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Jornal das 7 com a Vanessa Cruz. Vanessa, o antigo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, avisa que a inflação vai deixar de beneficiar o governo.
Ajudou, mas vai deixar de ajudar. É o que afirma o ex-ministro da Economia de António Costa, entrevistado no programa Direto ao Assunto, aqui na Rádio Observador. O socialista defende, no entanto, que o Executivo já estava a mostrar resultados, com crescimento, mesmo antes de a inflação subir.
Eu penso que obviamente a inflação ajudou, mas a inflação não vai continuar a ajudar, porque a inflação só ajudou quando a receita subiu primeiro do que os custos. Neste momento, o que temos é que no Estado, os custos, quer os custos salariais, quer os custos dos serviços que o Estado compra, já estão a refletir também a inflação. Portanto, a inflação já não vai ajudar tanto agora, mas é óbvio que a inflação ajudou. Mas eu penso que a política de consolidação orçamental tem sido seguida pelo governo já antes de haver este surto de inflação, que é muito recente, e com resultados que foram muito positivos antes da crise pandémica.
O ex-ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, diz ainda que o governo não precisava de consultar a comissão que estuda a sustentabilidade da Segurança Social antes de anunciar a subida nas reformas. Esse anúncio foi feito ontem e diz que o Executivo está apenas a cumprir a fórmula de aumentos que já tinha previsto.
Não foi consultada, nem tem que ser consultada. Esta comissão, o que está a trabalhar é em medidas para o médio e longo prazo, e não para estes ajustamentos. E este ajustamento, eu penso que compreendo, não como membro da comissão, mas como economista, compreendo. É o governo, no fundo, a cumprir a fórmula de aumento e é o governo a fazer o que tinha dito que iria fazer, que era ao longo do ano, dados os resultados orçamentais, dadas as receitas para a Segurança Social, etc, decidir, de facto, o que era possível fazer.
Sobre o IVA zero em produtos alimentares, Manuel Caldeira Cabral considera que há sempre o risco de uma parte dos preços ser absorvida pelas margens. Diz o antigo ministro da Economia que há que perceber se para além da descida do preço dos alimentos, há efetivamente uma redução adicional do preço dos produtos.
Depois de Luís Montenegro, amanhã é a vez de André Ventura, ira Belém.
E se a Presidência da República deu nota de agenda do encontro de hoje com Montenegro, designando como líder da oposição, enviou depois uma outra nota a adiantar que amanhã vai receber o deputado André Ventura, ao final da tarde, sem referir que é o líder do Chega. Esta tarde, André Ventura já foi avisando o presidente da República que não quer que Marcelo Rebelo de Sousa seja um obstáculo à formação de uma alternativa com o Chega e pede, por isso, realismo.
O presidente da República não tem que ser ele o motor da oposição, pelo contrário. E nisso Marcelo Rebelo de Sousa tem sido incontornável. Agora, o presidente da República também não pode ser uma oposição à oposição. E, por outro lado, também tem que deixar claro que em caso de eleições ou dissolução da Assembleia da República, que não vai obstaculizar a solução que aritmeticamente parece ser a única possível. Tanto quanto sei.
Marcelo Rebelo de Sousa está à espera que PSD, Iniciativa Liberal cheguem para essa alternativa?
Eu também posso estar à espera que o Bloco de Esquerda passe o Partido Socialista. Eu sei que é uma pergunta, mas é realista? Não é. O presidente se calhar até espera que o Chega desapareça nos próximos dois anos, não vai acontecer.
André Ventura, em declarações aos jornalistas em Évora, na véspera de ser recebido por Marcelo Rebelo de Sousa, a pedido do próprio líder do Chega. Antes, foi a vez de Luís Montenegro, já hoje. Ele também pediu para ser recebido por Marcelo Rebelo de Sousa. Saiu de Belém a fugir das perguntas sobre a relação com o presidente da República, dizendo apenas que a cooperação institucional do partido com Belém está garantida, mas sublinhando ao mesmo tempo o recato destes encontros. Um dos temas que esteve em cima da mesa foi a data das europeias. O PSD é contra o dia 9 de junho, véspera de feriado. Luís Montenegro acredita que a abstenção iria disparar e pede uma data alternativa.
Voltamos ao Chega. O deputado Pedro Pinto diz que o partido está orgulhosamente sozinho à direita.
Opinião, em entrevista ao Observador, nas jornadas parlamentares do partido em Évora, Pedro Pinto promete que o Chega vai trabalhar para ultrapassar o PSD e critica tanto os sociais-democratas como a Iniciativa Liberal por não se quererem assumir como parte da direita.
Se não há outro partido de direita que não tenha medo de se assumir como direita, direita séria, e que prefira acordos com o Partido Socialista e com este governo que tem afundado o país, então não podem contar conosco. Então a direita somos nós. Ou seja, se a Iniciativa Liberal, por exemplo, não é de esquerda nem de direita, eles próprios dizem isso. Se o PSD prefere fazer um acordo com o Partido Socialista para viabilizar uma solução de governo de maneira unitária, então o Chega está isolado à direita. Estamos isolados à direita e muito bem, e tranquilamente, e faremos o nosso trabalho e o nosso caminho.
O deputado do Chega, Pedro Pinto, em entrevista à jornalista do Observador, Inês André Figueiredo, ele que veste muitas críticas a Luís Montenegro, acusa-o de estar mais interessado em colar-se ao PS do que ser alternativa ao governo.
Em última hora, Lula da Silva esclarece que é contra a violação da integridade territorial da Ucrânia.
Depois de uma onda de críticas do Ocidente, citado pelo jornal brasileiro G1, Lula da Silva afirma que durante um almoço com o presidente romeno, que ao mesmo tempo que o governo brasileiro condena a violação da integridade territorial da Ucrânia, defende também uma solução política negociada para este conflito. Para chegar a essa solução política, Lula da Silva, presidente do Brasil, reitera que é necessário criar urgentemente um grupo de países que tente sentar-se à mesa, tanto com a Ucrânia como com a Rússia para encontrar a paz. Lula da Silva tem sido criticado pelas recentes declarações em que acusou os Estados Unidos e também a União Europeia de estarem a alimentar o conflito na Ucrânia.
Vanessa, falamos agora de saúde, porque foi detetado um caso de lepra na Madeira.
Um caso importado, ao que parece. Temos já em direto nesta edição Gustavo Tatto Borges, que está na Madeira e a acompanhar esta questão, médico de saúde pública da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Gustavo Tatto Borges, obrigada por estar na Rádio Observador. Perguntava-lhe o que é que já sabemos sobre este caso de lepra e se é caso para preocupação.
Boa tarde. Antes, uma pequena correção: eu não estou na Madeira, estou no continente, mas estivemos em contacto com os nossos colegas de lá e dar-lhes os parabéns por manterem essa vigilância epidemiológica e detetarem este caso importado, que é sempre a melhor maneira de evitarmos que estas doenças se espalhem no nosso país. Portanto, foi um trabalho bem feito por parte da equipa da Madeira, que fez a identificação deste caso. É uma senhora que mora na Madeira desde o início do ano de 2022 e que terá vindo do Brasil, numa viagem que terá sido infetada, em princípio fora, chamado caso importado. Em termos de risco para as pessoas que residem na Madeira ou até mesmo as que vieram em viagem de avião com ela, o risco é muito reduzido. Não há necessidade de fazer isolamentos e as pessoas apenas têm que manter alguma vigilância do seu estado de saúde, mas à partida não deverá haver um problema significativo, até porque esta doença responde muito bem aos antibióticos que temos e mesmo aqueles que são considerados contactos próximos, e aqui estamos a falar majoritariamente o seu agregado familiar, as pessoas que têm contato diário, muitas horas com essa senhora, estarão a fazer provavelmente profilaxia e aí já estará a ser contida esta transmissão.
Não há risco de contágio rápido desta doença.
Não há risco de haver uma doença alargada na população. A infeção pode existir, é uma doença contagiosa, obviamente, mas não é fácil fazer essa transmissão. E aquilo que as pessoas que estiveram em contacto com ela, que vieram nesse avião, podem estar atentas é ao aparecimento de algum sintoma que possa levar a uma suspeita de lepra, mas que à partida não deverá aparecer, nomeadamente o aparecimento de placas esbranquiçadas na pele com um limite, uma borda saliente e bem definida e com alguma sensação de dormência nessa zona. Algumas poderão até desenvolver gânglios aumentados por essa resposta inflamatória que vamos tendo, outros com alguma fraqueza muscular num ou noutro sítio, mas maioritariamente ninguém terá sintomas, porque esta doença não se espalha de uma forma tão fácil, por exemplo, como a gripe e a Covid, que estamos tão habituados nestes últimos tempos.
E é importante referirmos aqui esses sintomas, que já enumerou. No continente não há notícia de nenhum caso de lepra. Já agora, só para ficar esclarecido.
Neste momento, não temos conhecimento de nenhum caso de lepra no continente. Creio que já nos últimos anos não temos tido nenhuma daqueles que vão aparecendo de vez em quando. Acho que nos últimos dois ou três anos não tenho conhecimento assim de nenhum. Têm sido também todos importados e em Portugal não temos essa doença cá, portanto, não é motivo de preocupação nesta fase para a generalidade da população portuguesa.
Daí que agora seja, de facto, notícia este caso de lepra importado na Madeira, de uma mulher vinda do Brasil. Agradeço-lhe, Gustavo Tatto Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, aqui a afastar, no entanto, qualquer tipo de preocupação adicional, apesar de ter sido registado este caso de lepra na Madeira.
Vamos ao futebol. É difícil, mas Roger Schmidt está confiante para a segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Depois da derrota por 2 x 0 frente ao Inter na semana passada, na Luz, o Benfica tenta a reviravolta amanhã, em Milão. O técnico alemão é realista, reconhece que não vai ser tarefa fácil, mas garante que há hipóteses.
Já o disse várias vezes, acredito sempre na minha equipa e no futebol é tudo possível. É uma situação difícil, não é 50-50. Ganharam 2 x 0 em nossa casa, jogam no estádio deles e têm o dobro do orçamento. É claro que não é fácil, mas não significa que não temos hipóteses. Temos de acreditar, estar focados e logo veremos se é possível dar a volta.
Já sobre a semana de férias que Roger Schmidt concedeu à equipa antes da última paragem para seleções e que tem sido motivo de várias críticas, o treinador do Benfica reconhece que foi um problema, mas para os que foram convocados para as respetivas seleções, acaba por afastar aqui alguma polêmica. O Benfica tenta amanhã a reviravolta nos quartos de final da Liga dos Campeões. Para isso, precisa de recuperar em Milão dessa derrota que sofreu na Luz por 2 x 0.
E a partida começa às 20h e tem relato aqui na Rádio Observador. A esta hora ainda olhamos, Vanessa, para outras notícias que estão a marcar esta terça-feira.
A Direção Regional da Saúde da Madeira, entretanto, já confirma a existência deste caso importado de lepra com origem no Brasil. Há instantes aqui na Rádio Observador, ouvíamos o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública explicar que se trata de uma mulher vinda do Brasil, mas que reside na Madeira há mais de um ano, um caso que está a ser seguido pelas autoridades de saúde, mas afastando aqui uma preocupação generalizada de contágio de lepra. É apenas um caso isolado. As autoridades estão à procura de um banhista desaparecido no mar, numa praia de Ovar, em Aveiro, é o que confirma à Rádio Observador o comandante da Capitania do Porto de Aveiro. O alerta para o desaparecimento foi dado pouco depois das 16h. Este homem estaria com um amigo na água, que conseguiu sair pelos próprios pés. Nas operações de busca estão envolvidos um helicóptero, três motas de água e dois barcos, além dos elementos da Polícia Marítima e dos bombeiros que se encontram em terra. Os enfermeiros do Hospital Garcia de Horta denunciaram que estão numa situação de burnout, assédio moral e pressão dos serviços médicos. Numa carta enviada às redações, os 24 enfermeiros do Serviço de Medicina três dizem que têm sido alvo de uma pressão profunda e que o Conselho de Administração tem ignorado as queixas. São denúncias já enviadas também aos sindicatos, à Ordem dos Médicos e às entidades reguladoras de saúde. Para amanhã, ao meio da tarde, há um novo encontro entre o ministro da Saúde e o Sindicato Independente dos Médicos, é o que adianta o secretário-geral Roque Dacunha. As negociações já decorrem há vários meses, vão até junho. Em cima da mesa estão medidas estruturais consideradas urgentes e melhores condições de trabalho para permitir fixar e captar mais médicos para o SNS. A liberdade só chegou ao fim de sete anos e meio. O último episódio do Sargento Marcella 7 revela-nos de que forma o português que esteve mais tempo preso durante a guerra de África foi finalmente libertado.
E foi na sequência de uma operação secreta nunca reconhecida pelo Estado Novo.
A Operação Mar Verde aconteceu a 22 de novembro de 1970, resultou na libertação de António Lobato, mas também de outros 25 prisioneiros portugueses.
António Lobato é finalmente um homem livre. Sete anos e meio depois Mas falta ainda chegar ao barco que o coloca a ele e aos outros prisioneiros a salvo. No meio da adrenalina da fuga, Lobato chega a pedir uma arma.
Eu disse: "Dá-me uma granada, dá-me uma arma qualquer, qualquer coisa". Que depois o meu instinto, isso não me esqueço nunca mais, era continuar: "Agora vamos para o meio de quando há crise acabo destes gajos todos que estão aí". Mas não, não me deram arma nenhuma, nem coisa nenhuma. Aí foi raiva, aí estava bem raivoso.
Mas pediu?
Pedi, mas não deram e fizeram bem, não deram. Eles devem estar malucos, o tempo que esteve, para darem-me a arma.
Aqui fica um excerto do episódio final de "O Sargento na Cela 7".
Uma série que faz parte dos Podcast Plus do Observador, com narração do ator PP Rapazote, música original do Noiserf, todos os seis episódios deste podcast estão disponíveis no site O Observador, em observador.pt.