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Sete horas. É o Jornal da Teta, edição é de Vasco Maldonado Correia. Segundo dia de trabalhos no Congresso do Partido Comunista, Paulo Raimundo acusa o PS de ter feito um favor à direita ao viabilizar o Orçamento Estado.
O 22º Congresso do PCP está a decorrer em Almada. Em entrevista à Rádio Observador, o secretário-geral comunista reitera que o PS está a agir como cúmplice das políticas do Executivo Social-Democrata e explica que a abstenção dos socialistas na votação do Orçamento do Estado deu também uma ajuda ao Chega e à Iniciativa Liberal.
Constatando um fato, o que fez foi isso, viabilizar o orçamento PSD/CDS, um orçamento de desastre, e associar-se à política que está em curso e vai ser responsável. Não é só um problema de se ter associado agora, é que vai ser responsável pelas consequências que vão ter, inevitáveis, essas opções de fundo político.
Permitiu que outros partidos da direita, como Chega e a Iniciativa Liberal, tomassem espaço de oposição.
Já viu o favor que o PS lhes fez, libertando-os de ter que votar a favor de orçamento com o qual estão de acordo, estão comprometidos até, desculpem a expressão.
Já sobre a posição do PCP em relação à guerra na Ucrânia, Paulo Raimundo assume que o partido podia ter comunicado de maneira diferente, mas sublinha que o tempo veio dar razão aos comunistas.
Passado este tempo, havia sempre, eventualmente, outras formas de dizer o mesmo. Só que foi aquilo que nós dissemos. E aquilo que nós dissemos, na questão central, está atualíssima e infelizmente, está-se a demonstrar que mais uma vez o PCP tinha razão. Eu até gostava que nós não tivéssemos tido razão.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, aqui em entrevista à Rádio Observador, numa altura em que ainda decorrem os trabalhos no Congresso do Partido Comunista em Almada.
E João Ferreira garante que o partido não vai ter falta de comparência nas eleições presidenciais.
Também em entrevista à Rádio Observador, vereador da Câmara de Lisboa e antigo candidato presidencial do PCP considera que nenhum dos nomes avançados até agora tem condições para o cargo. Sublinha que os comunistas não vão faltar à batalha em 2026.
Do lote de protocandidatos que têm sido lançados para cima da mesa, com franqueza, não é possível identificar, na diversidade desses protocandidatos, não é possível identificar aí quem esteja em condições de cumprir com este papel, pelo menos tal como o PCP o concebe. Vamos seguramente intervir nesta batalha. As condições em que o faremos a seu tempo, elas serão discutidas e havemos de tirar conclusções a respeito disto. O PCP nunca faltou a esta batalha. Não foi por falta de comparência do PCP que a Presidência da República esteve ao longo dos últimos 20 anos nas mãos da direita.
João Ferreira, que vai ser mais uma vez o candidato da CDU a Lisboa no próximo ano, autarquia em que os comunistas não quiseram fazer parte de uma plataforma de esquerda. O também antigo eurodeputado avisa que não se pode confiar num PS que ajuda a viabilizar Carlos Moedas.
As profissões de fé numa governação à esquerda valem o que valem quando conhecemos a opção assumida pelo PS de viabilizar, sejam quais forem as condições, a gestão de Moedas. O PS escolheu viabilizar, diferentemente do que faz noutros conselhos, até na área metropolitana de Lisboa, em Lisboa, Conselho de Lisboa, o PS escolheu viabilizar todos os instrumentos de gestão de Moedas, orçamentos, grandes opções do plano, orçamentos e planos de atividade das empresas municipais, sem qualquer condição.
João Ferreira, que faz ainda um balanço positivo dos primeiros anos de Paulo Raimundo na liderança do PCP.
O antigo deputado do PCP, Miguel Tiago, diz que o PCP sempre viu para além da máscara de Pedro Nuno Santos.
Em entrevista à Rádio Observador, Miguel Tiago foi questionado sobre a viabilização do Orçamento do Estado por parte do PS e responde que só se desilude quem está iludido, fala numa ladainha do Partido Socialista que não surpreende.
Eu creio que nós, os comunistas, sempre vimos para lá dessa máscara. E, portanto, quando me pergunta caiu a máscara, talvez para muita gente a máscara esteja a cair, mas para nós acho que não era nada que não esperássemos e, portanto, só se desilude quem está iludido. Nós não estávamos, mas é importante que as outras pessoas, aquelas que não estão aqui nesta sala, que não estão no Congresso do PCP, também percebam que esta é a ladainha do PS. O PS, o que vier a seguir é que é de esquerda, a ala de esquerda do PS, mas que, na verdade, depois tudo serve para justificar políticas de direita.
Declarações de Miguel Tiago, antigo deputado do Partido Comunista, a partir de Alma.
Agora 7:05, ainda na política, Pedro Nuno Santos diz que o governo desistiu do SNS.
Isto depois da publicação de uma portaria que obriga as grávidas a ligar para a linha telefónica antes de se dirigirem às urgências de ginecologia ou obstetrícia, entra em vigor na segunda-feira, para já apenas na região de Lisboa e Vale do Tejo. Ora, o secretário-geral socialista acusa o governo de ter fechado as portas das urgências por não ser capaz de resolver o problema.
O governo incapaz de resolver o problema da falta de médicos no SNS, é incapaz de resolver, eu não digo que tinha que resolver já, mas nem sequer tem uma estratégia para resolver e, portanto, aquilo que o governo decide fazer é dificultar o acesso aos serviços de urgência. E este encerramento das portas às nossas grávidas e às nossas mulheres que precisam de recorrer aos hospitais e aos serviços de obstetrícia é muito preocupante, porque claramente significa aquilo que nós sempre dissemos, este é governo que desistiu do Serviço Nacional de Saúde e julga que pode resolver os problemas com telefonemas.
Pedro Nuno Santos, esta tarde, à margem da apresentação dos candidatos autárquicos do PS de Évora.
E o secretário-geral do PS sublinha ainda que os avisos do governador do Banco de Portugal e sobre contas públicas são, de fato, para levar a sério.
Ontem, Mário Centeno avisou para a possibilidade das contas públicas voltarem ao déficit no próximo ano. O governador mostrou-se preocupado com o facto da despesa pública aumentar 10% este ano, o que pode pôr em causa as regras europeias. Pedro Nuno Santos pede realismo
Devemos levar muito a sério aquilo que diz o Governador do Banco de Portugal, porque como todos nós sabemos, e não é só em Portugal, é alguém com uma grande respeitabilidade, tem um histórico muito positivo, tem resultados que são reconhecidos em toda a Europa e em Portugal em particular. Portanto, devemos dar muita atenção àquilo que diz o Governador de Portugal, Mário Centeno, porque quando ele fala, sabe do que fala. Acho que temos que ser realistas, temos que ouvir todas as pessoas e instituições, e o Banco de Portugal é uma instituição muito importante e, portanto, temos que levar mesmo a sério aquilo que diz um Governador do Banco de Portugal.
Pedro Nuno Santos em Évora, em declarações registradas pela RTP3, ele que recusou falar de eleições presidenciais.
Agora na atualidade internacional, a Geórgia tem um novo presidente, foi eleito por sufrágio indireto através de uma votação feita no Parlamento. A especialista em assuntos internacionais, Madalena Mayer Resende, fala numa viragem no país.
Mikheil Kavelashvili foi jogador de futebol, chegou a representar o Manchester City, está na política há nove anos e assume posições antiocidente. Foi o candidato escolhido pelo partido com mais lugares no Parlamento para assumir a presidência. É a primeira vez que o chefe de Estado é eleito desta forma na Geórgia, uma decisão que estará relacionada com as incompatibilidades entre o governo pró-Rússia e a anterior presidente, com uma visão pró-europeísta. Ouvida pela Rádio Observador, Madalena Mayer Resende, especialista em relações internacionais, explica que não existem provas concretas que demonstrem que as eleições tenham sido alvo de fraude, como acusa a oposição. No entanto, diz que a eleição do novo presidente marca uma viragem para a Geórgia, que corre agora o risco de se tornar numa Bielorrússia.
Estamos perante uma situação em que poderemos ver um agravamento muito forte, não só do conflito, mas também da repressão no contexto da Geórgia, que nos faz lembrar um pouco o que aconteceu na Bielorrússia em 2019 e eventualmente, na criação de um Estado muito mais repressivo e de um regime parecido com o do Lukashenko.
A especialista Madalena Mayer Resende, em entrevista à Rádio Observador, fala ainda numa onda de autocratização na Europa de Leste, que está a agravar depois da eleição de Donald Trump.
E agora a fechar, Vasco, esta morte do fundador, aos 71 anos, das lojas do grupo Mango, depois de cair de uma ravina, foi na Catalunha.
De acordo com a imprensa espanhola, Isak Andic, fundador das lojas Mango, estava numa excursão com a família nas covas de salitre de Colbató, em Montserrat. Terá sido aí, durante uma excursão, que o empresário caiu de uma altura de 150 metros. Andic já tinha feito o percurso noutras ocasiões, mas terá perdido o equilíbrio e caído então numa ravina. A morte foi imediata. O corpo do empresário foi retirado já durante a tarde. Isak Andic era o homem mais rico da Catalunha, onde fundou o Império Mango e o dono de uma das principais fortunas espanholas.
Final do jornal com o Vasco Maldonado Correia. Informação de regresso às 19h30. A seguir vamos ter a primeira parte de conversas do Fim de Mundo. Então até já.
Até já.
Até já