino. E as companhias aéreas, as companhias de aviação, respiraram de alívio com as ações a subir entre 6% e 10%, numa altura em que havia receios de falhas de combustível para a aviação no próximo verão, por causa deste bloqueio da passagem no estreito de Ormuz.

Ainda antes do anúncio da reabertura total do Estreito, a Comissão Europeia garantia que não existe escassez de combustível nos 27 Estados-membros, isto apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra no Irão.

No entanto, a responsável pela pasta da energia disse que os 27 estão a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação. Ainda hoje, também a ministra portuguesa do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, revelou que em conversa com a Galp, a petrolífera portuguesa garante que há disponibilidade de combustível que alimenta os aviões, pelo menos até agosto.

A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguentam perfeitamente até ao pico do verão, sendo pico do verão

A princípio de agosto, meio de agosto. Portanto, nós vamos confiar, eles têm uma grande produção. A matéria-prima que eles recebem vem essencialmente do Atlântico e, portanto, do ponto de vista da Galp, nós temos ainda pra vários meses.

Garantia deixada pela Ministra do Ambiente num registo captado pela RTP, ainda antes desse anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz. Quanto ao combustível para os automóveis, espera-se um alívio a partir de segunda-feira, o preço do litro do gasóleo deve baixar €0,10, o da gasolina deve baixar €0,01, mas ainda falta perceber se este anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz ainda vai ter algum impacto extra nos preços a praticar na próxima semana.

E vamos perceber isso já daqui a minutos com um dos nossos convidados aqui na tarde política da Rádio Observador. Vamos conversar com o Ricardo Marques, que é especialista em mercados petrolíferos. Às vezes é difícil, também é sexta-feira, tem desculpa. E vamos precisamente perceber como é que vai estar o salve desta segunda-feira. Entretanto, Luís Soares, no Palácio de Belém, decorre a esta hora a primeira reunião do Conselho de Estado, convocada por António José Seguro, e já com uma quebra no protocolo.

André Ventura, o líder do Chega, saiu mais cedo da reunião e aproveitou para falar aos jornalistas que aguardam precisamente pelo fim desse encontro. Ele quis reagir à decisão do PS de enviar para o Tribunal Constitucional o decreto aprovado por PSD e Chega, que prevê a perda automática de nacionalidade para quem comete certos crimes. Ora, no Palácio de Belém está o Vasco Maldonado Correia, também à espera que termine esta reunião, e Vasco, André Ventura não falou sobre o conteúdo do encontro, que está ainda a decorrer, mas tentou aproveitar a presença dos jornalistas para prestar então algumas declarações.

Algo que, por norma, não costuma acontecer, Luís, à saída das reuniões do Conselho de Estado, quer saiam no final ou mais cedo, como foi o caso, os conselheiros costumam abandonar a sala das bicas em silêncio. Ora Ventura aproveitou o momento para reagir à decisão do PS de voltar a enviar a Lei da Nacionalidade para o Tribunal Constitucional, acusa os socialistas de estarem a agir como força de bloqueio a uma lei que obrigou a um esforço redobrado dos deputados para fazer aprovar.

Nós estarmos a criar mais dificuldades à entrada em vigor de uma Lei da Nacionalidade que foi consensualizada dentro do possível, repito, dentro do possível, é um mau trabalho à democracia e é um permanente boicote às instituições. Quer dizer, parece que o Partido Socialista quer proteger os criminosos. É esse o único sentido que se retira daqui. Portanto, eu não posso deixar de notar que isto é uma verdadeira tentativa de bloqueio e de criação de mais um impasse que não vem facilitar em nada nem esta norma nem outras.

E assim sendo, Ventura deixa um apelo aos juízes do Palácio Ratton para que cheguem a uma decisão o mais rápido possível.

O Tribunal Constitucional está em funções, apesar de ter vários membros que ainda não foram eleitos, está em funções um Tribunal Constitucional, e era importante que houvesse uma decisão rápida sobre isto. Senão a sensação que dá para as pessoas é que pode haver as maiorias que quisermos, que há sempre, de alguma forma, um partido ou uma maioria ou uma instituição que não gosta e as coisas ficam bloqueadas independentemente da maioria que haja, porque hoje é esta, amanhã pode ser uma outra maioria.

Apelo de André Ventura, que saiu da reunião do Conselho de Estado por volta das 16h15. Esteve, por isso, presente durante 1h15, mas essa reunião ainda segue há já mais de duas horas e já com a nova composição, agora com 15 dos 19 lugares preenchidos, além de Ventura, que já saiu, de Miguel Bastos Araújo e Ramalho Eanes, que não compareceram, há ainda uma cadeira vazia, a do Provedor de Justiça, que continua por eleger.

Vasco Maldonado Correia, que está no Palácio de Belém, onde André Ventura criticou essa decisão do PS, depois de no passado ter pedido a fiscalização das mudanças à Lei da Nacionalidade. Desta vez, os socialistas insistem na questão da alteração ao Código Penal, que prevê a perda da cidadania portuguesa para quem comete certos crimes. Aos jornalistas, Eurico Brilhante Dias disse esta manhã que essa é uma medida injusta.

Perante aquilo que é injusto e perante aquilo que é uma infeliz cedência do PSD à extrema-direita, aquilo que um grupo parlamentar responsável faz, tal como havia feito no passado, é pedir a fiscalização preventiva ao Tribunal Constitucional desse decreto.

Uma decisão do PS que já foi alvo das críticas por parte de André Ventura.

E numa altura em que o governo, UGT e patrões estão reunidos para discutir possíveis alterações ao código laboral, a CGTP promove a esta hora uma manifestação em Lisboa contra a proposta do governo.

Manifestação que chegou na última hora à Assembleia da República e que está a ser acompanhada pela Teresa Freire. Teresa, são milhares de pessoas que se quiseram juntar nesse protesto.

Exatamente, Luís. Juntaram-se milhares de pessoas para esta manifestação, convocada pela CGTP contra o pacote laboral. Desfilaram do Saldanha à Assembleia da República. Depois de cá chegarmos, discursou Tiago Oliveira, o secretário-geral desta intersindical, agradeceu a todos os trabalhadores que hoje fizeram greve e que aqui vieram e também às empresas que aderiram a esta greve. Garantiu que a luta contra o pacote laboral vai continuar e aproveitou para o voltar a criticar.

Nós já temos uma legislação laboral que é favorável ao capital. O que querem é manter todos os aspetos gravosos da atual legislação laboral existente e alterá-la ainda para pior. Não é aceitável. Os trabalhadores não aceitam que isto consiga. Quem propõe tudo isto, camaradas, não sente a realidade, não vive a realidade da maioriaVive noutra realidade e está disposto a defender essa realidade da qual faz parte.

Tiago Oliveira, o secretário-geral da CGTP, voltou a criticar também a ministra do Trabalho, por não ouvir a CGTP nas reuniões, numa altura em que Maria do Rosário da Palma Ramalho volta a reunir com a UGT e com os patrões, que foram também alvo de críticas por parte da CGTP. Por esta altura, algumas pessoas começam já a dispersar, mas são entoadas músicas da Intersindical e agora também o hino nacional. Isto está a terminar aqui esta manifestação da CGTP contra o pacote laboral junto à Assembleia da República.

Um protesto movido pela CGTP, que foi acompanhado pela Teresa Freitas, ao mesmo tempo que no Ministério do Trabalho decorre essa reunião sobre as alterações à lei laboral. Estão presentes os líderes das quatro confederações patronais, bem como o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, e a presidente também da UGT, Lucinda Damas.

E tudo isto no dia em que duas sondagens dão o PS a subir e a liderar as intenções de voto.

Ainda que dentro do empate técnico, a sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã e o YouNow mostra o PS a subir para os 23,4%. O AD está em perda, fica pelos 20,6, com o Chega por perto, com 19 e também a baixar. Uma tendência semelhante à sondagem da Aximage para o Diário de Notícias, o PS aparece com 27% das intenções de voto e em subida, a AD cai para 26,6 e o Chega com 25.

E há outras notícias a marcar esta tarde.

O grupo parlamentar do Chega requereu uma nova audição presencial da ex-secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vastome, isto no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM. O partido justifica o pedido com supostas contradições identificadas no depoimento prestado ontem. O requerimento vai ser agora apreciado por esta comissão parlamentar de inquérito. O presidente brasileiro elogiou a política de regulação dos migrantes por parte do governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez. Foi no primeiro dia da visita de Lula da Silva à Espanha, em que o presidente brasileiro sublinhou a importância do acordo de cooperação consular assinado hoje entre os dois países. No domingo, é a vez do presidente português recém-eleito ir a Madrid. António Guterres Seguro vai estar com o rei de Espanha e também com Pedro Sánchez na primeira visita ao estrangeiro.

E Luís Soares vai regressar aqui à Rádio Observador às 17h30 para atualizar as notícias.