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Começamos, Luís, com a Coreia do Sul. A oposição revogou a lei marcial imposta de urgência pelo presidente do país. O chefe de Estado acusa a oposição de controlar o Parlamento, simpatizar com a Coreia do Norte e paralisar o governo com atividades contra o Estado na preparação de uma revolta.

Ora, a lei marcial tinha de ser aprovada pelos deputados, mas isso não aconteceu. O exército chegou a bloquear o Parlamento. O Guilherme Pires tem estado a acompanhar a situação, está agora aqui em estúdio. Guilherme, como está a situação a esta hora?

A mais recente notícia indica que os soldados que se encontravam dentro do Parlamento já começaram a sair. Isto depois de os deputados terem aprovado o levantamento da lei marcial. Dentro da Assembleia Nacional permanecem apenas os membros do Partido Democrático, a principal força da oposição. O líder dos democratas garante que os deputados só vão sair do edifício quando o presidente sul-coreano declarar oficialmente que o país não se encontra sob lei marcial. Numa altura em que o exército acaba de afirmar que a lei só vai ser levantada depois do anúncio oficial do presidente.

E do lado de fora do Parlamento, Guilherme, a população também já começou a reagir.

Milhares de pessoas juntaram-se à porta da assembleia, pedem para que a medida seja anulada e até se ouvem palavras de ordem a exigir a demissão do presidente Yoon. Um exemplo da revolta foi a ação de protesto de uma mulher que se colocou debaixo de uma carrinha que transportava uma unidade do exército.

Guilherme Pires, as últimas atualizações que chegam da Coreia do Sul neste dia, que fica marcado pelo anúncio da lei marcial no país.

Aqui na Rádio Observador, o major-general Isidro Morais Pereira acredita que há duas hipóteses que podem explicar o que se está a passar em território sul-coreano.

Eu acho que ali há dois problemas. Há um problema interno que tem que ver com o próprio presidente e a sua família, com suspeitas de atividades menos próprias. E há aqui uma oposição que está a ser, de alguma forma, apoiada pelo regime norte-coreano.

O major-general Isidro Morais Pereira sobre a tensão na Coreia do Sul. Os Estados Unidos dizem estar a acompanhar a situação de perto, é o que garante o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca.

Está conosco agora em direto o Jorge Tavares da Silva, especialista em relações internacionais. Bem-vindo, obrigada por ter aceitado o nosso convite. Também ficou surpreendido com esta lei marcial na Coreia do Norte decretada pelo presidente?

Sim, eu acho que é bastante surpreendente. Enfim, sabíamos que há uma tensão política interna na Coreia do Sul, é claro, portanto há ali uma barreira, se quisermos do ponto de vista do Parlamento, às iniciativas do presidente. Sabemos dessas dificuldades. Sabemos que temos um presidente com uma toada mais populista, uma toada mais conservadora, em choque com a sua oposição. Uma oposição que é maioritária no Parlamento, mas foram umas eleições que, no fundo, a divisão entre as duas forças políticas foi muito reduzida. Mas não estávamos à espera de uma solução desta natureza, uma solução que já aconteceu na Coreia do Sul, não é nova, mas no quadro democrático é nova e injustificável. Parece que a justificação é esta relação do partido da oposição à Coreia do Norte, que sabemos que é um partido que nos últimos anos teve uma toada mais colaborativa com o regime norte-coreano no sentido de alguns diálogos, no sentido da negociação, e portanto, contrário à vontade do presidente atual, mas não justifica questões de segurança, questões que possam suspender os direitos civis e ficarem os direitos militares a sobreporem-se neste quadro. É surpreendente, sim. Para mim foi surpreendente este quadro atual.

E que consequências, Jorge Tavares da Silva, pode ter esta tensão na Coreia do Sul?

Eu acho que apesar de tudo, este quadro é um quadro muito interno. É evidente que há sempre impactos do ponto de vista internacional. Esta é uma natureza que começa a ser repetida. Começamos a ver um conjunto de lideranças internacionais, que são lideranças mais conservadoras, mas com um instinto populista contra um conjunto de políticas mais progressistas. Não é novo nesse quadro dito internacional e eu espero que não seja essa a solução, no sentido de ser um pretexto político interno, usando estes mecanismos que existem na própria Constituição, mal justificados, mas que existem, para termos aqui uma deriva ditatorial à direita. Esse é o risco criando aqui alguma instabilidade do ponto de vista regional com outros parceiros. Não sei se é isso, se o próprio Parlamento vai ter capacidade depois de retificar, porque existe também a possibilidade de retificar com uma maioria anulando esta lei marcial, mas é esta deriva ditatorial que nos parece estar aqui a correr e com algumas ondas e impactos regionais. Claro que este presidente gosta muito da política de Donald Trump e estará nessa deriva também, estará de alguma forma contente com esse quadro de alteração política que vai acontecer nos Estados Unidos. Já o afirmou. Não sei. Essa política com os Estados Unidos poderá ser relativamente moderada, se quisermos, mas há um quadro regional que certamente poderá não ser tão positivo para a Coreia e a sua política externa.

E só para terminarmos, Jorge Tavares da Silva falou há pouco de ser uma questão interna. Como temos uma guerra no Médio Oriente, além da guerra na Ucrânia, pode haver aqui algum risco de uma outra guerra surgir?

Eu julgo que não. Apesar de tudo, é como digo, é um quadro político interno na Coreia do Sul adverso. Podemos ter uma situação interna tensa E até violenta em alguns casos. Essas coisas acontecem quando há divisões políticas internas. Podemos correr esse risco. Do ponto de vista de política externa da Coreia do Sul, não vejo propriamente agora um problema direto com a Coreia do Norte. Claro que há esses indícios, essas ligações, mas não me parece que haja aqui problemas de instabilidade com a própria Coreia, apesar de tudo. E os outros quadros do Médio Oriente e do quadro da própria guerra na Ucrânia, não haverá aqui também uma ligação. Sabemos que há agora militares norte-coreanos também na Ucrânia, no contexto da guerra da Ucrânia, mas não haverá propriamente, desse ponto de vista, implicações. As implicações são mesmo internas e podemos ter instabilidade na própria Coreia do Sul, fruto desta alteração do quadro político nacional, mas foi o que a população também da Coreia do Sul escolheu. A população escolheu um regime ou um governo mais conservador, mais de direita, com conjunto de políticas não progressistas e, portanto, é aquilo que está a acontecer.

Grande tensão na Coreia do Sul, a partida restringida ao país. Muito obrigada por esta breve explicação, especialista Jorge Tavares da Silva. Obrigada, esteve conosco nesta edição das 18h.

E olhamos agora para a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gêmeas, que está hoje de regresso. Ana Isabel Lopes, diretora de Pediatria do Hospital Santa Maria, garante que nenhuma criança foi deixada para trás quando da compra do medicamento mais caro do mundo para as gêmeas luso-brasileiras.

Nenhuma criança ficou por tratar, não havia lista de espera, todas as crianças elegíveis e a única que existia elegível à data era a terceira criança, circunstancialmente uma criança dos Açores mais pequenina, que entretanto foi diagnosticada, foram todas tratadas. Depois surgiram outros casos, mais tarde, naturalmente, mas nenhuma criança ficou sem tratar.

A diretora da Pediatria do Hospital de Santa Maria adianta também que o medicamento em causa tem agora um valor a rondar €1.200.000, mais baixo face aos dois milhões que custava quando foi administrado às duas crianças.

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, considera que agora que o governo tem o orçamento aprovado, é preciso deixar de navegar à vista.

No sofá do Parlamento, aqui na Rádio Observador, o socialista afirma que é tempo de o executivo de Luís Montenegro começar a impor as reformas eleitorais que foram prometidas pela AD.

Neste momento há um orçamento aprovado e o governo não pode continuar a navegar à vista, usando o excedente orçamental para ir tapando alguns buracos.

Já quanto à abstenção do PS no orçamento, Brilhante Dias afirma que o partido não podia fugir às responsabilidades e deixa também um alerta: agora é preciso fiscalizar as ações do governo.

Negociações interrompidas pela segunda vez no espaço de dois meses. Os bombeiros sapadores saíram à rua, concentraram-se em frente à sede do governo em Lisboa, onde protagonizaram momentos de tensão.

O executivo promete voltar à mesa de negociações quando houver garantias de tranquilidade no exercício do direito à administração e também de diálogo. Até lá, as conversas com o governo estão interrompidas por tempo indeterminado.

O Ministério da Justiça conseguiu preencher todas as vagas no concurso para novos oficiais de justiça. São 570 novos lugares. O concurso foi lançado há três meses. Os novos oficiais de justiça entram em funções a 13 de janeiro.

Notícia avançada ao programa Justiça Séria pela diretora-geral da Administração da Justiça, Ana Cláudia Cáceres, que explica que agora vai haver um período de formação.

Primeiro temos que colocar estas pessoas nas vagas. Estas pessoas vão ainda ter formação. Neste concurso, vamos apostar também numa formação mais específica. No concurso passado, os senhores oficiais de justiça tiveram uma formação mais genérica.

Ana Cláudia Cáceres, diretora-geral da Administração da Justiça, diz que para já não está previsto um novo concurso para contratar novos oficiais.

Estes 570 começam a trabalhar dia 13 de janeiro.

Vamos agora atualizar outras notícias em destaque a esta hora.

Volodymyr Zelensky afirma que a Ucrânia está a acelerar a produção de mísseis, é o que se pode ler numa publicação nas redes sociais. O chefe de Estado ucraniano acrescenta que os contratos com os produtores de armas aumentaram de forma significativa.

Isto é um passo para que a Ucrânia consiga reduzir a dependência da ajuda militar estrangeira. E ao segundo dia de Joe Biden em Angola, o presidente João Lourenço afirma que é preciso reforçar a cooperação com os Estados Unidos no setor da defesa e da segurança, assim como atrair mais investimento norte-americano.

Em declarações no Palácio Presidencial, em Luanda, o chefe de Estado do país afirma que esta visita inédita a Angola enterra um passado das relações dos dois países na Guerra Fria, em que nem sempre Estados Unidos e Angola estiveram alinhados.

E há uma nova diretora da FIFA, a antiga jogadora da seleção feminina de futebol norte-americana, Jill Ellis, foi nomeada hoje para integrar a equipe de gestão executiva do organismo para a área que promove o desenvolvimento e implementação da estratégia global de futebol da FIFA.

Segunda parte do jogo entre Portugal e República Checa no futebol feminino. É o playoff de qualificação para o Euro 2025. Aos 64 minutos de partida, Portugal empata 1x1.