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Jornal das 10, edição com Miguel Viterbo Dias. Esta noite, Miguel, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva defrontaram-se naquele que foi o último debate televisivo antes das eleições de amanhã. A segurança foi um dos temas que ditou as maiores diferenças entre os dois candidatos.

Sobretudo, a forma de abordar o Primeiro Comando da Capital, uma das organizações criminosas com maior poder no Brasil. Flávio Bolsonaro perguntou a Lula se é contra classificar o PCC como organização terrorista, mas o atual presidente fugiu à resposta para atacar o passado de Bolsonaro. O candidato à liderança do Brasil defendeu um polícia que matou uma mãe de uma criança e Bolsonaro atrapalhou-se com a acusação feita por Lula.

Sabe o que aconteceu ali? É um território dominado por esses narcoterroristas que ele defende. Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de cinco anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Era uma troca de tiros numa comunidade conflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí. E o que eu estou fazendo, eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo.

Flávio Bolsonaro deixa a promessa de classificar o PCC como organização narcoterrorista, com Lula da Silva a acusar o adversário de entregar o combate ao crime no Brasil a Donald Trump.

Quando ele fala do narcotráfico, é porque ele quer entregar para o Trump cuidar daqui. E eu quero cuidar do território aqui. Aprovada a PEC de segurança, eu vou criar o ministério e aí você vai ver o que é um governo acabar com a polícia e deixar o território livre. Você vai ver a gente colocar em prática de verdade para o trabalhador, segurança. Para o bandido, cadeia. Isso vai acontecer, vamos criar o ministério, fortalecer a Polícia Federal, fortalecer a Polícia Rodoviária Federal e acabar com essa bandidagem de miliciano e narcotráfico aqui no Rio de Janeiro e no Brasil inteiro.

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro sobre segurança. Também os impostos foram tema, com Flávio Bolsonaro a acusar o atual presidente de promover o maior imposto do mundo.

Você simplesmente invade o bolso do contribuinte. Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do Imposto de Valor Agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem. Estima-se que seja de 28%. Ele já tinha que ter enviado para o Congresso Nacional um projeto de lei, falando qual é a alíquota. Sabe por que ele não fez? Porque vai ser o maior IVA do mundo. O brasileiro vai pagar o maior imposto do mundo na era Lula.

Lula da Silva diz que os impostos só interessam às elites e puxa dos galões no combate à pobreza.

Eles se incomodam com pobre na universidade, com pobre no instituto federal, com a pessoa que ganha o máximo salário mínimo, com filha de pedreiro virando engenheira, virando médica. Isso incomoda. Ele fica no mesmo discursinho. Vai atrasar. Eu tinha acabado com a fome nesse país em 2012. Eu voltei em 2023 com 33 mil pessoas passando fome. Ele se importa com isso? Não, porque onde ele mora, as pessoas não passam fome. No condomínio dele, as pessoas não passam fome, a família dele não passa fome e ele não sabe o que é fome. Essa é a verdade.

A intervenção de Lula da Silva a desvalorizar as acusações de cargas fiscais excessivas. No final, Lula pediu aos brasileiros para evitarem o governo de um miliciano, referindo-se a Bolsonaro. Já o candidato que desafia Lula da Silva pede uma reflexão sobre se a vida dos brasileiros melhorou ou piorou nos últimos quatro anos.

Por cá, André Ventura diz estar disponível para ser ouvido na Comissão de Inquérito Luís Neves, mas reconhece que é uma situação inédita.

Isto porque o presidente do Chega é também presidente da Comissão de Inquérito e o Livre quer ouvir André Ventura por causa do assalto ao gabinete na Assembleia da República, em que terão sido roubados documentos relacionados com o ministro da Administração Interna. Esta manhã, em comunicado, o Chega diz que André Ventura está disponível para ser ouvido caso essa seja a vontade dos partidos, mas também diz que ser inquirido numa comissão e ser presidente não são exercícios compatíveis. Assim, o Chega diz que André Ventura vai avaliar com os coordenadores de cada partido, neste inquérito parlamentar, a melhor forma de garantir a integridade do funcionamento da Comissão, a independência e credibilidade junto da opinião pública. O Chega entregou ontem uma lista de 50 nomes a serem ouvidos neste inquérito. Para além do Luís Neves, o partido de André Ventura quer ouvir o atual diretor da Polícia Judiciária, antigos diretores e dirigentes de topo da PJ, também o ex-primeiro-ministro António Costa e ainda atuais e antigos ministros da Justiça e até o juiz Carlos Alexandre.

O secretário-geral do PS não pede a saída do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, mas insiste com o primeiro-ministro para deixar cair a Lei das Rendas.

José Luís Carneiro aconselha Luís Montenegro a guardar a nova Lei do Arrendamento na gaveta. Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PS focou as atenções no primeiro-ministro e destaca que a nova lei não pode mesmo avançar.

O primeiro-ministro tem um desafio que foi colocado pelo PS. O desafio é: meta esta Lei do Arrendamento na gaveta, ponto um. Ponto dois, que se disponibilize a trabalhar com o PS numa garantia pública que responda aos proprietários e que responda também aos inquilinos.

José Luís Carneiro que se disponibiliza a trabalhar com o Governo para criar um mecanismo público que assegure a proteção de senhorios e arrendatários. O líder do PS classifica ainda as declarações do presidente do IHRU infelizes e considera que é Luís Montenegro quem tem que tomar uma decisão sobre se deve ou não demitir Benjamim Pereira.

As manifestações pela habitação que ficam também marcadas pela realização de várias assembleias populares.

É um dos símbolos dos movimentos que têm ocupado as praças de Lisboa e do Porto. Oficialmente, as acampadas não têm líderes. Os manifestantes tomam decisões através das assembleias populares, que dizem ser horizontais. É nesses momentos que votam os próximos passos, que decidem se pernoitam ou não no local e se permanecem dentro das tendas ou ao relento. A jornalista do Observador, Mariana Furtado, acompanhou de perto as várias assembleias populares destes protestos pela habitação e descreve o processo de funcionamento.

O que é certo é que as assembleias populares acontecem todos os dias por volta das 19h, salvo alguns atrasos, e têm sempre os tais dois momentos: o da apresentação de propostas ou intervenções e o das votações. Por vezes, é também definida uma ordem de trabalhos, algumas com mais pontos, outras com menos e noutras vezes abre-se simplesmente o microfone e qualquer pessoa pode ir apresentar propostas para serem votadas num segundo momento. Mas também já chegou a acontecer de serem iniciadas votações e depois abrir-se novamente o debate. Não há aqui nada muito rígido.

É o que explica a jornalista Mariana Furtado na história do dia da Rádio Observador. Durante as intervenções nas assembleias populares, os manifestantes defendem que a verdadeira democracia é feita nas ruas. Hoje há várias manifestações marcadas para vários pontos do país. Em Lisboa está marcada para as 15h, começa no Marquês de Pombal, desce depois à Avenida da Liberdade até chegar à Praça do Rossio, onde os manifestantes pretendem voltar a montar as tendas. No Porto, o protesto está marcado para as 16h, numa marcha lenta entre a Praça da Batalha e a Praça Dom João I, onde tem estado sediada esta acampada do Porto. As manifestações vão hoje também estender-se a cidades como Aveiro, Braga, Coimbra e Faro.

E estas assembleias populares são tema da história do dia para ouvir depois deste jornal das 22h. O Presidente da República agradece a todos os que servem no exército em condições cada vez mais difíceis.

Numa mensagem para assinalar o Dia do Exército, António José Seguro expressa reconhecimento a todos os que servem num contexto internacional cada vez mais complexo, exigente e imprevisível. As comemorações deste ano assinalam-se na cidade do Porto, com o chefe de Estado a dizer que é cada vez mais justo reconhecer os que cumprem as missões em território nacional e no estrangeiro. António José Seguro elogia as Forças Armadas pelo profissionalismo e sentido de dever, pela forma como contribuem para a defesa da liberdade, da soberania e dos interesses nacionais. Nesta missiva, o Presidente da República saúda também os antigos combatentes e pede que o Exército continue a honrar o legado de coragem, resiliência e perseverança para preparar o futuro de Portugal.

Vamos ao futebol. O Porto regressa ao campeonato para jogar frente ao Gil Vicente.

Depois de duas derrotas consecutivas para a Liga dos Campeões, o Porto mantém um registo 100% vitorioso para o campeonato. O técnico dos Dragões relembra que muitos atletas só agora é que se estão a estrear na liga milionária. Já quanto ao desafio frente ao Gil Vicente, Francesco Farioli prevê uma partida num estádio hostil para os azuis e brancos e elogia o treinador dos gilistas.

O Gil Vicente é uma equipa que tem diferentes variações e diferentes soluções. Uma equipa que está muito bem treinada e que está num bom momento de forma. Sabemos muito bem o quão exigente é ir jogar lá. Foi assim na última temporada e vai ser também este ano com o novo treinador.

Francesco Farioli não desvenda quem vai ser o titular no lado esquerdo da defesa do Porto. Já o treinador do Gil Vicente acredita que os Dragões vão apresentar um jogo intenso, mas com diferenças face ao ano passado.

É uma equipa que vai exigir igualmente que estejamos a um nível de concentração altíssimo, a um nível de atitude competitiva muito alta e que a nível interno tenha um pleno em tudo aquilo que são os jogos, quer na Supertaça, quer no campeonato. E isso por si só diz aquilo que é a valia do nosso adversário.

Luiz Pinto, treinador do Gil Vicente, sobre este jogo marcado para as 20h30.

Vai ter relato e análise em direto aqui na Rádio Observador. A emissão especial de desporto arranca depois das 20h. E a esta hora, Miguel, que outras notícias estão em destaque?

No inusitado Mundial de Futebol de sub-15, que junta 189 seleções, Portugal entrou a vencer por 1 x 0 frente à equipa do Burundi. Este mundial é um teste da FIFA para juntar todos os países que integram a organização. Está a ser jogado no Azerbaijão. O golo de Portugal foi apontado pelo capitão Ruben Tavares. O piloto espanhol Marc Márquez venceu a corrida sprint do Grande Prémio da Austrália de MotoGP. A corrida ficou marcada pela queda de Jorge Martin, da Aprilia, que vai falhar a corrida principal de amanhã. Assim, Marc Márquez, da Ducati, recupera a liderança do Campeonato do Mundo e com a queda do compatriota, fica também com via aberta para conquistar o décimo título mundial e superar os nove de Valentino Rossi. Os relógios vão atrasar uma hora na próxima madrugada. Portugal continental, também as regiões autónomas da Madeira e dos Açores vão atrasar os relógios. Em Portugal, essa mudança do relógio faz-se quando forem 2h, passa para 1h. Na região autónoma dos Açores, a mudança será feita à 1h, passando para a meia-noite.