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Jornal das seis da Rádio Observador, com Luís Soares. Terminou sem acordo a reunião de concertação social sobre as mudanças nas leis laborais. A Ministra do Trabalho acusa um dos parceiros sociais de intransigência.
Maria do Rosário Palma Ramalho foi a primeira a falar no final dessa reunião, que durou pouco mais de uma hora no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa. É lá que continua ainda o repórter Miguel Gato, que acompanhou as declarações no final da reunião. E Miguel, a UGT deixou também uma acusação à CIP de não ter levado à reunião as cedências que ontem tinha apresentado.
Sim, foi isso que disse o secretário-geral Mário Mourão, acusou a CIP de não ter levado essas propostas que a CIP apresentou ontem em conferência de imprensa, nesta que foi uma reunião, que como disseste, foi menos demorada do que as anteriores de concertação social. E comecemos pelo início. Falou a Ministra do Trabalho. Normalmente, o governo é o último a reagir às reuniões de concertação social. Desta vez, Maria do Rosário Palma Ramalho decidiu começar essa ronda de intervenções para dizer por que é que este acordo falhou.
O governo esteve sempre de boa fé nesta negociação, tentou ao máximo levá-la a bom porto, fez inúmeras cedências, aliás, como outros parceiros também fizeram. Não houve matérias, designadamente nenhuma das linhas vermelhas de que se falou em que o governo não tivesse cedido. Infelizmente, um dos parceiros revelou-se absolutamente intransigente e, portanto, não permitiu as aproximações que eram necessárias para chegarmos ao acordo que desejávamos.
Aqui a Ministra do Trabalho a referir-se à UGT, a dizer que foi intransigente no processo negocial. Agora a ministra vai propor ao primeiro-ministro que se avance com projeto de lei para o Parlamento, mesmo sem acordo em concertação social. A ministra não esclareceu qual é que é exatamente a versão final que vai ser apresentada ao Parlamento, disse apenas que é uma versão parecida àquela que foi proposta inicialmente, mas com alguns pontos de convergência com aquelas que foram as propostas apresentadas pelos sindicatos, sem indicar quais. Rejeita qualquer tipo de derrota neste processo negocial para o governo. Vamos agora também recuperar as declarações de Mário Mourão, o secretário-geral da UGT, que disse que ainda não está em questão a greve geral, mas explica também o que é que aconteceu esta tarde.
E por isso, uma vez que não havia nenhuma proposta em cima da mesa hoje diferente, considerou a UGT que a decisão do seu secretariado era aquela que tinha transmitido ao governo.
A UGT, que em secretariado nacional no dia 23 de abril, declarou a rejeição da última versão do anteprojeto do pacote laboral. E aqui Mário Mourão a explicar que a UGT apenas manteve essa posição que tinha decidido em secretariado nacional. Por parte da CIP, Armindo Monteiro falou num esforço inútil e acusou a UGT de nunca querer fazer um acordo.
Isto que hoje aconteceu foi mais uma vez a demonstração que a UGT não estava minimamente interessada em acordo nenhum. E o que nós ontem demonstramos ao país, e que hoje se tira a conclusão, é que efetivamente isso é verdade. Nós podíamos ceder em todas as linhas, que não havia nenhuma possibilidade de acordo.
É o que considera Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal. Escutamos aqui a troca de acusações entre a CIP e também a UGT. Também falaram as confederações do comércio, da agricultura e do turismo, que pedem ao governo que não desista de avançar com esta reforma laboral, que a leve ao Parlamento. Dizem também que seria positivo para o país ter um mercado de trabalho mais flexível e menos rígido, mas a conclusão final e principal da confederação que aconteceu hoje é que não há acordo entre governo, patrões e também sindicatos.
Miguel Gato, ele que acompanhou este final da reunião de concertação social, que terminou então sem acordo.
E os principais partidos, Luís, também já começaram a reagir.
Desde logo, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusa a UGT de falta de vontade para chegar a acordo e elogia o governo pela capacidade de diálogo.
Ao que se sabe, a UGT terá mesmo negado ou, se quiserem, renegado todos os consensos que já tinham logrado obter nas mais de novecentas horas de negociação. Aquilo que sobra é aquilo que foi possível acordar com a UGT, que a UGT agora diz que, no fim do dia, rejeita tudo, e aquilo que foi possível acordar com as confederações patronais. Mas sobra, sobretudo, o exemplo demonstrado de um governo que levou até ao limite do possível a capacidade de diálogo com a concertação social.
Hugo Soares, que já vai sublinhar que a seguir cabe ao governo decidir qual é a proposta que apresenta ao Parlamento. Já do lado do PS, Miguel Cabrita culpa o governo por aquilo que aconteceu.
Nenhum dos pequenos acertos que foram sendo feitos
Sem nunca mexer nas traves mestras da proposta legislativa, foram alguma vez capazes de parecer conduzir a um acordo e o Governo não entendeu. E até ao último dia, o Governo prestou-se a que fosse o senhor Presidente da República a tentar apelar a um acordo e ainda ser a própria CIP, já depois do Governo ter dado por encerrado este processo e anunciado um acordo com os empregadores, a própria CIP veio ainda procurar encontrar margem para mais negociações e o Governo nunca entendeu, geriu este processo mal e com enorme inflexibilidade do primeiro ao último dia. O Governo, na verdade, desistiu do diálogo social.
A acusação de Miguel Cabrita do PS. Do lado do Chega, o líder do partido, André Ventura, diz que já esperava este desfecho.
Não há nada que me surpreenda. Como já tinha dito, o PS não tinha interesse desde o início em aprovar esta legislação. É sabido que o Partido Socialista tem uma grande influência na UGT. Ontem verifiquei que a CIP até tocou em muitos pontos que o Chega tem defendido como pontos importantes de mudança desta reforma laboral: a questão dos despedimentos, a questão do outsourcing, a questão da forma dos contratos. Portanto, vi com bons olhos a abertura que a CIP ontem já mostrou em ceder em também determinadas matérias que o Chega tem sido muito vocal desde o início.
André Ventura, o líder do Chega, que reagiu mais ou menos na mesma altura em que soube deste não acordo na concertação social. O Chega estava nessa altura a apresentar a proposta de revisão constitucional que vai fazer chegar à Assembleia da República.
E a ministra do Trabalho é nossa convidada para um "Sob Escuta" especial amanhã, em direto, às 9h da manhã, nas manhãs 360. A ministra do Trabalho estará aqui na Rádio Observador. E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira, 7 de maio.
Nomeadamente esse jogo decisivo da Liga Europa. O Braga joga em Friburgo a segunda mão das meias-finais, para a qual, de resto, leva vantagem. E apesar do jogo ser na Alemanha, Maria Rego, agora em direto, os adeptos já se juntam na Praça do Município para assistir à partida.
Já está tudo a postos aqui para esse jogo, mais logo, entre o Friburgo e Sporting Braga. Já está aqui, inclusive, o ecrã gigante onde os adeptos vão poder assistir à partida mais logo, às 8h da noite. Neste momento, começam-se aqui a juntar já alguns adeptos. Vou falar aqui com Rodrigo Lopes e Hugo Pereira. Começo por perguntar-vos que expectativas é que têm para o jogo de logo.
Acho que devido a ser um jogo tão importante, acho que a equipa vai dar tudo. Os adeptos também vão estar lá para apoiar em grande quantidade e aqui no ecrã também. A expectativa é conseguir passar e conseguir, 15 anos depois, voltar ao maior palco da Europa.
Eu acho que o jogo vai ficar um zero, o gol. É um jogo bastante complicado, mas acho que vamos sempre sair por cima e vamos à final com o nosso Mister Carlos Wincent.
E a vantagem da primeira mão de dois gols a um já dá aqui algum tipo de fôlego?
Eu penso que dá, acima de tudo, uma motivação. Eles são uma equipe que joga muito bem e acredito que o Braga hoje também vai jogar mais fechado para tentar guardar a vantagem que leva, mas acredito que sim, tanto aos jogadores como para nós, adeptos, dá sempre uma motivação extra, uma resta de esperança de voltar à final.
É uma motivação e, sobretudo, é um alívio de não ter a pressão de ter de marcar. E assim o Braga pode fazer o seu melhor futebol, que é jogar a bola.
Muito obrigada. Ficamos então com estas palavras, estas motivações dos adeptos. Como dizia, Luís, tudo a postos para esse duelo da segunda mão da meia-final da Liga Europa aqui em Braga.
A Maria Rego vai acompanhar o jogo em Braga, marcado para às 8h da noite, com os adeptos que vão estar na Praça do Município a ver o jogo em ecrã gigante.
Tudo a torcer pelo Braga. Luís Soares regressa às 18h30 para atualizar as notícias. Já daqui a pouco temos "E o Vencedor É?", com o Judite França, o Anselmo Crespo e o Nuno Gonçalo Poças.