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Vamos ao Jornal das 6 com Vasco Maldonado Correia. Vasco, em destaque: a Itália decidiu mesmo suspender os acordos de livre circulação na União Europeia com Espanha. É uma resposta à crise migratória em Ceuta.
Giorgia Meloni já veio pedir a suspensão temporária dos acordos do espaço Schengen com Espanha, agora avança com novas medidas mais restritivas. Itália não tem fronteira com Espanha, por isso as regras aplicam-se às fronteiras aéreas e marítimas, que ganham escrutínio adicional. Os passageiros que viajem de avião ou de barco vindos de Espanha vão ter de se submeter ao controle de passaportes.
Também França está a mobilizar meios para fortalecer o controle das fronteiras com Espanha.
Anúncio feito por Emmanuel Macron, na rede social X, na última hora. O presidente francês explica que tem estado em contato com o governo espanhol a oferecer a ajuda necessária, através do Frontex. Lembra que Ceuta não beneficia da liberdade de circulação como o resto do espaço Schengen, mas que, de qualquer forma, foram já enviadas para o local quatro unidades de forças móveis, aeronaves e drones.
E há uma nova atualização do número de migrantes ilegais em Ceuta que já regressaram a Marrocos.
Subiu para 48.300, de acordo com o governo espanhol. O "El País" diz que faltam apenas retirar 1700 pessoas nesta situação de Ceuta. Voltamos em direto à reportagem em Ceuta. Desta vez, vamos ao encontro da jornalista Inês André Figueiredo. Inês, estás agora de regresso à praia por onde os migrantes têm entrado. Agora com o exército no areal, o que não estava a acontecer de manhã.
Perdemos momentaneamente a ligação com a Inês. Vamos tentar restabelecer, Vasco.
Inês, consegues ouvir-nos?
Ainda não. Já voltamos a esta ligação.
Voltaremos à Inês André Figueiredo. Dizer apenas que, entretanto, Pedro Sánchez, o líder do Executivo, já respondeu também às críticas de alguns dos aliados europeus. Numa nota deixada na rede social X, Pedro Sánchez avisou que este não é o momento para divisões, e sim para a união dentro da Europa, e publicou várias estatísticas que mostram que, no número de entradas irregulares na Europa nos últimos anos, a maioria até ocorreu através do espaço de países como a Itália ou a Grécia.
Tentamos ainda restabelecer essa ligação com a Inês André Figueiredo, que está em Ceuta e tem estado todo o dia também a acompanhar o que se passa neste território espanhol no continente africano. É uma ligação que vamos tentar, Vasco, estabelecer ainda neste Jornal das 18h. Seguimos com um alerta deixado por Diogo Noivo, especialista em segurança e defesa e em política espanhola. Diz que Marrocos está a utilizar a imigração como arma para pressionar a Europa.
Foi no Explicador da Rádio Observador esta tarde. Diogo Noivo afirma que Marrocos levanta problemas para a Espanha, também para a União Europeia, por várias razões: controle de imigração ilegal, controle do narcotráfico e também do terrorismo. E precisamente por ter consciência dessa importância, está a pressionar o país.
Ceuta é território espanhol, mas é também uma fronteira externa da União Europeia. E, portanto, Marrocos o que faz com frequência é, quando entende que não está a ser tratado de maneira correta ou quando tem uma qualquer razão de queixa, simplesmente, poderia ser um exagero de linguagem, mas não é: lança imigrantes à fronteira, para com isso criar uma crise em Espanha e na União Europeia.
É o que diz Diogo Noivo no Explicador da Rádio Observador, numa altura em que, agora sim, temos condições para o encontro da Inês André Figueiredo. A rede em Ceuta está a atravessar algumas dificuldades, por isso fazemos este direto através do telefone. Inês, dizia há pouco que estás agora de regresso à praia por onde os migrantes têm entrado em Ceuta, mas agora o exército já está no areal, o que não estava a acontecer de manhã.
Exatamente, é isso que está a acontecer, Vasco. Basicamente, recordando aquilo que aconteceu aqui de manhã, quando nós chegamos à praia pela primeira vez, estavam várias pessoas a entrar pelo mar. Todas elas passavam da água para o areal e eram encaminhadas pela guarda civil, que tinha aqui um cordão de segurança, e era feita a essas pessoas uma pergunta: Espanha ou Marrocos? E dependendo da resposta das pessoas, ou ficavam livres dentro de Ceuta, sem qualquer restrição, ou então regressavam a Marrocos pela fronteira terrestre, que está aberta, que se tem abrir para que estas pessoas regressem a casa. Neste momento, o cenário é completamente diferente. O exército, que esteve sempre na parte da fronteira terrestre, agora desceu para o areal. Estão aqui várias dezenas de elementos do exército e as pessoas que vão chegando a nado ficam retidas em frente a esses membros do exército, estão com água pelos tornozelos, outros pelos joelhos, quase todos de braços cruzados, à espera que lhes seja dito como é que vão sair daqui, para onde é que vão, porque a opção de voltar para trás a nado é obviamente impensável para estas pessoas. A opção delas, neste momento, é desistirem de ficar em Ceuta e aproveitarem esta fronteira terrestre que está aberta para regressarem a Marrocos. É isso que está a acontecer com algumas delas, que vão desistindo, por assim dizer, de estar nesta fila e acabam por se juntar a quem está a sair. Já agora, ao longo do dia, temos visto muita gente por toda a cidade a deambular um pouco sem rumo, porque as pessoas não têm comida, não têm água, os supermercados e as lojas estão fechadas. Por isso, neste momento, a situação é um bocadinho imprevisível e apesar do número que tem sido avançado pelo governo, dos migrantes que já regressaram a casa Parece haver muito mais pessoas a chegar, estão pessoas a chegar à minha frente neste momento. As autoridades espanholas não vão manter aqui estas pessoas durante a noite na água, terão de arranjar aqui uma solução. Só deixar aqui outra nota de reportagem que é o fato de algumas pessoas que não têm comportamentos tão ordeiros, estarem a ser convidadas a sair de forma um pouco mais agressiva, por assim dizer, por parte destes elementos do exército.
Fica essa nota de reportagem da Inês André Figueiredo, que está com o João Porfírio em reportagem em Ceuta a acompanhar esta crise migratória.
Vasco, acontece em vários países na Europa este pedido para a suspensão do acordo de Schengen com a Espanha. Em Portugal, o Chega defende o mesmo.
André Ventura insiste na necessidade de encerrar as fronteiras com Espanha.
Se um governo é incompetente, corrupto ou inerte, não pode, por isso, levar todos os povos da Europa para uma situação equivalente. É por isso que apelo ao governo de Luís Montenegro, ao governo liderado pelo PSD, que consiga repor, ainda durante o dia de hoje, as fronteiras com Espanha, para garantirmos que nenhum destes milhares, dezenas de milhares de migrantes, passam para o território português nas próximas horas.
O líder do Chega acusa o país vizinho de não conseguir defender o próprio território.
O que fazem com as fronteiras espanholas é com eles. Se querem deixar toda a gente entrar, regularizar toda a gente, é um problema que Espanha vai ter que resolver. Não nos metam a nós nesse filme, não metam os portugueses ao barulho e salvem ou salvaguardem as relações com os outros povos, nomeadamente com os dois países com os quais têm fronteira externa.
Alertas deixados por André Ventura esta tarde numa conferência de imprensa na sede do Chega.
Ceuta é um território que está abrangido por um regime especial dentro do espaço Schengen e obriga a um controle das saídas nas fronteiras.
Não está, por isso, dentro das mesmas regras que os restantes territórios no espaço Schengen, é o que explica à Rádio Observador Madalena Mayer Resende, especialista em relações internacionais, o que quer dizer que quem está em Ceuta, nesta altura, não consegue entrar sem fiscalização em Espanha continental ou em qualquer outro país na Europa.
Tem um regime especial e existem controlos nas ligações com a Espanha continental. Por isso estas ameaças de suspender a Espanha de Schengen são, sobretudo, políticas. Nenhum país pode expulsar unilateralmente o outro do espaço Schengen ao pedir isso, pode, isso sim, restabelecer temporariamente os controlos nas suas próprias fronteiras.
É o que explica Madalena Mayer Resende, especialista em relações internacionais, acredita que a grande maioria dos migrantes vai acabar por regressar a Marrocos de forma voluntária.
Passam nove minutos das 18h, Vasco Maldonado Correia. O que está também a marcar a atualidade a esta hora?
Foi chumbado o pedido de audição parlamentar dos ministros da Administração Interna e da Justiça, por falta de consenso na conferência de líderes. É já a segunda vez que é impedida a audição de Luís Neves na Comissão Permanente do Parlamento. No início da semana, a Iniciativa Liberal tinha também avançado com esse requerimento. Tanto na altura como agora, foram os votos contra do PSD e do CDS a ditar esse chumbo. O Estado registou um déficit de mais de €200 milhões na primeira metade do ano, é o que consta do mais recente balanço da entidade orçamental, divulgado hoje. O Estado passou de um excedente orçamental ao déficit, com um decréscimo cerca de €2200 milhões face ao mesmo período do ano passado. Olhamos também para a situação dos incêndios em Portugal continental. Nesta hora há quase mil operacionais no terreno a combater o incêndio em Vale de Passos. Há também mais de 12 meios aéreos no terreno. As chamas já começaram a queimar mais de 15 mil hectares, pelo menos. O fogo tem várias frentes ativas, as que mais preocupam as autoridades estão em Mirandela e em Vinhais. Fechamos com o futebol. Há apenas um dia da Supertaça Cândido Oliveira e a uma semana do arranque dos campeonatos, os árbitros tomam uma posição contra Pedro Proença. Decidiram não iniciar hoje os trabalhos na primeira ação de reciclagem e avaliação do setor. Isto depois da divulgação de alguns áudios em que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol critica a arbitragem. Os árbitros de futebol profissional dizem que não há condições reunidas para participar neste evento.
Às 18h30, o Vasco Maldonado Correia regressa com mais notícias. Já daqui a pouco temos a edição desta tarde de "E o Vencedor É".