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Jornal das sete, com Luís Soares.

Começando desde logo com a eleição do croata Boris Vujčić, que foi escolhido para o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu. Mário Centeno ficou pelo caminho, uma decisão tomada durante a reunião do Eurogrupo. De resto, já à entrada para a reunião, o ministro português das Finanças já tinha dito que seria difícil eleger Mário Centeno para a vice-presidência do BCE. Também durante o encontro, a Lituânia e a Estónia retiraram as candidaturas em favor da Letónia, mas no final foi o croata Boris Vujčić o nome escolhido. Mário Centeno acabou por se afastar da corrida quando percebeu que não tinha hipóteses face aos equilíbrios regionais que se estavam a formar, como explica o jornalista de economia do Observador, Edgar Caetano.

A desistência tem a ver com o facto de se perceber que não ia ter muitas possibilidades de conseguir. Aliás, é curioso que quando se viu a desistência do candidato da Lituânia e da Estónia, percebeu-se que aqueles três países bálticos, aos quais se juntaria a Letónia, estavam a unir-se, a tentar ganhar força para que se elegesse aquele que era visto como o principal rival de Mário Centeno. Pelo menos, esses dois, o letão e o português, tinham sido escolhidos pelo Parlamento Europeu.

Edgar Caetano, jornalista de economia do Observador. O croata Boris Vujčić é então o nome escolhido para vice-presidente do BCE, num reconhecimento aos países de Leste Europeu, para onde a zona euro se tem alargado.

António José Seguro diz que está feliz com os apoios que está a receber depois da vitória de ontem na primeira volta das presidenciais. Mas, lembra Seguro, nada está ganho.

O candidato mais votado na primeira volta das presidenciais considera que o resultado conquistado é fruto da confiança entre o candidato e os portugueses. Quanto ao apelo de apoio que fez para a segunda volta, afirma que está a ser bem-sucedido, já que tem conseguido apoios de figuras do PSD. António José Seguro até revela que vêm aí mais apoios.

Representa que o apelo que eu ontem fiz está a ser bem-sucedido. Eu ontem apelei a todos os democratas, aos progressistas e aos humanistas para se juntarem a esta candidatura, que é uma candidatura pela liberdade e pela democracia, num momento muito exigente da vida do nosso país e da vida da Europa e até do mundo. E isso também como uma resposta à atitude do Luís Montenegro? Vejo estes apoios como manifestação de confiança e que correspondem a esse apelo que eu fiz. Fico feliz, muito feliz, e sei que há outros que estão em vias de ser também tornados públicos, e isso é muito bom.

Mas não nomeia quais. António José Seguro, que fica feliz com esses apoios, como uma manifestação de confiança na candidatura, uma candidatura pela liberdade e pela democracia, num momento, explica Seguro, muito exigente, tanto a nível nacional como internacional. Lembrando ainda que nada está ganho, António José Seguro vai regressar à estrada já amanhã para a campanha da segunda volta. Vai visitar um centro de saúde na área metropolitana de Lisboa.

E vários nomes ligados ao PSD declararam já apoio a Seguro na segunda volta, mas há um que vai ficar em silêncio.

É o do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Vai manter-se em silêncio na segunda volta das presidenciais. Na Agência Lusa, numa resposta por escrito, diz Pedro Passos Coelho que não deseja fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais. Alguns militantes do PSD já fizeram saber que vão votar em Seguro na segunda volta, como Miguel Peixoto Maduro, Pedro Duarte ou José Eduardo Martins. Igualmente, o deputado do PSD, Cristóvão Norte, que em entrevista à Rádio Observador, considera que o sentido democrata de Seguro se sobrepôs a visões diferentes sobre a sociedade.

É alguém que eu considero que respeita princípios democráticos fundamentais e que, na sua ação política, não tem como propósito exaltar ânimos, instigar ódios, estimular divergências entre as pessoas. E, portanto, por isso, nessa circunstância, entendi tornar público o meu apoio e o meu voto nessa candidatura.

Cristóvão Norte vai votar em António José Seguro na segunda volta das presidenciais. O social-democrata admite ainda que compreende a decisão do PSD de não endossar votos a nenhum dos dois candidatos. Explica que se trata de uma questão de governabilidade. Ontem, Luís Montenegro anunciou que o PSD não vai dar qualquer indicação de voto na segunda volta das presidenciais.

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, diz que a direita e o centro-direita tiveram uma derrota monumental nestas presidenciais.

Considera que a fragmentação desta ala política transformou o que parecia ser uma consolidação de poder num fracasso. Miguel Albuquerque afirma que não vai apoiar nenhum candidato na segunda volta. Diz ainda que o PSD regional também não vai dar qualquer indicação de voto. Já pelos Açores, José Manuel Bolieiro diz que vai respeitar a decisão do povo, mas também não vai dar qualquer indicação de voto. O presidente do Governo Regional reconheceu o mau resultado de Marques Mendes, sendo que Bolieiro esteve ao lado do candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS. Marques Mendes ficou em terceiro lugar no arquipélago. António José Seguro foi o candidato mais votado na região e André Ventura ficou em segundo. O líder regional dos Açores afirmou também que espera que o próximo presidente entenda a importância geopolítica e geoestratégica dos Açores.

E o secretário-geral do PS desafia o primeiro-ministro a ser mais claro sobre quem vai apoiar na segunda volta.

Sobretudo, se Luís Montenegro está do lado de André Ventura ou do lado de António José Seguro. José Luís Carneiro desafia Montenegro a clarificar essa posição.

Entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia, não pode haver neutralidade política. E do meu ponto de vista, ele deve ter uma posição mais clara sobre se está do lado dos valores constitucionais e do lado dos valores democráticos, ou se está do lado daqueles que atentam contra os valores constitucionais e contra os valores democráticos.

O desafio deixado por José Luís Carneiro a Luís Montenegro esta tarde à margem de uma iniciativa em Braga.

E o antigo líder do PS, Pedro Nuno Santos, também veio a público manifestar-se. Considera que Luís Montenegro está a facilitar a vida a André Ventura ao não declarar o apoio a António José Seguro na segunda volta.

Neste caso, foi numa mensagem nas redes sociais. Pedro Nuno Santos diz que esta decisão do líder do PSD faz mal à democracia. O antigo líder socialista considera que ao sinalizar, junto dos eleitores da AD, que o PSD está à mesma distância do Chega que está do PS, legitima a transferência de votos da AD para o partido de André Ventura. Diz também Pedro Nuno Santos que Montenegro tinha, na segunda volta, a possibilidade de recentrar o partido, mas não percebeu que no atual contexto político, mais facilmente se transferem eleitores da AD para o Chega do que do Chega para a AD. Termina Pedro Nuno Santos a dizer que o primeiro-ministro deve pedir ou deve querer que André Ventura não tenha mais votos do que os que Montenegro teve nas legislativas.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 19 de janeiro.

A Dinamarca e a Gronelândia propõem a criação de uma missão da NATO no Ártico. Os líderes dos dois países fizeram a proposta ao líder da Aliança Atlântica, Mark Rutte, durante um encontro que tiveram hoje. Citado pela Sky News, o Ministro da Defesa da Dinamarca diz que a proposta foi feita e acredita que pode ser estabelecido esse plano sobre como alcançar essa missão. Também a líder da diplomacia europeia, Kaja Kallas, garante que a Gronelândia e a Dinamarca não estão sozinhos. Foi numa reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois territórios. Kallas assegura que a Europa não tem interesse em começar uma guerra, mas vai manter-se firme. Entretanto, entrevistado pela NBC News, o presidente norte-americano não quis comentar se pode usar ou não a força militar para anexar a Gronelândia. Não descartou, no entanto, também essa possibilidade. Nesta entrevista, Donald Trump disse que os europeus se deviam focar na guerra da Ucrânia, em vez da Gronelândia, e ameaçou novamente com tarifas, assegurando que não vai mudar de ideias. Pelo menos dois cidadãos portugueses estiveram envolvidos no descarrilamento de dois comboios em Espanha, que matou mais de 30 pessoas. A informação é dada por fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Rádio Observador. Um dos portugueses já está em casa e bem de saúde. Sobre o outro, que foi sinalizado também pelas autoridades espanholas, ainda não há detalhes em relação ao estado de saúde. Entretanto, os especialistas espanhóis que estão a investigar o acidente encontraram uma junta partida na zona da linha onde aconteceu o descarrilamento. Era o elo de ligação entre partes dos carris, bem perto do local onde ontem dois comboios de alta velocidade descarrilaram na Andaluzia. Ainda a notícia da morte do designer de moda italiano Valentino. Tinha 93 anos, morreu em Roma, impulsionou o glamour da moda. É conhecido também pela elegância e pelo uso da cor vermelha, o vermelho Valentino, que marca as criações do artista. A estilista Fátima Lopes considera Valentino uma figura incontornável, não só de Itália, como do mundo, e destaca o estilo próprio do designer e os detalhes do trabalho do criador.

Os artistas têm o estilo próprio e ele tinha verdadeiramente o seu estilo. Desde criar o novo vermelho a toda a elegância, os detalhes num trabalho artesanal que ele fazia questão na alta-costura. Apesar de ele ter várias linhas de moda, a alta-costura era aquela que se destacava e que o mundo inteiro reconhece e que hoje se perde.

Fátima Lopes, a estilista portuguesa, a recordar Valentino, que se tornou uma referência internacional que irá perdurar para além da vida do designer. O funeral do fundador da Casa Valentino está marcado para sexta-feira, em Roma.

E o Luís Soares vai regressar aqui à Rádio Observador para atualizar as notícias às 19h30.