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Jornal das 10 com a Laura Figueiredo. E Laura, o Ministro da Educação diz que as escolas têm a obrigação de fazer chegar as notas aos alunos ainda hoje, mas admite que centenas de exames não terão nota. Nesses casos, surgirá a indicação de suspenso no espaço da avaliação. Em entrevista à SIC, Fernando Alexandre explica que parte dos casos sem avaliação se deve ao atraso no envio dos exames por parte das escolas.
Há umas centenas de provas em que há falhas. As falhas são diversas. Vou-lhe dizer, por exemplo, exemplos de provas que chegaram ao Educa nas últimas semanas, incluindo na última semana, ou seja, que não foram entregues na altura pela escola. Essa é uma situação que tem que ser avaliada com muito cuidado. Eu penso que essas provas não têm condições, porque está em questão a própria integridade da prova, para ter uma nota agora. Ou seja, o Educa, o Júri Nacional de Exames, vão ter que olhar para essas situações.
Entretanto, o Educa, Instituto dos Educação, Qualidade e Avaliação, diz que esses casos serão solucionados, mas ainda não sabe de que forma. Ainda na mesma entrevista, Fernando Alexandre diz que, apesar das dificuldades, estão garantidas as condições para a publicação das notas ainda hoje.
Eu penso que elas serão publicadas ainda hoje. Penso que há todas as condições para isso. As escolas estão habituadas a fazer este processo. Eu penso que as condições estão reunidas. Não estou a dizer que não haja uma escola ou outra que possa ter alguma dificuldade, mas este calendário, este timeline, estava bem definido.
O ministro da Educação afirma ainda que o lançamento das notas dos exames é da responsabilidade dos diretores das escolas e avisa que vai pedir justificações se existirem atrasos.
Hoje é um dia que as escolas sabem que as notas iam chegar. Os diretores têm essa responsabilidade, têm a responsabilidade também de preparar as equipas. Aliás, eu durante o dia falei com imensos diretores e todos me transmitiram precisamente essa mensagem de que estavam ao serviço da escola pública, ao serviço dos alunos. Eu teria muita dificuldade em perceber, as famílias também, os alunos também, que pelo fato das notas chegarem às 19h30, não seriam lançadas. Pode acontecer, mas eu vou precisar da justificação do diretor e será pedida individualmente a cada um, se isso acontecer.
Na mesma entrevista, o ministro confirmou ainda que o governo vai pagar horas extraordinárias aos professores que estiverem a corrigir exames. Fernando Alexandre disse ainda estar de consciência tranquila. Remeteu a continuidade no governo para o primeiro-ministro. E a esta hora, Laura, há escolas que têm já as pautas afixadas. É o caso da Escola Rainha Dona Leonor, em Lisboa. A diretora optou por manter a escola aberta depois do apelo do ministro da Educação. É nesta escola que está o repórter do Observador, Ricardo Lopes, agora em direto. Boa noite, Ricardo. Depois de uma longa tarde de espera, já há notas afixadas.
Boa noite, Laura. O relógio marcava 21h24 quando, de repente, ouve-se um grito de cerca de 50, 60 alunos que esperavam pacientemente aqui à porta desta escola secundária. Foi o momento em que viram os professores do secretariado de exames descer as escadas até à vitrine onde afixaram as notas. Depois de uma tarde que se mostrou longa, estive aqui desde as 15h dar conta disso mesmo, vários alunos muito ansiosos com todo este processo moroso e de extrema incerteza. Testemunhei aqui também, nos últimos momentos, um descarregar de emoções, choro, riso, abraço aos pais, abraço aos colegas. Temos notas. Finalmente, estes alunos podem então fazer contas à vida e perceber que rumo leva o percurso de estudantes. Este, aliás, foi um processo particularmente penoso para os alunos do 12° ano, que tencionam agora entrar no ensino superior. Eu estou na companhia de Ângela Loureiro, que veio aqui à escola ver finalmente as pautas com a filha. Mas Ângela, as notas da sua filha não são aquilo que estava à espera. Há aqui uma negativa com a qual não concorda. Diz que a correção poderá ter sido mal feita.
Sim, de facto, é verdade. Daquilo que nós vimos quando foi feito o exame e tivemos acesso à chave da prova, não concordo. Acho que há alguma questão que não foi corrigida, até porque tem nove e, portanto, não pode de maneira nenhuma, quando só no primeiro grupo ela tem oito valores. Ao longo de todo o resto do exame, não é possível darem só um valor. Portanto, vamos pedir, obviamente, uma reavaliação da prova, quando a tivermos conosco. Hoje não nos vai ser disponibilizada. Falei com a diretora da escola, que me disse que provavelmente será segunda-feira que vão começar a enviar pra nós. Depois temos dois dias pra pedir essa reavaliação e vamos ver o que é que vamos fazer, porque todo este processo é um processo impensável pra estes miúdos e pra nós pais. Porque, efetivamente, o que acontece é que ninguém está contra este método de avaliação. É uma inovação, é verdade, ou melhor, já não é assim tão inovação. Sabemos que já não tinha corrido bem num projeto-piloto, mas entretanto quis fazer tudo ao mesmo tempo. E se calhar não estávamos ainda em condições de fazer isto, nomeadamente, que temos que pensar também não só nos alunos que vão concorrer agora. Nós temos miúdos que se vão candidatar, os períodos de candidatura tinham que estar as inscrições feitas até dia 24. Não vão estar porque não têm a chamada ficha ENES, que só vai estar disponível a partir, pelo menos, de quarta-feira. Vão pra segunda época de exames sem saber como é que é. Não temos ainda estes exames corrigidos. Portanto, há uma série de questões que não faz sentido absolutamente nenhum, pra além de que eu acho que ninguém se está a lembrar, por exemplo, dos alunos que vão estudar pro estrangeiro, que não vão concorrer às universidades portuguesas.
Há essa dificuldade acrescida. Só uma pergunta muito rápida pra finalizar. A diretora desta escola chegou a dizer que não estavam reunidas as condições pra afixar as notas, mas depois recuou perante um apelo do Ministério da Educação. Toda esta incerteza, como é que viveu este dia enquanto mãe, enquanto a lidar também com a ansiedade da filha?
Fui acalmando a minha filha o dia inteiro, eu ansiosa, obviamente. Para acalmar um pouco e estarmos mais perto da escola, viemos jantar a Alvelade. E a verdade é que às 19h disseram-nos que não ia ser possível. Às 19h30 disseram que talvez fosse possível e que iam fazer todo esse esforço. Foi feito o esforço. É de louvar aquilo que a escola fez, aquilo que os professores fizeram, os funcionários. Espero que lhes deem mais dias de férias, porque os merecem e muito bem. Temos uma senhora, que é a senhora que está à porta, que a esta hora está aqui ainda, deveria ter saído às 18h. Espero, sinceramente, que alguém olhe para tudo isso e que se veja o esforço que foi para os miúdos, para nós, pais, sobretudo para os miúdos e para os professores, porque todos eles estão na mesma carruagem. Isto é um comboio em andamento, não há possibilidades das coisas poderem ser feitas desta forma.
Muito obrigado, Ângela Loureiro, mãe de uma aluna que questiona aqui os critérios da avaliação, diz que a correção pode ter sido mal feita, vai então pedir essa reavaliação. Portanto, Laura, o impasse e a incerteza mantêm-se para algumas famílias que se confrontam agora com algumas eventuais falhas deste processo de correção e também de fixação de pautas. Entretanto, três horas depois do horário normal de funcionamento desta escola, vai agora fechando o portão.
Jornalista Ricardo Lopes na escola Rainha Dona Leonor, em Lisboa, onde a esta hora já estão fixadas as notas. O Presidente da República espera que os responsáveis pelo processo dos exames resolvam os problemas, mas não fala sobre consequências políticas. António José Seguro pede uma resolução rápida dos problemas com os exames nacionais e vinca que se deve salvaguardar que nenhum aluno fique prejudicado.
A minha preocupação é que todos os que têm responsabilidade no processo possam contribuir para que rapidamente os problemas desapareçam e, sobretudo, os alunos e as famílias tenham acesso à classificação dos exames e das provas que prestaram. É muito importante que isso aconteça e que nenhum aluno fique prejudicado pelos erros que ocorreram.
O Presidente da República a responder aos jornalistas à margem da inauguração da requalificação do Museu da Gulbenkian, em Lisboa. Questionado ainda sobre a forma como os exames nacionais e as polêmicas sobre Luís Neves, ministro da Administração Interna, têm impacto no governo, António José Seguro reservou comentários para outros locais.
O Presidente da República está sempre muito atento e acompanha tudo o que se passa em Portugal e na vida nacional, mas fala no momento certo e no local adequado.
O chefe do Estado em resposta aos jornalistas sobre os problemas com o governo de Luís Montenegro. E perante a subida do preço dos combustíveis, o governo vai aumentar o desconto no imposto sobre os produtos petrolíferos. Na próxima semana, o preço do gasóleo e da gasolina vai subir. É essa a previsão da ANAREQ, a associação que representa os revendedores de combustível. No caso do gasóleo, o aumento deve chegar aos dois dígitos, 12 cêntimos, no caso da gasolina, cinco. Esta tarde, o governo anunciou um aumento do desconto do imposto sobre os produtos petrolíferos.
No gasóleo, o desconto será reforçado. Há um desconto adicional de seis cêntimos que, com imposto, significa 7,4 cêntimos. Na gasolina, 4,6 cêntimos de desconto adicional, o que significa 5,7 com imposto. Nós continuaremos a aumentar os descontos para poupar os portugueses e não termos o Estado a lucrar com o aumento do preço dos combustíveis.
António Leitão Amar, o ministro da Presidência, no briefing do Conselho de Ministros esta tarde, já depois de conhecida a previsão do aumento dos combustíveis. A fechar, Laura, vamos a outras notícias em destaque. O último concurso para médicos de família preencheu 273 vagas, num total de 711 disponíveis. Para a Administração Central do Sistema de Saúde, que divulgou os números, este resultado vai garantir um especialista para mais de 400 mil utentes. Isto acontece na sequência da decisão do Ministério da Saúde de abrir todas as vagas solicitadas pelas unidades locais de saúde. Entidade responsável pelo processo indica também que este ano ingressaram no concurso mais 42 médicos de família do que no ano passado. Na atualidade internacional, foi registado um sismo de 5.4 na escala de Richter, a cerca de 200 km a sudeste de Salalah, no sul do Omã, no mar Arábico. A informação é avançada pelo Serviço Geológico da Arábia Saudita. Para já não há registro de danos ou vítimas. O Irã ameaça com uma ofensiva em larga escala se os Estados Unidos continuarem a atacar o país. Um dos principais conselheiros do líder supremo do Irã avisa que o país vai entrar numa fase de destruição ofensiva e completa se os Estados Unidos continuarem a atacar o Irã nos próximos dois a três dias. Entretanto, a Marinha iraniana atacou um navio norte-americano no oceano Índico com um míssil de cruzeiro terra-mar. A informação é avançada pela agência de notícias iraniana INA. Também na última hora, o Irã acusou os Estados Unidos de atacarem o navio iraniano na ilha de Kharg. Laura Figueiredo com o jornal das 10h.