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Duas horas. Boa noite, meu nome é Rita Lourenço, vamos às notícias. Começamos com as atualizações do conflito no Médio Oriente. Esta noite a escalada de tensões está a alastrar-se por vários países. O Bahrein afirma que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram drones iranianos que sobrevoavam o país. Esta informação surge na sequência de um aviso anterior do Ministério do Interior do Bahrein, que instava os residentes a procurarem abrigo em locais seguros. Ainda de acordo com a Al Jazeera, no Kuwait, o exército afirma estar a responder ao que descreve como ataques de drones hostis, na sequência da mais recente ação iraniana. E há momentos, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão afirma que as forças levaram a cabo um ataque contra instalações norte-americanas na província de Erbil, no norte do Iraque. A notícia avançada pela Al Jazeera afirma que estes ataques são ainda em retaliação ao ataque norte-americano contra uma festa de casamento na cidade costeira de Sirik, no sul do país, que causou a morte de quatro pessoas, incluindo uma criança. No comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que o ataque destruiu um centro de reparação e armazéns que continham equipamento técnico, bem como um sistema de orientação de vigilância dos Estados Unidos da América. Afirmou ainda que tanques de combustível da base foram incendiados e que vários membros do pessoal norte-americano foram mortos. Não houve, no entanto, até ao momento, qualquer confirmação independente destas alegações. Antes destes ataques, já o Irão tinha reivindicado outros contra bases norte-americanas no Bahrein e na Jordânia, onde afirma ter matado soldados americanos. No entanto, os Estados Unidos da América ainda não registaram estas baixas, com o porta-voz das Forças Armadas da Jordânia a afirmar que não se registaram feridos nem vítimas mortais. Estes ataques surgem no mesmo dia em que os Estados Unidos levaram a cabo uma vaga de ataques contra vários alvos iranianos perto do estreito de Ormuz, em retaliação aos ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica contra navios comerciais no estreito, de acordo com a Al Jazeera. Pelo menos duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas na cidade de Sirik, no sul do Irão, como avançámos há pouco. De recordar que em declarações à Fox News, na tarde desta terça-feira, Donald Trump ameaçou dizimar o Irão caso o país respondesse aos ataques norte-americanos. Porém, o Comando Central dos Estados Unidos anunciou o fim dos ataques contra o Irão por esta terça-feira e até agora parece estar a cumprir. A informação foi avançada pelo próprio CENTCOM, através de uma publicação na rede social X. O Comando Central afirma, no entanto, que mais de 50 mil militares norte-americanos estão ainda presentes no Médio Oriente e permanecem vigilantes letais e preparados para continuar a executar operações. Ainda sobre este conflito, a Rússia tem ajudado secretamente o Irão a desenvolver mísseis de cruzeiro supersônicos avançados. É uma das transferências mais significativas de tecnologia militar estratégica de Moscovo para Teerão, isto de acordo com o jornal Financial Times. Um processo que foi iniciado há três anos. E Maria Inês Rocha, como é que se deu esta ajuda secreta?

O jornal britânico Financial Times apurou que o programa secreto foi iniciado pela Rússia em 2023 com o nome de código C400-C30L. O objetivo era ajudar o Irão a desenvolver uma nova classe de armamento, nomeadamente os mísseis de cruzeiro supersônicos, que combinam a velocidade com a capacidade de voar a baixa altitude. Isto faz com que os sistemas de defesa aérea demorem mais tempo a detetar e interceptar os mísseis. Isto é especialmente relevante para o Irão, no Golfo Pérsico, onde os Estados Unidos e os aliados regionais operam sistemas avançados de defesa terrestre e marítima. Com este novo sistema de propulsão ramjet, o Irão seria capaz de ameaçar porta-aviões e outros navios de guerra norte-americanos no Médio Oriente. O especialista em mísseis iranianos, Fabian Hinz, explica ao Financial Times que os iranianos desejam adquirir há décadas esta tecnologia militar altamente sensível e estratégica. O Irão já construiu e testou em voo o sistema de propulsão ramjet, mas não há provas de que tenha sido implantado um míssil de cruzeiro supersônico com assistência russa. A correspondência divulgada mostra ainda que as negociações sobre o programa continuaram até este verão.

Maria Inês Rocha, com os detalhes desta ajuda secreta da Rússia ao Irão. Vamos agora à atualidade política nacional. O líder do Chega está inclinado para avançar com a moção de censura ao governo. É o que afirma André Ventura, que justifica esta tendência com as explicações dadas por Luís Neves esta terça-feira. O líder do Chega sublinha, porém, que a decisão terá de ser tomada com responsabilidade, uma vez que é líder de um partido e em nome da integridade e da decência.

Eu, pessoalmente, estou mais tendente a avançar do que a não avançar face a este conjunto de suspeitas que lhe referi.

O que está a dizer é: quer muito avançar, mas algo o deixa.

Não, estou a dar-lhe uma opinião pessoal, estou a dá-la aqui enquanto cidadão, enquanto líder de um partido. Tenho uma responsabilidade, eu não faço a gestão de mim próprio só. Eu lidero um partido, o segundo maior do país, com muitos milhares de militantes, com muitos deputados, com muitos dirigentes. A minha tendência é esta face ao que está a acontecer e face às explicações absolutamente atrozes de Luís Neves durante a tarde de hoje. Porém, farei aquilo que, em nome da integridade e da decência, acho que deve ser feito.

André Ventura, que remeteu a decisão acerca desta moção de censura para o dia de quarta-feira, afirma ainda que dentro do partido há um consenso para avançar com a moção de censura ao Executivo e que esta vontade vem também de outras áreas políticas.

Se eu anunciar amanhã que vamos interpor uma moção de censura, João, é porque eu estou convencido disto: 100% dos deputados estão ao lado desta iniciativa, a grande maioria da sociedade civil está ao lado desta iniciativa e a grande maioria de pessoas, mesmo de outras áreas políticas, mas que tiveram responsabilidades e que intercruzam com o espaço do centro-direita e da direita, querem esta moção de censura.

A garantia de André Ventura em entrevista à CNN Portugal esta terça-feira. E a presidente da comissão parlamentar, onde Luís Neves vai ser ouvido na próxima semana, explica que apesar de não fazer parte da comissão, o líder do Chega vai poder estar presente e questionar o ministro. Luís Neves vai ser ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais. A deputada do PSD e presidente da comissão, Paula Cardoso, admite que o foco desta audição são as questões de governação e não as polêmicas que envolvem o ministro. Ainda assim, garante que os deputados são livres de colocarem as perguntas que entenderem.

Qualquer deputado pode ir à comissão fazer as questões, desde que seja dada nota à comissão de que ele irá substituir um outro deputado efetivo daquela comissão. Portanto, isso é perfeitamente possível. As audições regimentais servem basicamente para escrutínio da atividade do ministro nas áreas que dizem respeito à comissão, portanto, nas áreas da sua governação. Como é óbvio, muitas das vezes extravasam para situações que estão na ordem do dia, como é o caso desta. É evidente que qualquer deputado é livre, e nós temos essa prática, de perguntar aquilo que entender, deixando depois à livre vontade do ministro responder ou não.

A garantia da social-democrata Paula Cardoso, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, onde Luís Neves será ouvido na próxima semana. À margem da cerimônia de comemoração do aniversário do Comando Regional da PSP na Madeira, Luís Neves, ministro da Administração Interna, desafiou diretamente André Ventura para ir a esta comissão parlamentar e colocar-lhe as questões que entender.

No próximo dia oito, dentro de oito dias, na parte da tarde, terei a audição regimental no Parlamento. Quer dizer ao deputado André Ventura que estou totalmente disponível para lhe responder a qualquer questão que ali seja colocada.

Luís Neves, que durante o discurso oficial no aniversário do Comando Regional da PSP da Madeira, disse ainda que nada o vai afastar do cargo que desempenha atualmente. E Luís Montenegro lembra Francisco Pinto Balsemão, diz que o antigo primeiro-ministro serve de inspiração para estes momentos mais difíceis do governo. O chefe do executivo marcou presença esta terça-feira na inauguração de uma avenida com o nome de Francisco Pinto Balsemão e pegou na vida do social-democrata para deixar avisos à comunicação social e encontrar motivação para continuar nos momentos mais conturbados da vida do executivo, como explica o Vasco Maldonado Correia.

De um lado, o mar, do outro, um conselho a que o antigo primeiro-ministro dedicou grande parte da vida. Francisco Pinto Balsemão dá agora nome a uma avenida de 2,5 km em Cascais. Luís Montenegro presta homenagem a um homem que descreve como otimista e que serve de inspiração ao governo em momentos de tempestade.

Confesso-vos aqui, como primeiro-ministro, em nome do governo, que o exemplo dele nos motiva, nos incentiva, nos estimula para podermos também não definhar perante as adversidades e poder reconquistar confiança, poder reconquistar ânimo, quando às vezes os indícios são em sentido contrário.

O primeiro-ministro olha pra vida de Balsemão e encontra um exemplo para algumas das políticas do futuro.

Talvez das maiores lições que nos deixou nos últimos anos foi precisamente mostrar que nós não temos de ter medo de nada, não temos de temer a evolução, não temos de temer a transformação.

E assume que nem sempre o antigo líder do PSD pôde ser pedra de apoio.

Porque ele também não era fácil. Eu que o diga. De resto, perdoe-me aqui esta nota pessoal, muitas vezes gostava mais de ter tido o apoio que do ponto de vista partidário procurava e não tive. Mas isso foi uma manifestação de exigência de liberdade que culminou sempre em grandes conversas.

Montenegro destaca o Balsemão político, mas também o jornalista, para dar um puxão de orelhas à comunicação social.

Num mundo marcado pela desinformação, pela manipulação, pela deturpação, pela insinuação, o rigor, o espírito livre, com certeza, mas o rigor, os princípios, o princípio da verdade, são hoje determinantes para nós termos um futuro mais risonho.

Homenagem de Luís Montenegro, que não prestou declarações aos jornalistas, saiu de carro da cerimônia já a percorrer a nova avenida Francisco Pinto Balsemão.

Vasco Maldonado Correia, a acompanhar a cerimônia de homenagem a Francisco Pinto Balsemão, que contou com a presença da família do antigo primeiro-ministro e várias caras ligadas ao governo e ao PSD. Esta foi a notícia de fecho neste jornal das duas da manhã. O essencial da informação será atualizado às 14h30.